fevereiro 14, 2019

[ETC.] COMPANHIA DAS LETRAS LANÇA NOVA EDIÇÃO DE GRANDE SERTÃO: VEREDAS, DE JOÃO GUIMARÃES ROSA

Sinopse: “Publicado originalmente em 1956, Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa, revolucionou o cânone brasileiro e segue despertando o interesse de renovadas gerações de leitores. Ao atribuir ao sertão mineiro sua dimensão universal, a obra é um mergulho profundo na alma humana, capaz de retratar o amor, o sofrimento, a força, a violência e a alegria.
Esta nova edição conta com novo estabelecimento de texto, cronologia ilustrada, indicações de leituras e célebres textos publicados sobre o romance, incluindo um breve recorte da correspondência entre Clarice Lispector e Fernando Sabino e escritos de Roberto Schwarz, Walnice Nogueira Galvão, Benedito Nunes, Davi Arrigucci Jr. e Silviano Santiago. Dispostos cronologicamente, os ensaios procuram dar a ver, ao menos em parte, como se constituiu essa trama de leituras.
A capa do volume é reprodução da adaptação em bordado do avesso do Manto da apresentação, do artista Arthur Bispo do Rosário, com nomes dos personagens de Grande sertão: veredas. O projeto gráfico conta ainda com desenhos originais de Poty Lazzarotto, que ilustrou as primeiras edições do livro.”

 

Já está em pré-venda a edição super caprichada, publicada pela Companhia das Letras, do livro Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa. O lançamento será no dia 25 de fevereiro de 2019 e a editora ainda promete uma edição ainda mais especial, limitada a 63 exemplares, com acabamento de luxo em capa dura. Veja mais detalhes abaixo:

 

Edição de luxo (bordada)

Esta edição terá um acabamento especial em capa dura com baixo relevo e costura aparente, e a guarda será feita de papel artesanal da Moinho Brasil, feito de cana-de-açúcar, com impressão em silk screen. O bordado inspirado no avesso do Manto da apresentação, do artista Arthur Bispo do Rosário, com os nomes dos personagens do romance vestirá o livro feito uma sobrecapa. E uma faixa vermelha que terá um fechamento com botão feito artesanalmente pela Quiari Marcenaria envolverá o exemplar. O livro será entregue em uma caixa feita de buriti por uma rede de artesãs do sertão. Serão apenas 63 exemplares, em comemoração aos 63 de publicação da primeira edição da obra. Eles serão numerados, tanto no bordado quanto no livro.
O valor informado para Grande Sertão: Veredas “edição de luxo” é de R$ 1.190,00. A edição comum sai por R$ 84,90 na pré-venda.
Veja todas as informações no site do livro na Companhia das Letras.

 

 

fevereiro 05, 2019

[RESENHA] UM DIA PERFEITO PARA CASAR, DE JULIA STRACHEY

Sinopse: “Uma casa de campo, um vestido de noiva, uma garrafa de rum e um possível erro Era o dia do casamento de Dolly com o honorável Owen Bigham, diplomata e pretendente bastante adequado para a jovem britânica de classe média. O céu estava limpo, ainda que ventasse muito no local. O jardim florescia e os convidados chegavam aos poucos. As circunstâncias eram as ideais para a realização da cerimônia. O único porém era o fato de a noiva estar em dúvida quanto a com quem gostaria de se casar. Em Um dia perfeito para casar, um clássico da literatura inglesa, Julia Strachey presenteia o leitor com um senso de humor refinado e uma narrativa crítica e perspicaz sobre a sociedade britânica do final dos anos 1920.”

 

Eu ainda não conhecia a escritora inglesa (nascida na Índia) Julia Strachey (1901-1979) até ver o seu livro Um dia perfeito para casar (Record, 2013) na livraria Leitura de Campos dos Goytacazes, na minha viagem de volta para casa nestas últimas férias. A combinação capa e título me seduziram imediatamente e só na fila para pagamento desse e de outros livros título vi que estava levando para casa um livro publicado originalmente pela Hogarth Press. Isso mesmo, a editora de Leon e Virginia Woolf.

“Julia Strachey nasceu na Índia em 1901, filha de um funcionário civil do governo britânico. Depois do divórcio dos pais, foi morar com parentes na Inglaterra. Além de trabalhar como modelo para o revolucionário estilista Poiret, foi fotógrafa e revisora. Julia foi casada com o ecultor Stephen Tomlin. Embora não tenha participado oficialmente do círculo Bloomsbury, Strachey era bastante próxima de vários artistas e intelectuais do grupo. ‘Um dia perfeito para casar’ foi publicado inicialmente em 1932 pela Hogarth Press, editora de Leon e Virginia Woolf, que descreveu o livro como ‘surpreendentemente bom — completo, sagaz e original’. Julia Strachey faleceu em 1979.” (contracapa)

 

Não vou negar que essa informação me fez criar uma expectativa enorme em relação a essa leitura. Somada à publicação por ninguém menos que Virginia Woolf — que eu adoro — vi que muitas pessoas associam o enredo de Um dia perfeito para casar ao estilo de Downton Abbey. Mal podendo conter a minha euforia, parti para a leitura pouco tempo depois de chegar em casa. Qual não foi a minha surpresa em perceber que o livro é bom, mas não tão bom quanto eu esperava.

Um dia perfeito para casar é uma leitura perfeita desde que você só queira passar um tempo agradável (tolerável, Mr. Darcy diria) com um livro. É uma história curta, leitura fácil e tem seus momentos fortes e divertidos, mas é um livro que você fecha do mesmo jeito que abriu. Não chega a ser bom o suficiente a ponto de você querer ler novamente ou indicar com toda a chatice do seu ser para os amigos. Eu indico, mas não é uma indicação urgente. Aqui vemos um dia na vida da família Thatcham, na ocasião do casamento de sua filha mais velha, Dolly, com um ótimo partido e em um dia perfeito, com o clima mais agradável quanto é possível na Inglaterra (pelo menos é o que a mãe de Dolly pensa). O problema é que Dolly não está muito certa se é isso mesmo o que ela quer, mesmo estando a poucos minutos do altar. Ela nutre sentimentos confusos em relação ao primo, Joseph, que passa os últimos minutos antes da cerimônia refletindo se seria correto impedir o casamento e fugir com a prima ou não.

 

“— Isso é espantoso, espantoso demais! — exclamou ela, por fim. — Nunca poderia imaginar uma coisa dessas! Uma noiva bebendo rum em seu quarto! Da garrafa! Pouco antes de entrar na igreja para se casar!” (p. 68)

“‘Supondo, apenas supondo’, prosseguiu Dolly, ‘que Joseph virasse para mim agora, cinco minutos antes do casamento, e confessasse finalmente que sempre me amou, me implorasse para fugir com ele pela porta dos fundos, pelos campos, enquanto todos aqui esperavam por mim sentados na igreja, o que eu deveria fazer, afinal?” (p. 78 e 79)

 

“No turbilhão de pensamentos que o haviam assolado, um tanto inesperadamente, na última meia hora, sentimentos esses contra os quais ele era totalmente impotente para lutar, ou mesmo para encontrar-lhes o fio da meada, vinha-lhe agora uma ideia, por fim, que passou a martelar-lhe a mente aterrorizada.

‘Impeça o casamento! Impeça o casamento! Impeça o casamento! Impeça o casamento!…’ era só o que conseguia pensar.” (p. 83)

 

Um dos pontos fortes dessa edição é conhecer um pouco sobre a autora pelo prefácio escrito por uma grande amiga dela, Frances Partridge. A vida de Julia Strachey foi bem intensa, com muitos autos e baixos. Seria ótimo ter acesso à biografia dela em português.

 

 

 

Título: Um dia perfeito para casar

Autora: Julia Strachey

Tradução: Maria Alice Máximo e Heloísa Matias

Editora: Record

Páginas: 144

Compre na Amazon: Um dia perfeito para casar.

maio 07, 2018

[RESENHA] MARY POPPINS, DE P. L. TRAVERS

Sinopse: “Carregando uma maleta e um guarda-chuva, Mary Poppins entra em cena voando. Literalmente. Gravada no imaginário das crianças de várias gerações, essa chegada fabulosa da peculiar babá da família Banks abre as portas para muitas outras surpresas e aventuras, como a história da Vaca Dançante, o aniversário no zoológico, um chá da tarde nos ares, delicados remendos no céu noturno… Mary Poppins é durona e misteriosa – e absolutamente irresistível. Publicado em 1934, o livro foi um sucesso imediato e desde então fascina leitores de todas as idades – sobretudo após a adaptação de Walt Disney para o cinema. Essa edição inclui todas as ilustrações originais de Mary Shepard e conta com tradução, apresentação e notas do escritor Joca Reiners Terron, além de cronologia de vida e obra de P.L. Travers. Como extra, traz ainda uma palestra da autora sobre (não) escrever para crianças.”

 

Curiosamente (ou não) resolvi finalmente ler Mary Poppins, de P. L. Travers, justamente no dia em que coloquei meu exemplar raro da editora Cosac Naify nos Correios, pois o vendi na minha loja de usados na Amazon. Por sorte, ou por algum vento do leste, o e-book da edição comentada da editora Zahar estava em promoção no mesmo dia na Amazon.

 

 

Como muitas pessoas, eu conhecia apenas a versão Disney da história e sou apaixonada por ela. Vendo um ou outro comentário pela internet, soube que o livro era bastante diferente do modelo açucarado vendido por Walt Disney e, confesso, isso foi atrasando a minha leitura. Tive medo de perder o encanto que tinha pela babá, de não conseguir mais ter uma visão bonita e pueril da história, embora geralmente aconteça de os livros serem melhores que os filmes. Eu não poderia estar mais enganada em relação ao texto de P. L. Travers.

Mary Poppins, o livro, é realmente bastante diferente de Mary Poppins, o filme da Disney. E é só isso: diferente. Nem melhor, nem pior. Os dois são igualmente bons.

Ao contrário do filme, o livro não é uma história totalmente linear. Temos Mary Poppins chegando à residência dos Banks para cuidar das crianças (quatro no total, incluindo dois bebês) e aquele jeitão de babá meio rígida, mas cuidadosa e disponível e quando necessário. No entanto, os doze capítulos de Mary Poppins funcionam muito bem quando lidos separadamente, como doze contos fechados, tendo apenas a mesma ambientação. Você vai passar por momentos em que desejará ler todos os contos de uma só vez, mas também vai querer ler aos poucos, com medo do momento em que Mary Poppins precisará partir (e isso nem é spoiler: é de conhecimento geral que a babá não fica eternamente na casa das crianças, pois elas não serão crianças para sempre).

 

Ilustração original de Mary Shepard.

 

De todos os capítulos/contos, os que eu mais reli até agora foram Dias de folga (queria ter um pouquinho do poder de negociação dessa babá!), Gás do riso (quem assistiu ao filme sabe um pouco do que eu estou falando) e A história de John e Barbara. Tudo em Mary Poppins funciona muito bem e desperta algo adormecido lá no fundinho da nossa alma. No meu caso, essas três histórias são responsáveis por eu, ocasionalmente, abrir o livro no meu Kindle.

A edição da Zahar é um primor e não deve em nada a da Cosac Naify em questão de conteúdo. A edição é comentada, com apresentação primorosa do tradutor Joca Reiners Terron e ilustrada originalmente por Mary Shepard. Integra o volume, ainda, um texto de P. L. Travers sobre não escrever para crianças. Dentre outras coisas, ela fala sobre rótulos. Os sentimentos não são categorizados como “indicados para as idades de 5 a 7 anos” ou “de 9 a 12 anos”. Ela não escrevia para crianças, mas as crianças tinham e têm o poder de se apropriarem de qualquer livro que lhe tocarem o coração. Mary Poppins não é mesmo para crianças. É para todas as idades.

 

“Tudo era tão surpreendente que eles não conseguiam encontrar nada para dizer. Mas ambos sabiam que algo maravilhoso acontecera no Número Dezessete da Cherry Tree Lane.”

 

Título: Mary Poppins

Autora: P. L. Travers

Tradução: Joca Reiners Terron (tradução, apresentação e notas) e Rodrigo Lacerda (tradução do anexo)

Editora: Zahar

Páginas: 192

Compre na Amazon: Mary Poppins

 

Assista: Trailer original para o cinema (legendado) de Mary Poppins

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