junho 07, 2018

[LANÇAMENTO] POESIA NA SALA DE AULA, DE HÉLDER PINHEIRO

Sinopse: Vale a pena trabalhar poesia em sala de aula? Qual a função social da poesia?
A resposta a essas duas questões poderá abrir nossos olhos para o que estamos perdendo ao marginalizar a poesia no cotidiano escolar. Não se pode abandoná-la só porque a leitura do texto poético tem peculiaridades e carece de mais cuidados do que o texto em prosa.
Este livro mantém, ao mesmo tempo, um caráter de relato de vivências e de sugestões de abordagem do poema no contexto escolar. Não se trata de um livro didático, tampouco de um livro teórico, embora por trás de muitas práticas e sugestões haja uma base de leituras teóricas tanto do universo da poesia quanto das metodologias e de concepções pedagógicas.
Aqui, cada capítulo enfrenta problemas específicos, com o autor buscando constantemente ocupar um entrelugar bastante significativo, sobretudo para instigar o leitor-professor a realizar suas próprias experiências sem seguir um roteiro prévio, como ocorre em muitas obras que trazem sequências didáticas prontas.
Além de refletir sobre a função social da poesia e sobre as condições para melhor efetivar o encontro com a poesia no espaço escolar, Poesia na sala de aula amplia sugestões e experiências, bem como indica dezenas de antologias e livros de poemas.
Certo é que todo leitor vai em busca de seu caminho, e eles são diversos. Um poema ouvido ou lido na escola, um livro visto de relance, uma antologia, a audição de um link de internet, tudo pode servir de estímulo para a descoberta da poesia. Mas não basta descobrir, é preciso dar continuidade à experiência de leitura.”

 

Os deuses da poesia ouviram as minhas preces, ou a minha tentativa um pouquinho desastrada de introduzir a poesia de Manoel de Barros no projeto anti-bullying da escola onde estou fazendo estágio. Lembro-me de falar com os alunos “poesia cura tudo. Até bullying”. E eles ficaram me olhando como se eu fosse um pouco lunática (acertaram!) e eu olhei de volta morrendo de vontade de saber trabalhar melhor esse tema, porque é uma coisa em que eu realmente acredito. Pouco tempo depois do meu período de estágio na escola, a editora Parábola lançou o livro Poesia na Sala de Aula, de Hélder Pinheiro. E a minha ideia, que tem ainda mais um ano para ser desenvolvida (estágios 3 e 4), vai poder ser, de fato, bem embasada.

 

Neste link você pode saber mais informações sobre o livro e ler um trechinho de degustação.

 

SOBRE O AUTOR: José Hélder Pinheiro Alves é graduado em Letras pelas Faculdades Integradas de Uberaba (1983), mestre em Letras (Literatura brasileira) pela Universidade de São Paulo (1992), doutor em Letras (Literatura brasileira) pela Universidade de São Paulo (2000) e pós-doutor pela Universidade Federal de Minas Gerais (2004). Atualmente é professor titular em Literatura Brasileira na Universidade Federal de Campina Grande, PB. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura brasileira, atuando principalmente nos seguintes temas: literatura e ensino, poesia, literatura infantil e literatura de cordel. É membro do GT Literatura e ensino da ANPOLL.

fevereiro 27, 2018

[LETRAS] AS LÍNGUAS DOS HOMENS

 

Há quem pense que só existe uma única língua portuguesa. Bela, perfeita e… quase inatingível.  Esta é norma culta, ou variante padrão de prestígio: a língua escrita, que usamos para entender e sermos entendidos, portanto, segue uma série de normas de padronização.

Existe outra língua, a da comunicação rápida, instantânea, adornada pelos regionalismos e pelas vivências (ou falta delas) de seus usuários. Esta é a língua falada, que, mesmo que alguns teimem em dizer que não, é tão linda quanto aquela que sai da ponta do lápis.

Uma não pode viver sem a outra, isso é fato. A língua falada ajuda a escrita a continuar viva. E a escrita permite que um maior número de pessoas possível consiga entender a língua falada. Assim são as línguas dos homens: interligadas, seguem interligando.

 

***

 

Esse pequeno texto foi uma proposta de atividade realizada para a disciplina de Português VIII (Sociolinguística), do curso de Licenciatura em Letras da UFF/CEDERJ. Saiba mais sobre Sociolinguística no blog da Parábola Editorial.

janeiro 31, 2018

[LETRAS] PRECONCEITO LINGUÍSTICO, LIVRO DE MARCOS BAGNO, COMPLETA 19 ANOS

Pouco depois da minha aprovação no vestibular para o curso de Letras da UFF/CEDERJ, meu marido, que é formado também em Letras, me presenteou com uma edição de Preconceito Linguístico, de Marcos Bagno. Achei o livro interessante e a recomendação que recebi junto ao presente foi expressa: ninguém pode cursar Letras sem ler esse livro.

É impossível não se reconhecer, tanto como vítima quanto como algoz, nas páginas de Preconceito Linguístico. O livro desnuda essa face preconceituosa que o brasileiro tem e que é encoberta pela fama que temos de povo bonzinho, gente boa. Há quem reduza a obra de Marcos Bagno há mero esquerdismo, tentando desqualificar o trabalho dele que é um dos maiores linguistas do nosso país. Não vou sequer pôr em discussão o caráter de quem desqualifica uma obra ou, como no caso do autor, várias obras, sem ao menos conhecer o trabalho e, ainda, usando os termos esquerdista, petralha, mortadela etc. Não vale a pena.

Neste mês, o livro completa 19 anos desde a sua primeira publicação. E a reflexão do autor sobre o aniversário de um dos seus livros mais famosos é a que estamos longe de abandonar esse caráter preconceituoso, especialmente no que tange à língua falada. Veja o comentário de Bagno sobre o aniversário do livro, publicado em seu perfil no facebook:

“Em 1999, por instigação amorosa de Marcos Marcionilo, publiquei “Preconceito linguístico”. Em 2015 o livro mudou de editora, se transferiu para a Parábola, sempre pelas mãos generosas e competentes do mesmo Marcionilo. O livro completa, agora em janeiro, 19 anos. Desde sua primeira aparição, já foi reimpresso mais de 50 vezes e o número de exemplares vendidos supera os 300 mil. Isso poderia ser motivo de alegria, e é, mas também provoca uma inevitável reflexão sobre a realidade social monstruosa que é a do Brasil, essa imensa Bastilha continental que há séculos resiste a ser derrubada. Passados 19 anos, o preconceito linguístico continua a ser o que sempre tem sido: mais um dos diversos elementos que constituem um amplo e largo preconceito social, dirigido a todas e a todos que não fazem parte da ínfima camada dominante, essencialmente branca e masculina, e de seus micos amestrados, uma classe média que, por ser reduzida, acredita fazer parte da oligarquia, sem se dar conta de que é manipulada por ela das formas mais vis e repugnantes. Mulheres, pessoas não-brancas, homossexuais, transgêneros, indígenas, camponesas e camponeses, pobres e miseráveis, toda essa gigantesca legião de gente perseguida e humilhada, vítimas de assassinato sistemático e ininterrupto, como se não bastasse toda essa injustiça social, ainda tem que suportar o escárnio dirigido às suas línguas e aos seus modos de falar. Eu sinceramente gostaria muito que esse meu livro fosse tido como datado, que as coisas que nele vêm denunciadas descrevessem um momento histórico já distante, mas não é assim. Diante da tragédia social, política e ética que estamos vivendo, a discriminação pela linguagem continua firme e forte em sua função de aprofundar o abismo das exclusões que é constitutivo desse país triste e infeliz. Pouco a comemorar, portanto, nesse aniversário.”

 

A nova edição de Preconceito Linguístico, publicada pela Editora Parábola em 2015, é praticamente um novo livro. O texto foi radicalmente revisto, ampliado e atualizado, conforme informa o autor logo nas primeiras páginas. Além da luta por um ensino mais democrático da língua materna, Marcos Bagno abriu espaço também para questões atuais, como a nova classe média, o polêmico presidenta, O Exame Nacional do Ensino Médio, dentre outros. Além disso, alguns pontos da edição anterior, tratados superficialmente, foram melhor explicados.

Existe um mito de que a Sociolinguística quer fazer todo mundo falar errado. O conservadorismo aliado à falta de informação produz e espalha esse tipo de falácia. Recomendo que você que ainda não conhece o que é de fato a sociolinguística, passe a pesquisar mais sobre o assunto. Preconceito Linguístico é um ótimo começo.

 

“O preconceito, seja ele de que natureza for, é uma crença pessoal, uma postura individual diante do outro. Qualquer pessoa pode achar que um modo de falar é mais bonito, mais feio, mais elegante, mais rude do que outro. No entanto, quando essa postura se transforma em atitude, ela se torna discriminação e esta tem de ser alvo de denúncia e de combate. No caso da língua, é imprescindível que toda cidadã e todo cidadão que frequenta a escola (pública ou privada) receba uma educação linguística crítica e bem informada, na qual se mostre que todos os seres humanos são dotados das mesmíssimas capacidades cognitivas e que todas as línguas e variedades linguísticas são instrumentos perfeitos para dar conta de expressar e construir a experiência humana neste mundo.” (Preconceito Linguístico, Editora Parábola, 2015)

 

SOBRE O AUTOR: Marcos Bagno é professor da Universidade de Brasília. Pesquisa e atua em políticas linguísticas, na descrição do português brasileiro e em seu ensino, tanto no Brasil quanto no exterior. Publicou, entre outras obras, Gramática pedagógica do português brasileiro (Parábola Editorial, 2012). É o tradutor de alguns dos textos fundadores da sociolinguística: Fundamentos empíricos para uma teoria da mudança linguística, de U. Weinreich, W. Labov e M. Herzog (Parábola, 2006), e Padrões sociolinguísticos, de W. Labov (Parábola, 2008).

 

 

Título: Preconceito Linguístico
Autor: Marcos Bagno
Editora: Parábola
Páginas: 352

 

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