dezembro 12, 2016

[ETC.] OLÍVIA, UM TEXTO DESCRITIVO

Olívia, minha musa inspiradora, com 1 ou 2 meses.

 

Estou fazendo um curso de redação na modalidade EAD pela Universidade Federal Fluminense (UFF), intitulado “Redação Prática: comunicando ideias por escrito“. Tem sido uma ótima oportunidade para aprender e treinar essa arte trabalhosa que é a escrita. Meu primeiro exercício prático foi elaborar um texto descritivo. Alguns temas foram propostos e eu escolhi escrever sobre um ser humano que eu conhecesse bem. Como é notório, Olívia tornou-se o meu tema favorito! Confira o texto abaixo; críticas são (sempre) muito bem-vindas!

 

Olívia

Ela veio ao mundo trazida pelo sol de uma terça-feira. Antes disso, sentia-se confortável. Vivia em um lugar quente, aconchegante e seguro. Obviamente, nos últimos tempos o aconchego dava lugar a um aperto, em que mal conseguia mexer-se. Sentia a sua casa mover-se em demasia, como se não houvesse um lugar em que pudesse repousar. Ainda assim, era o melhor lugar do mundo para se viver.

Na nova casa, uma casa muito diferente daquela a qual acostumara-se, gostava de perceber tudo. Seus olhos, desde as primeiras piscadelas, eram, portanto, atentos, como se quisesse reconhecer o quanto antes aquele mundo que outrora fora apenas sons e leves movimentos. Era tanta informação! Seria capaz de aprender tudo? Teria que aprender, pois não era possível retornar à antiga casa. Fora arrancada depois de uma janela ter sido aberta, depois de haver sido forçada durante muitas horas a sair sozinha.

Tinha bom peso e medidas. Mediram-lhe toda. De uma pontinha a outra. Falaram alguma coisa sobre estar tudo bem a uma pessoa que não conhecia ainda. Ela estava deitada e adormecera antes que o médico pudesse acabar de falar. Sua pele, de aspecto aveludado e um aroma angelical, possível apenas em seres recém-chegados a este universo, era branca, mas não pálida. Parda, como dizia alguns papéis, inclusive o que serviria para o seu registro civil. Tinha cabelos. Alguns cabelos negros, assim como o de seus pais. Mas com falhas, o que, entretanto, não roubava-lhe um milímetro sequer de graciosidade. Era de uma beleza ímpar, assim como todos os bebês.

Pensava ser o mundo uma escuridão orquestrada por batidas ora regulares, ora irregulares. Sentiu-se feliz em reconhecer as mesmas batidas e uma voz, a primeira voz de que teve consciência, em um dos abraços que recebeu. Soube que era da pessoa que ainda não conhecia; aquela que adormecera em uma mesa antes que o médico conseguisse finalizar a frase. Olívia gostava de ficar naquele abraço. Foi amor à primeira percepção. Aquele abraço, colo, como diziam, dava-lhe sustento. Era um abraço com cheiro de lar.

Era uma menina, mas já havia ganhado o mundo. Tinha uma grande família e um lar acolhedor. Tinha um quarto só dela, mas dormia com o colo que tinha cheiro de lar e dava-lhe sustento, e com outra pessoa, que também tinha cheiro de lar. Começara a fazer coisas e emitir sons que alarmavam a todos, especialmente sua mãe. Soube quem era sua mãe. E também, seu pai. Um pequeno choro e já não estava mais sozinha, podia ser claro ou escuro, como em sua antiga casa.

Percebeu-se feliz, pois sua chegada iluminara a todos. Muito mais que o sol daquela manhã.

julho 21, 2016

[LETRAS] LATIM, PRA QUE TE QUERO

latin

Estou iniciando, neste segundo semestre, o estudo da disciplina que está dentre as mais importantes do curso de Letras, o Latim. Voltarei a falar mais sobre as aulas na medida em que eu for assimilando o conteúdo. Enquanto isso, compartilho aqui o texto abaixo, retirado do blog Quando Tudo é Importante, que foi disponibilizado no ambiente virtual de boas vindas da disciplina Latim Genérico, na Plataforma Cederj.

 

DAD SQUARISI: LATIM, PRA QUE TE QUERO?

 Expulsaram o latim da escola há meio século. Não adiantou. Teimosa, a “linguinha” bate à nossa porta sem cerimônia. Na televisão, o ministro diz que é demissível ad nutum. O jornal anuncia que o presidente recebeu o título de doutor honoris causa. O advogado afirma que vai entrar com pedido de habeas corpus em favor do cliente.

 

Mais: a placa do restaurante ostenta o nome Carpe Diem. O professor pede: “Escreva assim, ipsis litteris”. O repórter considera sui generis a reação do candidato. O diplomata foi tratado como persona non grata. Dura lex, sed lex, consola o juiz.

 

Criaturas tão íntimas merecem tratamento respeitoso. A reverência impõe duas condições. Uma: grafá-las como manda a norma culta. A outra: dominar-lhes o significado. Vamos lá?

 

Ad nutum quer dizer à vontade. O empregado sem estabilidade pode ser demitido segundo o humor do patrão — a qualquer momento.

 

Honoris causa significa pela honra. Para ostentar o título de doutor, a maioria dos mortais tem de ralar. Mas pessoas ilustres podem chegar lá sem exame. Tornam-se doutores honoris causa.

 

 Habeas corpus é o nome da lei inglesa que garante a liberdade individual. Em português claro: que tenhas o corpo livre para te apresentares ao tribunal.

 

 Carpe Diem dá o recado: aproveita o dia de hoje. A vida é curta; a morte, certa.

 

 Ipsis litteris tem a acepção de textualmente — sem tirar nem pôr.

 

 Sui generis: ímpar, sem igual.

 

 Persona non grata: usada em linguagem diplomática para dizer que a pessoa não é bem-aceita por um governo estrangeiro. Pessoa que não é bem-vinda.

 

 Dura lex sed lex? Está na cara, não? É isso mesmo. A lei é dura, mas é lei.

 

 Reparou? As expressões latinas não têm acento nem hífen. Se aparecer um ou outro, elas perdem a originalidade. Entram, então, na vala comum dos compostos. Ganham hífen. Compare: via crucis e via-crúcis, habeas corpus e hábeas-corpus, in octavo e in-oitavo.

 

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