julho 16, 2018

[LETRAS] EU, ESTAGIÁRIA (PARTE II)

Minha escola querida, C. E. Rotary, em Itaperuna-RJ.

 

Uau! Foi exatamente essa a minha reação quando vi a quantidade de atividades que envolviam o Estágio Supervisionado II da Licenciatura em Letras da UFF/CEDERJ. Desta vez, além das atividades na escola, que envolveram observação e coparticipação, eu também precisei passar algumas horas frente ao computador selecionando e elaborando materiais que poderiam ser usados em sala de aula. Foi bastante coisa, mas depois de transcorrido o Estágio I eu já estava bem menos perdida em relação ao estágio como um todo.

 

Leia também: Eu, Estagiária (Parte I)

 

“Para o Estágio Supervisionado II foram realizadas atividades de observação em diferentes turmas do Ensino Médio, atividades de coparticipação como correção de atividades e redações, auxílio individual aos alunos, apresentação de materiais de apoio, além de atividades realizadas em casa. O estágio, neste semestre, teve muitas facetas e desafios. Felizmente, com todo o suporte do polo regional CEDERJ, pela tutora presencial Danielle Marreiros Valleriote; da escola, pela direção, professores e equipe pedagógica, com destaque para a professora regente Maria Joelma C. D. Pimentel; tudo ficou, se não fácil, pelo menos, menos difícil. O volume de trabalho nesta etapa foi maior e causou certo espanto no início do semestre. No entanto, passadas as avaliações e refletindo sobre os momentos de aprendizagem vividos no ambiente escolar, especialmente com os professores e com os alunos, percebemos e podemos reafirmar a importância dessa trajetória.” (Relatório final Estágio Supervisionado II)

 

Até que fosse possível ir à escola, algumas semanas  foram perdidas com a burocracia para a liberação do estágio. É um processo totalmente compreensível precisar da liberação da Regional de Ensino do Estado do Rio de Janeiro para poder fazer os trabalhos de campo, no entanto é inegável que os alunos precisam dispor — em todos os semestres de estágio, quatro ao todo — de tempo e paciência para liberação do seu estágio. Esse tempo perdido acaba atropelando um pouco as atividades de campo, tendo em vista que o prazo final para as atividades na escola permanece inalterado, independente dos atrasos com a documentação.

Depois da papelada inicial, passamos à papelada do estágio propriamente dito. No final até que foi bem bacana, desta vez percebi o estágio como algo mais relevante ao elaborar planos de aula e ter de pensar em atividades lúdicas para os alunos. Não posso deixar de pontuar o quanto foi assustador entrar pela primeira vez em sala de aula, ainda que na condição de estagiária. Fiquei quietinha no meu canto até ter coragem para conversar com os alunos. Algum tempo depois, no entanto, já estava recomendando leituras e dando dicas de redação, conversando sobre o livro didático que eles usam ou outros assuntos do dia. Foi um susto que logo se transformou em prazer.

 

Eu e o meu projeto de atividade complementar “varal de poesias Manoel de Barros”. Colégio Estadual Rotary, 2018.

 

“Neste sentido, é gratificante chegar ao final de mais um semestre de estágio acumulando uma imensa bagagem de aprendizado e percebendo que as atividades contribuíram verdadeiramente para a formação docente. Obviamente, é público e notório que as disciplinas de estágio — como todas as outras — são pensadas e planejadas com esse objetivo, no entanto, não é em todo processo que conseguimos ter essa sensação de acréscimo, de engrandecimento.

As dificuldades, que felizmente não foram muitas, ficaram restritas ao campo burocrático, pela demora em reunir a documentação para liberação do estágio na regional de Ensino, e alguns obstáculos para cumprir as atividades na escola, por motivos profissionais, sobretudo.

Mattos e Santos (2018) falam sobre um possível motivo para essa “dificuldade burocrática” encontrada pelos alunos EAD. Segundo as autoras, a modalidade a distância ainda não teria um modelo próprio de estágio. Ainda vivemos uma cultura “presencialista” e os estágios em EAD acabam por adaptar o modelo presencial, inclusive suas deficiências.

Entendendo a necessidade de uma forma de avaliação que seja condizente com o curso e com a instituição de ensino que o oferta, no entanto é necessária também uma reflexão acerca dos trabalhos solicitados e o público alvo da modalidade EAD. Longe de sugerir um modelo abrandado, é imprescindível que se pense, pelo menos, em um modelo mais flexível.

Apesar de tudo, vejo o Estágio Supervisionado II de forma bastante positiva. Com o apoio da tutora presencial e da professora regente, além dos colegas, alunos e comunidade escolar, o semestre foi bem produtivo e as experiências, boas ou nem tanto, contribuirão para as etapas que estão por vir.” (Relatório Final Estágio Supervisionado II)

 

Apresentação de proposta de material didático “dinâmica telefone sem fio” (Tá vendo a mão desfocada? Eu estava tremendo de nervoso!).

 

Tenho certeza de que daqui a alguns dias vou estar reclamando da papelada do Estágio III, pois as férias já foram pelo ralo. No entanto, agora que começo a ver o diploma no fim do túnel, talvez as coisas fiquem um pouco mais fáceis. Dois já foram, agora só faltam mais dois. Até lá!

 

 

Referência Bibliográfica do excerto do relatório final sobre estágio em EAD:

MATTOS, Layla Julia Gomes; SANTOS, Silvana Claudia dos. Os desafios do estágio supervisionado em um curso de licenciatura a distância. Rev. EaD em Foco, 2018, 8 (1): e643. doi: http://dx.doi.org/10.18264/eadf.v8i1.643.

 

janeiro 22, 2018

[LETRAS] EU, ESTAGIÁRIA (PARTE I)

Colégio Estadual Rotary. Itaperuna-RJ

 

No semestre passado (2017-2) eu resolvi — e a matriz curricular apontava que já estava mais do que na hora de — começar o Estágio Supervisionado do meu curso de Letras. O CEDERJ, a instituição que promove a logística (grosso modo) dos cursos de graduação a distância das Universidades públicas do estado do Rio de Janeiro, oferece quatro disciplinas obrigatórias para as licenciaturas, sob a supervisão da UENF (Universidade Estadual do Norte Fluminense) na maioria dos polos regionais (o meu é o de Itaperuna-RJ). Sendo assim, mesmo eu sendo aluna da UFF (Universidade Federal Fluminense), meus estágios serão regidos e avaliados pela UENF. Parece complicado, não? E é um pouco, pois o sistema é todo altamente burocrático.

Confesso que, no início do semestre, fiquei muito (muito mesmo!) confusa. O ambiente do Estágio Supervisionado I na Plataforma CEDERJ tinha tanto documento, tanta informação e tanta desinformação também… Situação normal de todo início de aprendizagem, mas para quem é aluno, o desespero toma conta! Foi só a partir das tutorias presenciais que foi possível entender um pouco melhor a proposta dessa etapa do estágio e também como visualizar as informações da Plataforma voltadas para o meu curso e Universidade. Embora as atividades sejam basicamente as mesmas, algumas Universidades têm particularidades que outras não têm. E alguns modelos de atividades precisam ter o logotipo ou o nome da universidade que o aluno está cursando.

 

A Plataforma CEDERJ.

 

Bem no comecinho assinamos, junto ao diretor da escola parceira (a que escolhemos fazer o estágio) e também da coordenadora do curso da nossa Universidade, um Termo de compromisso de estágio. Esse termo é um contrato que estabelece quais serão as atividades, carga horárias e outras informações relevantes para o estágio. O termo assinado e algumas outras documentações passam, ainda, pela Secretaria de Estado de Educação, a chamada Regional de Ensino, para que o estágio seja liberado. Afinal, o aluno da Universidade Pública investigará (obrigatoriamente) a rede pública de ensino, para que os conhecimentos gerados por ele possam ajudar a sociedade de uma forma geral. Desenvolver nossos trabalhos nas escolas públicas é uma forma de conhecer e também devolver uma parte dos recursos gastos conosco na graduação.

 

Minha carteira de estagiária, com uma foto super atual minha, #SQN

 

Com os documentos liberados pela Regional e de posse da carta de apresentação assinada pela diretora do Polo Regional UAB, no meu caso o polo CEDERJ Itaperuna, as atividades podem ser desenvolvidas diretamente na escola, conforme manda a lei.

Escolhi estagiar no Colégio Estadual Rotary, escola em que me formei (2006) e estudei muitos anos. Fiquei ligeiramente emocionada em voltar para o lugar onde fiz tantos amigos e que foi fundamental para o meu desenvolvimento como pessoa. A diretora ainda é a mesma dos meus tempos de aluna e muitos dos meus antigos professores ainda lecionam no colégio. Tirei algumas fotos, que compuseram o meu relatório final e que estão distribuídas ao longo desta postagem, como vocês podem ver. O Rotary é uma escola de bairro, de porte médio e muito aconchegante. Para uma escola estadual, do estado falido mal gerido do Rio de Janeiro, ela é muito bem cuidada e conservada. A escola passou por uma grande restauração na década de oitenta e em 2008 foram feitas outras melhorias, conforme pode ser visto abaixo.

 

 

De agosto a novembro, período em que o meu Estágio Supervisionado I foi realizado, muito material foi produzido. Meu Relatório Final de Estágio, em sua versão final final mesmo pelo amor de Jesus, ficou com cinquenta e duas páginas! Há boatos que o meu nem foi o maior de todos os relatórios, e que nos semestres seguintes outros relatórios maiores ou mais complexos virão. Mas a jornada valeu muito a pena e, eu sei, está apenas começando. O Estágio, que a grande maioria — incluindo eu — achava ser apenas uma enrolação burocrática para fazer gastar papel e gasolina, contribui e muito para que o aluno tenha certeza de sua profissão futura. Muitas pessoas dizem que a prática docente não tem nada dessa quantidade de papel absurda dos estágios e eu acredito nisso. Mas, se o processo fosse fácil, qual seria a qualidade dos professores em sala de aula? Se não desenvolvermos a capacidade de investigação e pensamento crítico durante o curso, quando isso será possível? Os alunos, especialmente os da rede pública, merecem o melhor, tendo em vista as limitações sociais que têm. Sem contar que, nós alunos, que temos o privilégio de cursar uma Universidade Federal sem nos deslocarmos diariamente e nem sair das nossas cidades no interior, precisamos sim, provar que somos aptos e capazes assim como nossos colegas da modalidade presencial. A burocracia irrita e eu me estressei bastante nesse semestre, assim como nos anteriores, e como eu sei que vou me estressar até o final. Mas, sem a danada da burocracia, como seria possível? Com ela ainda temos tanta corrupção…

 

Sala de leitura do C. E. Rotary.

 

No semestre passado fizemos duas resenhas, destaque para o texto sobre o livro A Alegria de Ensinar, que eu postei aqui no blog, pois foi uma leitura muito prazerosa. Também fizemos um clipping educacional, como uma espécie de termômetro das notícias atuais sobre a educação no Brasil; uma entrevista com um professor que esteja atuando no momento, que eu fiz via internet com a professora Julia Cecilia Neri de Assis (obrigada de novo!) e algumas atividades de observação do ambiente escolar e sobre os profissionais da escola, com o intuito de nos mostrar um panorama do que é uma organização educacional, tendo agora o olhar de futuros professores. Todas as atividades foram carimbadas, assinadas, rubricadas etc. até formarem as tais cinquenta e duas (!) páginas do Relatório Final de Estágio. Ao longo do semestre postamos essas atividades de forma individual na Plataforma, para a verificação da tutora a distância e da coordenadora de estágio.

Eu pensei que ao final do semestre eu só teria do que reclamar, mas é muito gratificante perceber que agora tenho um outro olhar sobre o Estágio Supervisionado. O processo não é perfeito, talvez ainda esteja um pouco longe do ideal. Mas é o melhor possível e nos proporciona uma bagagem incrível. No mais, deu tudo certo, fui aprovada com uma ótima nota e já estou preparada para a parte dois, que a propósito, começa já no final deste mês. Até lá!

setembro 14, 2017

[RESENHA] A ALEGRIA DE ENSINAR, DE RUBEM ALVES

 

A Alegria de Ensinar é um livro de crônicas do escritor Rubem Alves, publicado pela editora Papirus, voltado para a temática do ensino, aprendizagem e vida escolar. Neste livro aprendemos, de forma encantadora, o real papel de um educador.

Ensinar, na visão de Rubem Alves, torna os professores imortais. O educador é aquele que desperta a paixão e a vocação quando ela ainda está adormecida na mente dos alunos. Infelizmente, ele também tem o poder de matar os sonhos de seu educando, quando ao invés de guiá-lo no caminho da educação, resolve por si só o que é ou não adequado para o aluno, tendo em vista os pré-conceitos enraizados em nossa sociedade. Sendo assim, o professor, de uma forma ou de outra, viverá eternamente nos pensamentos daqueles a quem ensinou.

“O mestre nasce da exuberância da felicidade.”, diz a primeira crônica. O autor já começa pedindo, ainda que indiretamente, que esqueçamos as mazelas, as tristezas do ofício, que muitas vezes são mais evidenciadas que as alegrias. Ele compara a dor de ensinar à dor do parto: a mãe logo se esquece dela ao ver o lindo rosto de seu filho.

Educar, portanto, deve ser um exercício de alegria. Como aluna e aspirante a professora, entendo essa fala do autor como um clamor para que não nos deixemos contaminar pela burocracia, pela falta de reconhecimento do estado e da sociedade e por outras dificuldades diversas. Que consigamos não envenenar nossas aulas com o que há de ruim e que não permitamos que os muros da escola barrem a sede de conhecimento dos alunos e a nossa própria sede de ensinar.

E, falando sobre a escola, Rubem Alves fala dela como um obstáculo no processo de ensino-aprendizagem. Infelizmente, todos nós que a frequentamos por anos e anos a fio sabemos que essa é uma grande verdade. A escola às vezes aprisiona. Pior que isso: despeja inúmeros conteúdos nos cérebros dos alunos sem que eles consigam descobrir, em tempo hábil, para que serve tudo aquilo. Já ouviram por aí que os jovens aprendem bhaskara, mas não sabem noções básicas de trânsito ou vida em sociedade? Não sabem elaborar um currículo ou marcar e ir sozinhos a uma consulta médica? Pior ainda: não sabem ler e interpretar uma notícia de jornal? É verdade. A escola prepara para o vestibular, e muitas vezes apenas para o vestibular. É uma decoreba que será esquecida tão logo o aluno consiga (ou não) sua aprovação.

Desejo profundamente não esquecer as palavras de Rubem Alves, pois, olhando para trás, vejo que vários dos professores que tive não tinham alegria em ensinar ou em estar em sala de aula. Ainda quando aluna do ensino fundamental e médio eu percebia a diferença: alguns professores nos faziam crer que podíamos ir ao infinito e além, bastava um pouco de coragem e trabalhar duro em nosso propósito. Outros, simplesmente passavam o conteúdo previsto na matriz curricular e não permitiam questionamentos que fugissem da matéria do vestibular.

Finalizada a leitura, sonho com o dia em que as nossas crianças não sejam mais simples repetidoras de conteúdo, pois a educação não pode ser resumida em fazer o aluno passar em uma prova. É da vida e da sociedade que estamos falando. E que os professores tenham condições de sempre serem felizes, tendo alegria em ensinar.

 

 

Obs.: esta resenha foi parte de uma avaliação do curso de Letras (UFF/Cederj), disciplina Estágio Supervisionado I. A proposta era ler apenas metade do livro e fazer um comentário, mas não resisti: li as todas as crônicas do livro, algumas mais de uma vez!

 

 Título: A Alegria de Ensinar
Autor: Rubem Alves
Editora: Papirus
Páginas: 96

 

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