agosto 22, 2019

[DIÁRIO] SERTÃO, SELVA E LETRA: EUCLIDES DA CUNHA EM ATRAVESSAMENTOS, DE ANABELLE LOIVOS CONSIDERA

Sinopse: Após “Euclides da Cunha – da face de um tapuia”, biografia atualizada e acessível aos principiantes na leitura desse autor, Anabelle Loivos Considera surpreende com esta obra, conjunto de ensaios que ultrapassa os limites do discurso euclidiano.

Com profundo conhecimento do assunto, rigorosa e rica pesquisa bibliográfica e análise do interdiscurso dos textos de e sobre Euclides, o estilo de Anabelle Considera – misto de paixão pelo tema, poesia e certa dose de ironia – introduz o leitor em uma reflexão sobre a tese de Gumplowickz presente em “Os sertões”; passa pela cultura popular brasileira e a carnavalização nessa obra; envereda pela selva e na prática de uma “ecoleitura” da Amazônia euclidiana, relatando um projeto efetuado com alunos do ensino fundamental e médio, sobre a dicção ecopolítica do autor, de cujos textos brotou uma “ecopedagogia”.

Essa incursão se prolonga em “intertextos errantes” de um Euclides presente e plural; passeia pela rua do Ouvidor, em cujos cafés sempre fervilhou a resistência dos intelectuais cariocas, retomando a interessante história desse logradouro; resgata as memórias de Sinzig, franciscano alemão enviado a Canudos logo após chegar ao Brasil; desemboca na paideia euclidiana e nas releituras do sebastianismo em “Os sertões”.

Para os que se lançam ao estudo da produção literária de Euclides da Cunha, escritor tão complexo e contestador, uma leitura indispensável.”

 

Euclides da Cunha foi o autor homenageado da Flip deste ano e a Eduff, na ocasião, lançou o livro Sertão, Selva e Letra: Euclides da Cunha em Atravessamentos, de Anabelle Loivos Considera, após a mesa de debates sobre a vida e a obra do homenageado, na Casa da Literatura da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa. Eu não estive presente no evento, infelizmente, mas a Eduff (parceira linda como é) me enviou um exemplar do livro e eu preciso dizer: QUE LIVRO!

Para início de conversa, preciso admitir que Os Sertões é um desafio que eu ainda não consegui encarar. Estudei o autor e a obra, mas não desbravei ainda, como leitora, a narrativa de Euclides da Cunha sobre a rebelião de Canudos. Algumas pessoas têm certa resistência em ler livros que podem dar alguns detalhes sobre o enredo de outro livro, mas acredito que em certos casos o conceito de spoiler é irrelevante. Certas obras, sobretudo os clássicos da literatura, são mais fáceis de serem compreendidos quando bucamos textos de apoio (e também vídeos, dá uma uma olhada abaixo!).

Sertão, Selva e Letra tem sido uma leitura com menos spoilers do que inicialmente pensei e que proporciona muito mais possibilidades de interpretação do texto de Euclides da Cunha. São oito artigos que podem ser lidos da forma que o leitor achar melhor, na ordem ou alternadamente, com prefácio de Leopoldo Bernucci, da Universidade da Califórnia – Davis (ver Literatura Fundamental, vídeo abaixo) e uma espécie de posfácio da autora, intitulado Sofro de euclidianamentos…, que nos mostra brevemente o amor e a dedicação de Anabelle por Euclides da Cunha e sua obra, desde bem cedo, uma vez que a autora é, como Euclides, da cidade de Cantagalo-RJ e viveu rodeada por imagens e referências a ele.

Um capítulo particularmente importante deste livro para mim é Ecoleitura da Amazônia euclidiana: praticando “letras verdes” na sala de aula. É uma forma de ler (e ensinar) Euclides da Cunha chamando a atenção para a ecologia, os ecossistemas e a preservação do meio ambiente, dentre outros aspectos, alguns bastante pioneiros tendo em vista a época de sua primeira publicação. É um assunto sempre importante e muito atual, especialmente no contexto político atual.

Sertão, Selva e Letra é leitura para degustar, aprender e muito refletir. Uma obra indispensável tanto para quem já leu Os Sertões, quando para aqueles que ainda irão desbravar a obra desse importante escritor brasileiro.

 

 

Sobre a autora – Anabelle Loivos Considera nasceu em Cantagalo, também cidade natal de Euclides. Licenciada em Letras pela Faculdade de Filosofia Santa Doroteia, em 1994, concluiu o mestrado em Letras – Literatura Portuguesa, na UFF – Universidade Federal Fluminense, em 1999, e o doutorado também em Letras – Literatura Comparada, na mesma universidade, em 2005. É docente no ensino superior desde 2000; lecionou na Faculdade de Filosofia Santa Doroteia da Universidade Estácio de Sá e na Universidade Salgado de Oliveira, onde também ocupou o cargo de coordenadora do curso de Letras. Desde janeiro de 2007 é professora associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Faculdade de Educação.

 

 

Sertão, selva e letra: Euclides da Cunha em atravessamentos
Autora: Anabelle Loivos Considera
Páginas: 296
Formato: 16 x 23 cm
ISBN: 978-85-228-1340-7
Editora: Eduff

Compre no site da Eduff, clicando aqui.

 

 

Para enriquecer ainda mais a leitura:

‘Os Sertões’ em 1 minuto:

 

Literatura Fundamental 20 – Os Sertões – Leopoldo Bernucci:

 

Documentário Os Sertões:

julho 10, 2019

[RESENHA] SOBRE A IMORTALIDADE DE RUI DE LEÃO, DE MACHADO DE ASSIS

Sinopse: “Quem quer viver para sempre?

Publicados pela primeira vez em 1872 e 1882, respectivamente, Rui de Leão e O imortal contam duas versões diferentes da mesma história de um homem que, após beber misteriosa poção que recebeu das mãos do sogro enfermo, descobre que não pode mais morrer. Nada poderia tê-lo preparado para isso, mas Rui de Leão não vê outra opção além de seguir em frente — e permitir que o leitor siga com ele.

A primeira publicação da Plutão Livros traz dois contos precursores da ficção científica brasileira, escritos por ninguém menos do que Machado de Assis, com prefácio de Roberto de Sousa Causo e ilustrações de Paula Cruz.”

 

Que Machado de Assis é um dos maiores escritores brasileiros (senão o maior!), todo mundo já sabe. Mas entre tantos escritos, romances, contos, crônicas, algum leitor de clássicos diria que Machado de Assis é também uma opção de leitura de ficção… científica?

Foi essa a novidade, pelo menos para os leitores não habituais de ficção científica (como eu) que a Editora Plutão trouxe no ano passado ao lançar o e-book Sobre a Imortalidade de Rui de Leão, incluindo os contos Rui de Leão e O Imortal, duas versões de uma mesma história: a de um homem que, ao beber de um elixir mágico, adquire a imortalidade.

 

“Os dois textos de Machado de Assis reunidos aqui fazem parte, evidentemente, do Período Pioneiro da FC Brasileira. Rui de Leão foi publicado originalmente em 1872 no Jornal das Famílias, e O Imortal dez anos depois, em partes, na revista A Estação.” (Prefácio de Roberto de Sousa Causo para esta edição).

 

Sobre a Imortalidade de Rui de Leão tem prefácio de Roberto de Sousa Causo, que dá um panorama bem preciso e enxuto sobre a historiografia da Ficção Científica no Brasil e sobre o nome de Machado de Assis figurar entre os nomes do Período Pioneiro deste gênero em nosso país. É muito interessante e importante conhecer os escritos, autores e temáticas que não entraram para o nosso cânone literário e perceber que a nossa literatura é ainda mais rica do que aprendemos nos bancos escolares.

Machado produziu muito e com muita qualidade. Mesmo que haja certa dificuldade para algumas pessoas em enxergá-lo como autor também de ficção científica, a ideia de ter um autor clássico vinculado a uma temática tão atraente e amplamente difundida nos nossos dias é, quem sabe, uma possibilidade a mais para apresentar esse grande autor aos jovens de hoje (ou promover uma reconciliação com os jovens do passado). Sem tanto rigor ou sem forçar a leitura imatura de certas obras do Bruxo de Cosme Velho, certamente hoje teríamos bem menos leitores, ex-alunos, sobretudo, traumatizados só de ouvir falar o nome Machado de Assis.

 

“Imagine quem puder o suplício deste homem condenado a ser imortal, a ver os mesmos dias, as mesmas comédias — este Tântalo da morte, ambicionando aquilo que os outros receiam —, pedindo ao céu como a suprema felicidade uma cova para dormir.”

 

Rui de Leão e O Imortal são ótimas leituras, apesar de eu ter me divertido mais lendo o primeiro conto. Mas não quero dar muitos detalhes, além dos que já foram expostos aqui, sobre essas histórias. Leia e descubra, encante-se (mais uma vez, se for o caso) por esse escritor tão Imortal que nunca deixará de nos surpreender.

 

 

Confira a playlist desse livro no Spotify:

 

 

 

Título: Sobre a imortalidade de Rui de Leão

Autor: Machado de Assis

Prefácio: Roberto de Sousa Causo

Ilustrações: Paula Cruz

Editora: Plutão Livros

Páginas: 76

Compre na Amazon (e-book): Sobre a imortalidade de Rui de Leão.

maio 24, 2019

[DIÁRIO] OS MELHORES CONTOS DE FADAS NÓRDICOS: EDIÇÃO DE COLECIONADOR DA EDITORA WISH

Sinopse: Contos de fadas antigos e raros que vieram diretamente dos países Nórdicos

Cultura, tradições e criaturas traduzidas dos livros antigos, em uma edição linda com 320 páginas e histórias ilustradas!

Entre dezenas de livros encantadores do passado, datando dos séculos XVII e XVIII, foram selecionados os melhores contos de fadas Nórdicos, que descobrem a cultura da Dinamarca, Suécia, Noruega, Islândia e Finlândia. Com mais de dez autores diferentes como Peter Asbjørnsen, Jørgen Moe, Klara Stroebe, Hans Christian Andersen, Parker Fillmore, Svend Grundtvig, Mrs. Angus W. Hall, Marie Timme, G. Djurklou, Helena Nyblom, Anna Wahlenberg e Helge Kjellin.”

 

Outro dia mesmo eu postei aqui várias fotos do livro Contos de Fadas em suas versões originais, da Editora Wish. Como eu disse antes, essas histórias parecem já ter nascido junto com a gente, dentro da nossa cabeça, muito disso por estarmos expostos a essas narrativas e às variações delas desde a infância. Com os contos de fadas nórdicos a coisa já muda um pouco de figura, pelo menos no meu caso. Não conheço muita coisa além do que já li pelo Neil Gaiman, com seu livro Mitologia Nórdica. Mas conto de fada é conto de fada, para quem gosta é sempre uma viagem interessante ao passado, onde a literatura já tinha força antes mesmo da palavra impressa no papel, por meio da tradição oral. É muito bom poder conhecer outra cultura por meio de suas antigas histórias em uma edição tão caprichada como esta da Wish! Veja o livro em detalhes nas fotos abaixo:

 

 

 

 

 

 

 

Veja abaixo a lista de contos dessa edição:

Populares

A Leste do Sol e Oeste da Lua
Per Gynt (originou música homônima)
Por que o mar é salgado
A noiva da Floresta
Kari Capa Dura (versão nórdica de Cinderella)
A Criança Trocada
O Rei Dragão
O Castelo de Soria Moria
A giganta e o barco de granito
O gato em Dovrefjell
Poderoso Mikko
Rei Valemon, o Urso Branco

Raros

A flor da Islândia
Lindaura e o velho Rei
Lasse, meu vassalo! (Semelhante a Aladdin)
O anel
A noiva galhuda
O homem de neve
Heiemo e o Nokk
A saga do alce e da Princesa Tuvstarr
Perconauta e os Trolls
O monte élfico
O vizinho subterrâneo
Tempestade mágica
A última morada dos gigantes

 

 

 

 

 

Contos de Fadas em Versões Originais e Contos de Fadas Nórdicos, ambos da editora Wish.

 

Lombadas!

 

 

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