junho 06, 2019

[RESENHA] A METAMORFOSE, DE FRANZ KAFKA

Sinopse: Um dos maiores clássicos da literatura mundial, agora em nova tradução do alemão e com mais de 90 ilustrações do artista Lourenço Mutarelli.

Quando Gregor Samsa, certa manhã, acordou de sonhos intranquilos, tudo mudou. Não só em sua vida, mas no mundo.

Ao se encontrar metamorfoseado em um inseto monstruoso, Gregor acompanha as reações de sua família ao perceberem o estranho ser em que ele se tornou. E, enquanto luta para se manter vivo e entender a sua nova realidade, reflete sobre o comportamento de seus pais, de sua irmã e de seu chefe, e de forma ainda mais angustiante, pensa na própria vida até então.

Essa pequena novela, lançada em 1915, revolucionou a literatura e as artes. De forma agressiva, acessível e inovadora, tornou-se um dos mais importantes e difundidos textos da história.

Além de tradução inédita feita por Petê Rissatti, essa nova edição traz 93 ilustrações exclusivas, por meio das quais o artista e escritor Lourenço Mutarelli interpreta o processo de transformação de Gregor. Inclui-se, por fim, um ensaio de Flavio Ricardo Vassoler, doutor em literatura comparada, sobre a contemporaneidade de Franz Kafka.”

 

A primeira vez que eu li A Metamorfose foi em 2015 (obrigada pela lembrança, Skoob!) por indicação do meu marido. Quando ele pega um livro na estante, olha nos meus olhos e diz “você PRECISA ler esse livro” geralmente eu leio de imediato, porque sei que vou gostar. E foi exatamente isso que aconteceu com esse livro.

Kafka é um autor que a gente já conhece mesmo antes de ler, por sua forte influência na cultura, coisa natural dos livros clássicos. Mas esse autor, sobretudo esse livro, é uma narrativa que você não pode passar pela vida sem conhecer por si próprio, da fonte original. A Metamorfose é um livro poderoso, que mexe com a cabeça da gente. Não por acaso a Antofágica o escolheu para iniciar os seus trabalhos editoriais.

 

Sobre clássicos e suas influências na cultura, veja/ouça a música Uma Barata chamada Kafka, dos Inimigos do Rei:

 

Veja também, As influências de Kafka na cultura pop, do canal da Antofágica:

 

Imagine um homem que, certo dia, ao despertar de sonhos intranquilos vê-se transformado em algo diferente, algo inexplicável: um inseto monstruoso! A partir daí, as relações dele com o trabalho e a família sofrem profundas mudanças e Gregor Samsa — o metamorfoseado — precisa lidar com elas. Não vou dizer muito mais do que essa premissa da novela porque essa é uma leitura que você faz tranquilamente em um dia, ou dois.

A minha experiência de releitura, agora na edição da Antofágica, foi tão prazerosa quanto a primeira vez. A diferença se dá — além de alguns quilômetros de rodagem na minha bagagem de leitura — no prazer de uma edição muito bem preparada, lindamente ilustrada e traduzida diretamente da língua original, o alemão. Além disso, A Metamorfose tem textos de apoio do tradutor Petê Rissati e do ilustrador, Lourenço Mutarelli; apresentação de Otávio Albuquerque e um ensaio de Flavio Ricardo Vassoler, doutor em literatura comparada.

Cada leitor interpreta A Metamorfose a seu modo, dependendo do momento e de suas experiências. Para mim, tanto antes quanto agora, essa história é como uma fábula sobre rejeição. Sobre o incômodo de ser quem se é, ou se transforma, e não pertencer ou se adequar ao espaço familiar. Kafka, com este livro, incomoda porque ou estamos na pele de Gregor Samsa, ou podemos fatalmente nos reconhecer em um dos membros de sua família. Lourenço Mutarelli diz algo nesse sentido sobre o livro e indica o texto O parasita da família, de Modesto Carone, que analisa a metamorfose em Kafka como algo singular, perturbador em relação a outras narrativas em que existem transformações, pois com Gregor o caso é irreversível.

A Metamorfose, de Franz Kafka, publicado pela Editora Antofógica, é uma das melhores edições dessa novela (perturbadoramente humana) que você encontra atualmente no mercado brasileiro de livros clássicos. Vale a pena acompanhar o trabalho dessa jovem editora que já chegou fazendo muito barulho, com um belíssimo trabalho.

 

 

 

 

 

 

Título: A Metamorfose

Autor: Franz Kafka

Tradução: Petê Rissati

Ilustrações: Lourenço Mutarelli

Editora: Antofágica

Páginas: 232

Compre na Amazon: A Metamorfose

 

fevereiro 14, 2019

[ETC.] COMPANHIA DAS LETRAS LANÇA NOVA EDIÇÃO DE GRANDE SERTÃO: VEREDAS, DE JOÃO GUIMARÃES ROSA

Sinopse: “Publicado originalmente em 1956, Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa, revolucionou o cânone brasileiro e segue despertando o interesse de renovadas gerações de leitores. Ao atribuir ao sertão mineiro sua dimensão universal, a obra é um mergulho profundo na alma humana, capaz de retratar o amor, o sofrimento, a força, a violência e a alegria.
Esta nova edição conta com novo estabelecimento de texto, cronologia ilustrada, indicações de leituras e célebres textos publicados sobre o romance, incluindo um breve recorte da correspondência entre Clarice Lispector e Fernando Sabino e escritos de Roberto Schwarz, Walnice Nogueira Galvão, Benedito Nunes, Davi Arrigucci Jr. e Silviano Santiago. Dispostos cronologicamente, os ensaios procuram dar a ver, ao menos em parte, como se constituiu essa trama de leituras.
A capa do volume é reprodução da adaptação em bordado do avesso do Manto da apresentação, do artista Arthur Bispo do Rosário, com nomes dos personagens de Grande sertão: veredas. O projeto gráfico conta ainda com desenhos originais de Poty Lazzarotto, que ilustrou as primeiras edições do livro.”

 

Já está em pré-venda a edição super caprichada, publicada pela Companhia das Letras, do livro Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa. O lançamento será no dia 25 de fevereiro de 2019 e a editora ainda promete uma edição ainda mais especial, limitada a 63 exemplares, com acabamento de luxo em capa dura. Veja mais detalhes abaixo:

 

Edição de luxo (bordada)

Esta edição terá um acabamento especial em capa dura com baixo relevo e costura aparente, e a guarda será feita de papel artesanal da Moinho Brasil, feito de cana-de-açúcar, com impressão em silk screen. O bordado inspirado no avesso do Manto da apresentação, do artista Arthur Bispo do Rosário, com os nomes dos personagens do romance vestirá o livro feito uma sobrecapa. E uma faixa vermelha que terá um fechamento com botão feito artesanalmente pela Quiari Marcenaria envolverá o exemplar. O livro será entregue em uma caixa feita de buriti por uma rede de artesãs do sertão. Serão apenas 63 exemplares, em comemoração aos 63 de publicação da primeira edição da obra. Eles serão numerados, tanto no bordado quanto no livro.
O valor informado para Grande Sertão: Veredas “edição de luxo” é de R$ 1.190,00. A edição comum sai por R$ 84,90 na pré-venda.
Veja todas as informações no site do livro na Companhia das Letras.

 

 

fevereiro 05, 2019

[RESENHA] UM DIA PERFEITO PARA CASAR, DE JULIA STRACHEY

Sinopse: “Uma casa de campo, um vestido de noiva, uma garrafa de rum e um possível erro Era o dia do casamento de Dolly com o honorável Owen Bigham, diplomata e pretendente bastante adequado para a jovem britânica de classe média. O céu estava limpo, ainda que ventasse muito no local. O jardim florescia e os convidados chegavam aos poucos. As circunstâncias eram as ideais para a realização da cerimônia. O único porém era o fato de a noiva estar em dúvida quanto a com quem gostaria de se casar. Em Um dia perfeito para casar, um clássico da literatura inglesa, Julia Strachey presenteia o leitor com um senso de humor refinado e uma narrativa crítica e perspicaz sobre a sociedade britânica do final dos anos 1920.”

 

Eu ainda não conhecia a escritora inglesa (nascida na Índia) Julia Strachey (1901-1979) até ver o seu livro Um dia perfeito para casar (Record, 2013) na livraria Leitura de Campos dos Goytacazes, na minha viagem de volta para casa nestas últimas férias. A combinação capa e título me seduziram imediatamente e só na fila para pagamento desse e de outros livros título vi que estava levando para casa um livro publicado originalmente pela Hogarth Press. Isso mesmo, a editora de Leon e Virginia Woolf.

“Julia Strachey nasceu na Índia em 1901, filha de um funcionário civil do governo britânico. Depois do divórcio dos pais, foi morar com parentes na Inglaterra. Além de trabalhar como modelo para o revolucionário estilista Poiret, foi fotógrafa e revisora. Julia foi casada com o ecultor Stephen Tomlin. Embora não tenha participado oficialmente do círculo Bloomsbury, Strachey era bastante próxima de vários artistas e intelectuais do grupo. ‘Um dia perfeito para casar’ foi publicado inicialmente em 1932 pela Hogarth Press, editora de Leon e Virginia Woolf, que descreveu o livro como ‘surpreendentemente bom — completo, sagaz e original’. Julia Strachey faleceu em 1979.” (contracapa)

 

Não vou negar que essa informação me fez criar uma expectativa enorme em relação a essa leitura. Somada à publicação por ninguém menos que Virginia Woolf — que eu adoro — vi que muitas pessoas associam o enredo de Um dia perfeito para casar ao estilo de Downton Abbey. Mal podendo conter a minha euforia, parti para a leitura pouco tempo depois de chegar em casa. Qual não foi a minha surpresa em perceber que o livro é bom, mas não tão bom quanto eu esperava.

Um dia perfeito para casar é uma leitura perfeita desde que você só queira passar um tempo agradável (tolerável, Mr. Darcy diria) com um livro. É uma história curta, leitura fácil e tem seus momentos fortes e divertidos, mas é um livro que você fecha do mesmo jeito que abriu. Não chega a ser bom o suficiente a ponto de você querer ler novamente ou indicar com toda a chatice do seu ser para os amigos. Eu indico, mas não é uma indicação urgente. Aqui vemos um dia na vida da família Thatcham, na ocasião do casamento de sua filha mais velha, Dolly, com um ótimo partido e em um dia perfeito, com o clima mais agradável quanto é possível na Inglaterra (pelo menos é o que a mãe de Dolly pensa). O problema é que Dolly não está muito certa se é isso mesmo o que ela quer, mesmo estando a poucos minutos do altar. Ela nutre sentimentos confusos em relação ao primo, Joseph, que passa os últimos minutos antes da cerimônia refletindo se seria correto impedir o casamento e fugir com a prima ou não.

 

“— Isso é espantoso, espantoso demais! — exclamou ela, por fim. — Nunca poderia imaginar uma coisa dessas! Uma noiva bebendo rum em seu quarto! Da garrafa! Pouco antes de entrar na igreja para se casar!” (p. 68)

“‘Supondo, apenas supondo’, prosseguiu Dolly, ‘que Joseph virasse para mim agora, cinco minutos antes do casamento, e confessasse finalmente que sempre me amou, me implorasse para fugir com ele pela porta dos fundos, pelos campos, enquanto todos aqui esperavam por mim sentados na igreja, o que eu deveria fazer, afinal?” (p. 78 e 79)

 

“No turbilhão de pensamentos que o haviam assolado, um tanto inesperadamente, na última meia hora, sentimentos esses contra os quais ele era totalmente impotente para lutar, ou mesmo para encontrar-lhes o fio da meada, vinha-lhe agora uma ideia, por fim, que passou a martelar-lhe a mente aterrorizada.

‘Impeça o casamento! Impeça o casamento! Impeça o casamento! Impeça o casamento!…’ era só o que conseguia pensar.” (p. 83)

 

Um dos pontos fortes dessa edição é conhecer um pouco sobre a autora pelo prefácio escrito por uma grande amiga dela, Frances Partridge. A vida de Julia Strachey foi bem intensa, com muitos autos e baixos. Seria ótimo ter acesso à biografia dela em português.

 

 

 

Título: Um dia perfeito para casar

Autora: Julia Strachey

Tradução: Maria Alice Máximo e Heloísa Matias

Editora: Record

Páginas: 144

Compre na Amazon: Um dia perfeito para casar.

 

Eu ainda não consegui assistir, mas existe um filme/adaptação (2012) deste livro com elenco de peso! Veja o trailer legendado abaixo:

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