dezembro 07, 2016

[RESENHA] A PROMESSA DA ROSA, DE BABI A. SETTE

Sinopse: “Século XIX: status, vestidos pomposos, carruagens, bailes… Kathelyn Stanwell, a irresistível filha de um conde, seria a debutante perfeita, exceto pelo fato de que ela detesta a nobreza; é corajosa, idealista e geniosa. Nutre o sonho de ser livre para escolher o próprio destino, dentre eles inclui o de não se casar cedo. No entanto, em um baile de máscaras, um homem intrigante entra em cena… Arthur Harold é bonito, rico e obstinado. Supondo, por sua aparência, que ele não pertence ao seu mundo, a impulsiva Kathelyn o convida a entrar no jardim – passeio proibido para jovens damas. Nunca mais se veriam, ela estava segura disso. Entretanto, ele é o nono duque de Belmont, alguém bem diferente do homem que idealizava, só que, de um instante a outro, o que parecia a aventura de uma noite se transforma em uma paixão sem limites. Porém, a traição causada pela inveja e uma sucessão de mal-entendidos dão origem ao ciúme e muitas reviravoltas. Kathelyn será desafiada, não mais pelas regras sociais ou pelo direito de trilhar o próprio caminho, e, sim, pela única coisa capaz de vencer até mesmo a sua força de vontade e sua enorme teimosia: o seu coração.”

 

“Enquanto houver histórias de amor nascendo e vivendo em nossos corações, todas as rosas cumprirão a sua promessa.”

 

A Promessa da Rosa, da autora brasileira Babi A. Sette, é um romance de época, ambientado, em sua maior parte, na Inglaterra do século XIX.

Nossa protagonista é Kathelyn Stanwell, a filha mais velha do Conde de Clifford, mas que tem certo desprezo pela sociedade a qual está inserida. Seu sonho é ser livre e casar-se apenas por amor. É uma jovem inteligente, até em demasia, para uma dama da época; tinha grande conhecimento da língua grega e de cultura antiga. Sua sabedoria, aliada à beleza conquistam o Duque de Belmont, Arthur Harold, que fará o que estiver ao seu alcance para possuir a jovem. Digo possuir, pois o Duque, inclusive por seu título, é um homem acostumado a ter tudo o que deseja, sem que haja negativas ou dificuldades. Kathelyn é uma moça a frente de seu tempo, considerada rebelde por seus pais, e que não se dobrará facilmente a nenhum homem, mesmo ele sendo um Duque. Sendo assim, Belmont firma um acordo em segredo com o pai da jovem, em que o compromisso de casamento já fica acertado, tendo o intuito de conquistá-la antes de levá-la ao altar.

Sem saber do acordo, mas cada vez mais atraída por Belmont, Kathelyn deixa-se levar. Os dois apaixonam-se perdidamente um pelo outro, entretanto, a inveja, o ciúme, um grande mal entendido e a hipocrisia ferina da alta sociedade tornará esse amor mais difícil.

“Em anos como preceptora, nunca tive tanta certeza como tenho agora de que todos esses títulos de damas e cavalheiros, todos esses gestos afetados e normas rigorosas são vestes falsas que escondem pessoas mais sujas do que qualquer meretriz barata e mais cruéis do que assassinos sanguinários. – Bateu com a bengala no chão, como que para evocar a força do que acabara de dizer. – Vamos! – Puxou o braço de Kathelyn, que a seguiu entre saias, nuvens de véus, olhares de monstros e línguas maldosas em um campo de batalha.”

 

Muitos acontecimentos me fizeram odiar o Duque de Belmont. Por impulso, pelo ciúme cego, ele torna a vida de Kathelyn miserável. Contudo, todos os acontecimentos do romance contribuem para sua absolvição, por assim dizer. O amor regido por regras tão rígidas muitas vezes pode trilhar caminhos complicados até conseguir florescer.

“Você sempre estará em casa quando mergulhar no seu coração.”

 

Quando tudo caminhava para esta ser mais uma leitura água com açúcar, o romance de Babi A. Sette transformou-se em um sem fim de reviravoltas; uma trama tão arrebatadora que só permitiu que eu largasse o meu kindle após ler as últimas palavras! Definitivamente não é um romance comum e é uma grande felicidade ler uma história tão rica escrita por uma autora brasileira.

 

 

Título: A Promessa da Rosa
Autora: Babi A. Sette
Editora: Novo Século
Páginas: 510

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novembro 07, 2016

[RESENHA] O CASAMENTO, DE NELSON RODRIGUES

Sinopse: “A apenas um dia do casamento de Glorinha e Teófilo, o médico da noiva avisa ao pai dela que seu futuro genro foi flagrado em um incidente homossexual. Esse é o ponto de partida para Nelson Rodrigues desfilar sua genialidade irônica e o humor negro tão característicos de sua narrativa. Escrito por encomenda para Carlos Lacerda, ”O casamento”, único romance de Nelson, foi publicado em 1966 e alcançou sucesso extraordinário em poucas semanas. O autor já se preparava para uma brilhante carreira nas livrarias quando foi tomado de surpresa pela notícia da morte de Mário Filho poucos dias após o lançamento do livro. Antes que pudesse se recuperar da perda de seu irmão, o romance foi proibido pelo ministro da Justiça do governo de Castello Branco, tendo sido considerado subversivo e indecoroso.”

 

Certa vez resolvi ler A vida como ela é, de Nelson Rodrigues (1912-1980), mas a leitura não rendeu muita coisa. Mal cheguei à página 100. O autor pareceu muito politicamente incorreto para mim, e por politicamente incorreto entenda extremamente machista e um pouco homofóbico. Mal sabia eu que, pouco tempo depois, ficaria vidrada, presa até a última página, em seu romance O Casamento.

O Casamento foi o livro do mês de agosto/2016 enviado pela TAG- Experiências Literárias, indicação da Heloísa Seixas. Resolvi, como recomendado pela curadora, deixar o preconceito de lado e embarcar na leitura. Fiquei surpresa por ter gostado tanto do livro! Tanto que agora vou pensar um pouco mais antes de dizer que não leio de jeito nenhum determinado autor.

“Leia sem preconceito. Todo gênero é único. É criador, é inventor, não segue padrões existentes e por isso não se enquadra em escaninhos. Nelson é livre. E é preciso ser livre para lê-lo.” (Heloísa Seixas, para os associados da TAG)

 

O romance conta a história de Sabino Uchoa Maranhão e sua família. Ele é um bem sucedido empresário carioca e está às vésperas de casar a sua filha mais nova (e favorita), Glorinha. Tudo seguia conforme o planejado quando o ginecologista de Glorinha, Dr. Camarinha, faz uma revelação bombástica ao pai da moça: o médico teria surpreendido o genro de Sabino, Teófilo, aos beijos com o seu assistente, Zé Honório, chegando ao seu consultório. A partir daí, Sabino precisa descobrir o que fazer com essa informação, mas uma coisa era certa: cancelar o casamento estaria fora de questão.

“Afinal de contas, o casamento já é indissolúvel na véspera.” (p. 26)

 

Pensamos que o grande problema da história é a pederastia (sim, o autor usa esse termo) de Teófilo, mas há muito mais sujeira debaixo do tapete de Sabino e sua família.

Polêmico e publicado na década de sessenta, O Casamento foi censurado pela ditadura militar menos de dois meses depois de seu lançamento. O romance é uma leitura ágil, crua e totalmente despudorada. Nelson Rodrigues não usa  meias palavras em sua história. Aqui são expostos temas como machismo, incesto e homofobia de forma bastante escrachada. Escrito em capítulos curtos, dificilmente alguém demora mais de três dias para terminar essa leitura, a não ser os leitores que se incomodem em demasia com a trama.

 

O kit de agosto da TAG - Experiências Literárias: a trufa de chocolate foi apreciada antes da leitura!

O kit de agosto da TAG – Experiências Literárias: a trufa de chocolate foi apreciada antes da leitura!

 

Durante a leitura senti uma incômoda semelhança entre a sociedade da década de 1960 e a nossa. Obviamente o texto de Nelson Rodrigues faria muito barulho se fosse publicado hoje, pois ele não é do tipo que se esconde atrás da cortina do politicamente correto. A família de Sabino, a sociedade a qual ela pertence, lembra muito certa camada da sociedade brasileira que impõe regras, modos de conduta, mas que esconde, ao mesmo tempo, bastante sujeira debaixo de seus tapetes também. Sabino era um homem de bem. Quem fizer a leitura poderá tirar as próprias conclusões.

Outro ponto interessante relacionado ao tempo que estamos vivendo é o fato de o jornal O Globo e a Marcha da Família com Deus pela Liberdade apoiarem a ditadura na censura do livro, ainda que o autor fosse, na época, colunista do jornal. Um suplemento no final da história, na edição da Nova Fronteira, fala bastante sobre o caso.

O Casamento foi uma grata surpresa para mim: eu jamais compraria esse livro se o visse em uma livraria. Conhecendo previamente o autor, me incomodava demais o machismo em sua escrita, mas aqui, muitas passagens encarei com humor. É ficção. Claro que com boas e generosas pitadas da realidade da nossa sociedade. Mas, ainda assim, é ficção, não verdades absolutas. Afinal, qual o melhor lugar para explorar certos assuntos senão em um livro? O Casamento é uma leitura que pode ser perturbadora, mas que merece ser feita, especialmente por aqueles que admiram uma história bem escrita.

 

 

 

Título: O Casamento
Autor: Nelson Rodrigues
Editora: Nova Fronteira
Páginas: 272

 

Compre na Amazon: O Casamento.

Falei sobre a minha primeira caixinha da TAG aqui.

maio 11, 2016

[RESENHA] PRIMEIRAS IMPRESSÕES, DE LRDO

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Sinopse: “Primeiras Impressões é uma adaptação moderna de Orgulho e Preconceito de Jane Austen. O romance eterno de Lizzie e do Sr. Darcy é situado desta vez entre paisagens paradisíacas do Brasil e cenários surpreendentes dos Estados Unidos, em um relacionamento complexo entre uma carioca sarcástica e brilhante e um político americano de uma família conservadora.”

 

Primeiras Impressões, da escritora e blogueira LRDO, me instigou por muito tempo. Ficava imaginando como essa história seria estruturada; se seria verossímil, e, acima de tudo, de agradável leitura. A capa também sempre me chamou a atenção. Quando eu pude, finalmente, ter o livro nas mãos, comecei a ler imediatamente! E foi uma leitura surpreendentemente agradável.

Os primeiros capítulos são muito claros nas referências aos personagens de Orgulho e Preconceito. Creio que este livro seja mais procurado por fãs de Austen, contudo, uma pessoa que nunca leu o clássico pode ler Primeiras Impressões sem medo de ser feliz! LRDO conseguiu transportar a essência dos personagens que amamos para a atualidade, sem ficar chato nem ser obviamente parecido com o romance de Austen.

Liz Benevides e Frederick Darcy revivem de forma moderna (e mais apimentada) a história de amor de Lizzie e Mr. Darcy. Acho que esse é um casal que nunca vai cansar as Jainetes de plantão; e neste livro você também vai se apaixonar por eles.

 

(…) O clima eletrizante que sentia com aquele homem era muito real. E inédito para ela.

Frederick não esperou uma segunda chance. (…) Tentou mentir para si mesmo. Tentou ignorar a atração. Tentou esquecê-la quando deixou o Brasil, e novamente quando deixou Washington. Tentou fingir que o que sentia por Liz não era nada. Mas era tudo. 

Ela era o seu tudo.” (p. 223)

 

É uma leitura muito agradável, principalmente porque numa dada altura da história Primeiras Impressões se distancia de Orgulho e Preconceito e passa a ter voz própria. De maneira alguma é um livro previsível; ele consegue nos fazer esperar pelo final feliz dos personagens com aquela ansiedade boa que só um bom romance tem. Recomendo! 

 

 

 

Título: Primeiras Impressões
Autora: LRDO
Editora: Kiron
Páginas: 304

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Resenha em colaboração com o blog Escritoras Inglesas.

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