novembro 21, 2019

[RESENHA] LIVRE PARA VOAR: A JORNADA DE UM PAI E A LUTA PELA IGUALDADE, DE ZIAUDDIN YOUSAFZAI

Sinopse: Neste relato comovente sobre amor, paternidade e luta por direitos, Ziauddin Yousafzai, o pai da Malala, rememora sua história e sua longa batalha para que meninos e meninas tenham as mesmas oportunidades. Um livro para todos aqueles que desejam criar seus filhos num mundo mais justo e igualitário.

Ziauddin Yousafzai tem motivos de sobra para ser um pai orgulhoso: Malala sobreviveu a um atentado do Talibã, ingressou na prestigiosa Universidade de Oxford e se tornou a mais jovem vencedora do prêmio Nobel da paz e uma das principais vozes da luta pelos direitos das mulheres.
O que ele fez para criar uma menina tão extraordinária? A resposta é mais trivial do que se imagina: educou-a com amor, incentivo e gentileza ― e sobretudo com a convicção de que sua filha era digna das mesmas oportunidades que os meninos recebem.
Livre para voar é o relato inspirador de um menino gago que cresceu em uma pequena vila no Paquistão e se tornou um dos grandes ativistas pela igualdade de gênero. Exemplo para os pais que querem que seus filhos façam a diferença, Ziauddin mostra como o respeito e a educação são capazes de criar um mundo melhor para todas as crianças.”

 

Leia também: Eu sou Malala

Quando eu li Eu sou Malala, de Malala Yousafzai (Companhia das Letras, 2013), fiquei com a amarga impressão de que todos os males que a jovem ganhadora do Nobel da Paz sofreu, incluindo um atentado que quase lhe tirou a vida em 2012, era culpa da religião islâmica. Cheguei a estranhar o fato de que ela não perdeu a religiosidade, apesar de tudo. Pensei que ela devia “se livrar daquilo”, mas em sua narrativa e ações pelo mundo, Malala se manteve firme aos seus princípios. Apesar das restrições de sua cultura, apesar do extremismo do talibã.

Anos depois, no entanto, observo com mais respeito a crença de Malala. Não posso julgar a religiosidade desta menina com a minha visão ocidentalizada e que pouco conhece o islamismo. Não posso julgá-la nem mesmo em comparação a minha própria concepção de religiosidade. Mas consigo entender e admirar a jornada dessa jovem ativista pela educação que com seu pai, Ziauddin Yousafzai, ousou sonhar e lutar para que não só ela tivesse acesso à educação, mas todas as meninas pudessem ser reconhecidas e respeitadas da mesma forma que os meninos sempre foram.

Malala fala muito sobre a vida do pai em seu livro, mas em Livre para voar conhecemos um pouco mais de Ziauddin nas palavras do próprio, com a colaboração da jornalista e escritora Louise Carpenter. E se antes eu já o admirava, agora fiquei ainda mais fã de Ziauddin e quero seguir, de alguma maneira, os seus passos! Livre para voar é um livro extremamente necessário, um relato honesto de um pai que teve e têm dificuldades como todos os pais e cuidadores, mas sempre procura o caminho da compreensão e do amor para lidar com sua família.

Ziauddin percebeu desde bem jovem que as mulheres em sua cultura eram muito menosprezadas, tratadas como uma espécie de sub-criaturas que não mereciam nem registro de seus nascimentos, tamanho o infortúnio para uma família ter mais mulheres que homens, por exemplo. A própria mãe de Malala, Toor Pekai, não teve um registro formal de seu nascimento, portanto eles não podem ter certeza da idade correta que ela tem. Os pais de Malala cresceram em uma sociedade em que mulheres não podiam sequer olhar nos olhos dos homens, ou sair desacompanhadas, ou ainda comer bons pedaços de carne (os melhores eram destinados aos homens ou meninos, se houvessem), nem serem servidas. Cruel ou injusta (ou as duas coisas), era essa a sociedade em que eles cresceram. Mas Ziauddin, antes mesmo de se casar, sabia que seria diferente. Ele QUERIA ser diferente. Essa foi a chave que inspirou, inclusive, outros homens de sua própria família e continua inspirando várias pessoas mundo afora.

 

“Venho de um país onde fui servido por mulheres durante a vida inteira. Venho de uma família em que meu gênero me fazia especial. Mas eu não queria ser especial por essa razão.”

 

“Quando se defende uma mudança, essa mudança vem.”

 

“Quando penso nos feitos de Malala, penso também nas outras mulheres de minha vida a quem amei, mulheres como minha prima e minhas irmãs, que não pude proteger da crueldade e da injustiça da sociedade. Tive de presenciar a injustiça em suas vidas para prometer que minha família seguiria outro caminho. Essas outras mulheres, tias, primas de segundo grau e avós de Malala, passaram a vida sonhando os sonhos de outras pessoas e obedecendo aos desejos de outras pessoas. Penso em todo o potencial que traziam dentro de si. Mas esse potencial ficou inexplorado, subestimado, desconhecido. Ninguém queria acreditar nele.”

 

“Realmente acredito que as normas sociais são grilhões que nos escravizam. Acostumamo-nos a essa escravidão e então, quando rompemos os grilhões, a primeira sensação de liberdade pode assustar, mas, quando começamos a senti-la, percebemos na alma como é gratificante.”

 

Livre para voar é uma leitura rápida, que retoma e recorda alguns fatos sobre a família Yousafzai e seu ativismo pela educação. Desta forma, pode ser lido facilmente por aqueles que não leram Eu sou Malala (recomendo que o façam, pois também é ótimo). O título faz alusão ao que Ziauddin diz ter feito em como pai, em sua família: quebrar a tesoura. Ele diz que as meninas são como os pássaros que têm as asas cortadas tão rentes à carne que fica impossível o simples ato de voar. Tão impossível que os pássaros nesta condição logo desistem, pois “entendem” que não são capazes. Ele não queria isso para a sua filha, então “quebrou a tesoura”. Malala, assim como os irmãos, seriam livres para voar.

Um dos pontos mais interessantes desta leitura foi Ziauddin falando sobre feminismo. Hoje ele reconhece que é um ativista também pelo feminismo, essa palavra que ele conheceu apenas recentemente, mas que já estava, de certa forma, entranhada em sua luta pela educação das meninas. No entanto, esse é um assunto que a família Yousafzai não discute repetidamente em casa, não há nenhum tipo de doutrinação. Ele não diz que os meninos precisam respeitar Malala, ou que precisam agir desta ou de outra forma com a mãe deles. O feminismo da família Yousafzai está nas ações. É prática do dia a dia de Ziauddin respeitar a esposa e a filha como iguais, como tem que ser. E os meninos cresceram em meio a essa rotina, absorvendo esse comportamento. É o tipo de atitude que devemos ter, todos nós, ao invés de manter o discurso apenas da porta para fora, não acham? Não que já tenhamos falado o suficiente, mas talvez devêssemos ser mais como os Yousafzai e simplesmente viver aquilo que pregamos.

Ziauddin fala, ainda, das dificuldades que teve em ser um pai liberal no ocidente; do amor à poesia e sobre aprender a ficar nos bastidores, observando e torcendo pelos filhos em seu momento de levantar voo. Gostei de saber mais sobre Toor Pekai, “a ativista silenciosa”, neste livro. Ziauddin dedica o terceiro capítulo para falar sobre sua “esposa e melhor amiga”. Livre para voar é uma ótima leitura, um livro simplesmente inspirador!

 

 

 

Título: Livre para voar: a jornada de um pai e a luta pela igualdade

Autor: Ziauddin Yousafzai

Colaboração: Louise Carpenter

Prefácio: Malala Yousafzai

Tradução: Denise Bottmann

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 168

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novembro 13, 2019

[RESENHA] PÓS-F: PARA ALÉM DO MASCULINO E DO FEMININO, DE FERNANDA YOUNG

Sinopse: “Em sua primeira obra de não ficção, Fernanda Young se insere no acalorado debate sobre o que significa ser homem e ser mulher hoje. Em textos autobiográficos, ela se revela como uma das tantas personagens femininas às quais deu voz, sempre independentes e a quem a inadequação é um sentimento intrínseco. E esse constante deslocamento faz com que Fernanda seja capaz de observar o feminino e o masculino em todas as suas potencialidades. É daí que surge o Pós-F, pós-feminismo e pós-Fernanda, um relato sincero sobre uma vida livre de estigmas calcada na sobrevivência definitiva do amor, no respeito inquestionável ao outro e na sustentação do próprio desejo. No livro, que é ilustrado com desenhos da autora, Fernanda oferece sua visão de mundo na tentativa de superar polarizações e construir algo maior, em que caibam todos os gêneros.”

 

Veja também: As pessoas dos livros: Fernanda Young e o seu legado

 

Fernanda Young é tida por muitos como uma feminista controversa. Lendo Pós-F: para além do masculino e do feminino (Ed. Leya, 2018) a gente entende bem o porquê. De começo nós percebemos que ela se incomodava profundamente com o termo feminismo, com as várias restrições que, de forma bem geral, este movimento tem, como excluir os homens do debate, por exemplo. Pós-F é também um Pós-Fernanda, uma profecia irônica que infelizmente se concretizou, com o falecimento da autora em agosto deste ano.

Eu, que gosto de ler sobre feminismo mas também busco opiniões não exatamente convergentes com o que se repete sobre esse assunto nas redes antissociais, já digo que adorei este livro. Pós-F é uma conversa sincera com uma mulher livre antes mesmo de capitalizarem essa liberdade, seja lá com qual intuito. É um livro que a gente lê em uma sentada, e logo quer ler de novo, principalmente pelas cartas e trechos de outros livros de Fernanda Young (incluindo Os Normais, em coautoria com Alexandre Machado), que ilustram bem sobre o que ela fala em cada capítulo.

Talvez os capítulos mais “problemáticos” deste livro sejam o 3 e o 5, “Porque você não experimenta seu corpo antes?” e “Tudo agora é assédio”, respectivamente. No 3 ela entra em um assunto delicado, a transsexualidade. Dentre outras coisas, ela sugere que as pessoas experimentem mais a própria sexualidade antes de partir para uma decisão precipitada, como uma cirurgia de mudança de sexo. A autora defende um maior hibridismo entre os gêneros, o fazer o que se tem vontade, sem rótulos ou necessidade de autoafirmação a todo o momento. Já no 5 ela questiona o conceito do assédio levado ao extremo, do tipo “o homem não pode falar oi que já leva pedrada”. Na verdade, ela vai um pouco mais além, ao dizer que “gostosa” não seria assédio, e sim uma tremenda falta de educação: “Acho grosseria, não gosto, não quero, e por isso posso sempre me virar e dizer: vá para puta que o pariu!”, diz.

Em ambos os capítulos, cabe concordar ou discordar, o leitor é quem sabe, obviamente (e sempre!). Fernanda Young nunca teve papas na língua (ou na ponta da caneta) e tudo o que está no livro é bem condizente com o que ela dizia e faz todo o sentido dentro de sua narrativa. No prefácio do livro ela diz: “não sou especialista em nada. Melhor, não sou especialista de coisa pronta. Procuro me aprimorar em mim, entendendo sobre mim — usando, é claro, tudo que observo nos outros”. E é bem isso mesmo. Não espere um livro que explique aqueles termos em inglês que a gente ouve pra caramba mas tem que procurar no Google a tradução ou um beabá do feminismo. Pós-F é um feminismo em essência: uma mulher livre falando para quem quiser ler.

A parte com a qual eu mais me identifiquei foi o capítulo 7, “Acho que me mato a ter que ser dona de casa”. É engraçado, mas também muito realista. Eu sou o tipo de pessoa que ama ser dona de casa, mas jamais desejo ser apenas dona de casa. A melhor lição desse trecho é: “Cada dia que passa, e há muito, sei que o melhor lugar em que posso estar é em mim. Essa é uma lição que aprendi que deixo com muito amor, neste livro, e todas as vezes em que dou entrevistas: tenham autoestima”.

O final tornou-se, nos últimos meses, melancólico para nós: Desejos para um mundo Pós-F. Dentre outras coisas, Fernanda Young desejou “Que a palavra look seja extinta do vocabulário; Que a cafonice também seja extinta; Que a ignorância, o maior problema do século XXI, também seja extinta”. Que assim seja!

 

 

Veja também: Pós-F: para além do masculino e do feminino, de Fernanda Young, é finalista do Prêmio Jabuti de 2019 na categoria crônicas.

 

 

 

Título: Pós-F: para além do masculino e do feminino

Autora: Fernanda Young

Editora: Leya

Páginas: 128

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outubro 31, 2019

[RESENHA] POR QUE LUTAMOS? UM LIVRO SOBRE AMOR E LIBERDADE, DE MANUELA D’ÁVILA

Sinopse: “Um livro sobre feminismo. Através do olhar amoroso, da acolhida generosa, do entendimento de que este é um assunto de todas, todos, todxs nós. Não pretende ser uma bíblia do feminismo, mas sim, uma conversa, um abraço, um ponto de apoio, um boas-vindas pra quem acaba de chegar, um “que bom que você está aqui” pra quem já anda cansada de lutar. Escrito em tom de conversa, traz referências, sugere reflexões, desfaz o medo. Sin perder la ternura.”

 

Leia também: Revolução Laura: reflexões sobre maternidade e resistência, de Manuela D’Ávila.

 

 

Uma das fake news mais absurdas que eu tive o desprazer de ouvir até hoje foi sobre a Manuela D’Ávila. Estava aguardando a minha vez na fila de votação, era o primeiro turno das últimas eleições. Uma senhora que estava atrás de mim na fila disse a quem quisesse ouvir que não residia em meu município, mas gostava de votar lá por ser amiga de alguns políticos. Continuou, dizendo que precisávamos banir a corrupção e o comunismo do Brasil e, para tanto, era necessário não votar nunca mais no PT. Essa senhora sabia de fontes seguras que a Manuela D’Ávila, sabendo que perderia a eleição, teria sacrificado 300 touros para virar o jogo e vencer o pleito.

Eu soube de coisas ainda piores, oriundas do Whatsapp, e me intriga até hoje o porquê de grande parte dos boatos das eleições terem a Manuela D’Ávila como protagonista. Sei de muitas mulheres que acharam um absurdo ela ter aceitado compor a chapa com o Haddad, pois viram como subalternidade o que foi, simplesmente, uma decisão política (pelo menos essa é a minha visão). A internet tem dessas coisas, ao mesmo tempo em que aproxima as pessoas, também pode nos inundar com o pior que existe nelas.

 

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Sendo eu admiradora da Manu, não poderia deixar de ler o seu livro mais recente, Por que lutamos? Um livro sobre amor e liberdade, publicado recentemente pela Editora Planeta. É uma leitura leve, embasada e que vai agradar a todas nós que, de alguma maneira, acabamos perdidas no mar de nomenclaturas e pautas feministas. Com tanta informação (e desinformação) hoje em dia, até mesmo quem afirma a plenos pulmões que é, sim, feminista, pode se confundir ou duvidar ao encontrar pelo caminho outra feminista de visão — e fala — radicalmente diferente da sua. Imagina então quem nunca sequer parou para pensar nesse tema? Mas está tudo bem pensar diferente e ser diferente. O importante é estarmos juntas, para somar e não diminuir. Em um primeiro momento pode parecer que Por que lutamos? é um livro que “chove no molhado”, por tratar de temas que já foram e são debatidos quase à exaustão. No entanto, essa impressão vai embora nas primeiras páginas. Porque lutamos? é, sobretudo, um convite à reflexão.

 

“Assim, quando nós falamos que homens não dividem responsabilidades, nós não estamos falando sobre o meu ou o seu marido que divide responsabilidades. Estamos falando da maioria. Quando nós questionamos a compulsoriedade da maternidade, não estamos falando da tua escolha de ser mãe, mas sobre um ideal na sociedade que diz que mulheres somente são felizes quando são mães. Quando falamos que mulheres são machistas, não estamos falando de ti, mas de nós todas que estamos em constante processo de desconstrução de verdades outrora tão absolutas.”

 

“Quero que olhes para os lados e percebas teus privilégios para que tenhamos mais força para as lutas que temos pela frente. Quero que tu possas escutar uma mulher dizendo: ‘Eu não preciso do feminismo, eu odeio as feministas, eu não sou feminista’ e — afetuosa e generosamente — perguntar e ouvir os motivos, apresentar informações e convidar a refletir.”

 

“O machismo, afinal, é como uma piscina. Todas as pessoas estão se molhando. Algumas, apenas a sola dos pés, outras quase morrendo afogadas.

Como a gente sai dela?

Com liberdade, voz e coragem.

De mãos dadas e ao mesmo tempo.

Vem.”

 

“Porque as opiniões podem e devem ser diferentes, o que interessa é descobrir qual o caminho que nos faz respeitar as nossas diferenças, para que jamais voltemos a silenciá-las e guardando a convicção que quanto mais próximas andarmos, mais alto ecoará o barulho dos nossos passos.”

 

“Nosso papel de militante é disputar a consciência social e não meramente hostilizar e ridicularizar quem não está conosco. Pois assim como é preciso se colocar no lugar da outra pessoa pra entender que fome não é aquela sensação de vazio antes da hora do almoço, é urgente ter empatia e acolher pessoas em suas ignorâncias, no literal sentido de ignorar.”

 

 

A maior lição que eu vou levar a partir deste livro é pelo menos tentar não revirar os olhos quando uma mulher diz que não é feminista ou que odeia o feminismo. Agora, vou querer saber mais, vou querer saber o porquê. Assim, vamos poder pelo menos conversar, vamos pelo menos tentar nos entender e nos respeitar, como tem que ser. Manu diz: “Não somos todas iguais. Temos causas que nos unem.” 

Por que lutamos? Um livro sobre amor e liberdade tem prefácio de Maria Ribeiro, atriz e escritora. Concordo quando ela diz querer ser amiga da Manuela D’Ávila, por sua trajetória e por ser “a detentora oficial da camiseta ‘Lute como uma garota’”. De certa forma, lendo esse livro (e tendo lido o outro, Revolução Laura) é como se já estivéssemos na mesma roda, uma roda imensa de mulheres caminhando juntas. Vocês estão ouvindo nossos passos? Eu estou.

 

 

 

 

Autora: Manuela D’Ávila

Editora: Planeta

Páginas: 160

Compre na Amazon: Por que lutamos? Um livro sobre amor e liberdade.

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