abril 05, 2019

[LANÇAMENTO] A RIDÍCULA IDEIA DE NUNCA MAIS TE VER, DE ROSA MONTERO

Sinopse: Um livro sobre o luto e suas consequências. Quando Rosa Montero leu o impressionante diário (incluído como apêndice neste livro) que Marie Curie escreveu após a morte de seu marido, ela sentiu que a história dessa mulher fascinante guardava uma triste sintonia com a sua própria: Pablo Lizcano, seu companheiro durante 21 anos, morrera havia pouco depois de enfrentar um câncer. As consequências dessa perda geraram este livro vertiginoso e tocante a respeito da morte, mas sobretudo dos laços que nos unem ao extremo da vida.”

 

A Editora Todavia está lançando o livro A ridícula ideia de nunca mais te ver, da autora espanhola Rosa Montero. Aqui no blog tem resenha de A louca da casa (HarperCollins, 2015), uma leitura que eu gostei muito e fez eu me tornar fã desta autora. Este mais recente lançamento da Todavia já entrou na minha pequena-grande-lista de desejados!

 

Leia um trecho de A ridícula ideia de nunca mais te ver abaixo:

Como não tive filhos, a coisa mais importante que me aconteceu na vida foram os meus mortos, e com isso me refiro à morte dos meus entes queridos. Talvez você ache isso lúgubre, mórbido. Eu não vejo assim. Muito pelo contrário: para mim é uma coisa tão lógica, tão natural, tão certa. Apenas nos nascimentos e nas mortes é que saímos do tempo. A Terra detém sua rotação e as trivialidades em que desperdiçamos as horas caem no chão feito purpurina. Quando uma criança nasce ou uma pessoa morre, o presente se parte ao meio e nos permite espiar por um instante pela fresta da verdade –monumental, ardente e impassível. Nunca nos sentimos tão autênticos quanto ao beirarmos essas fronteiras biológicas: temos a clara consciência de estarmos vivendo algo grandioso. Há muitos anos, quando entrevistava o jornalista Iñaki Gabilondo, ele me contou que a morte da sua primeira mulher, que faleceu bastante jovem e de câncer, havia sido muito dura, sim, mas também a coisa mais transcendente que lhe acontecera. Suas palavras me impressionaram: ainda me lembro delas, embora eu tenha uma terrível memória de passarinho. Na época, pensei que tinha compreendido bem o que ele queria dizer, mas só depois de ter vivido a mesma experiência é que entendi melhor. Nem tudo é horrível na morte, embora pareça mentira (e me espanto ao me escutar dizendo isso). Mas este não é um livro sobre a morte. Na verdade não sei bem o que é, ou o que será. Aqui está ele agora, na ponta dos meus dedos, umas poucas linhas num tablet, um amontoado de células eletrônicas ainda indeterminadas que poderiam ser abortadas com muita facilidade. Os livros nascem de um gérmen ínfimo, de um ovinho minúsculo, uma frase, uma imagem, uma intuição; e crescem como zigotos, organicamente, célula a célula, diferenciando-se em tecidos e estruturas cada vez mais complexas até se transformar numa criatura completa e geralmente inesperada. Confesso a você que tenho uma ideia do que desejo fazer com este texto, mas o projeto se manterá até o fim ou surgirá outra coisa? Sinto-me como o pastor daquela velha história, que entalha distraidamente um pedaço de madeira com sua navalha e, quando alguém lhe pergunta “que figura está fazendo?”, ele responde: “Olhe, se sair com barba, são Francisco; se não, a Virgem Maria”. De qualquer modo, uma imagem sagrada. A santa deste livro é Marie Curie. Sempre a achei uma mulher fascinante, algo com que quase todo mundo concorda, aliás, porque é um personagem incomum e romântico que parece maior do que sua própria vida. Uma polonesa espetacular que foi capaz de ganhar dois prêmios Nobel: um de Física, em 1903, em parceria com o marido, Pierre Curie; outro de Química, em 1911, sozinha. Com efeito, em toda a história do Nobel só houve outras três pessoas que ganharam duas distinções: Linus Pauling, Frederick Sanger e John Bardeen, e apenas Pauling em duas categorias distintas, como Marie. Mas Linus levou um prêmio de Química e outro da Paz, e é preciso reconhecer que este último vale bem menos (como se sabe, até Henry Kissinger tem um). Ou seja, Madame Curie permanece imbatível. Além disso, Marie descobriu e mediu a radioatividade, esse atributo aterrador da Natureza, fulgurantes raios sobre-humanos que curam e matam, que fritam tumores cancerígenos na radioterapia ou calcinam corpos depois de uma deflagração atômica. É dela também a descoberta do polônio e do rádio, dois elementos muito mais ativos do que o urânio. O polônio, o primeiro que ela encontrou (por isso o batizou com o nome do seu país), foi logo ofuscado pela relevância do rádio, embora recentemente tenha virado moda como uma forma eficiente de assassinar: lembremos a terrível morte do espião russo Alexander Litvinenko em 2006, depois de ingerir polônio 210, ou o polêmico caso de Arafat (outro Nobel da Paz inacreditável). De modo que as mãos de Marie Curie chegaram até mesmo a essas sinistras aplicações. Mas, bem ou mal, essa força devastadora está na própria base da construção do século XX, e provavelmente também do XXI. Vivemos tempos radioativos.

 

SOBRE A AUTORA: Rosa Montero nasceu em Madri, em 1951. Um dos principais nomes da literatura espanhola contemporânea, publicou A LOUCA DA CASA e LÁGRIMAS NA CHUVA, entre outros.

 

SOBRE O LIVRO:

GÊNERO Não ficção estrangeira
TRADUÇÃO Mariana Sanchez
CAPA Luciana Facchini
FORMATO 14x21x1,3 cm
PÁGINAS 208 PESO 0,275 kg
ISBN 978-85-88808-84-3
ANO DE LANÇAMENTO 2019

(Fonte das informações: Todavia Editora)

 

Compre na Amazon (disponível nos formatos e-book e físico):

janeiro 17, 2019

[LANÇAMENTO] LIVRO SOBRE RAINHA GUERREIRA AFRICANA É LANÇADO PELA EDITORA TODAVIA

 

A Editora Todavia está lançando no Brasil Jinga de Angola: A rainha guerreira da África, de Linda M. Heywood. O livro foi publicado nos formatos impresso e digital e pode ser comprado no site da editora ou nos principais sites de comércio varejista de livros, como a Amazon Veja a sinopse e leia um trecho da publicação abaixo:

Sinopse: “Mulher livre, corajosa e orgulhosa que soube defender ardentemente sua posição e africanidade. A “Cleópatra da África Central” teve petulância o suficiente para enfrentar as impiedosas lutas de poder dominadas pelos homens de seu tempo. Poderosa e destemida, a rainha Jinga não recuou um centímetro para tentar preservar seu território dos colonizadores portugueses na África. No século XVII, essa figura, cuja inteligência tinha o mesmo grau de sua ferocidade, desafiou todas as limitações impostas ao seu gênero. Este livro certamente abala as narrativas hegemônicas sobre a história da África. No auge de seu reinado, na década de 1640, Jinga governava quase um quarto do norte de Angola nos dias de hoje. Perto do fim de sua vida, cansada da guerra, fez as pazes com Portugal e se converteu ao cristianismo – embora sua devoção à nova fé fosse questionada. Em um mundo onde as mulheres eram subjugadas pelos homens, Jinga reiteradamente superava seus competidores do sexo masculino e desrespeitava as normas estabelecidas, arrebanhando inclusive um sem-número de amantes de ambos os sexos. Hoje ela é reverenciada em Angola como heroína nacional e homenageada nas religiões populares. Seu complexo legado forma parte crucial da memória coletiva do mundo afro-atlântico.”

 

Leia também: A rainha africana que liderou resistência aos portugueses e se tornou símbolo. (BBC Brasil)

 

A rainha Jinga, que, durante o século XVII, governou o Ndongo, um reino da África central localizado onde hoje é uma parte do norte de Angola, chegou ao poder graças à bravura militar, à manipulação habilidosa da religião, à diplomacia bem-sucedida e à notável compreensão da política. Apesar de seus feitos extraordinários e de seu reinado de décadas, comparável ao de Elizabeth I da Inglaterra, ela foi difamada por contemporâneos europeus e escritores posteriores, que a acusaram de ser uma selvagem incivilizada que encarnava o pior do gênero feminino. Na época, os europeus a retrataram como uma canibal sanguinária que não hesitava em assassinar bebês e trucidar seus inimigos. Acusaram-na também de desafiar as normas do gênero ao vestir-se como homem, liderar exércitos, ostentar haréns de homens e mulheres e rejeitar as virtudes femininas de criar e cuidar dos filhos. Muito mais tarde, escritores do século XVIII e XIX criaram relatos fictícios sobre Jinga, retratando-a como uma mulher degenerada movida por desejos sexuais heterodoxos que se regozijava com rituais bárbaros. A vida de Jinga continuou a ser vista principalmente como uma curiosidade. Mas o registro histórico revela uma coisa diferente: foi essa mesma Jinga que conquistou o reino de Matamba e o governou-o em conjunto com o remanescente do poderoso reino de Ndongo por três décadas; desafiou treze governadores portugueses de Angola entre 1622 e 1663, mantendo seu reino independente diante de ataques implacáveis; e fez importantes alianças políticas não só com várias entidades políticas vizinhas, mas também com a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais. Foi a mesma Jinga, cuja diplomacia religiosa possibilitou-lhe entrar em contato direto com o papa, que a aceitou como governante cristã, e estabelecer o cristianismo em seu reino. A história de Jinga é importante sob muitos aspectos diferentes. De um lado, é um capítulo significativo da história da resistência ao colonialismo. Ao longo dos quatrocentos anos de ocupação portuguesa de Angola (1575-1975), a resistência nunca cessou. O lugar de Jinga como a mais bem-sucedida entre os governantes africanos na resistência aos portugueses influenciou não apenas o colonialismo português em Angola, mas também a política de libertação e independência na Angola moderna. A vida e a história de Jinga também tiveram implicações para as Américas. Os africanos capturados pelos portugueses ou comprados na região onde Jinga vivia e governava foram enviados como escravos para o Brasil e a América espanhola e foram os primeiros africanos a chegar às colônias norte-americanas. Esses escravos trouxeram a história e a memória de Jinga com eles. Mas a vida e as ações de Jinga transcendem a história africana e a história da escravidão na África e nas Américas. Sua história revela temas maiores de gênero, poder, religião, liderança, colonialismo e resistência. Contam-se às centenas os livros sobre rainhas europeias famosas e, às vezes, famigeradas, como Elizabeth I da Inglaterra, que governou duas décadas antes de Jinga, e Catarina, a Grande, da Rússia, quase um século depois. Apesar dos muitos paralelos que Jinga compartilha com essas mulheres, não existia até agora nenhuma biografia séria sobre ela em inglês ou em qualquer outro idioma. Este livro revela a vida completa e complexa de Jinga, com foco nas questões de poder, liderança, gênero e espiritualidade. (Fonte: Todavia Editora)

 

 

Sobre a edição:

GÊNERO: Não ficção estrangeira
TRADUÇÃO: Pedro Maia Soares
CAPA: Elohim Barros e Renata Mein
FORMATO: 16x23x2,0 cm
PÁGINAS: 320
ISBN: 978-85-88808-59-1
ANO DE LANÇAMENTO: 2019

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