março 16, 2020

[LANÇAMENTO] ELENA FERRANTE, UMA LONGA EXPERIÊNCIA DE AUSÊNCIA, DE FABIANE SECCHES

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O livro Elena Ferrante, uma longa experiência de ausência (2020), de Fabiane Secches, propõe uma análise detida da obra da autora italiana Elena Ferrante, pseudônimo que assina algumas das obras mais lidas e comentadas das últimas três décadas. O lançamento será no dia 02 de abril de 2020 na Livraria da Travessa de Pinheiros (Rua dos Pinheiros, 513, próxima à estação de metrô Fradique Coutinho), em São Paulo, com pré-venda online a partir de março (em breve!).

O ensaio publicado pela editora Claraboia teve início com a pesquisa de mestrado de Fabiane Secches na Universidade de São Paulo, que investigou a ambivalência em A amiga genial (2011-2014), obra mais célebre de Ferrante — também conhecida como tetralogia napolitana. O trabalho da autora foi um dos pioneiros sobre a obra de Ferrante e agora se desdobrou em uma nova obra, de natureza ensaística, dedicada não apenas a críticos e pesquisadores, mas a leitoras e leitores em geral.

O prefácio do livro foi escrito por Francesca Cricelli, doutora em Letras pela Universidade de São Paulo, escritora e tradutora brasileira de Dias de abandono, segundo romance de Ferrante. O posfácio é de Maurício Santana Dias, professor de Literatura Italiana da Universidade de São Paulo e tradutor dos quatro volumes da tetralogia napolitana. Já a orelha foi escrita por Aurora Fornoni Bernardini, crítica literária, tradutora e professora nessa mesma universidade, orientadora da pesquisa de mestrado de Fabiane Secches.

Em poucos anos, a tetralogia napolitana inspirou diferentes adaptações para o teatro, ganhou uma série exibida pela HBO (a segunda temporada tem previsão de estreia para 16 de março de 2020) e moldou até mesmo o turismo na cidade de Nápoles: os lugares mencionados nos livros — direta ou indiretamente — se tornaram parte de percursos turísticos que recebe pessoas do mundo todo. Ferrante teve mais de 12 milhões de exemplares vendidos em cerca de 50 países. A comoção originou a expressão “Febre Ferrante”, criada para designar esse movimento cultural, que inspirou o documentário Ferrante Fever (2017), que recolhe depoimentos de leitores ilustres, como Elizabeth Strout, Hillary Clinton, Jonathan Franzen e Roberto Saviano. De Patti Smith a James Wood, um dos críticos literários contemporâneos mais prestigiados (principal resenhista da revista The New Yorker), passando por Michelle Obama, a tetralogia napolitana tem sido descrita por muitos como “hipnótica”.

Nesse livro, Fabiane Secches mergulha na obra de Ferrante e a examina a fundo, para além do fenômeno comercial, a partir de conceitos da teoria literária e da psicanálise, costurando essas ideias em torno da questão da ausência, que atravessa tanto os enredos dos romances de Ferrante quanto a discussão envolvendo o pseudônimo e a decisão da autora em permanecer distante dos holofotes, concedendo entrevistas apenas por escrito, por intermédio de seus editores italianos. O livro também inclui um capítulo de composição coletiva, reunindo depoimentos de leitura que examinam diferentes aspectos da obra de Ferrante.

A imagens do livro (capa e miolo), entre as quais estão os mapas de Nápoles e da Itália traçados a partir dos percursos das personagens, foram feitas pela artista plástica Talita Hoffmann, que ilustrou a capa brasileira de Sobre os ossos dos mortos, romance de Olga Tokarczuk, laureada com o prêmio Nobel de Literatura de 2018. Hoffmann também assina as ilustrações dos livros infantis de Antonio Prata, publicados pela editora Ubu.

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Selecionamos aqui alguns comentários sobre o livro de Fabiane Secches:

O livro de Fabiane Secches é um mergulho na obra de Elena Ferrante, que se tornou mundialmente reconhecida com a tetralogia napolitana: A amiga genial. A análise de Fabiane, à procura de explicações preciosas, projeta-se também nos outros romances da autora e nas várias entrevistas e artigos por ela fornecidos. Outra coisa importante dessa procura, no livro de Fabiane, são as descobertas valiosas que ela vai fazendo graças ao feliz contraponto entre literatura e psicanálise. Do “inquietante” de Freud ao embate entre Eros e Tânatos, os leitores terão ocasião — quem sabe — de desvendar alguns mistérios do lado obscuro de si. — Aurora Fornoni Bernardini, professora de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo, tradutora e crítica literária, é orientadora de Fabiane Secches.

Elena Ferrante: Uma longa experiência de ausência já é um marco para os estudos da literatura contemporânea — não somente italiana, mas ocidental —, pois se lança com profundidade e integridade pelos meandros periféricos do sucesso editorial, por muito tempo às margens dos estudos acadêmicos. — Francesca Cricelli, tradutora do romance Dias de abandono, de Elena Ferrante, publicado no Brasil pelo selo Biblioteca Azul (Globo Livros), e doutora em Letras pela Universidade de São Paulo.

Este livro de Fabiane Secches se recusa a cair nestas armadilhas disjuntivas do “ou… ou” e, a meu ver, retorna ao cerne daquilo que vai sendo encenado dentro e fora das narrativas de Elena Ferrante, em especial as que compõem a tetralogia napolitana. Partindo do conceito psicanalítico de ambivalência e incorporando a ele o neologismo ferrantiano da “desmarginação”, o roteiro de leitura que a autora nos propõe parte de uma abordagem cerrada do texto, de seus mecanismos internos, para chegar a um mosaico de imagens, ideias, problemas e aporias com os quais nós, leitores de Ferrante, somos implacavelmente confrontados. — Maurício Santana Dias, tradutor da tetralogia napolitana, de Elena Ferrante, e professor de Literatura Italiana da Universidade de São Paulo.

Se Elena Ferrante provocou estremecimentos ao chegar no Brasil, agora, o primoroso trabalho de Fabiane Secches ressalta aspectos menos óbvios que as leituras devoradoras de primeira viagem não puderam ver. Sem descuidar da profundidade e paixão, como Ferrante nos pede. — Ana Rüsche, escritora, crítica literária, doutora em Letras pela Universidade de São Paulo.

 

Fabiane Secches nasceu em Minas Gerais e vive em São Paulo. Seus textos sobre literatura, cinema e psicanálise já foram publicados pelos jornais Folha de S. Paulo e O Globo, pelas revistas Cult e Quatro Cinco Um, entre outros. Em 2019, Fabiane concluiu seu mestrado em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo, título obtido com um dos trabalhos acadêmicos pioneiros sobre a obra de Elena Ferrante, tornando-se uma referência na área.

Atualmente, Fabiane Secches é doutoranda em Teoria Literária e Teoria Comparada também na Universidade de São Paulo e coordena um grupo de estudos dedicado à obra de Elena Ferrante e a algumas de suas principais referências literárias (Jane Austen, Elsa Morante, Louisa May Alcott, Gustave Flaubert, entre outros), entre outras atividades relacionadas à literatura.

Elena Ferrante: uma longa experiência de ausência é o seu primeiro livro.

Crédito da fotografia: Fábio Audi

 

A ILUSTRADORA

Talita Hoffmann nasceu em Porto Alegre e vive em São Paulo. Entre outros trabalhos, ilustrou a capa brasileira de Sobre os ossos dos mortos (editora Todavia), de Olga Tokarczuk, laureada com o Nobel de Literatura de 2018, e os livros infantis de Antonio Prata, publicados pela editora Ubu. Atualmente, é colaboradora da revista Quatro Cinco Um, entre outros veículos, e, depois de uma formação em design gráfico, estuda artes visuais na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, com habilitação em pintura.

 

A EDITORA

Fundada em 2019 pela jornalista e editora Tainã Bispo, com ampla experiência no mercado editorial, a editora Claraboia é uma editora independente localizada em São Paulo. O livro Elena Ferrante: uma longa experiência de ausência, de Fabiane Secches, é a segunda publicação da casa. A primeira obra foi um livro coletivo, publicado pós-eleições presidenciais de 2018, com participação de Antonio Prata, Vera Iaconelli, Leonardo Sakamoto, entre outros.

Twitter: twitter.com/claraboialivros

Instagram: instagram.com/editoraclaraboia

Facebook: facebook.com/editoraclaraboia

 

 

Fonte das informações: https://www.febreferrante.com.br/

 

Onde comprar: Amazon

agosto 12, 2019

[RESENHA] O PERIGO DE UMA HISTÓRIA ÚNICA, DE CHIMAMANDA NGOZIE ADICHIE

Sinopse: Uma das palestras mais assistidas do TED Talk chega em formato de livro. Para os fãs de Chimamanda, e para todos os que querem entender a fonte do preconceito.

O que sabemos sobre outras pessoas? Como criamos a imagem que temos de cada povo? Nosso conhecimento é construído pelas histórias que escutamos, e quanto maior for o número de narrativas diversas, mais completa será nossa compreensão sobre determinado assunto. 
É propondo essa ideia, de diversificarmos as fontes do conhecimento e sermos cautelosos ao ouvir somente uma versão da história, que Chimamanda Ngozi Adichie constrói a palestra que foi adaptada para livro. O perigo de uma história única é uma versão da primeira fala feita por Chimamanda no programa TED Talk, em 2009. Dez anos depois, o vídeo é um dos mais acessados da plataforma, com cerca de 18 milhões de visualizações. 
Responsável por encantar o mundo com suas narrativas ficcionais, Chimamanda também se mostra uma excelente pensadora do mundo contemporâneo, construindo pontes para um entendimento mais profundo entre culturas.”

 

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O perigo de uma história única, de Chimamanda Ngozie Adichie (Companhia das Letras, 2019), é a terceira palestra que a autora nigeriana ministrou para o TED Talks que acabou virando livro, tamanha a importância do assunto tratado. De forma bem simples, Chimamanda fala sobre o perigo (constante, ao qual ninguém está livre) de nos apegarmos a uma única narrativa, dando exemplos de sua própria trajetória.

Nós, seres humanos, somos feitos de histórias. Tudo o que sabemos e transmitimos é história, é construção social. Pensar nos perigos de uma história única vai bem mais além, portanto, de apenas ouvir os dois lados da história. Nos livrarmos das armadilhas da história única requer rever nossos próprios conceitos, pensar e pelo menos tentar entender o porquê pensamos determinadas coisas sobre pessoas, entidades, países etc.

A primeira vez que tive contato com essa palestra foi quando cursei a primeira disciplina de literaturas africanas de língua portuguesa, da UFF/CEDERJ. A nossa primeira tarefa desta disciplina foi responder a um fórum sobre qual seria a primeira coisa que nos vinha à mente quando o assunto era África. Podíamos responder com textos e/ou imagens, desde que com as devidas referências e justificativas. Acredito que não deve ser difícil para você que está lendo agora imaginar o que foi 99% das respostas. Praticamente todo mundo (incluindo eu) respondeu com imagens de fome, pobreza, exclusão social… daí para pior. Nenhum de nós sequer respondeu que a África é um continente imenso, bastante diverso e não um país. Todos caímos no estereótipo da narrativa única sobre a África.

Outro exemplo de narrativa única é, de modo geral, as comemorações do Dia da Consciência Negra nas escolas. O dia que poderia ser usado para mostrar narrativas diversas acaba caindo sempre no tema escravidão. Como se esse fosse o único assunto possível envolvendo os negros no Brasil.

 

“É assim que se cria uma história única: mostre um povo como uma coisa, uma coisa só, sem parar, e é isso que esse povo se torna.”

 

“O poeta palestino Mourid Barghouti escreveu que, se você quiser espoliar um povo, a maneira mais simples é contar a história dele e começar com ‘em segundo lugar’. Comece a história com as flechas dos indígenas americanos e não com a chegada dos britânicos, e a história será completamente diferente. Comece a história com o fracasso do Estado africano e não com a criação colonial do Estado africano, e a história será completamente diferente.”

 

 

Trazendo para o nosso presente atual, ainda no contexto da educação, recentemente as Universidades Federais foram acusadas de promover balbúrdia, de não fazer pesquisa, de serem de qualidade inferior etc., pelo próprio Ministro da Educação. Sem entrar em discussões político-partidárias no momento, será mesmo que as nossas Universidades estão assim tão exclusivamente desordeiras? Não existem, para dizer o mínimo, hospitais, clínicas, creches, bibliotecas etc. administradas por essas Universidades que atendem à população que não pode pagar e/ou não consegue atendimento em outros lugares? Estão restringindo toda a rede federal de ensino a uma história única, pelo que parece. Por qual motivo deveria ser o nosso questionamento.

 

“A história única cria estereótipos, e o problema com os estereótipos não é que sejam mentira, mas que são incompletos. Eles fazem com que uma história se torne a única história.”

 

“As histórias importam. Muitas histórias importam. As histórias foram usadas para espoliar e caluniar, mas também podem ser usadas para empoderar e humanizar. Elas podem despedaçar a dignidade de um povo, mas também podem reparar essa dignidade despedaçada.”

 

 

Esse é um tema extremamente importante e muito pertinente termos essa palestra também em livro, para ser multiplicada em todos os canais possíveis. A fala de Chimamanda Ngozie Adichie é bem direta e nos convida a pensar. Assista, leia e reflita. Precisamos disso mais do que nunca.

 

 

 

Título: O perigo de uma história única

Autora: Chimamanda Ngozie Adichie

Tradução: Julia Romeu

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 64

Compre na Amazon: O perigo de uma história única.

 

 

Assista a palestra O perigo de uma história única, que deu origem a este livro (com legendas em português!):

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