janeiro 10, 2017

[RESENHA] MISS AUSTEN REGRETS, ADAPTAÇÃO DA BBC

Miss Austen Regrets é uma adaptação com base em cartas e informações biográficas da escritora Jane Austen, produzida pela BBC e exibida originalmente em 2007. O elenco contou com nomes como Olivia Williams (Jane Austen), Hugh Bonneville (Mr. Bridges), Greta Scacchi (Cassandra Austen), Imogen Poots (Fanny Austen Knight), Tom Hiddleston (Mr. Plumptre), dentre outros.

Diferente de Becoming Jane (no Brasil, Amor e Inocência), aqui vemos uma Jane Austen madura. A série é bastante melancólica e retrata uma Jane até então desconhecida; uma mulher insegura e com possíveis arrependimentos.

 

Escrever cartas era algo muito agradável para Jane Austen.

 

A série começa em 1802, com o pedido de casamento de Harris Bigg-Whiter e a resposta positiva de Jane, motivada, talvez, pela surpresa que ela teve com a proposta. Logo na manhã seguinte, Jane e Cassandra Austen deixavam Manydown House, pois Jane se arrependera de ter aceitado o pedido.

Doze anos depois, sua sobrinha, Fanny, está prestes a se casar e deseja a opinião da tia Jane sobre um pretendente, Mr. Plumptre.

Fanny: “Por favor, não espere por um Mr. Darcy”. Jane Austen: “Minha querida, isto é o mundo real. A única maneira de ter um Mr. Darcy é inventando-o”.

 

Fanny é romântica e inspira-se nos livros da tia. Mas também é uma jovem que não tem outro objetivo a não ser o matrimônio; não ficará satisfeita até se tornar a esposa de alguém. É imatura e acha que tudo deve girar em torno dela e de seus planos.

“Moças de 20 anos estão tão desesperadas para se apaixonarem. É tão difícil dizer se é real. Todos deviam ter a chance de se casar uma vez por amor, se puderem.”  (Jane Austen sobre os sentimentos de Fanny pelo Sr. Plumptre)

 

A opinião de Jane sobre os assuntos do coração era frequentemente solicitada, contudo, sua família não perdia tempo em lembrar-lhe que ela não tinha experiência no assunto. O fato de nunca ter se casado foi um fardo sempre presente na vida da autora, lembrado sempre e toda vez que havia uma oportunidade.

Seus livros eram um sucesso, mas a pobreza era uma realidade. Ela chegou a cogitar pedir mais dinheiro pela publicação de Emma, mas seus irmãos não viam com bons olhos que ela pedisse um aumento. Não era elegante uma mulher aos 40 anos de idade escrever para o seu sustento, isso envergonharia a família.

Miss Austen Regrets também retrata a visita de Jane Austen ao Príncipe Regente, onde ela foi recebida pelo bibliotecário James Stanier Clarke. Na ocasião, a autora foi autorizada a dedicar o próximo romance a ser publicado, Emma, a Sua Alteza Real, o Príncipe Regente. Ele era fã de Austen e tinha cópias dos romances dela em todas as suas residências.

 

Nesta adaptação, o pretendente principal é o afetuoso Mr. Bridges. Não tinha lido ou ouvido falar dele antes de assistir Miss Austen Regrets. Existem tantas suposições sobre a vida amorosa de Jane Austen, seus pretendentes etc., que nunca temos certeza se as histórias retratadas nos filmes e em algumas biografias são realmente verdade.

Mr. Bridges: “Não a teria impedido de escrever, se era isso que temia”.

Jane Austen: “Como poderia ter escrito se tivéssemos casado? Todo o trabalho de ser mãe…”.

 

Jane menciona um antigo pretendente, Tom Lefroy, que foi retratado em Becoming Jane.  Ela simplesmente diz que ele não foi o cara.

 

Cassandra desenhando sua irmã, Jane Austen. A cena recria o momento da pintura do único retrato que conhecemos da autora.

 

Nesta altura, aos 40 anos, Jane já dava sinais que estava adoecendo. A autora estava escrevendo Persuasão e se preocupava se conseguiria terminar o romance.

Jane Austen faleceu aos 41 anos, numa sexta feira, 18 de julho de 1817. Com base nas cartas às quais temos acesso e que falam sobre os sintomas da doença que lhe tirou a vida, a opinião médica atual acredita que a autora tenha sofrido de Doença de Addison; uma perda da função das glândulas suprarrenais.

A tristeza de Cassandra por perder o sol de sua vida, como dito na adaptação, é comovente. As duas irmãs tiveram uma amizade tão forte e bela que, quando assistimos Cassandra queimar algumas cartas escritas por Jane, entendemos e perdoamos tal fato. Penso, assim como muitos admiradores e estudiosos de Jane Austen, que ela quis preservar a imagem da irmã e alguma história que não fosse adequada tornar pública.

Se alguém tinha esse direito, definitivamente esse alguém era Cassandra Austen.

 

Miss Austen Regrets foi lançado no Brasil como integrante do DVD de Razão e Sensibilidade (BBC, 2008), e também faz parte do box A Obra Completa de Jane Austen, da extinta produtora LogOn, com 10 discos.

 

 

Referências:

James, Syrie. As Memórias Perdidas de Jane Austen. Tradução de Claudia Melo. Rio de Janeiro: Galera Record, 2013.

https://en.wikipedia.org/wiki/Miss_Austen_Regrets

 

Resenha em colaboração com o blog Escritoras Inglesas.

dezembro 08, 2016

[LANÇAMENTO] O CLUBE DE LEITURA DE JANE AUSTEN

A Editora Rocco lançará, em janeiro próximo, o livro O Clube de Leitura de Jane Austen, da autora norte-americana Karen Joy Fowler! A capa, como vocês podem ver acima, é lindinha, já estou encantada! O livro foi adaptado para o cinema em 2007 tendo no elenco nomes como Emily Blunt, Hugh Dancy, Amy Brenneman, dentre outros. Veja, abaixo, o release da Rocco, informando sobre o lançamento:

Uma das autoras mais queridas em todo o mundo, cujo bicentenário de morte ocorre em 2017, Jane Austen (1775-1817) segue arrebanhando uma legião de fãs em pleno século XXI com romances nos quais retrata a sociedade inglesa de sua época com precisão e ironia, especialmente a condição da mulher, que tinha no casamento a única forma de existir e ascender socialmente. É claro que o cinema deu uma ajudinha na popularização da obra da escritora, haja vista o sucesso de adaptações como Orgulho e preconceito e Razão e sensibilidade para as telonas. Mas o que explica o fato de, em vários países, nos dias de hoje, milhares de adolescentes e jovens continuarem devorando as histórias da escritora setecentista protagonizadas por mocinhas em busca de um bom casamento?

 

Em O clube de leitura de Jane Austen, romance da norte-americana Karen Joy Fowler que a Rocco lança em janeiro, cinco mulheres e um homem se reúnem para debater as obras de Jane Austen na Califórnia do início dos anos 2000. O livro, que também virou um filme de sucesso, é uma comédia de costumes contemporânea que mostra que, dois séculos depois, os relacionamentos afetivos e sociais continuam ocupando o centro de nossas vidas. Ou seja: mudam os códigos que regem as
relações, mudam as regras de comportamento, mas na essência continuamos lidando com o sonho de encontrar o par perfeito (ou pelo menos de viver um amor “que seja infinito enquanto dure”) e de sermos aceitos – e com as consequências de nossas escolhas. O que talvez justifique a atualidade da autora inglesa.

No livro, ao longo dos seis meses em que o eclético grupo se encontra para ler e discutir os romances de Jane Austen, casamentos são testados, novos romances vêm à tona, arranjos sociais e afetivos se fazem e desfazem, e os personagens acabam se dando conta de que suas vivências não são assim tão diferentes das experimentadas por Emma ou outras de suas protagonistas. E aprendendo com elas.

Com um olhar apurado e sensível para as fragilidades do comportamento humano e o quê de absurdo das convenções sociais, Karen Joy Fowler disseca as relações contemporâneas com acuidade, humor e ironia dignos da autora britânica. Uma homenagem a uma das maiores escritoras da língua inglesa e uma deliciosa comédia de costumes dos nossos tempos. Entre para O clube de leitura de Jane Austen, leitura perfeita para começar 2017.

 

 

Veja o trailer do filme abaixo:

 

novembro 23, 2016

[RESENHA] MOBILIDADE SOCIAL EM ORGULHO E PRECONCEITO, DE JANE AUSTEN, E SENHORA, DE JOSÉ DE ALENCAR

Sinopse: “Mobilidade Social em Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, e Senhora, de José de Alencar” é o resultado de minha pesquisa de mestrado, defendido na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), em abril de 2015. O desafio deste trabalho é aproximar autores tão distintos em seus estilos de escrita, porém, perfeitamente aproximáveis quanto às similaridades que se encontram nas duas obras em questão, como as abordagens a respeito da condição da mulher na sociedade patriarcal, o casamento entre pessoas de classes sociais distintas, o que tornava possível a mobilidade social de um status de pobreza à riqueza. Outro aspecto relevante na comparação dos livros, diz respeito aos casais protagonistas. Darcy e Elizabeth Bennet, na trama de Austen, além de Fernando Seixas e Aurélia Camargo, no romance de Alencar, que nos convidam a entrar em um universo de desencontros e dissabores até o desenlace do final feliz.”

 

Mobilidade Social em Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, e Senhora, de José de Alencar, foi escrito por Márcio Azevedo e publicado pela editora Livrus neste ano. O texto é fruto da pesquisa de mestrado do autor, defendida em 2015 na Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

Desde que eu soube do lançamento deste livro, me peguei pensando nas possíveis semelhanças entre os romances e seus autores, tão distintos: Jane Austen, da Inglaterra, tendo seu livro publicado originalmente em 1813 e, José de Alencar, brasileiro, tendo publicado Senhora em 1875. Márcio Azevedo nos mostra que há sim, muitas semelhanças além do romance conturbado entre os protagonistas dos dois livros.

Quem não está inserido neste meio acadêmico pode desconfiar de uma indicação minha, sendo eu uma estudante (apaixonada) de Letras, para a leitura de um livro de Literatura Comparada. É natural que exista o medo de que seja uma leitura densa, maçante. Felizmente, inclusive para mim, o livro de Márcio Azevedo é uma ótima leitura, leve e precisa, com todo o embasamento teórico apresentado de forma simples e pertinente. É uma leitura rápida por seu conteúdo interessante e, certamente, será bem avaliada por todos os seus leitores, sobretudo os fãs de Austen e Alencar.

O livro foi dividido em três capítulos: Contexto histórico e apresentação dos autores; Análise comparativa: contrastes e semelhanças em Orgulho e Preconceito e Senhora e, Literatura e Cinema. Neste último, o autor destrincha a adaptação de Orgulho e Preconceito, produzida em 2005, com direção de Joe Wright e também a adaptação de Senhora, do diretor e roteirista Geraldo Vietri, do ano de 1976. Aqui, além de comparações sobre livro e filme, Azevedo fala sobre limitações e liberdades criativas em relação às histórias contadas através do cinema. Nós leitores muitas vezes criticamos os roteiristas e diretores por não transcreverem o livro integralmente para as telas, quando na realidade as adaptações são releituras e podem seguir caminhos diferentes para contar a história.

 

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Foi muito interessante descobrir, em cada página, detalhes que uma leitura mais superficial dos livros em questão não nos permite perceber. Já li Orgulho e Preconceito algumas vezes; Senhora, preciso reler, e agora terei o cuidado de observar um ponto importante sobre o personagem Seixas, muito bem fundamentado pelo autor que eu, a contragosto, percebo ter sua verdade: Fernando Seixas seria, na visão de Azevedo, o verdadeiro protagonista do livro de Alencar.

“Fernando Seixas é o homem por quem Aurélia se apaixona. Apesar de o romance se chamar Senhora e ter grande parte dos estudos acadêmicos voltados para a imagem feminina, supostamente tendo Aurélia como sua protagonista, Fernando é o desencadeador de diversas ações, quando precisa se redimir moralmente e descobrir o verdadeiro amor. Não é Aurélia que sofre todo esse processo de mudança durante o romance todo. Em Orgulho e Preconceito, o foco narrativo estabelece Elizabeth Bennet como epicentro das ações, portanto não há dúvidas de que ela é a protagonista, tendo em vista que é a responsável por promover várias mudanças no Sr. Darcy.” (p. 103)

 

Para adquirir um exemplar do livro, basta entrar em contato com o autor, via mensagem direta, em sua página no facebook. Garanto, é leitura mais que recomendada!

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Sobre o autor: Márcio Azevedo da Silva nasceu em 21 de novembro de 1980, em Parintins, Amazonas. Graduado em Letras, Língua e Literatura de Língua Portuguesa (UEA-2005), Letras – Língua e Literatura de Língua Inglesa (UFAM-2012), Especialização em Metodologias de Língua Inglesa (UEA-2007), Mestrado em Letras, com ênfase em estudos literários (UFAM-2015).

Compositor de oito toadas publicadas na história centenária do Boi-bumbá Garantido. Publicou os contos Desromantizando (2013), Predestinação (2013) e Prisão sem Muro (2015).

É professor de Língua Inglesa do quadro efetivo da Secretaria de Estado de Educação do Amazonas (Seduc). (orelha do livro)

 

 

Título: Mobilidade Social em Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, e Senhora, de José de Alencar
Autor: Márcio Azevedo
Editora: Livrus
Páginas: 168

 

Leia também: Leituras de Jane Austen no Século XXI.

 

Conheça o filme Senhora, de 1976:

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