agosto 06, 2019

[LETRAS] Indizível, imperceptível e ininteligível: o sujeito contemporâneo e seus arquivos, de Bethania Mariani, Carla Barbosa Moreira, Juciele Pereira Dias e Maurício Beck (Orgs.)

Os autores dos textos desta obra desenvolvem pesquisas em diferentes teorias de linguagem relacionadas à temática do indizível, do ininteligível e do imperceptível. Abordado em jornada do Laboratório Arquivos do Sujeito (LAS) da UFF com objetivo de propiciar um espaço de interlocução com professores de outras instituições, o tema teve como escopo de reflexão o quadro teórico da Análise de Discurso Francesa em interface com a História das Ideias Linguísticas, a Teoria da Enunciação, a Filosofia da Linguagem, a Sociolinguística e a Psicanálise Lacaniana.

A partir da consolidação do aporte teórico das áreas citadas, os pesquisadores, com a sugestiva proposta de discussão sobre o indizível, o ininteligível e o imperceptível, incitaram questionamentos voltados para as posições do sujeito no contemporâneo, partindo das discursividades que os representam e os diferentes modos como eles se representam, se significam.

Nesse sentido, tomam o real como espaço de desestabilização da(s) língua(s), da história e do sujeito. Real como registro do impossível no campo da linguagem, da percepção e da compreensão – (in)dizível, (im)perceptível e (in)inteligível -, sempre em tensão com a produção de sentidos que vão constituir – e se constituir pelas – zonas de memória.

 

Os artigos e respectivos autores são os seguintes:

Seção “Indizível”:

“Uma alegria indizível”, de Ana Paula El-Jaick;

“(In)dizível, in(dizível), in(visível): linguística, análise de discurso, psicanálise”, de Bethania Mariani;

“O cálice indizível e a demanda nas vozes das ruas-redes sociais”, de Juciele Pereira Dias;

“O que se pode dizer do indizível?”, de Lauro José Siqueira Baldini.

Seção “Ininteligível”:

“O ininteligível ou sobre o (im)possível nas aulas de língua portuguesa”, de Carla Barbosa Moreira;

“Pelo território de Ártemis: do inteligível nas fronteiras difusas do mesmo e do outro”, de José Simão da Silva Sobrinho;

“Enunciar o ininteligível”, de Luiz Francisco Dias;

“Que língua é essa? Incertezas e indefinições na delimitação das línguas”, de Xoán Carlos Lagares.

Seção “Imperceptível”:

“Cinema, memória e favelas: uma pedagogia da realidade em dois momentos”, de Lucia M. A. Ferreira;

“Imagem-tempo e o espectro do irrealizado: o descortinar do imperceptível”, de Maurício Beck;

“Fazer jornalismo, fazer história? Os 45 anos de “Veja”, o discurso jornalístico, o (im)perceptível”, de Silmara Dela Silva;

“O significante em metáfora no movimento metonímico da falta”, de Suzy Lagazzi.

 

 

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julho 30, 2019

[LETRAS] Funcionalismo linguístico: diálogos e vertentes, de Mariangela Rios de Oliveira e Maria Maura Cezario (Orgs.)

Esta coletânea reúne nove capítulos voltados para a reflexão teórica e a análise empírica no âmbito das mais recentes tendências da pesquisa de cunho funcionalista, tanto a de orientação norte-americana quanto a de orientação europeia. Os autores constituem-se em referência internacional e nacional da área dos estudos linguísticos, com investigações de ponta.

Há aqui tanto informações relevantes em termos teóricos e metodológicos de diferentes olhares dentro da linguística funcionalista para a compreensão da linguagem como também há a aplicação dos modelos teóricos na análise de fenômenos da língua portuguesa, em particular. Nesse sentido, a obra é de interesse para pesquisadores e alunos de graduação e de pós-graduação de letras e áreas afins.

 

Os temas e respectivos autores são os seguintes:

“Gramática de Construções: princípios básicos e contribuições”, de Maria Angélica Furtado da Cunha e Patrícia Fabiane Amaral da Cunha Lacerda;

“Objetividade, subjetividade e intersubjetividade na perspectiva da Gramática Discursivo-Funcional”, de J. Lachlan Mackenzie;

“Forma e função: reflexões a partir da Linguística Cognitiva”, de Lilian Ferrari e Diogo Pinheiro;

“Análise linguística em perspectiva funcional: o caso de modificadores nominais”, Edvaldo Balduino Bispo e José Romerito Silva;

“Considerações acerca de vamos diretos, todas contentes, bastantes grandes, muitas boas”, de Martin Hummel;

“Hipercorreção e analogia: o caso dos particípios passados”, de Marcos Bagno;

“Vânia Cristina Casseb-GalvãoFunções retóricas e ordem: relação entre pragmática e morfossintaxe”, de Erotilde Goreti Pezatti e Roberto Gomes Camacho;

“Orações condicionais no português: uma análise à luz da Gramática Discursivo-Funcional”, de Taísa Peres de Oliveira e Flávia Bezerra de Menezes Hirata-Vale;

“Construções subjetivas avaliativas no português do Brasil”, de Nilza Barrozo Dias e Maria Luiza Braga.

 

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junho 14, 2019

[DIÁRIO] Cultura negra – v. 2 – Trajetórias e lutas de intelectuais negros

Abrangente recorte temporal e espacial, com 27 estudos que conferem visibilidade às vozes “esquecidas” e às trajetórias políticas silenciadas, revelando as múltiplas experiências socioculturais de homens e mulheres negros em seus dilemas, desafios, alegrias e dissabores cotidianos.

Em dois volumes, mostra formas variadas de viver, denunciar e enfrentar a opressão e as desigualdades raciais e de forjar laços de pertencimento e identidades ou estratégias para afirmar direitos e ampliar a cidadania antes e, sobretudo, após a abolição da escravidão. Obra que atende à reivindicação dos movimentos sociais negros do Brasil em prol do direito à memória, à história, à preservação e à valorização de seus bens culturais produzidos no contexto da diáspora.

Desde a lei 10.639, de 2003, que obriga o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, acompanha-se a revisão nos currículos escolares da valorização da história de luta dos negros no país. “Cultura negra” contribui com subsídios aos que desejam trabalhar com o tema na história e na escola. Oferece caminhos por meio de festas, carnavais, músicas, perfomances, patrimônios e trajetórias de artistas e intelectuais negros para se pensar cultura(s) negra(s) como arena de conflitos e transformação de relações de dominação, como canal de combate ao racismo e fortalecimento das identidades.

Por muitos anos estudiosos acionaram a ideia de cultura popular referindo-se às manifestações culturais e folclóricas que constituiriam a nacionalidade brasileira, quase sempre associando-a à valorização da miscigenação e à afirmação da democracia racial.

Para os autores, essas narrativas trazem armadilhas e efeitos nefastos, principalmente na negação do racismo e à invisibilização do protagonismo de pessoas negras na formação do Brasil. Este livro vai em sentido oposto: desvincula-se da ideia de cultura popular e assume a de cultura negra, como conceito dinâmico e inscrito nas práticas e experiências plurais de seus personagens.

No primeiro volume, a festa negra emerge em expressões que transformam, no tempo presente, a memória do cativeiro e a canção escrava em espetáculo, patrimônio cultural, local de conflito, de luta e afirmação da negritude.

No segundo volume, contribuindo de forma inovadora para a abertura de novos campos de investigação, as atenções são dirigidas para sujeitos sociais que, na prática, criaram novos sentidos de cultura e festas negras. Homens e mulheres, em geral esquecidos até pouco tempo, demonstram, por suas trajetórias e ação intelectual, como o campo cultural está repleto de iniciativas de combate ao racismo e de contraposições às relações de dominação, reconstruídas no pós-Abolição. Sob a ação desses sujeitos, definidos como intelectuais, os campos musical, teatral e educacional tornam-se importantes canais de afirmação de direitos e discussão das identidades negras. Mais ainda contribuem para o entendimento de uma outra história do Brasil republicano e suas lutas pela cidadania.

 

 

A Eduff me presenteou com os dois volumes da coletânea de artigos Cultura Negra, um importante apanhado histórico para que possamos repensar e atualizar as nossas leituras e também, no caso dos professores, a forma de ensinar história do Brasil,  especificamente no que concerne à valorização da luta e da cultura afro-brasileira. Falei sobre o primeiro volume com mais detalhes em outra postagem, confira clicando aqui!  Como eu já disse anteriormente e não é demais repetir, apesar da lei 10.639/2003 e dos resultados que estamos tendo com as ações afirmativas, que contribuíram para o ingresso de um contingente maior de negros nas universidades brasileiras, muito do que se reproduz no dia a dia das escolas sobre o negro no Brasil continua restrito à escravidão e/ou à abolição. Tudo o mais fica esquecido, injustamente. Mesmo no dia da consciência negra, uma data que deveria fomentar discussões sobre a cultura negra e ampliar os horizontes sobre essa temática, vemos reproduzidos os mesmos discursos sobre escravidão e abolição, ignorando o protagonismo e a luta dos negros ao longo dos séculos no nosso país.

O volume 2 centra-se nas lutas dos intelectuais negros e é dividido em 3 partes:

No segundo volume, contribuindo de forma inovadora para a abertura de novos campos de investigação, as atenções são dirigidas para sujeitos sociais que, na prática, criaram novos sentidos de cultura e festas negras. Homens e mulheres, em geral esquecidos até pouco tempo, demonstram, por suas trajetórias e ação intelectual, como o campo cultural está repleto de iniciativas de combate ao racismo e de contraposições às relações de dominação, reconstruídas no pós-Abolição. Sob a ação destes sujeitos, definidos como intelectuais, os campos musical, teatral e educacional tornam-se importantes canais de afirmação de direitos e discussão das identidades negras. Mais ainda, contribuem para o entendimento de uma outra história do Brasil republicano e suas lutas pela cidadania.

Na Parte I, Entre músicas e festas negras, os textos de Manuela Areias Costa, Rodrigo de Azevedo Weimer, Caroline Moreira Vieira, Silvia Brügger, Gabriela Busccio e Alexandre Reis reconstituem trajetórias de intelectuais que registraram no campo musical suas histórias, memórias e lutas políticas.

Na Parte II, Política negra no teatro, os textos de Rebeca Natacha de Oliveira Pinto, Júlio Cláudio da Silva e Maria do Carmo Gregório demonstram de forma contundente o quanto o teatro, território hegemonicamente branco, se tornou palco para o combate ao racismo através da valorização de atrizes e atores negros e sua cultura escrita.

Na Parte III, Lideranças negras e mobilização racial, tomamos conhecimento da trajetória de três homens negros que, através da atuação em associações civis, imprensa e produção acadêmica, conferiram visibilidade à mobilização racial e à afirmação de direitos, nos artigos de Luara dos Santos Silva, Eric Brasil e Ana Carolina Carvalho de Almeida Nascimento.

 

Cultura Negra: Volumes 1 e 2.

 

Sobre os organizadores

Robério S. Souza – Professor titular de História do Brasil da Universidade do Estado da Bahia.

Martha Abreu – Professora do Instituto de História da Universidade Federal Fluminense. Autora de diversos trabalhos sobre cultura negra, patrimônio cultural e pós-abolição.

Giovana Xavier – Professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, blogueira, coordenadora do Grupo Intelectuais Negras.

Eric Brasil – Professor da Unilab. Autor de “A Corte em festa: experiências negras em carnavais do Rio de Janeiro (1879-1888)”. Pesquisa experiências negras em perspectiva transacional.

Livia Monteiro – Professora no Centro Universitário Celso Lisboa. Autora de tese sobre as festas de Congada em Minas Gerais. Produtora e roteirista do documentário “Dos grilhões aos guizos: festa de maio e as narrativas do passado”.

 

Cultura negra – v. 2 – Trajetórias e lutas de intelectuais negros
Série Pesquisas, v. 6b
Autores: Martha Abreu, Giovana Xavier, Lívia Monteiro e Eric Brasil (Orgs.)
Páginas: 356
Formato: 14 x 21 cm
ISBN: 978-85-228-1313-1
Ano de publicação: 2018
Idioma: Português

 

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Veja também: Cultura negra – v. 1 – Festas, carnavais e patrimônios negros.

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