maio 29, 2020

[RESENHA] ELENA FERRANTE, UMA LONGA EXPERIÊNCIA DE AUSÊNCIA, DE FABIANE SECCHES

Sinopse: “O livro “Elena Ferrante, uma longa experiência de ausência” acompanha os caminhos da misteriosa escritora italiana, desde a escolha do pseudônimo até a publicação de seu último romance. Ferrante é autora de algumas das obras mais lidas e comentadas dos últimos trinta anos. Com cerca de 12 milhões de exemplares vendidos, foi traduzida para mais de 50 países e se tornou um fenômeno mundial. Mais do que o mistério em torno da figura da autora, o que tem intrigado leitoras e leitores de todo o mundo são os mistérios propostos por sua obra, que Fabiane Secches, pesquisadora e crítica literária, busca esmiuçar nesse livro pioneiro sobre a autora no Brasil. A obra mais célebre de Ferrante, a tetralogia napolitana, inspirou a série “My brilliant friend”, exibida aqui pela HBO, que está atualmente em sua segunda temporada. Nesse livro, as leitoras e os leitores de Ferrante poderão retornar aos seus primeiros romances (“Um amor incômodo”, “Dias de abandono” e “A filha perdida”), revisitar a complicada amizade de Elena Greco (Lenu) e Rafaella Cerullo (Lila) da tetralogia, sondar o último livro publicado por Ferrante (“A vida mentirosa dos adultos”, ainda inédito no Brasil) e acompanhar uma reflexão pormenorizada quanto aos temas e procedimentos de escrita da autora italiana. A comoção causada por seus livros, apelidada de “Febre Ferrante”, também inspirou um capítulo à parte deste livro, que reúne comentários de diversos escritores, editores, críticos literários, psicanalistas, professores, pesquisadores e outros pensadores, que buscam analisar aspectos diferentes da obra de Ferrante. O livro de foi ilustrado pela artista Talita Hoffmann -em suas páginas, entre outras imagens, estão dois mapas coloridos traçados a partir do percurso das personagens da tetralogia napolitana.”

 

Minha história com Elena Ferrante começou com o episódio “The Dolls”, o primeiro da primeira temporada de “My Brilliant Friend”, série da HBO. Eu já havia lido o nome da autora aqui e ali, mas não sabia absolutamente nada sobre ela ou sua obra. ⠀⠀

Nesse episódio, quando Lila joga a boneca de Lenu em um buraco e Lenu faz o mesmo com a boneca de Lila, dizendo “o que você faz eu também faço”, eu senti uma vontade enorme de ler “A Amiga Genial”. Se pudesse, teria começado naquele mesmo momento! Deixei de acompanhar a série para ler pelo menos este primeiro livro da Tetralogia Napolitana. Fui em busca dos livros de Ferrante na internet e comprei não só a tetralogia, mas todos os livros dela que haviam sido publicados no Brasil até aquele momento. A medida que fui lendo as sinopses e me inteirando sobre o que se tratavam os romances foi impossível não desejar ler todos os livros, um após o outro. Uma aposta arriscada (e um pouco cara), eu sei, mas valeu muito a pena. Viajei nas primeiras semanas de janeiro de 2019 e, quando cheguei, havia uma caixa de livros da Elena Ferrante me esperando na casa da minha sogra.

Ter lido Elena Ferrante, toda a obra dela, sobretudo a tetralogia, foi um verdadeiro marco na minha vida de leitora. “A Amiga Genial” tornou-se o meu livro favorito; Elena Ferrante, A autora favorita. Desde então tenho buscado ler mais e mais literaturas que me aproximem desse universo, que projeta e reflete tão bem aquilo que, por vezes, temos vergonha até de pensar. É até difícil explicar, mas quem já leu sabe. E quem ainda vai ler, vai descobrir (é disso que falamos, quando usamos o termo “Febre Ferrante”).

O livro de Fabiane Secches, “Elena Ferrante, uma longa experiência de ausência” (Claraboia, 2020), me fez retornar a esse ponto de partida, a esse deslumbramento inicial com Ferrante, mas mostrando as nuances que a primeira leitura apressada, irresistível, geralmente não nos permite perceber. Além disso, a autora apresenta a obra de Ferrante sob a ótica da Psicanálise e da Literatura Comparada, um verdadeiro aprendizado, além de grande deleite. É como se as leituras anteriores tivessem deixado várias pontas, acumulando vários novelos e Fabiane Secches viesse fazer não somente o arremate, mas a revisão de cada ponto, de cada carreira dessa peça gigante que é a obra de Elena Ferrante.

 

“Embora a escrita de Ferrante nos dê a impressão de que a leitura fluirá sem dificuldades, talvez seja com as nossas dificuldades internas que acabaremos nos confrontando. Freud dizia que, durante o percurso analítico, estaríamos nos dispondo a acordar demônios que habitam nosso subsolo, a vivenciar uma jornada sem garantias. E Kafka, que um bom livro é aquele que funciona como um machado capaz de partir os mares gelados de nossa alma. Parecem boas imagens para ilustrar a experiência de ler Elena Ferrante.”


“Elena Ferrante, uma longa experiência de ausência” é leitura indispensável, fascinante, obrigatória. Não posso deixar de destacar aqui as ilustrações da Talita Hoffmann e todo o trabalho de edição da Editora Claraboia. O livro é perfeito em todos os sentidos, papel, fonte, texto bem escrito e revisado, boa capa… Vale a pena, tanto o impresso quanto o e-book (mas sugiro o impresso).

Título: Elena Ferrante, uma longa experiência de ausência
Autora: Fabiane Secches
Ilustrações:  Talita Hoffmann 
Editora: Claraboia
Páginas: 288
março 16, 2020

[LANÇAMENTO] ELENA FERRANTE, UMA LONGA EXPERIÊNCIA DE AUSÊNCIA, DE FABIANE SECCHES

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O livro Elena Ferrante, uma longa experiência de ausência (2020), de Fabiane Secches, propõe uma análise detida da obra da autora italiana Elena Ferrante, pseudônimo que assina algumas das obras mais lidas e comentadas das últimas três décadas. O lançamento será no dia 02 de abril de 2020 na Livraria da Travessa de Pinheiros (Rua dos Pinheiros, 513, próxima à estação de metrô Fradique Coutinho), em São Paulo, com pré-venda online a partir de março (em breve!).

O ensaio publicado pela editora Claraboia teve início com a pesquisa de mestrado de Fabiane Secches na Universidade de São Paulo, que investigou a ambivalência em A amiga genial (2011-2014), obra mais célebre de Ferrante — também conhecida como tetralogia napolitana. O trabalho da autora foi um dos pioneiros sobre a obra de Ferrante e agora se desdobrou em uma nova obra, de natureza ensaística, dedicada não apenas a críticos e pesquisadores, mas a leitoras e leitores em geral.

O prefácio do livro foi escrito por Francesca Cricelli, doutora em Letras pela Universidade de São Paulo, escritora e tradutora brasileira de Dias de abandono, segundo romance de Ferrante. O posfácio é de Maurício Santana Dias, professor de Literatura Italiana da Universidade de São Paulo e tradutor dos quatro volumes da tetralogia napolitana. Já a orelha foi escrita por Aurora Fornoni Bernardini, crítica literária, tradutora e professora nessa mesma universidade, orientadora da pesquisa de mestrado de Fabiane Secches.

Em poucos anos, a tetralogia napolitana inspirou diferentes adaptações para o teatro, ganhou uma série exibida pela HBO (a segunda temporada tem previsão de estreia para 16 de março de 2020) e moldou até mesmo o turismo na cidade de Nápoles: os lugares mencionados nos livros — direta ou indiretamente — se tornaram parte de percursos turísticos que recebe pessoas do mundo todo. Ferrante teve mais de 12 milhões de exemplares vendidos em cerca de 50 países. A comoção originou a expressão “Febre Ferrante”, criada para designar esse movimento cultural, que inspirou o documentário Ferrante Fever (2017), que recolhe depoimentos de leitores ilustres, como Elizabeth Strout, Hillary Clinton, Jonathan Franzen e Roberto Saviano. De Patti Smith a James Wood, um dos críticos literários contemporâneos mais prestigiados (principal resenhista da revista The New Yorker), passando por Michelle Obama, a tetralogia napolitana tem sido descrita por muitos como “hipnótica”.

Nesse livro, Fabiane Secches mergulha na obra de Ferrante e a examina a fundo, para além do fenômeno comercial, a partir de conceitos da teoria literária e da psicanálise, costurando essas ideias em torno da questão da ausência, que atravessa tanto os enredos dos romances de Ferrante quanto a discussão envolvendo o pseudônimo e a decisão da autora em permanecer distante dos holofotes, concedendo entrevistas apenas por escrito, por intermédio de seus editores italianos. O livro também inclui um capítulo de composição coletiva, reunindo depoimentos de leitura que examinam diferentes aspectos da obra de Ferrante.

A imagens do livro (capa e miolo), entre as quais estão os mapas de Nápoles e da Itália traçados a partir dos percursos das personagens, foram feitas pela artista plástica Talita Hoffmann, que ilustrou a capa brasileira de Sobre os ossos dos mortos, romance de Olga Tokarczuk, laureada com o prêmio Nobel de Literatura de 2018. Hoffmann também assina as ilustrações dos livros infantis de Antonio Prata, publicados pela editora Ubu.

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Selecionamos aqui alguns comentários sobre o livro de Fabiane Secches:

O livro de Fabiane Secches é um mergulho na obra de Elena Ferrante, que se tornou mundialmente reconhecida com a tetralogia napolitana: A amiga genial. A análise de Fabiane, à procura de explicações preciosas, projeta-se também nos outros romances da autora e nas várias entrevistas e artigos por ela fornecidos. Outra coisa importante dessa procura, no livro de Fabiane, são as descobertas valiosas que ela vai fazendo graças ao feliz contraponto entre literatura e psicanálise. Do “inquietante” de Freud ao embate entre Eros e Tânatos, os leitores terão ocasião — quem sabe — de desvendar alguns mistérios do lado obscuro de si. — Aurora Fornoni Bernardini, professora de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo, tradutora e crítica literária, é orientadora de Fabiane Secches.

Elena Ferrante: Uma longa experiência de ausência já é um marco para os estudos da literatura contemporânea — não somente italiana, mas ocidental —, pois se lança com profundidade e integridade pelos meandros periféricos do sucesso editorial, por muito tempo às margens dos estudos acadêmicos. — Francesca Cricelli, tradutora do romance Dias de abandono, de Elena Ferrante, publicado no Brasil pelo selo Biblioteca Azul (Globo Livros), e doutora em Letras pela Universidade de São Paulo.

Este livro de Fabiane Secches se recusa a cair nestas armadilhas disjuntivas do “ou… ou” e, a meu ver, retorna ao cerne daquilo que vai sendo encenado dentro e fora das narrativas de Elena Ferrante, em especial as que compõem a tetralogia napolitana. Partindo do conceito psicanalítico de ambivalência e incorporando a ele o neologismo ferrantiano da “desmarginação”, o roteiro de leitura que a autora nos propõe parte de uma abordagem cerrada do texto, de seus mecanismos internos, para chegar a um mosaico de imagens, ideias, problemas e aporias com os quais nós, leitores de Ferrante, somos implacavelmente confrontados. — Maurício Santana Dias, tradutor da tetralogia napolitana, de Elena Ferrante, e professor de Literatura Italiana da Universidade de São Paulo.

Se Elena Ferrante provocou estremecimentos ao chegar no Brasil, agora, o primoroso trabalho de Fabiane Secches ressalta aspectos menos óbvios que as leituras devoradoras de primeira viagem não puderam ver. Sem descuidar da profundidade e paixão, como Ferrante nos pede. — Ana Rüsche, escritora, crítica literária, doutora em Letras pela Universidade de São Paulo.

 

Fabiane Secches nasceu em Minas Gerais e vive em São Paulo. Seus textos sobre literatura, cinema e psicanálise já foram publicados pelos jornais Folha de S. Paulo e O Globo, pelas revistas Cult e Quatro Cinco Um, entre outros. Em 2019, Fabiane concluiu seu mestrado em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo, título obtido com um dos trabalhos acadêmicos pioneiros sobre a obra de Elena Ferrante, tornando-se uma referência na área.

Atualmente, Fabiane Secches é doutoranda em Teoria Literária e Teoria Comparada também na Universidade de São Paulo e coordena um grupo de estudos dedicado à obra de Elena Ferrante e a algumas de suas principais referências literárias (Jane Austen, Elsa Morante, Louisa May Alcott, Gustave Flaubert, entre outros), entre outras atividades relacionadas à literatura.

Elena Ferrante: uma longa experiência de ausência é o seu primeiro livro.

Crédito da fotografia: Fábio Audi

 

A ILUSTRADORA

Talita Hoffmann nasceu em Porto Alegre e vive em São Paulo. Entre outros trabalhos, ilustrou a capa brasileira de Sobre os ossos dos mortos (editora Todavia), de Olga Tokarczuk, laureada com o Nobel de Literatura de 2018, e os livros infantis de Antonio Prata, publicados pela editora Ubu. Atualmente, é colaboradora da revista Quatro Cinco Um, entre outros veículos, e, depois de uma formação em design gráfico, estuda artes visuais na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, com habilitação em pintura.

 

A EDITORA

Fundada em 2019 pela jornalista e editora Tainã Bispo, com ampla experiência no mercado editorial, a editora Claraboia é uma editora independente localizada em São Paulo. O livro Elena Ferrante: uma longa experiência de ausência, de Fabiane Secches, é a segunda publicação da casa. A primeira obra foi um livro coletivo, publicado pós-eleições presidenciais de 2018, com participação de Antonio Prata, Vera Iaconelli, Leonardo Sakamoto, entre outros.

Twitter: twitter.com/claraboialivros

Instagram: instagram.com/editoraclaraboia

Facebook: facebook.com/editoraclaraboia

 

 

Fonte das informações: https://www.febreferrante.com.br/

 

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