dezembro 26, 2016

[ETC.] MINHAS DEZ MELHORES LEITURAS DE 2016

Em 2016 li 40 livros (até a publicação deste post. De repente eu leia mais algum nesta semana, quem sabe?). Foi menos que em 2015, mas não foi pior. Neste ano, como muitos de vocês sabem, tornei-me mãe, e enquanto a Olívia era bem pequena eu passei longe dos livros. Queria aproveitar e me dedicar inteiramente a ela e foi a melhor escolha que eu poderia ter tomado. Mas, à medida que ela foi crescendo e eu fui tendo mais segurança nos seus cuidados, fui voltando a ler e a escrever. Tenho esboços escritos à mão até hoje para digitar!

A maioria das minhas leituras foi de livros com poucas páginas. Descobri ótimas histórias em livros pequenos e em e-books. Em 2017 lerei ainda mais contos e histórias curtas. Agora, sem mais delongas, elenco abaixo as dez melhores leituras que fiz em 2016, mas em ordem aleatória. Seria ainda mais difícil classificar esses livros. Muitos empatariam em primeiro lugar…

 

Livros da Pedrazul Editora

O que dizer dessa editora que só publica preciosidades? Até hoje nunca me decepcionei com as publicações da Pedrazul. São livros para comprar de olhos fechados, sem medo de ser feliz, especialmente para os amantes dos clássicos da literatura, sobretudo inglesa.

Neste ano li o volume 2 de Os Mistérios de Udolpho, leitura iniciada no final de 2015. Udolpho é um livro extenso, com muitas descrições, mas que proporciona uma viagem por castelos europeus cheios de mistérios macabros e sobrenaturais. O volume 1 começa lento, mas depois de algumas páginas é impossível largar. O volume 2 é igualmente viciante!

Um Coração para Milton me rendeu uma ressaca literária e tanto! Com a proposta de ser uma continuação do clássico Margaret Hale (Norte e Sul), de Elizabeth Gaskell, é um livro super romântico, que me fez suspirar em todas as páginas. Eu leria uma continuação da continuação, se houvesse, com certeza. Foi dos meus super favoritos de 2016 e da vida, pois adoro um romance. Quando estava lendo esse livro, precisei fazer um teste de glicemia demorado, comum no início e no final da gravidez. Eu estava no final e fiquei grudada na leitura durante todo o exame. Chamei a atenção de muitas funcionárias do laboratório, que ficaram encantadas com a edição lindíssima e com a história. Alguns meses depois do meu parto, quando voltei lá para realizar outro exame, a recepcionista lembrou-se do livro e pediu o nome para comprar, pois no dia não tinha anotado. Me deu até vontade de reler (o que devo fazer em breve)!

Esposas e Filhas foi outro lançamento da Pedrazul que eu li em 2016, e foi uma grata surpresa. Já tinha assistido a adaptação da BBC e achado a história boa. Mas o livro é infinitamente melhor! Pode assustar pelo tamanho, mas a leitura é super rápida, Gaskell tem uma escrita bem acessível e seus temas ainda são muito atuais. Uma lembrança marcante desta publicação foi participar como voluntária da revisão dos capítulos finais do livro, junto com o meu marido. Na época, estava grávida da Olívia.

Longe deste Insensato Mundo, primeiro título de Thomas Hardy que li, vai ser eternamente especial para mim. A Pedrazul Editora dedicou esta, que é a primeira edição desse livro em português, a minha humilde pessoa! Fiquei tão feliz, mas tão feliz, que mal tenho palavras para expressar. Só conhecia a história pelo filme protagonizado por Carey Mulligan e Matthias Schoenaerts, nos papeis de Batsheba Everdene e Gabriel Oak, que eu simplesmente adorei. É o tipo de história que amo e estava ansiosa pela publicação. Quando abri o pacote e percebi que o livro fora dedicado a mim, fiquei em êxtase! Depois de ler toda a história, fiquei ainda mais feliz, pois Longe deste Insensato Mundo é uma história incrível.

 

Papai e Mamãe Pop Rock

Li os dois livros do Piangers, O Papai é Pop e O Papai é Pop 2. Ele traz com muita ternura e humor as dores e os prazeres da paternidade. É o tipo de publicação que aproxima pais e mães, pois percebemos que pai, mãe e filho é tudo igual. Só mudam de casa. A Mamãe é Rock, da Ana Cardoso, esposa do Piangers, também foi uma ótima leitura. Ela mostrou o lado intenso da criação. Mesmo eu sendo uma mamãe verde, recruta, me identifiquei muito com o livro dela. É impossível não se colocar nas situações ou lembrar da nossa mãe, vó ou tia fazendo as mesmas coisas. Leitura rápida e agradável.  Vou contar os três livros como um, posso? São todos da mesma família, mereço um desconto…

Família Piangers

 

Crítica literária e literatura comparada

Em 2016 tranquei, no primeiro semestre, meu curso de Letras. O nascimento da Olívia estava previsto para o final de abril, período de provas. Sendo o nascimento dela a prova mais importante da minha vida, não quis participar de mais nada que demandasse a minha atenção. No segundo semestre, entretanto, acabei retornando para o curso, pois não queria ficar um ano inteiro sem estudar. As notas não foram as melhores, reprovei em duas disciplinas, mas estou firme e forte. Ano que vem tem mais! No meio disso tudo, li dois livros de crítica literária e literatura comparada, respectivamente: Leituras de Jane Austen no Século XXI e Mobilidade Social em Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, e Senhora, de José de Alencar. Duas leituras maravilhosas e enriquecedoras! Recomendo os livros também para quem nem passou perto de um curso de Letras ou Literatura. São leituras bem agradáveis, sem aquele rigor excessivo, e por vezes chato, de alguns livros acadêmicos. Uma curiosidade é que Lajosy Silva, autor de Leituras de Jane Austen do Século XXI, foi o orientador da pesquisa de mestrado do Márcio Azevedo, resultando no livro deste último. Uma grata surpresa.

 

O Grande Gatsby também foi uma ótima leitura. Um livro curioso, pois dentre tantos personagens detestáveis, me encantei com Jay Gatsby e seu profundo amor dor Daisy. Fiquei com a expressão meu velho por dias na cabeça. Tudo o que eu falava era complementado mentalmente por ela. O filme com Leonardo DiCaprio e Carey Mulligan (olha ela de novo, atuando em meus favoritos!) também é muito bom.

 

A Louca da Casa foi uma surpresa literária proporcionada pela TAG, com curadoria de Carola Saavedra. Foi o livro enviado aos associados em outubro e uma leitura super agradável sobre o universo dos livros e da escrita. Não conhecia a autora, Rosa Montero, e depois da leitura comprei o livro Te tratarei como uma rainha, pois me interessei pelos comentários da autora e, depois, pela sinopse que vi no Skoob.

 

Lobo de Rua, da paulistana Jana P. Bianchi, lançamento recente da Editora Dame Blanche, foi uma ótima leitura pois me proporcionou gostar de um universo do qual eu fugia  até então: lobisomem. Nunca fui fã de livro ou filme de lobisomem, mas Lobo de Rua me ganhou. Uma narrativa que prende e que além da licantropia mostra as mazelas de um menino de rua, totalmente a margem da sociedade. O livro é curto, comecei no ônibus, no caminho para o trabalho e, na hora do almoço, eu já tinha feito uma pequena resenha. Vale muito a pena, garanto.

 

 

BÔNUS

Como estou maravilhosamente e apaixonadamente imersa no universo infantil, graças a minha filhota linda-maravilhosa (sou um pouco babona, caso não tenham percebido), vou indicar, como bônus uma décima primeira leitura de destaque em 2016, o livro Coisa de Menina, da Pri Ferrari. É um ótimo presente para meninas de todas as idades, especialmente as crianças. Na verdade, é um bom presente inclusive para meninos. Por meio de ilustrações lindíssimas, a autora mostra que as meninas podem ser o que quiserem ser, não tem essa de coisa de menina e coisa de menino. Se ela quiser brincar de bola e ele de boneca, tudo bem. Vamos ser feliz e deixar as crianças em paz para também serem felizes.

 

 

Metas de leitura para 2017

Até hoje nunca cumpri uma meta de leitura! Cadastro os livros para ler no ano corrente, no Skoob, mas sempre tem um lançamento ou outra leitura que fura a fila. Em 2016, ambiciosamente tentei participar do Desafio Corujesco, mas às vésperas do meu parto, era notório que esse desafio ia ficar pelo caminho. Fiz duas boas leituras a partir dele, o livro As Relações Perigosas, que foi adaptado pela TV Globo como a série Ligações Perigosas, e o livro Diálogos Impossíveis, do Luiz Fernando Veríssimo.

Outro desafio que eu não cumpri em 2016, foi o 12 meses de Poe. Li vários contos do autor, mas não resenhei os doze do desafio. Paciência! De repente eu consiga ler alguma coisa dele em 2017.

Para o ano novo, não entrarei em nenhum desafio. Fico empolgada de início, mas acabo deixando de lado, outras leituras chamam a minha atenção, enfim, não entro mais nessa. De repente um desafio de contos, talvez. Ou leituras coletivas. MAS tenho um projeto de leitura que vou me esforçar ao máximo para cumprir: um ano lendo a minha estante. Isso mesmo, um ano sem comprar livros! É difícil, quase impossível, mas quero fazer de tudo para comprar, no mínimo, BEM menos livros. Talvez só os lançamentos da Pedrazul Editora, tipo A Pequena Dorrit, por exemplo. Que venha 2017, com muitas leituras maravilhosas para todos nós!

 

 

[ATUALIZAÇÃO 10-01-2017]

Orgulho, felicidade… receber o retorno de autores que alegraram meus dias com seus livros não tem preço! A Trudy Brasure é sempre uma querida no retorno aos leitores brasileiros, já tive a oportunidade de ver e sentir o carinho que ela tem por nós. Além disso, qual não foi a minha surpresa ao ter um retorno do Piangers! Marquei a página dele no facebook no post desta publicação, sem esperar retorno algum, mas ele viu, curtiu e agradeceu! Veja abaixo:

 

 

 

 

 

 

abril 02, 2016

[RESENHA] O GRANDE GATSBY, DE F. SCOTT FITZGERALD

Sinopse: “Nos tempos de Jay Gatsby, o jazz é a música do momento, a riqueza parece estar em toda parte, o gim é a bebida nacional (apesar da lei seca) e o sexo se torna uma obsessão americana. O protagonista deste romance é um generoso e misterioso anfitrião que abre a sua luxuosa mansão às festas mais extravagantes. O livro é narrado pelo aristocrata falido Nick Carraway, que vai para Nova York trabalhar como corretor de títulos. Passa a conviver com a prima, Daisy, por quem Gatsby é apaixonado, o marido dela, Tom Buchanan, e a golfista Jordan Baker, todos integrantes da aristocracia tradicional. Na raiz do drama, como nos outros livros de Fitzgerald, está o dinheiro. Mas o romantismo obsessivo de Gatsby com relação a Daisy se contrapõe ao materialismo do sonho americano, traduzido exclusivamente em riqueza. Aclamado pelos críticos desde a publicação, em 1925, O grande Gatsby é a obra-prima de Scott Fitzgerald, ícone da “geração perdida” e dos expatriados que foram para a Europa nos anos 1920.”

 

“Em meus anos mais vulneráveis de juventude, meu pai me deu um conselho que jamais esqueci: – Sempre que tiver vontade de criticar alguém – ele disse -, lembre-se de que ninguém teve as oportunidades que você teve.” (p. 65)

 

O Grande Gatsby, romance escrito por F. Scott Fitzgerald e publicado originalmente em 1925, é um livro incrível! Uma leitura que você começa sem dar tanta atenção mas que poucas páginas depois já não consegue parar de ler.

Nosso narrador é Nick Carraway, observador atento de uma sociedade materialista e fútil do pós Primeira Guerra, em que a proibição das bebidas alcoólicas enriqueciam os contrabandistas e muitos viviam o “sonho americano”. Seu vizinho, Jay Gatsby, é um milionário excêntrico que promove, constantemente, grandes festas em sua mansão. Ninguém sabe sobre as origens da fortuna de Gatsby ou sobre ele próprio, mas todos adoram suas festas. Ficamos sabendo, um tempo depois, que a prima de Nick, Daisy Buchanan, teve um envolvimento amoroso com o milionário quando este não podia ostentar tantos luxos, e que ele nunca a esqueceu.

Gatsby é um personagem apaixonante, meu velho! (quem já leu, vai entender a expressão). Você se envolve em seu mundo de ilusão, com as suas camisas nunca usadas e seus livros nunca lidos. Sua vida é um castelo de areia e seu objetivo é chamar a atenção de sua amada com coisas que ele imagina que ela considera importante. Mesmo desconfiando que o resultado pode não ser dos melhores, você torce por Gatsby, pois ele simplesmente merece a nossa torcida.

Em uma sociedade deslumbrada com o luxo e sem um pingo de moral, uma pessoa como Gatsby está fadada a solidão. Felizmente, ele encontra em Nick Carraway não só um cúmplice para se encontrar com a sua amada Daisy, mas um amigo verdadeiro, pois embora estivesse inserido de certa maneira naquela sociedade, Nick a desprezava.

A história é bem curtinha e de leitura rápida, mas deixa reflexões valiosas para nós, leitoresexpectativas muito altas podem ter consequências trágicas, portanto, é sempre bom ter limites ao colocá-las em outra pessoa.

O Grande Gatsby não foi muito popular na época de sua publicação, em 1925. Hoje, é considerado um clássico indispensável da literatura norte-americana.

 

Sobre a edição da Penguin Companhia

Particularmente, gosto muito das edições da Penguin Companhia, embora os livros não tenham orelha… Em O Grande Gatsby, temos uma longa introdução feita por Tony Tanner, um crítico literário inglês falecido em 1998, cujo trabalho inspirou a Universidade de Cambridge a incluir em sua matriz curricular os primeiros cursos sobre literatura americana. O texto, apesar de muito bom, é recheado de spoilers, inclusive de outros livros. Portanto, o ideal é partir para a história de Fitzgerald, a partir da página 60, e ler a introdução posteriormente.

 

 

Título: O Grande Gatsby
Autora: F. Scott Fitzgerald
Tradução: Vanessa Barbara
Editora: Penguin Companhia
Páginas: 256

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