abril 24, 2017

[ETC.] CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO DE CONTOS: ANDROSS EDITORA

 

Se você tem um conto bacana, mas está escondendo-o no fundo da gaveta, com medo ou sem saber como publicar, a Andross Editora ainda está com edital aberto para publicação em suas antologias até o dia 30/04/2017  31/05/2017 (prorrogado)! No site da editora você encontra maiores informações e os temas das antologias. Os autores selecionados concorrerão a um prêmio literário, o Strix! Na imagem abaixo vocês podem conferir as capas dos livros, que serão publicados no segundo semestre deste ano, e logo abaixo transcrevi do site da editora uma espécie de passo a passo da publicação, para os escritores que nunca publicaram com a Andross ou qualquer outra casa editorial, saberem como funciona o processo desde a seleção do conto até a confecção do livro.

 

 

Como Publicar

Abaixo você encontrará todas as etapas pelas quais seu texto passará até que seja publicado. 

  • Na página principal do site, você escolhe pelo tema e pela capa a coletânea da qual gostaria de participar.
  • Clique no botão “+ detalhes” para ler a sinopse e o regulamento.
  • Então você preenche os dados solicitados e anexa o seu texto em formato “.doc”.
  • Ele será enviado imediatamente para o organizador avaliar se a temática da obra se adequa à coletânea, se a estrutura da trama está bem desenvolvida, se possui personagens convincentes…
  • O organizador entra em contato com você por e­mail e, se precisar, sugere melhorias.
  • Você e o organizador trocam e­mails ajustando o texto até que ambos estejam satisfeitos com o resultado.
  • Nesse momento, a editora redige um contrato de edição e você o assina.
  • O texto, então, é remetido para o preparador de originais, que propõe melhorias como clareza, paragrafação mais limpa, eliminação de palavras repetidas em um período curto…
  • Você e o preparador de originais trocam e­mails ajustando o texto até que ambos estejam satisfeitos com o resultado.
  • O texto vai para a diagramação, que é o formato digital do livro.
  • A diagramação em pdf vai para todos os autores do livro, que leem seu próprio texto e, muitas vezes, do colega também e avisa a editora sobre possíveis erros que passaram pelos processos anteriores. O diagramador corrige os apontamentos e envia novamente o arquivo em pdf até que não haja mais erros.
  • Por último, o arquivo passa por um revisor antes de ir para a gráfica.

Esse processo minucioso que envolve vários profissionais e os próprios autores garante um resultado primoroso, sem erros. Confira o DEPOIMENTO de vários autores que já publicaram conosco.

 

Sobre a Andross Editora:

Em agosto de 2004, a Andross Editora nasceu no campus da Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo, para abrir espaço no mercado editorial aos alunos que não tinham condições de publicar seus primeiros textos. Iniciou as atividades com obras acadêmicas, mas cresceu e se mantém no mercado graças a um modelo de negócio diferenciado: a publicação de antologias.

 

Eu enviei dois contos, uma para a antologia Sem mais, o amor e outro para a Miríade. Estou na torcida!

 

[ATUALIZAÇÃO 02/05/2017] O prazo para o envio dos contos foi prorrogado até 31/05/2017. Saiba mais aqui.

agosto 04, 2016

[RESENHA] BLISS, CONTO DE KATHERINE MANSFIELD

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Que é que podemos fazer se temos trina anos e, ao dobrar a esquina de nossa própria rua, somos invadidos subitamente por uma sensação de felicidade – absoluta felicidade! – como se tivéssemos de repente engolido um rútilo pedaço deste sol da tardinha e ele estivesse a arder em nosso peito, a despedir um chuveiro de minúsculas faíscas em todas as partículas do nosso ser, até nos dedos das mãos e dos pés?…” (p. 1)

 

Bliss, assim como saudade, é uma palavra sem tradução exata para outras línguas. Érico Veríssimo, dentre outros tradutores, escolheu felicidade como correspondente de bliss para o português, mas a palavra também pode significar êxtase ou euforia.

O conto de Katherine Mansfield, escrito em 1918, tornou a escritora neozelandesa conhecida em diversos países e, supostamente, teria enciumado ninguém menos que Virginia Woolf devido ao grande talento da contista, em especial em relação a história contada em Bliss.

Neste conto acompanhamos, ora em terceira pessoa, ora em primeira, Berta Young e seu momento de extrema felicidade. A mulher de trinta anos, apesar da idade, ainda sentia lampejos de êxtase, tal qual uma jovem, como indica o seu sobrenome (Young, em português, quer dizer jovem).

 

Apesar dos trinta anos Berta Young tinha ainda momentos como aquele em que desejava correr em vez de caminhar, dar passos de dança de um lado a outro da calçada, fazer rodar um arco, jogar alguma coisa para o ar e apanhá-la de novo, ou então ficar parada e rindo de… nada… nada, simplesmente rindo.” (p. 1)

 

Berta tinha tudo aquilo que faria qualquer mulher de seu sua camada social feliz: uma boa casa, marido, uma filha e, também, amigos elegantes. Contudo, algumas situações podem tirá-la de seu êxtase e transportá-la para uma realidade não tão feliz assim. Sua filha, por exemplo, ficava quase exclusivamente sob os cuidados da babá, a nurse, que fazia questão de restringir o contato entre mãe e filha. Entretanto, permite que a bebê puxe a orelha de um cachorro em um parque.

 

Berta quis perguntar se não era um pouco perigoso deixar a menina pegar as orelhas de cachorros desconhecidos. Mas não teve coragem. Ficou a olhar para ambas, com os braços caídos ao longo do corpo, como a menina pobre diante da menina rica que tem uma boneca.”  

(p. 3)

 

Katherine Mansfield escreve sobre aquela felicidade quase tangível, que inebria, mas passa. A vida é feita de momentos como esses, bliss, tornando-nos, muitas vezes, tal qual Berta Young. A autora,  em geral,  foge da linearidade que leva quase sempre a um “final feliz” em suas histórias, tornando a leitura de seus contos sempre uma surpresa e um deleite para nós, leitores.   

Bliss (Felicidade) pode ser encontrado em diversas edições de livros de Katherine Mansfield e também em alguns sites pela internet. Na publicação feita pela editora Nova Fronteira, com tradução de Érico Veríssimo, estão presentes também os contos O dia de Mr. Reginald Peacock, A evasão, Nuvem de primavera, Psicologia, “Je ne parle pas français”, “Feuille D’Album”, A jovem governanta, O seu primeiro baile, A lição de canto, O vento sopra, Sol e lua, Revelações e Prelúdio.

 

 

REFERÊNCIAS:

http://www.educacaopublica.rj.gov.br/cultura/livros/0054.html

http://www.criticaecompanhia.com.br/adriana.htm

 

Resenha em colaboração com o blog Escritoras Inglesas.

janeiro 24, 2016

[RESENHA] CINCO CONTOS, DE KATHERINE MANSFIELD

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Sinopse: “Nascida em Nova Zelândia, a escritora Katherine Mansfield (1888-1923) foi uma mestra na difícil arte do conto. As narrativas reunidas neste volume são exemplo desta sua capacidade de retratar. em precisas pinceladas. personagens marcantes e concentrar o sentido de uma vida em poucas páginas. Seu talento de miniaturas permite-lhe captar e registrar com nitidez inesquecível o detalhe revelador dos momentos mais triviais da vida.”

 

 

Cinco Contos, da autora Katherine Mansfield, faz parte da Coleção Leitura, geralmente encontrada em sebos, publicada pela Editora Paz e Terra, em 1996. Integram o livro os contos Senhorita Brill, Tomada de hábito, A vida de Mãe Parker, A fuga e Je ne parle pas français.

 

Senhorita Brill já me deu uma ideia sobre o que viria depois; gostei muito e reli, antes mesmo de ler os outros. Ele conta a história de uma senhora que passa os seus domingos em uma praça, e através dela, de sua solidão, um mundo de sentimentos nos invade, como se em algum momento da vida todos fossemos um pouco como a velha senhorita Brill: um pouco atores, um pouco expectadores, nesta vida ao mesmo tempo rotineira e cheia de incertezas.

“Ah, como era fascinante! Como ela gostava daquilo! Como amava sentar ali e assistir a tudo! Era como uma peça de teatro! Era exatamente como uma peça de teatro. Quem não acreditaria que o céu, ao fundo, não era pintado?”

 

Imagine se descobrir apaixonada por um ator, assim, de repente, estando comprometida com outra pessoa! Assim é a história de Tomada de hábito, que narra a trajetória da jovem Edna, que se vê confusa entre dois cavalheiros. A partir daí só haveria um destino para a moça: ir para um convento.  

“Algo horrível tinha acontecido. Inesperadamente, no teatro, a noite passada, quando ela e Jimmy estavam sentados um ao lado do outro no balcão nobre, sem nenhum aviso prévio – na verdade, Edna tinha acabado de comer uma amêndoa coberta com chocolate e devolvera a caixa para Jimmy – ela se apaixonou por um ator. Realmente se apaixonou.”

 

A vida de Mãe Parker é um conto marcante! Retrata uma mulher de vida difícil, dura… Tão dura e tão atarefada que não havia sequer tempo ou lugar adequados para chorar os seus infortúnios! A história começa com a notícia do falecimento do neto de Mãe Parker e a partir daí conhecemos sua trajetória. 

“Não haveria um lugar onde ela pudesse se esconder e ficar consigo mesma o tempo que quisesse, sem perturbar ninguém, e sem que ninguém a importunasse? Não haveria algum lugar no mundo onde ela pudesse chorar abertamente – por fim?”

 

No conto A fuga, um casal perde o trem e tem de fazer parte da viagem em uma carruagem, para a fúria da esposa. A partir daí somos transportados para os conflitos da viagem do casal, “um retrato divertido da vida doméstica inglesa”. 

Oh, por que é que eu tenho que suportar essas coisas? Por que tinha que estar sujeita a elas? () A claridade, as moscas, enquanto ele e o chefe da estação juntavam suas cabeças sobre a tabela dos horários, tentando encontrar aquele outro trem, o qual certamente eles não conseguiriam pegar. 

 

Por fim, tendo como cenário uma pequena cafeteria, em Je ne parle pas français (eu não falo francês), um escritor narra a sua história ao ler a frase título do conto em um pedaço de papel, que o faz relembrar fatos importantes de seu passado.

“Mas, então, mais que de repente, no fim da página, escrito em tinta verde, me deparei com aquela estúpida frasezinha: Je ne parle pas français. (…) Deus do céu! Serei capaz de vivenciar sentimentos tão fortes quanto esse? Mas eu estava absolutamente inconsciente! Não possuía uma frase sequer para defini-lo! Estava arrebatado, abismado. Nem mesmo tentei, sequer da maneira mais obscura, tentar entendê-lo.”.

 

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Resenha em colaboração com o blog Escritoras Inglesas.

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