setembro 22, 2016

[RESENHA] LEITURAS DE JANE AUSTEN NO SÉCULO XXI, DE LAJOSY SILVA

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Sinopse: “Leituras de Jane Austen no Século XXI” é um conjunto de ensaios que busca relacionar a obra da escritora inglesa e o leitor contemporâneo, ao enfatizar transformações políticas, socioeconômicas e culturais. Essa coletânea abarca questões e temas que ultrapassam a temática recorrente das historietas de amor. Lida por homens e mulheres em seu tempo, admirada por um príncipe extravagante, respeitada por escritores de outros períodos e defenestrada por outros, Jane Austen parece sobreviver como uma vitalidade quase comparável ao de Shakespeare.”

 

É inegável a relevância de Jane Austen ainda nos tempos atuais. Seja pelo caráter clássico de sua obra, ou por suas maravilhosas histórias, a verdade é que continuaremos tendo por muito tempo adaptações e versões de seus romances, além de novas e encantadoras edições de seu cânone.

Entretanto, mesmo com toda a publicidade em torno da autora inglesa, muitas pessoas ainda têm uma visão restrita sobre seus romances. Muito disso, em parte, deve-se às inúmeras adaptações cinematográficas que focalizam as histórias de amor, em detrimento dos outros temas abordados em Razão e Sensibilidade, Orgulho e Preconceito, Mansfield Park, Emma, Persuasão e A Abadia de Northanger. Por outro lado, o leitor que procura o enredo dos filmes nas páginas de Austen, por vezes pode sentir-se desmotivado a continuar a leitura em razão dos temas que procuravam retratar a sociedade da época, muito presentes nas obras da autora.

Essas e outras questões são abordadas no livro de ensaios Leituras de Jane Austen no Século XXI, do escritor e professor Lajosy Silva. A partir dos romances de Jane Austen, ele nos mostra como os temas da escritora adaptam-se através do tempo, e a leitura pode ir muito além do fato de seus romances serem clássicos da literatura. Afinal, não é a toa existirem tantas versões e continuações de seus romances, além de um pouco daquela sociedade sobre a qual Austen escreveu com tanta ironia certamente ainda poder ser percebida nos dias atuais.

É certo que Jane Austen (1775-1817) dispensa comentários. Ela já possuiria uma fortuna crítica que buscou esmiuçar sua obra em vários aspectos. O propósito dessa coletânea de ensaios é relacionar o conjunto de sua obra com o leitor contemporâneo.” (p. 9)

Lajosy Silva faz uma análise profunda dos romances de Jane Austen e chama a atenção para questões que, mesmo para os leitores mais atentos e apaixonados, podem ter passado despercebido.

Integram a coletânea, os seguintes ensaios: “A política social e do afeto em Razão e Sensibilidade”; “Teatralidade e o idealismo burguês em Orgulho e Preconceito”; “A representação da velha Inglaterra e as rupturas socioculturais em Mansfield Park”; “Libertação e as marcas do tempo em Persuasão” e “A formação do leitor em A Abadia de Northanger”. Para os fãs da autora, é uma leitura indispensável!

 

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Sobre o autor: Lajosy Silva nasceu em Capinópolis, em 05 de julho de 1974. Fez Letras na Universidade Federal de Uberlândia e pós-graduação na UNESP e USP, onde desenvolveu pesquisas na área de literatura, teatro e cinema. Escreveu artigos sobre literatura e cinema disponíveis na internet. Publicou os romances O Sexo do Pêssego (2006), Lêda e o Cisne (2007), Confissão (2008), O Fim de Nós (2012) e Orgulho (2013), além da coletânea de contos Campos Tristes (2010). É professor de literatura e língua inglesa. (Orelha do livro)

 

Compre aqui.

 

Resenha em colaboração com o blog Escritoras Inglesas.

junho 25, 2016

[LANÇAMENTO] Mobilidade Social em Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, e Senhora, de José de Alencar

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Vem aí mais um lançamento para os fãs de dois ótimos romances, Orgulho e Preconceito e Senhora: Mobilidade Social em Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, e Senhora, de José de Alencar, escrito por Márcio Azevedo da Silva. Veja, abaixo, a sinopse divulgada pelo autor:

 

“A proposta deste livro é promover um diálogo, a partir da Literatura Comparada, sobre mobilidade social nos romances Orgulho e Preconceito, da escritora inglesa, Jane Austen, e Senhora, do escritor brasileiro José de Alencar. Cada romance é de extrema relevância para a compreensão das sociedades inglesa e brasileira do período em que os livros foram escritos. No primeiro capítulo, apresentamos o contexto histórico em que os autores estão inseridos, considerando a influência da era Georgiana na obra de Jane Austen, além de sua curiosa escolha por não aderir ao Romantismo em voga. Ressaltamos a respeito do Romance Burguês e suas influências na obra de José de Alencar. No segundo capítulo, apresentamos a comparação entre os dois romances e suas principais personagens, tendo como base teórica o livro Literatura Comparada, de Sandra Nitrini. O terceiro capítulo apresenta um diálogo intersemiótico entre o filme Orgulho e Preconceito, de 2005, dirigido por Joe Wright e o romance de Jane Austen, o mesmo acontecendo com o filme Senhora, de 1976, dirigido por Geraldo Vietri e o romance de Alencar, com o objetivo de elucidar as especificidades da narrativa literária e da narrativa fílmica.”

 

Confesso que estou muito interessada nesta leitura, ainda sem data certa de lançamento. O autor falará, dentre outros tópicos, sobre as semelhanças e diferenças entre Aurélia Camargo e Elizabeth Bennet, e também sobre Seixas em comparação a Darcy e a Wickham. Dois romances incríveis sob a ótica da literatura comparada. Imperdível!

 

Sobre o autor: Márcio Azevedo da Silva nasceu em Parintins, no Amazonas. Graduou-se em Letras-Língua Portuguesa (UEA, 2005, Especialização em Metodologias de Língua Inglesa) ( UEA, 2007, Graduação em Letras-Língua Inglesa ( UFAM, 2012, Mestrado em Letras ( UFAM, 2015). Publicou os contos Desromantizando ( 2013), Predestinação ( 2013) e Prisão sem Muro ( 2014). É compositor de oito toadas, em parceria, na história centenária do Boi-Bumbá Garantido. Atua como docente de Língua e Literaturas de Língua Inglesa.

ATUALIZAÇÃO: Veja a resenha deste livro aqui.

 

maio 22, 2016

[RESENHA] RAZÃO E SENSIBILIDADE: ROTEIRO E DIÁRIO

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Este livro não é o romance de Jane Austen. É a história da adaptação da obra Razão e Sentimento para o cinema. Uma adaptação que inclui o roteiro e as filmagens. É, também, a história de duas mulheres, Lindsay Doran, produtora, e Emma Thompson, atriz, que partilharam um gosto até pouco tempo incomum. O prazer de ler Jane Austen e entender a amplitude de sua visão de mundo, a partir de um ponto aparentemente pouco privilegiado: Um cantinho na bucólica província inglesa dos séculos XVIII e XIX.”  

 

Emma Thompson, a Elinor da adaptação cinematográfica de 1995 e também vencedora do Oscar de melhor roteiro adaptado por este filme, reuniu seu premiado roteiro e o diário das filmagens  de Razão e Sensibilidade em um livro. Aqui no Brasil, foi publicado pela editora Rocco e é facilmente encontrado em livrarias e sebos de internet.

O roteiro é realmente muito bom, e quem já leu o clássico e assistiu a adaptação pode comprovar tal fato. Lendo o roteiro, em muitas partes não sabemos se é a voz de Austen ou de Thompson que está nos contando a história. Visivelmente um trabalho de fã para fã. O roteiro é ilustrado com fotos das cenas e dos sets de filmagens, uma leitura bastante agradável. Já no diaŕio, vemos uma Emma Thompsom “gente como a gente”, com medos, inquietações… Você percebe o quanto é complicada a produção de um filme (especialmente de época), ainda mais quando a pessoa além de ser uma das protagonistas, é também responsável pelo roteiro. E está adaptando um dos seus livros favoritos.

 

SEXTA-FEIRA, 16 DE JUNHO: Fazendo a cena de Elinor “O que você conhece do meu coração?” Por que escrevi uma cena com tantas palavras? Não acaba mais. Mas Mick, Ang e Phil trabalharam nela com alegria e conseguimos não atravessar a linha.” (pág. 281)

SÁBADO, 17 DE JUNHO: Ressaca novamente. Levantei esta manhã e não encontrava os meus óculos. Finalmente tive de pedir ajuda. Kate encontrou-os dentro de um arranjo de flores. Olheiras roxas.

De repente percebi que durante cinco anos, sempre que terminava um trabalho, voltava a reescrever esse roteiro. Essa será a primeira vez que realmente poderei parar. E assumi-lo por completo.” (pág. 282)

SEXTA-FEIRA, 30 DE JUNHO: 8:00h da manhã, já estou sofrendo com a maquiagem. Hoje vamos filmar a quase-morte de Marianne. Tensão pré-menstrual me ataca e a temperatura vai ficar em torno de 32 graus. Não tem ar-condicionado no estúdio. Horrível sensação de aperto no peito, incapaz de ficar sentada ou quieta. Desejando que a cena acabe.” (p. 291)

 

Assim que tive uma oportunidade, assisti ao filme depois da leitura do Diário, para ir me lembrando das situações que envolveram a produção e as filmagens. Mesmo quem prefere a leitura do clássico ao roteiro, esse livro vale muito a pena pelo diário dessa atriz duas vezes ganhadora do Oscar (melhor atriz em 1992 por Retorno a Howard’s End) que nos presenteou com uma bela adaptação de um dos mais belos livros de Jane Austen. 

 

 

 

Título: Razão e Sensibilidade Roteiro e Diário
Subtítulo: Das páginas do romance de Jane Austen para as telas do cinema
Autora: Emma Thompsom
Tradução: Aulyde Soares Rodrigues e Alyda Christina Sauer
Editora: Rocco
Páginas: 308

 

Resenha em colaboração com blog Escritoras Inglesas.

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