janeiro 17, 2019

[DIÁRIO] AS PRIMAVERAS E A CASA DE CASIMIRO DE ABREU

Sinopse: Casimiro de Abreu é o poeta do lirismo e da simplicidade. Os anseios da juventude, as saudades da infância e os compromissos com sua terra natal fazem da obra de Casimiro de Abreu, precoce e espontânea, uma das expressões mais legítimas da poesia do Romantismo brasileiro. Nostálgico, lírico e dono de uma poesia extremamente musical, o poeta carioca continua encantando e cativando leitores jovens e adultos, de ontem e de hoje. As Primaveras (1859) é o único livro do poeta publicado em vida. No prefácio desta obra, escreve: “Assim, as minhas Primaveras não passam de um ramalhete das flores próprias da estação — flores que o vento esfolhará amanhã, e que apenas valem como promessa dos frutos do outono”.

 

Iniciei o ano de 2019 da melhor forma possível: viajando! Fomos para Rio das Ostras-RJ logo no dia primeiro de janeiro e nesse dia a Olívia viu o mar pela primeira vez! Obviamente alguns livros foram comigo, guardados no fundinho da mala, mas lá acabaram ficando, pois a combinação criança-praia requer atenção redobrada. Além disso, eram nossas primeiras férias em família e eu poderia deixar as leituras para depois, certo?

No entanto, após um passeio programado pelo meu marido, aproveitei as noites pós-praia e a Olívia desmaiada de sono para conhecer a obra de um poeta que viveu bem pertinho de onde eu estava: Casimiro de Abreu (1839-1860). Não sabia muita coisa sobre ele, apenas que foi um autor da segunda geração do romantismo, que havia uma cidade no estado do Rio de Janeiro com o seu nome e que ele faleceu muito jovem, aos 21 anos.

Visitamos o museu Casa de Casimiro de Abreu e foi impossível não procurar as poesias desse escritor tão logo chegamos à pousada no final do dia. Em domínio público, li boa parte da obra dele antes de receber a edição de “As Primaveras” (Martin Claret, 2014), único livro lançado em vida por Casimiro de Abreu, primeiro livro comprado por mim neste ano de 2019.

 

“Casimiro José Marques de Abreu foi um grande representante da poesia romântica brasileira. Viveu em Portugal, onde escreveu a maior parte de suas obras, que contempla teatro e poesia, mas foi nessa última vertente artística que teve destaque. Com linguagem simples e tom ébrio, tornou-se um dos poetas mais populares da segunda geração do Romantismo nacional. ‘As Primaveras’, lançada em 1859, é sua obra de maior destaque.” (Fonte: orelha da edição Martin Claret, 2014)

 

“Flores e estrelas, murmúrios da terra e mistérios do céu, sonhos de virgem e risos de criança, tudo o que é belo e tudo o que é grande veio por seu turno debruçar-se sobre o espelho mágico da minha alma e aí estampar a sua imagem fugitiva. Se nessa coleção de imagens predomina o perfil gracioso duma virgem, facilmente se explica: era filha do céu que vinha vibrar o alaúde adormecido do pobre filho do sertão.

Rico ou pobre, contraditório ou não, este livro fez-se por si, naturalmente, sem esforço, e os cantos saíram conforme as circunstâncias e os lugares os iam despertando. Um dia a pasta, pejada de tanto papel, pedia que lhe desse um destino qualquer, e foi então que resolvi a publicação das ‘Primaveras’; depois separei muitos cantos sombrios, guardei outros que constituem o meu livro íntimo e, no fim de mudanças infinitas e caprichosas, pude ver o volume completo e o entrego hoje sem receios e pretensões.

(…)

Assim, as minhas ‘Primaveras’ não passam dum ramalhete de flores próprias da estação, flores que o vento esfolhará amanhã, e que apenas valem como promessa dos frutos do outono.” (Introdução de Casimiro de Abreu para a primeira edição, em 1859)

 

Embora eu seja leitora assídua de romances clássicos, confesso que tinha um pouco de resistência em relação à poesia de escritores mais antigos. Alguns poetas (de algumas escolas literárias) têm versos um pouco complicados, que exigem o uso de dicionário, e tem um nível de rebuscamento distante dos nossos dias. Com Casimiro de Abreu o leitor não tem esse problema! Seus versos são simples e, embora escritos no século XIX, ainda são muito próximos e podem ser lidos com facilidade pelo leitor do século XXI. A edição da Martin Claret, além da capa linda e delicada, vem com suporte pedagógico e prefácio de Jean Pierra Chauvin, que enriquecem bastante a leitura.

 

“Oh! que saudades que tenho

Da autora da minha vida,

Da minha infância querida

Que os anos não trazem mais!

Que amor, que sonhos, que flores,

Naquelas tardes fagueiras

À sombra das bananeiras,

Debaixo dos laranjais! (…)” (Retirado de “Meus Oito Anos”, p. 44)

 

Foi um ótimo passeio, como pode ser visto nas fotos abaixo. Não pagamos entrada e fomos muito bem recebidos pelos funcionários do museu que não se importaram muito com as bagunças da Olívia. Se você estiver passando pelo distrito de Barra de São João-RJ, dê uma paradinha e visite esse museu. Ah, também recomendamos a capela de São João Batista, na mesma cidade. Vale muito a pena!

 

Detalhe da entrada do museu Casa de Casimiro de Abreu, em Barra de São João-RJ.

 

Detalhe de uma das salas do museu Casa de Casimiro de Abreu.

 

Retrato do escritor Casimiro de Abreu.

 

Coroa de bronze que esteve no túmulo do autor. Certamente foi retirada do cemitério para previnir que fosse roubada.

 

Pombas de bronze que estavam no túmulo do autor. Certamente foram retiradas para previnir que fossem roubadas.

 

Pombas em argila que estavam no túmulo do autor. Certamente foram retiradas para previnir que fossem roubadas.

 

Placa comemorativa com uma mensagem de Carlos Drummond de Andrade para Casimiro de Abreu: “Casimiro é patrimônio emocional do país. Vamos acarinhá-lo na lembrança”.

 

Primeiras edições de “As Primaveras”, único livro lançado em vida pelo autor, com ajuda financeira de seu pai.

 

“Camões e o Jau”, peça teatral escrita por Casimiro de Abreu.

 

Minha filha Olívia “interagindo” com uma das peças do museu Casa de Casimiro de Abreu…

 

Vista da janela lateral do museu. Um encanto!

 

Na Casa de Casimiro de Abreu estão expostas algumas peças que eu não tenho certeza se tem mesmo relação com o escritor (e não tivemos tempo para perguntar, pois o museu estava quase fechando quando chegamos). Mesmo assim, são objetos bastante interessantes como o carro da foto acima.

 

Foto dos fundos da Casa de Casimiro de Abreu. A vista é lindíssima, como pode ser visto na foto a seguir.

 

Vista dos fundos do museu Casa de Casimiro de Abreu.

 

Meu marido Anderson, responsável pelo passeio, e a nossa filha Olívia.

 

Olívia encantada com a estátua de Casimiro de Abreu ainda jovem, na lateral do museu.

 

Por fim, esta blogueira que vos fala e Casimiro de Abreu, imortalizado nessa escultura ao lado de sua casa.

 

 

abril 21, 2017

[RESENHA] UMA NOITE COMO ESTA, DE JULIA QUINN

Sinopse: “Anne Wynter pode não ser quem diz que é… Mas está se saindo muito bem como governanta de três jovenzinhas bem-nascidas. Seu trabalho é bastante desafiador: em uma única semana ela precisa se esconder em um depósito de instrumentos musicais, interpretar uma rainha má em uma peça que pode ser uma tragédia ou, talvez, uma comédia – ninguém sabe ao certo – e cuidar dos ferimentos do irresistível conde de Winstead. Após anos se esquivando de avanços masculinos indesejados, ele é o primeiro homem que a deixa verdadeiramente tentada, e está cada vez mais difícil para ela lembrar que uma governanta não tem o direito de flertar com um nobre.

Daniel Smythe-Smith pode estar em perigo… Mas isso não impede o jovem conde de se apaixonar. Quando ele vê uma misteriosa mulher no concerto anual na casa de sua família, promete fazer de tudo para conhecê-la melhor, mesmo que isso signifique passar os dias na companhia de uma menina de 10 anos que pensa que é um unicórnio.

O problema é que Daniel tem um inimigo que prometeu matá-lo. Mesmo assim, no momento em que vê Anne ser ameaçada, ele não mede esforços para salvá-la e garantir seu final feliz com ela.”

 

Veja o Diário de Leitura Quarteto Smythe-Smith aqui.

Veja a resenha de Simplesmente o Paraíso, primeiro livro do Quarteto Smythe-Smith, aqui.

 

Uma Noite Como Esta é o segundo volume do quarteto Smythe-Smith e eu reafirmo tudo o que disse no post anterior sobre o estilo enxuto na escrita de Julia Quinn, assim como a leveza no romantismo com toques singelos de comicidade. É uma fórmula que, quando bem feita, não cansa os leitores e Quinn é realmente uma ótima escritora.

Em toda a minha vida de leitora, uma coisa que eu sempre procurei fugir é de séries com intermináveis continuações. Autoras como Julia Quinn conseguem fazer uma série em que não importa a ordem de leitura dos livros, ainda que você consiga entender melhor as referências tendo lido as publicações na ordem estabelecida. Cada livro foca em um personagem integrante de certo grupo social e/ou familiar e, o melhor de tudo: tratam-se de histórias independentes.

No segundo livro do quarteto Smythe-Smith, conhecemos um pouco mais sobre Daniel, o Conde de Wintead, irmão de Honoria, que estava exilado na Itália por um desentendimento bobo com Lorde Hugh Prentice, que acabou tomando proporções maiores que deveria: um duelo entre os dois amigos. Três anos depois de ter sido forçado a deixar a Inglaterra, sob a ameaça de morte pelo pai de Hug, Lorde Ramsgate, Daniel volta para casa no dia do concerto anual das Smythes-Smith e conhece Anne, uma linda jovem que substituiu sua prima Sarah na apresentação.

Anne é a governanta das irmãs mais novas de Sarah e sabe muito bem que um envolvimento com um conde seria uma grande tolice. Mas… ela sente-se cada vez mais atraída por ele. A governanta esconde o segredo de sua verdadeira identidade, pois foge de uma pessoa que a fez muito mal no passado e a persegue, com o intuito de acertar as contas.

Julia Quinn não parece ter um compromisso em evidenciar os aspectos sociais da época sobre a qual escreve, e isso é muito bom. Existem muitos romances clássicos e históricos dos quais podemos tirar inúmeras lições e aprender sobre a época, com relatos de quem a viveu (no caso dos clássicos). Nesta história, um conde decide se casar com a governanta porque está apaixonado por ela e… ponto final. Ninguém se opõe, a família inclusive gosta da moça e logo a acolhe como membro. Certamente um conde podia fazer o que bem entendesse com o seu destino, mas as coisas não seriam fáceis para uma noiva fora daquilo que era esperado para ele. Gostei do foco ser mais o romance e os conflitos do passado dos dois personagens que a questão da mobilidade social alcançada por meio do casamento. Estava sentindo falta de livros que alegrassem o meu dia (ou noite), com uma história bem contada e com conflitos na medida certa.

 

Ps.: Não poderia finalizar essa resenha sem falar sobre a escritora Harriet e a adoradora de unicórnios, Frances. Após ler esse livro, sempre que vejo um unicórnio lembro-me da personagem. E quando estou escrevendo ou lendo uma história muito maluca, tipo Henrique VIII e o unicórnio do mal, Harriet logo me vem à cabeça. O romance entre Daniel e Anne é lindo, mas as pequenas Smythe-Smith são um charme a parte nesta história. O próximo romance, A Soma de Todos Os Beijos, é sobre a irmã de Harriet e Francis, Sarah. E também sobre Lorde Hugh Prentice. Até lá!

 

 

Veja abaixo as minhas citações favoritas do livro Uma Noite Como Esta:

“-Acho… – disse ele em um tom perplexo. – Acho que preciso beijá-la.

Ela recuou de forma abrupta, não parecendo exatamente assustada, mas sim confusa. Ou talvez preocupada.

Mulher esperta. Sem dúvida ele parecia um louco.

– Um beijo rápido – assegurou Daniel. – Só preciso lembrar a mim mesmo…

Ela permaneceu em silêncio, então, como se não pudesse se conter, perguntou:

– O quê?

Ele sorriu. Gostou da voz dela. Era reconfortante e agradável, como um bom conhaque. Ou um dia de verão.

– O que é bom – respondeu. (p. 26 e 27)

 

“-Milorde…

– Daniel – corrigiu ele.

Ela arregalou os olhos, chocada.

– O quê?

– Meu nome é Daniel.

– Eu sei. Mas não vou chamá-lo assim.

– Bem, é uma pena. Mas valeu a pena tentar. Vamos, então… – Ele estendeu o braço, e ela ficou impassível. – Vamos indo? – insistiu.

– Não irei com o senhor.

Ele deu um vago sorriso. Mesmo com um dos lados da boca vermelho e inchado, o homem parecia um demônio.

– Isso significa que vai ficar comigo?” (p. 38)

 

“Enquanto as meninas contavam os passos ao longo do Rotten Row, ele e a Srta. Wynter ficaram sentados conversando sobre nada em particular. E durante todo aquele tempo, Daniel não conseguia parar de pensar em como gostaria de pegar a mão dela.

Só isso. Apenas a mão dela.

Ele a levaria aos lábios e inclinaria a cabeça em uma saudação terna. E saberia que aquele beijo simples e cavalheiresco seria o começo de algo fantástico.” (p. 62)

 

 “- Esse beijo – continuou Daniel, a voz ardendo de desejo contido. – Esse beijo… Eu o desejo com um fervor que abala a minha alma. Não tenho ideia de por que o desejo, mas foi o que senti no instante em que a vi ao piano, e isso só aumentou desde então.” (p. 105)

 

“- Pode me beijar apenas uma vez? – sussurrou ela. Porque realmente queria aquilo. Queria um sabor de perfeição, mesmo que soubesse que não poderia desejar mais. – Pode me beijar uma única vez, e nunca mais voltar a fazer isso?” (p. 107)

 

“Mas quando se acomodavam em seus assentos, na sala de refeições cheia da estalagem, Daniel a fitou do outro lado da mesa e não foi a sua beleza que viu. Foi seu coração. Sua alma. E teve a profunda sensação de que sua vida nunca mais seria a mesma.” (p. 150)

 

“Daniel se manteve muito quieto, esperando pela onda de ciúme que não veio. Estava furioso com o homem que se aproveitara da inocência dela, mas não sentiu ciúme. Não precisava ser o primeiro, percebeu. Precisava ser apenas o último.” (p. 214)

 

“- Quer se casar comigo?

– Eu já disse que sim – respondeu Anne com um sorriso curioso.

– Eu sei. Mas quis perguntar de novo.

– Então, aceito de novo.” (p. 262)

 

 

 

Título: Uma Noite Como Esta (Série Quarteto Smythe-Smith, livro 2)
Autora: Julia Quinn
Tradução: Ana Rodrigues
Editora: Arqueiro
Páginas: 272

 

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Livro Simplesmente o Paraíso

Livro Uma Noite Como Esta

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março 17, 2017

[RESENHA] SIMPLESMENTE O PARAÍSO, DE JULIA QUINN

Sinopse: “Honoria Smythe-Smith sabe que, para ser uma violinista ruim, ainda precisa melhorar muito… Mesmo assim, nunca deixaria de se apresentar no concerto anual das Smyhte-Smiths. Ela adora ensaiar com as três primas para manter essa tradição que já dura quase duas décadas entre as jovens solteiras da família. Além disso, de nada adiantaria se lamentar, então Honoria coloca um sorriso no rosto e se exibe no recital mais desafinado da Inglaterra, na esperança de que algum belo cavalheiro na plateia esteja em busca de uma esposa, não de uma musicista.

 

Marcus Holroyd foi encarregado de uma missão… Porém não se sente tão confortável com a tarefa. Ao deixar o país, seu melhor amigo, Daniel, o fez prometer que vigiaria sua irmã Honoria, impedindo que a moça se casasse com pretendentes inadequados. O problema é que ninguém lhe parece bom o bastante para ela. Aos olhos de Marcus, um marido para Honoria precisaria conhecê-la bem (de preferência, desde a infância, como ele), saber do que ela gosta (doces de todo tipo) e o que a aflige (como a tristeza pelo exílio de Daniel, que ele também sente). Será que o homem ideal para Honoria é justamente o que sempre esteve ao seu lado afastando todo e qualquer pretendente?

Com seu estilo inteligente e divertido, Julia Quinn enfim apresenta ao público o Quarteto Smythe-Smith, o terrivelmente famoso e adoravelmente desafinado grupo musical que conquistou os leitores antes mesmo que as cortinas se abrissem para ele.”

 

Veja o Diário de Leitura Quarteto Smythe-Smith aqui.

 

Simplesmente o Paraíso, primeiro livro do Quarteto Smythe-Smith, da escritora norte-americana Julia Quinn, publicado no Brasil pela Editora Arqueiro, foi a minha primeira leitura da autora. Com esse livro pude comprovar os elogios que já havia lido em grupos de leitura no facebook e no blog The Bookworm Scientist, conforme eu já havia mencionado na postagem anterior.

Os livros de Julia Quinn seguem mais ou menos um padrão de páginas, geralmente menos de trezentas (tendo como base os livros publicados no Brasil até o momento). Já nesta primeira leitura pude perceber que as histórias de Quinn são realmente enxutas, sem diálogos muito longos e divagações que, percebe-se com facilidade, na maioria dos casos servem apenas para encher linguiça.

Simplesmente o Paraíso narra a história de Honoria Smythe-Smith, a caçula de sua família e integrante do famoso quarteto, pois ainda está solteira. Também conhecemos Marcus Holroyd, o Conde de Chatteris, grande amigo do irmão de Honoria, Daniel, que por ser muito próximo a família, prometeu ao amigo cuidar da jovem Smythe-Smith para que ela não faça um casamento ruim, que a faça sofrer. A necessidade de proteção por parte de Marcus se deve ao exílio forçado ao qual Daniel teve de se submeter após uma confusão em uma mesa de jogo. Com a ausência do irmão, sobrou para o melhor amigo a tarefa de cuidar de Honoria. É uma história previsível desde o começo, mas nem por isso torna-se menos encantadora.

Julia Quinn escreveu, com muita delicadeza, sobre o amor entre duas pessoas que se conhecem desde a infância e que em determinado momento da vida descobrem-se apaixonados um pelo outro.  O livro tem algumas passagens divertidas e também bastante românticas. É de terminar a leitura suspirando, gostei muito e li bem rápido. Outro ponto positivo são as cenas sensuais, que são muito bem escritas. Aqui não há aquele sexo ginecológico, que dura três páginas com detalhes quase técnicos do corpo humano. No momento estou lendo o segundo volume do Quarteto e também estou adorando. Tem uma pegada mais sombria, pois o casal protagonista foge, de certa forma, de ações mal pensadas que marcaram seu passado. Mas esse será o assunto da próxima postagem…

 

Veja abaixo as minhas citações favoritas do livro Simplesmente o Paraíso:

“Então, ergueu os olhos para Marcus e sorriu de novo. Por um momento, sentira-se ela mesma outra vez, como a moça que fora apenas alguns anos antes, quando o mundo se estendia à sua frente, uma esfera cintilante repleta de promessas. Nem se dera conta de que sentia falta daquela sensação de pertencimento, de estar no lugar certo, com alguém que a conhecia plenamente e, ainda assim, achava que valia a pena rir com ela.” (p. 25)

 

“- Não sei se o conde já está procurando uma esposa – arriscou Honoria.

– Bobagem. Todo homem solteiro está procurando uma esposa. Só que nem sempre sabem disso.” (p. 52)

 

“Precisava beijá-la. Tinha que fazer isso. Era tão básico e elementar quanto a sua respiração, seu sangue, sua alma.

E quando a beijou…

A Terra parou de girar.

Os pássaros pararam de cantar.

Tudo no mundo ficou em suspenso, a não ser por ele, ela e o beijo muito leve que os unia.”

(p. 151)

 

“ – Honoria – sussurrou.

Tocou os lábios com os dedos, como se de algum modo pudesse senti-la ali.

E sentiu. Era a coisa mais incrível. Ainda sentia o beijo dela. Sua boca ainda pulsava com o toque dos lábios dela.

Honoria ainda estava com ele.

E Marcus tinha a estranha sensação de que sempre estaria.” (p. 152)

 

“Sentia-se leve. Sem fôlego. Faminta. Carente. Desejava algo que não conseguia definir e com tanta intensidade que deveria ficar assustada.

Mas não estava. Não com a mão de Marcus em suas costas. Nos braços dele, Honoria se sentia segura, mesmo quando o corpo dela se agitava em frenesi. O calor da pele de Marcus emanava até a pele dela através das roupas como um combustível, uma mistura inebriante que a fazia ter vontade de se erguer na ponta dos pés e alçar voo.” (p. 207)

 

“ – Eu estava pensando que este momento é simplesmente o paraíso.

Ele ficou em silêncio por um instante, depois sussurrou, tão baixo que Honoria não teve certeza se ouvira direito:

– O paraíso não poderia se comparar a este momento.” (p. 246)

 

 

Título: Simplesmente o Paraíso (Série Quarteto Smythe-Smith, livro 1)
Autora: Julia Quinn
Tradução: Ana Rodrigues
Editora: Arqueiro
Páginas: 272

 

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