janeiro 22, 2019

[LANÇAMENTO] COMO UM ROMANCE DE ÉPOCA E OUTROS CONTOS: EDIÇÃO IMPRESSA

Sinopse: “Que atire o primeiro livro aquele que nunca suspirou por uma história de amor… É simplesmente mágico e extraordinário o poder que essas histórias têm! De época, clássicas, históricas, contemporâneas… Não importa: queremos chegar às últimas páginas, quando um beijo, um pedido de casamento ou uma declaração de amor faz tudo ficar perfeito! Essa coletânea é uma singela homenagem a essas histórias capazes de nos transportar para outra realidade, arrancando de nós muitos suspiros (e algumas risadas também, por que não?). Aqui tudo será como em um romance de época: o final feliz é requisito fundamental e indispensável.”

 

Já está disponível na Amazon a edição impressa de “Como um romance de época e outros contos”! O livro está lindíssimo (sou suspeita, mas vocês podem acreditar em mim mesmo assim) e inclui o conto “Anne”versão moderna e interiorana de Persuasão, de Jane Austen.

 

 

Todos os envios acompanham pelo menos um marcador do livro e, caso você queira uma dedicatória, basta informar no ato da compra (A Amazon permite troca de mensagens entre vendedor e comprador). Também há a opção de compra direto comigo, com pagamento via depósito bancário na Caixa Econômica ou Banco do Brasil. O valor é o mesmo: R$ 30,00 incluindo frete. Lembrando que o e-book continua à venda e está disponível gratuitamente para assinantes Kindle Unlimited!

 

 

Como um romance de época e outros contos inclui as histórias: Como um romance de época; A mil ave-marias de um casamento; Emma; Noiva por correspondência; Um amor como Colin Firth, Namoro na pracinha Anne.

Capa comum: 120 páginas / Publicação Independente / ISBN-10: 8558491828 / ISBN-13: 978-8558491822

 

junho 20, 2017

[CONTO] O VELHO DIÁLOGO DE ADÃO E EVA

 

ATENÇÃO: Texto não recomendado para menores de 18 anos. Conteúdo sexual. 

 

“Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: não comereis dele, nem nele tocareis para que não morras.” (Gênesis 3:3)

 

Apaixonaram-se tão logo seus olhos se encontraram. O primeiro beijo confirmou o fato. Qualquer um que visse o casal pensava que eram eternos apaixonados, conhecidos de muitos anos. Era um encontro de almas, Sofia pensava. Não podia ser nada menos que isso.

Encontravam-se nos finais de semana em que ele não estava de serviço. Era um acordo implícito, mas que Sofia respeitava com o rigor de um culto religioso. Bastavam os olhos deles se encontrarem para a magiar acontecer, um sorriso espontâneo surgir.

Na noite em que se conheceram, ele a levou para casa. A vontade de ficar junto àquele homem era maior que o pânico de entrar no carro de alguém que ela mal conhecia. Antes de chegar ao destino, o carro rumou para um lugar deserto: o alto de um morro onde estava sendo construído um condomínio de luxo. Parou onde, futuramente, seria uma bela e segura portaria. Abaixo, as poucas luzes ainda acesas na cidade.

— Você pode pensar o contrário, mas eu não sei bem o que fazer. Não sou do tipo que pega carona com estranhos… Na verdade, mal vou a festas… — sentia-se idiota por tentar se explicar, mas precisava fazê-lo. O dedo indicador dele interrompeu as explicações de Sofia.

— Você é linda. Estou apaixonado por você. Tenho a impressão que estamos nos reencontrando…

Alguma coisa na cabeça de Sofia a alertava de que aquilo era exatamente o que ela gostaria de ouvir e que ele talvez soubesse disso; mas aquele homem, o cheiro dele e aquele lugar… ela queria viver aquela paixão. Depois pensaria no depois.

Beijaram-se como se o mundo estivesse prestes a acabar, como se todas as respostas e todas as perguntas estivessem nos lábios um do outro. No banco de trás do carro, embalados por Sacrifice, de Elton John, ele tomava um dos seios de Sofia com a boca, enquanto suas mãos passeavam pelo corpo da jovem. Era um homem que sabia bem o que estava fazendo, maravilhado com uma garota que parecia recém-saída de um casulo, prestes a voar com ele.

Sofia já estava nua no banco de trás do carro quando ele conseguiu afastar os lábios de seu sexo e finalmente tirar as calças. Ela, tomando o controle da situação, subira nele, surpreendendo-o. A surpresa foi dando lugar ao prazer e ao gozo. Sofia, embora não fosse mais virgem há algum tempo, teve ali seu primeiro orgasmo, com alguém que ela não conhecia muito bem, mas já amava secretamente.

— Linda! Linda! E gostosa… — ele disse ao pé do ouvido de Sofia, para então beijá-la novamente; o gosto dela ainda na boca dele. Abriu a porta do carro e saiu despido como estava, para ser banhado pela lua.

— Vem aqui, deixa eu te ver plena como você está! — Sofia saiu do carro envergonhada, mas logo estava recostada no capô, serena, com a lua banhando sua nudez.

— Eu queria congelar esse momento. Você, linda, minha… vestida apenas pela noite. — E ele ficou alguns segundos olhando aquele corpo nu, fresco, de mulher jovem, deliciosa. Em seu íntimo sabia estar brincando com fogo, mas já havia se queimado. Sentia-se mais viril com Sofia, o desejo dela o inflamava. Era a primeira vez que se sentia assim, mesmo já tendo passado dos quarenta anos.

— Acho melhor você me levar para casa agora. — disse Sofia, começando a ter vergonha de sua nudez, na rua, praticamente deitada no capô do carro.

Ele não respondeu, deu um sorrisinho e logo a estava beijando novamente. Suas mãos tinham completo controle sobre ela e eles se amaram ali mesmo, com a benção da lua.

No caminho de volta, Sofia mal ouvia o que tocava no rádio. De olhos fechados por boa parte do trajeto, ela se perguntava se algo assim realmente teria acontecido com ela. No entanto, era só abrir os olhos para ver o homem sorridente ao seu lado provando que sim. O cheiro em seu corpo e os sinais de que fora amada, também.

— Me dê o seu número, Sofia. — Ela deu, e também um longo beijo de despedida. A semana passara sem que ela tivesse notícias dele.

 

***

 

— Não esperava flores ou bombons, mas você podia ter me ligado! — ela disse em tom de brincadeira na semana seguinte, embora estivesse realmente magoada. Desculpas foram dadas e aceitas e Sofia desejou nunca mais ficar a sós com aquele homem. Entretanto, ele era presença frequente no barzinho que ela frequentava e Sofia continuava a ir lá todos os fins de semana para vê-lo. Quando ficava parada, olhando para ninguém, logo sentia a presença dele. Um passo para trás e ele logo a fisgava.

— Desculpe. Gosto de ficar perto de você, sentir o seu cheiro. Linda!

Toda vez que ela pensava em largá-lo, o mel das palavras dele faziam-na desistir. Toda vez que ela pensava em ir embora sozinha, um simples toque a lembrava que ela gostava de se sentir mulher com ele.

Sofia sempre falava mais, contava mais de sua vida, nos breves momentos em que eles apenas conversavam. Sua paixão se esquivava, ela percebia. Teciam apenas o velho diálogo de Adão e Eva, lembrara ferida, ao reler Machado de Assis.

Queria mais que sexo, embora o sexo fosse maravilhoso. Quando o cérebro de Sofia sinalizava a verdade, ela fechava os olhos e fingia não entender.

— Me faz um favor? Não diz que me ama se não for verdade.

— Eu amo você, Sofia. Sabe tatuagem? É impossível tirar. Você está tatuada aqui dentro…

Não tinha certeza se ele a compreendera, mas não quis ter o esforço de insistir na conversa. A velha impressão de que ele falava o que ela queria ouvir era evidente. Resolveu ouvir. Depois pensaria no depois.

 

***

 

Sofia vislumbrava uma família linda como as que ela sempre via em suas corridas pelo parque municipal. É certo que fazia algumas semanas que ela não corria, pois tinha muito trabalho naquela época do ano. Não reparava bem as pessoas, mas tinha a meta de um dia ser como aqueles casais que ela via rodeado de crianças, felizes nos fins de tarde.

Resolveu caminhar ao invés de correr e o pensamento de que o seu amor podia, no futuro, estar ali com ela, rodeado de crianças, aquecera seu coração. Todas aquelas famílias acabavam forçando esse pensamento. Resolveu olhar bem para as pessoas, ver se conhecia alguém. Uma visão em especial chamara-lhe a atenção. Não sabia se já o havia visto no parque, mas a visão de um casal feliz, trocando carícias, e três crianças gargalhando em um balanço deixara Sofia sem ar. Os olhos se encontraram, mas não houve sorriso. Apenas a verdade que Sofia não quis perceber.

janeiro 18, 2017

[CONTO] O MATADOR NOTURNO, PARTE 1

Sinopse: “Mulheres sendo assassinadas de forma dramática e dois policiais que precisam resolver suas diferenças para solucionar o mistério do assassino que só age sob a luz da lua: o matador noturno.”

 

Capítulo 1

 

O sangue escorria ladeira abaixo, como se o ser humano inerte à beira da calçada fosse uma fonte inesgotável do líquido escuro. Uma mulher, por volta de trinta anos, pele levemente bronzeada e corpo voluptuoso, jazia enquanto a noite ainda estava longe de terminar. Na estreita rua em que ocorrera o assassinato, janelas fechadas e nenhuma movimentação. O único barulho que se ouvia era de uma goteira vinda de uma das marquises, denunciando uma chuva que caíra horas antes.

Evangeline era apenas mais uma das vítimas do Matador Noturno. Desconfiava-se de que era um homem, ainda que não houvesse provas do fato. Simplesmente corpos de mulheres do mesmo padrão estético de Evangeline eram encontrados em vielas silenciosas, no alto da madrugada, sempre pouco depois do crime, a tempo suficiente de seu sangue pintar a rua e dar um ar dramático ao acontecimento.

— Se eu pudesse dar um palpite – Rony disse timidamente –, diria que se trata de algo mais que um crime serial. Em todos os corpos, havia sinais de que existe uma mensagem prestes a ser desvendada. O assassino quer nos dizer algo, tenho certeza. Se não descobrirmos, mais mulheres serão mortas.

— Perdoe-me, meu caro Rony – o detetive Almeida disse, sorrindo –, mas você não disse nada além do que qualquer pessoa habituada a assistir filmes de suspense policial diria. Caso queira realmente ajudar, terá de decifrar o suposto enigma desse assassino.

Rony assentiu, mesmo contrariado. Trabalhava com o detetive Almeida havia poucos meses e não conseguira dar nenhuma pista importante ou concluir algum caso sem que o detetive tivesse de ajudá-lo. Na verdade, Almeida fazia quase todo o trabalho do jovem investigador. Não gostava de ter Rony como parceiro, um jovem inexperiente e trapalhão. Nunca teve vocação para professor, gostava de trabalhar com quem sabia do ofício, ou de fazer tudo sozinho. No caso das mulheres assassinadas pelo Matador Noturno, ele sabia que pegaria o homem, se é que se tratava de um. Rony não tinha a menor condição de resolver esse caso.

A perícia não dera nenhuma informação que acrescentasse algo de substancial à investigação. A morte de Evangeline fora como a das outras mulheres: cortes em artérias que proporcionassem todo o sangue a compor o cenário favorito do matador, ausência de sinais de violência sexual, falta de evidências de roubo e um souvenir colocado delicadamente sobre o peito da vítima, resguardado pela mão do cadáver. Em Evangeline, o matador deixou uma rosa vermelha. Já foram encontradas outras flores, um cartão romântico, um chaveiro de coração e uma pequena garrafa com um barquinho de papel dentro. O melhor palpite até então era de que o matador poderia ter um interesse romântico pelas vítimas ou por alguém que guardasse semelhança com elas. Sua motivação poderia ser acabar com a vida de qualquer mulher que o lembrasse de sua amada. Mas era apenas um palpite, dentre muitos que a investigação já teve.

— Por onde continuamos, detetive? – quis saber Rony.

— Continuar? Essas mortes quase não deixam rastros que nos levem ao criminoso. Na verdade, acho que a pergunta mais correta seria por onde vamos começar.

Evangeline, diferente das outras vítimas, era uma conhecida modelo fotográfica, garota-propaganda de uma famosa loja de roupas íntimas da cidade. Seu rosto e, sobretudo, seu corpo estampavam os catálogos de moda praia de vários estados e decoravam as paredes da grife Oceano. Uma pequena mudança no perfil social das mulheres assassinadas, que anteriormente era composto apenas por estudantes, vendedoras, uma costureira e uma professora de primário. Evangeline era a décima vítima. Sua morte, obviamente, causou comoção nas redes sociais, e o caso foi ficando conhecido em todo o país, o que dificultava ainda mais a investigação.

— Almeida, eu quero esse matador preso o mais rápido possível! – disse o delegado. – Até o governador já ligou querendo saber sobre o andamento da investigação.

— O governador? – perguntou Almeida, empalidecendo. – Ele não pode pensar que nos pressionando será mais rápido encontrar o assassino. Esse é o caso mais difícil em que já trabalhei, e o Rony bonitão ali não é de grande ajuda.

Rony, que ouvia atentamente o diálogo, abaixou a cabeça, levemente constrangido pela humilhação. Havia se acostumado com o tratamento pouco cortês de Almeida, mas se envergonhava com frequência com os comentários feitos publicamente sobre sua aparência ou falta de talento para a profissão. Almeida fazia questão de que todos soubessem da incompetência do jovem rapaz.

— Na verdade – disse o delegado –, o governador ligou para o prefeito e o prefeito passou lá em casa ontem à noite e comentou, enquanto jogávamos pôquer, sobre a urgência que o governador quer na resolução deste caso.

— Delegado, se me permite – arriscou Rony, sob o olhar impaciente de Almeida –, creio que estamos mais perto do suspeito do que imaginamos. É só uma questão de observar os detalhes dos crimes, sobretudo o de Evangeline.

— Obrigado, Rony. Fico feliz que esteja se esforçando neste caso – disse o delegado, mas a simpatia em sua voz não chegara aos seus olhos. Era o tipo de pessoa que sabia ser simpaticamente falsa.

— É, Rony, belo esforço, parabéns! – Ironizou Almeida.

Com as falsas congratulações, terminaram mais um expediente sem que soubessem por onde procurar pelo Matador Noturno.

 

 

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