fevereiro 23, 2018

[RESENHA] A PRINCESA SALVA A SI MESMA NESTE LIVRO, DE AMANDA LOVELACE

Sinopse: “Amor e empoderamento em versos que levam os contos de fada à realidade feminina do século XXI. A princesa salva a si mesma neste livro, de Amanda Lovelace, é comparado ao fenômeno editorial “Outros jeitos de usar a boca”, de Rupi Kaur, com o qual compartilha a linguagem direta, em forma de poesia, e a temática contemporânea. É um livro sobre resiliência e, sobretudo, sobre a possibilidade de escrevermos nossos próprios finais felizes. Não à toa A princesa salva a si mesma neste livro ganhou o prêmio Goodreads Choice Award, de melhor leitura do ano, escolha do público. Esta é uma obra sobre amor, perda, sofrimento, redenção, empoderamento e inspiração. Dividido em quatro partes (“A princesa”, “A donzela”, “A rainha” e “Você”), o livro combina o imaginário dos contos de fada à realidade feminina do século XXI com delicadeza, emoção e contundência. Amanda, aclamada como uma das principais vozes de sua geração, constrói uma narrativa poética de tons íntimos e cotidianos que acolhe o leitor a cada verso, tornando-o cúmplice e participante do que está sendo dito.”

 

Depois de ler Outros jeitos de usar a boca, de Rupi Kaur, inevitavelmente passei a procurar por mais leituras sobre feminismo que ao invés de didáticas, promovessem, nem que por alguns minutos, uma jornada de autoconhecimento. E o livro de Amanda Lovelace acertou bem naquele ponto mais dolorido da minha existência: as memórias.

A princesa salva a si mesma neste livro fala sobre autodescobrimento e todo o processo às vezes doloroso que precisamos enfrentar para chegar lá. As quatro partes do livro são uma narrativa sobre esse processo e os versos ágeis de Amanda Lovelace são o fio condutor que não nos permite abandonar a leitura até que seja avistado o destino, a última palavra. Foi uma leitura que eu fiz em menos de uma hora e depois precisei voltar e voltar para o livro, por mais que as palavras estivessem ainda frescas na minha memória.

Falando em memória, eu me reconheci nas palavras da filha que perdeu a mãe antes mesmo que a morte conseguisse levá-la. A tragédia que pode ser o câncer, que pode fazer uma mãe esquecer uma filha, foi uma das coisas mais dolorosas que eu já li até hoje, pois aconteceu comigo. Como pode uma doença fazer uma mulher esquecer alguém que saiu do seu próprio corpo? Como pode um indivíduo se encontrar no mundo sem a sua pedra fundamental, sua mãe?

 

“Quando sua mãe

Começa a esquecer

seu nome,

você começa

a se perguntar

se existe mesmo

afinal.

 

— estágio 4, terminal.”

 

Este é um livro de impacto, especialmente para mulheres. No entanto, recomendo fortemente que você o inclua em sua lista de leitura. Sabemos que a vida não é fácil, sobretudo se você nasce mulher em uma sociedade que ainda caminha a passos de tartaruga preguiçosa no quesito igualdade de gênero. Leituras assim provam que existem outras mulheres que também sofrem, sofreram e também deram a volta por cima. Amanda Lovelace conseguiu criar algo poderoso, assim como Rupi Kaur, Angélica Freitas e muitas outras autoras que, usando de seu lugar de fala, conseguem tocar a nossa memória, alma e coração.

 

“a princesa

pulou da

torre

& ela

aprendeu

que podia

voar

desde o começo.

— ela nunca precisou daquelas asas.”

 

 

Você pode comprar esse livro com um ótimo desconto usando cupons da Saraiva ou da Livraria Cultura, neste link.

 

Título: A princesa salva a si mesma neste livro
Autora: Amanda Lovelace
Tradução: Izabel Aleixo
Editora: Leya
Páginas: 208

Disponível na Amazon: A princesa salva a si mesma neste livro.

 

novembro 14, 2017

[LANÇAMENTO] COISA DE MENINO, DE PRI FERRARI

Sinopse: “O que é coisa de menino?
Tem menino que deseja ser super-herói, jogador de futebol e astronauta. Outros sonham em ser estrelas do rock e viajar o mundo cantando para multidões. Mas todos eles também podem querer brincar de boneca, cozinhar receitas gostosas e fazer aulas de dança.
Muitos meninos crescem ouvindo que não podem agir e sentir da mesma forma que meninas — por que as coisas têm que ser assim? Este livro é para todos aqueles que acreditam que o importante é ter liberdade para fazer da vida o que se bem entender.”

 

Depois do sucesso do livro Coisa de Menina, Pri Ferrari lança esse mês pela Companhia das Letrinhas o livro Coisa de Menino. O livro está em pré-venda na Amazon e em várias livrarias online! Essa é uma ótima publicação para presentear os pequenos e reforçar que as crianças podem ser o que quiserem. Super pertinente para esse tempo de obscurantismo que estamos vivendo.

 

Sobre a autora: Pri Ferrari tem 27 anos e é paulistana. Escreveu e ilustrou Coisa de Menina, seu primeiro livro infantil. Acredita que o mundo pode ser um lugar melhor e está pronta para fazer a sua parte.

 

Ficha técnica:

Título original: COISA DE MENINO
Páginas: 32
Formato: 20.50 x 20.50 cm
Peso: 0.127 kg
Acabamento: Brochura
Lançamento: 17/11/2017
ISBN: 9788574068008
Selo: Companhia das Letrinhas

 

 

junho 29, 2017

[RESENHA] OUTROS JEITOS DE USAR A BOCA, DE RUPI KAUR

Sinopse: “Maior fenômeno de poesia dos EUA na última década, há mais de 40 semanas no topo das listas de best-sellers.
Outros jeitos de usar a boca é um livro de poemas sobre a sobrevivência. Sobre a experiência de violência, o abuso, o amor, a perda e a feminilidade. O volume – publicado nos EUA como “milk and honey” – é dividido em quatro partes, e cada uma delas serve a um propósito diferente. Lida com um tipo diferente de dor. Cura uma mágoa diferente. Outros jeitos de usar a boca transporta o leitor por uma jornada pelos momentos mais amargos da vida e encontra uma maneira de tirar delicadeza deles. Publicado inicialmente de forma independente por Rupi Kaur, poeta, artista plástica e performer canadense nascida na Índia – e que também assina as ilustrações presentes neste volume –, o livro se tornou o maior fenômeno do gênero nos últimos anos nos Estados Unidos, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos.”

 

Esse livro desnudou a minha alma. Se eu pudesse voltar no tempo, daria ele de presente para a minha versão de 13 ou 14 anos, que sonhava com um príncipe que ainda demoraria a chegar. Alguns anos à frente eu o reconheceria, mas não sem antes ter passado por tantas lágrimas e desilusões.

Minha adolescência foi marcada por muitas idas ao hospital. Meu pai teve insuficiência renal quando eu tinha 11 anos; minha mãe, câncer, quando eu estava com 13. Tinha duas irmãs mais novas e muitas obrigações domésticas, precisava dar conta de ter as responsabilidades dos dois adultos que em breve viriam a faltar. Neste ínterim, descobria-me como pessoa e como mulher. E não foi fácil entender a vida praticamente sozinha.

Ainda que eu tivesse tido uma adolescência diferente, normal, isso não seria garantia que eu teria o apoio integral da minha mãe, que nós teríamos conversas francas sobre relacionamentos. As gerações anteriores a ela não estavam acostumadas a conversar sobre sexo. Em muitos casos, mesmo tendo muitos e muitos filhos, as mulheres de antigamente passavam a vida inteira, em muitos casos, sem saber como é fazer amor.

Em Outros Jeitos de Usar a Boca, Rupi Kaur toca naqueles pontos sensíveis do que é ser mulher. Desde a infância, desde o primeiro contato físico. Fala de abusos, que eu felizmente não vivi, mas fala também do amor materno, do conhecimento do nosso corpo, da consciência de quando o sexo é verdadeiramente satisfatório para ambas as partes, sobre as dores da alma de ser mulher. Das belezas, mas, sobretudo, das amarras que diariamente lutamos para romper e sermos livres.

Com esse livro revivi relacionamentos fracassados, revivi a perda da minha mãe, seu amor maternal, e também as falhas do relacionamento dela e do meu pai, as concessões que ela fez e não devia. As concessões que eu também fiz, apesar do exemplo dela.  Vi minha alma de mãe e de mulher exposta de uma forma tão bela e tão dolorida ao mesmo tempo. Também revivi relacionamentos que tive com outras mulheres, pois a amizade também pode ser tóxica. É incrível como podemos ser muitas e sermos apenas uma. Rupi Kaur é uma mulher que soube escrever sobre as mulheres. Sem censuras, sem críticas além daquelas que são necessárias para a nossa saúde mental, para nossa felicidade. Onde eu não consegui me enxergar, consegui ter empatia por aquelas mulheres que eu talvez nunca conheça, mas que eu tenho certeza que já passaram ou vão passar por algo parecido. É uma leitura até rápida, por sua densidade, que eu recomendo fortemente se você que está lendo agora for mulher. Recomendo para os homens também, para que saibam pelo menos um pouquinho sobre nós, sobre a nossa alma.

Cada homem que eu beijei está aqui nesse livro. Meu pai está nesse livro, minha mãe também. As mulheres da minha família estão aqui. Minha filha está aqui, assim como o pai dela. Mas o melhor de tudo é que eu também estou nesse livro. Acho que você também pode estar.

 

 

 

Título: Outros Jeitos de Usar a Boca
Autora: Rupi Kaur
Tradução: Ana Guadalupe
Editora: Planeta
Páginas: 208

 

Compre na Amazon: Outros Jeitos de Usar a Boca.

Tamires de Carvalho • todos os direitos reservados © 2020 • powered by WordPressDesenvolvido por