março 31, 2017

[LANÇAMENTO] BELINDA, DE MARIA EDGEWORTH

Sinopse: “Publicado pela primeira vez em 1801, Belinda é a história de Miss Portman, uma moça inteligente e charmosa em meio às tentações e perigos da elegante sociedade londrina da época. Enviada para Londres por sua tia casamenteira para encontrar um marido rico e com um título de nobreza, Belinda influencia a vida de todos aqueles os quais têm a honra de conhecê-la. Um dos romances mais instrutivos já escritos até hoje, um manual de como ser feliz em meio às frustrações da sociedade.”

 

A postagem de hoje é para que eu possa dar-lhes as boas novas: o Blog Tamires de Carvalho foi selecionado para ser parceiro da Pedrazul Editora! Com isso, teremos por aqui ainda mais novidades sobre os lançamentos da editora em primeiríssima mão! Falando em lançamento, Belinda, de Maria Edgeworth entra em pré-venda hoje! Você pode reservar o seu exemplar aqui. O livro tem quase 500 páginas, em uma edição belíssima, com ilustrações originais. Tamanho 16X23cm e tradução de Bianca Costa Sales, a mesma tradutora de Os Mistérios de Udolpho.

 

Saiba mais sobre o romance:

“Mrs. Stanhope fez de tudo até conseguir que a  dama mais elegante e influente de Londres, a notória lady Delacour, uma viscondessa, levasse sua última sobrinha solteira para passar uma temporada com ela.  A esperança da tia era que Belinda conseguisse, com o as suas demais primas, um bom e rico marido. Belinda, então, foi jogada num tumulto social e acabou se envolvendo nos conflitos familiares da aristocrática família Delacour. Enquanto a belíssima lady Delacour tenta chamar a atenção de Clarence Hervey e outros cavalheiros para si com coquetismo, vivendo uma agitada vida social, como se o mundo fosse acabar amanhã, ela enfurece lorde Delacour, causando uma tragédia. Mas a lady esconde um grande segredo. Em meio à agitada vida social, o coração da jovem Belinda é tocado por Mr. Hervey, mas ele está comprometido com outra. Resta a Belinda se casar com Mr. Vicent, o protegido dos sóbrios e racionais Percivals.

 Belinda é a história envolvente de uma jovem mulher forte, que luta para manter sua integridade, mesmo estando sob a tutela de um mau exemplo experiente na forma de uma lady elegante.”

 

 

SOBRE A AUTORA

Quando Jane Austen publicou seu primeiro romance, Razão e Sensibilidade, em 1811, não havia dúvida de que era a principal romancista da época: Maria Edgeworth (1768 – 1849). Ela não foi apenas a escritora de ficção inglesa mais admirada, mas também a melhor remunerada. Numa famosa vindicação de ficção em A Abadia de Northanger, Austen cita nomes de livros, entre eles Belinda de Edgeworth, como uma daquelas obras que provaram o poder intelectual e a sagacidade dos melhores romances.  A autora permaneceu como a maior romancista da Inglaterra até o início do século XIX.

 

Belinda é mais um título indispensável na estante dos fãs de Jane Austen. E só a editora que lançou Os Mistérios de Udolpho em português poderia presentear-nos com um lançamento desses, em uma edição primorosa!

 

Adicione Belinda à sua estante no Skoob clicando aqui.

 

URGENTE: As primeiras 100 pessoas que comprarem Belinda através do site da editora concorrerão a um exemplar de A Pequena Dorrit, de Charles Dickens, edição ilustrada originalmente. O lançamento do livro de Dickens está previsto para agosto deste ano.

março 06, 2017

[RESENHA] AMOR & AMIZADE, DE WHIT STILLMAN

Sinopse: “Incrivelmente bela, surpreendentemente espirituosa e completamente devotada… aos próprios interesses: Conheça Lady Susan Vernon, a Alma e o Espinho de Amor & Amizade.Viúva, falida e mãe de Frederica, uma adorável garota em idade para se casar, Lady Susan tem uma missão: encontrar um bom marido – ou seja, rico – para a filha e sobretudo para si.Dona de uma eloquência e de um charme sem iguais, Lady Susan flerta com qualquer homem endinheirado que possa salvá-la de sua desgraça financeira, o que lhe rende a fama de “rainha do flerte”.Mas quando suas tentativas de garantir o futuro não saem como o esperado, Lady Susan recorre à gentileza (e ao dinheiro) de seu cunhado, Charles, e vai passar uma temporada em sua propriedade rural para se afastar das fofocas.Lá, ela conhece Reginald, irmão da esposa de Charles, e único herdeiro da fortuna da família DeCourcy. Ao perceber que Frederica está se encantando pelo rapaz, Lady Susan decide que o jovem Reginald seria um belo e abastado marido… para si mesma.”

 

O livro Amor & Amizade é um dos raros casos em que a reescrita de um clássico acaba por tornar-se tão bom quanto o original. Particularmente, o roteiro de Whit Stillman, publicado em prosa pela Editora Gutenberg em 2016 consegue ser até mais divertido que Lady Susan, pequena história epistolar escrita por Jane Austen em 1794 e publicada originalmente anos mais tarde, em 1871.

Nessa releitura, o autor dá voz a Rufus Martin-Colonna de Cesari-Rocca, sobrinho de Lady Susan, que pretende, com a escrita de seu livro, reparar um erro terrível em relação ao mau julgamento feito da moral de sua tia, com base nas cartas publicadas pela autora solteirona. Sim, Jane Austen é mencionada diversas vezes na história, ainda que o seu nome não seja dito.

 

“À Vossa Alteza Real,

O Príncipe De Gales

 

SIR, para aqueles a quem Vossa Alteza Real é conhecida a não ser pela exaltação de vossa superioridade, talvez possa causar alguma surpresa que os presentes locais, personagens e incidentes, que têm referência apenas à vida comum, sejam trazidos a tão augusta presença. Vosso desejo inconteste de ver a justiça prevalecer em nosso Reino encorajou-me, a mim, um indivíduo insignificante, residente em uma ignominiosa morada, a buscar a deferência benevolente de Vossa Alteza Real para com o presente relato no qual Vossa Alteza Real encontrará Total Absolvição de alguns de seus fiéis súditos, caluniados e difamados pela mesma Autora Solteirona que tão friamente declinou da mui generosa e condescendente oferta de patronato de vosso ilustre predecessor, o Príncipe Regente.

 

Com a mais sincera admiração e profundo respeito,

SIR, do mais obediente, mais diligente e mais devoto

súdito de Vossa Alteza Real,

R. Martin-Colonna De Cesari-Rocca

Londres

18 de junho, 1858”

“Lady Susanna Grey Vernon era minha tia – a mais amável e cativante mulher que alguém poderia conhecer, uma figura ilustre de nossa Sociedade e Nação. E estou convencido de que as insinuações e acusações levantadas contra ela são, em sua quase totalidade, inteiramente falsas.” (p. 17)

 

Com base nas cartas publicadas, nos relatos de amigos e familiares, Rufus conta a história de Lady Susan, incrementando algumas passagens e defendendo-a quando a situação indica algum possível constrangimento.

Lady Susan Vernon é uma mulher sedutora, que sabe o que quer e dispõe-se a fazer o que for necessário para conseguir. É a protagonista fora da curva de Jane Austen, que criou mocinhas memoráveis, como Elizabeth Bennet, de Orgulho e Preconceito, espelho para muitas mulheres mundo afora. Ainda que Lady Susan seja diferente, isso não quer dizer que a personagem nos cause antipatia. Pelo contrário, seu poder de sedução consegue ultrapassar as páginas do livro e nós acabamos torcendo para que ela vença a batalha que é a vida na sociedade de sua época.

 

“Quando se trata de bajular, não se contenha – Lady Susan comentou (“dada a sua vasta experiência”, a solteirona escreveu). – Homens são uns tremendos glutões de elogios, nunca é suficiente.” (p. 97)

 

Nossa protagonista é uma jovem viúva empobrecida e com uma filha em idade matrimonial. Desta forma, vai fazer o que estiver ao seu alcance para conseguir um marido de posse de uma boa fortuna, citando Sra. Bennet (Orgulho e Preconceito), para salvar a filha e a ela mesma, da miséria. Seus objetivos parecem bem claros, até que a mulher percebe que o bom partido que ela idealizou para tornar-se marido de sua filha poderia ser um bom partido para si mesma.

Minha grande dúvida em relação a esse livro era se ele tratava-se de uma nova reimpressão das cartas que compõem Lady Susan, de Jane Austen. Aquele selo na capa, creio eu, confundiu mais do que esclareceu. Então eu li a resenha que o blog Dezoito Primaveras fez e finalmente pude concluir que a edição contém os dois textos: O de Stillman e o de Austen, sendo o último acrescido dos comentários do personagem  Rufus Martin-Colonna de Cesari-Rocca. Sendo assim, caros leitores, se vocês também tinham essa dúvida, podem comprar sem medo. Amor & Amizade vale a pena até para quem, como eu, têm outras três edições de Lady Susan, com o texto de Jane Austen. Para quem ainda não leu a história, essa edição é uma ótima oportunidade para conhecê-la!

 

 

 

SOBRE O AUTOR: Whit Stillman é roteirista, diretor e um grande fã de Jane Austen. Entre suas obras cinematográficas estão Metropolitan, Barcelona, Os últimos embalos da disco, Descobrindo o amor e Amor & Amizade, uma desonesta representação desta história. Na universidade, ele foi editor do Harvard Crimson e posteriormente trabalhou na área editorial e na jornalística. Seu primeiro romance, The Last Days of Disco Whit Cocktails at Pretossian Afterwards, também surgiu de um roteiro de cinema e ganhou o prêmio literário Fitzgerald.

 

 

Título: Amor & Amizade
Autor: Whit Stillman
Tradução: Nilce Xavier
Editora: Guttenberg
Páginas: 240

Compre na Amazon: Amor & Amizade.

 

Veja abaixo o trailer legendado do filme:

março 02, 2017

[RESENHA] BRIDE AND PREJUDICE: ORGULHO E PRECONCEITO EM VERSÃO INDIANA

Bride and Prejudice, ou Noiva e Preconceito, em português, é a versão bollywoodiana de Orgulho e Preconceito, de Jane Austen. O filme é de 2004, mas só tive a oportunidade de assisti-lo nos últimos dias e foi uma grata surpresa.

Não é de hoje, contudo, que ouço falarem da versão indiana do clássico de Jane Austen. Preconceituosamente, achei, sem nem assistir, que seria um filme ruim, uma história forçada, com muita coreografia e maquiagem. Teve tudo isso, mas foi lindo.

Alguns personagens mantiveram os mesmos nomes do livro de Austen, outros, como Elizabeth Bennet, ganharam uma versão indiana. No caso de nossa protagonista, ela tornou-se Lalita Bakshi.

A história se passa em Amritsar, Índia, onde será realizado um casamento em que Mr. Bingley, no filme, Mr. Balraj, participa como padrinho do noivo. Willian Darcy, no filme um americano, e Kiran Balraj (Caroline Bingley), estão com ele na cerimônia. Balraj é de Nova Deli, mas mora na Inglaterra, onde conheceu Darcy quando este estudou em Oxford. É no casamento que os amigos conhecem a família Bakshi e começam a fazer conexões.

Deixando de lado a velha e maravilhosa fórmula que Jane Austen criou em seu romance mais famoso, em que o casal inicialmente se detesta, mas depois se apaixona, tendo que vencer os desafios causados pelo orgulho e pelo preconceito para ficarem juntos, este filme tem algo a mais. A questão cultural foi muito bem abordada, dentro do que era possível em uma adaptação curta como um filme.

“ – Você devia ter visto o rosto da Sra. Lamba! Balraj não dançou com nenhuma outra garota a noite toda. Sabia que ele não resistiria ao charme da minha linda Jaya.

 – Ou o seu, é claro.

 – Imagine, se Jaya fosse morar no Reino Unido, poderíamos visitá-la a qualquer hora.

 – Não gostaria de ver minhas filhas tão longe.

 – Mas temos tantas. Uma ou duas podem morar no exterior. Elas vão ganhar mais, e Deus sabe que elas vão precisar. Porque não temos recursos para dar à todas um dote decente.

 – Talvez devêssemos ter afogado uma ou duas quando nasceram.”

 

Na Índia, ainda hoje, infelizmente, é comum que as meninas sejam abortadas ou mortas após o nascimento, para evitar a despesa com dote e casamento. É mais vantajoso, dentro da tradição, ter um filho homem. Em um diálogo descontraído do filme, a fala do Mr. Bakshi, Mr. Bennet, no original, evidencia essa parte triste da cultura indiana.

A Sra. Bennet continua um espetáculo a parte. Nesta adaptação, Mrs. Bakshi procura maridos para as filhas até em site de relacionamentos indianos. Sim, porque a família não quer apenas um bom partido, ele também deve compartilhar de sua cultura.

Darcy, como esperado, acha tudo muito primitivo. Casamento arranjado, coreografias, um trânsito louco, internet ruim em seu hotel. Mas desde o primeiro momento Lalita mostra que a Índia é muito mais do que supõem pessoas preconceituosas como ele.

“ – Esse é o seu primeiro casamento indiano?

– Sim, Está sendo uma experiência e tanto.

– Você não está se divertindo?

– Não, estou sim. Acho esse negócio de casamento arranjado um pouco estranho. Não sei como as pessoas podem se casar sem terem conhecido um ao outro. Acho isso um pouco atrasado, você não acha?

– Isso é tão clichê. É diferente hoje em dia. É mais parecido com um serviço de namoro global. O noivo parece feliz. Os pais o forçaram a casar?

– Não, foi ele quem pediu aos pais que achassem uma noiva para ele. Ele estava ocupado gerenciando sua empresa. Ele só queria algo simples.

– Entendo. Então ele veio aqui. É isso que você acha também? Que a Índia é um lugar para encontrar uma mulher simples?

– Espere, não. Não foi isso o que eu quis dizer.

– É engraçado, os americanos pensam que têm respostas para tudo, incluindo casamentos. Bastante arrogantes, considerando que têm a maior taxa de divórcio do mundo.

(…) Mr. Balraj chama para dançar

– Escute, sou um péssimo dançarino, mas… bem, isso parece que você coloca uma lâmpada com uma das mãos e faz carinho num cachorro com a outra. Você me ensina?

– Sabe o que eu acho? Acho que você deveria achar alguém simples e tradicional para lhe ensinar a dançar como os nativos.”

 

A questão do imperialismo norte americano é mencionado rapidamente no casamento e novamente discutido na fala que, no livro, é sobre o padrão de mulher ideal para Darcy. Um fato interessante, que eu não vi até o momento em nenhuma outra adaptação moderna de Orgulho e Preconceito é que aqui, Lalita questiona se o alto padrão que Darcy buscava em uma parceira faria dele um homem ideal. Ponto positivo para Noiva e Preconceito, que outras adaptações que transportaram a história de Jane Austen para os tempos atuais deixaram passar.

“ – Certamente você teria problemas para encontrar sua mulher ideal na Índia. Não ouvi ‘simples’, ‘tradicional’, ‘subserviente’ na sua lista.

– Ora, vamos, me dê um tempo! Agora você está distorcendo minhas palavras.

– Você mesmo disse estar acostumado ao melhor. Tenho certeza de que acha que a Índia está abaixo de você.

– Se eu realmente pensasse assim, por que eu estaria pensando em comprar esse lugar? – disse referindo-se a um hotel de luxo.

– Você acha que isso é a Índia?

– Bem, você não quer ver mais investimentos, mais empregos?

– Sim, mas quem realmente se beneficiaria disso? Você quer que as pessoas venham para a Índia sem ter que lidar com os indianos.

– Ah, isso é bom. Lembre-me de colocar isso no folheto  de turismo. – diz olhando para Kiran (Caroline Bingley)

– Não é isso que todos os turistas querem aqui? Conforto cinco estrelas com um pouco de cultura no meio? Eu não quero que você transforme a Índia em um parque temático. Achei que estávamos livres de imperialistas como você.

– Não sou inglês, sou americano.

– Exatamente!”

 

Mr. Collins, nesta adaptação, Mr. Kholi, é um canastrão de marca maior. Engraçadíssimo, faz o perfil do indiano que foi para os Estados Unidos e acaba reproduzindo os preconceitos de quem é de lá. Após ganhar o Green card, considera-se superior aos seus compatriotas e à cultura de seu país natal. Lalita recusa a oferta maravilhosa de casar-se com ele e ir morar próximo a Hollywood, destino este aceito prontamente por sua amiga Chandra Lamba (Charlotte Lucas). O Collins mais legal que eu já vi, só perde para o original do livro.

 

Mrs. Catherine de Bourgh e Giogiana Darcy, aqui Catherine Darcy e Georgina “Georgie” Darcy, respectivamente, com a diferença que a primeira é a mãe de Darcy, e não tia, tiveram pouco destaque no filme. Interpretadas por Marsha Mason e Alexis Bledel (Gilmore Girls), suas aparições foram participações especiais. Tiveram certa importância na trama, mas foram muito rápidas. Até me surpreendi ao ver a Alexis Bledel entrar em cena. Gostaria de uma série em alguns episódios para poder ver mais das duas personagens, e também, claro, do Mr. Kholi.

 

Um ditado que eu achei muito lindinho, e que foi colocado de maneira muito sutil na trama é de que quando você espirra, alguém estaria pensando em você. Darcy e Lalita espirram diversas vezes no filme. Momentos singelos de puro romance.

As coreografias são perfeitas, e as músicas bem legais. Depois de assistir, duvido que você também não deseje viver em um filme indiano, em que tudo vira festa! O roteiro acertou em misturar a magia e a cor dos filmes indianos com a questão cultural, uma transição natural da obra de Austen, que abordou o social em Orgulho e Preconceito.

 

 

Confira o trailer abaixo (em inglês):

 

Resenha em colaboração com o blog Escritoras Inglesas.

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