fevereiro 28, 2017

[RESENHA] CRANFORD, ADAPTAÇÃO DA BBC

 

Cranford é uma série em cinco episódios feita pela BBC no ano de 2007. Foram adaptados três romances de Elisabeth Gaskell para a produção: Cranford, My Lady Ludlow e Mr. Harrison’s Confessions; além de um artigo de não-ficção chamado The Last Generation in England, também da autora, como fonte de pesquisa.

A história começa em junho de 1842: Miss Matty e sua irmã Deborah aguardam a chegada de Mary Smith, vinda de Manchester para uma temporada em Cranford. As duas irmãs são personagens centrais da cidade. Miss Deborah é tida como uma espécie de guardiã da moral, dos bons costumes e das tradições de Cranford.

Miss Matty, Mary Smith e Deborah Jenkyns

 

Cranford é a típica cidade pequena em que todo mundo sabe da vida de todo mundo. É uma localidade em que todos têm muito orgulho de suas tradições e fazem o possível para mantê-las. As mulheres têm um papel de destaque na sociedade local, em sua maioria são viúvas ou solteiras.

Logo no começo do primeiro episódio, Miss Matty diz: “Em Cranford, tudo pode acontecer…”. Você duvida que alguma coisa de relevante possa realmente acontecer em um lugar tão pacato, mas depois acaba percebendo que Miss Matty sabe muito bem o que está dizendo.

A chegada de um novo médico, Dr. Harrison, movimenta a cidade. Jovem, bonito e solteiro, ele tem tudo para abalar o coração das mulheres da cidade, o que pode causar muita confusão. Para completar, a iminência de uma linha de trem cortar a cidade preocupa as Sras. de Cranford, pois com isso viriam forasteiros que poderiam pôr em risco o equilíbrio do lugarejo.

Dr. Harrison

 

“Tudo ao nosso redor, a Inglaterra muda… Mas Cranford permanece igual. Suas mulheres são como Amazonas…” (Mary Smith)

Mulheres de Cranford.

 

Também conhecemos o jovem Harry, membro de uma família numerosa, com um pai omisso, que vê sua vida mudar quando Mr. Carter, administrador das propriedades de Lady Ludlow, lhe oferece trabalho e o ensina a ler.

Harry e Mr. Carter

 

Lady Ludlow é uma senhora rica e solitária que passa os seus dias a espera do retorno de seu filho Septimus, que há muito tempo está fora de casa. Não fica satisfeita ao ver que Harry pode ascender socialmente por meio do estudo e vai fazer o possível para impedi-lo. Ela é a típica personagem que você começa detestando, mas depois sente certa empatia por sua história. Foi uma das personagens que mais me surpreendeu, quando assisti pela primeira vez.

Lady Ludlow

 

Muitas histórias são contadas em Cranford, todas igualmente belas. Quem mora em cidade pequena se reconhece e reconhece alguns vizinhos nela. A BBC (como sempre) fez um belo trabalho nesta simpática adaptação que tem no elenco nomes consagrados como Judi Dench, Michael Gambon, Eileen Atkins, Jim Carter dentre outros. Vale muito a pena assistir e ter na coleção!

 

P.S.: Cranford é uma história para assistir e também para ler. Sim, temos o livro de Elizabeth Gaskel publicado em português pela Pedrazul Editora! Confira aqui: Cranford.

 

 

 

REFERÊNCIA:

https://en.wikipedia.org/wiki/Cranford_(TV_series)

 

Resenha em colaboração com o blog Escritoras Inglesas.

 

janeiro 10, 2017

[RESENHA] MISS AUSTEN REGRETS, ADAPTAÇÃO DA BBC

Miss Austen Regrets é uma adaptação com base em cartas e informações biográficas da escritora Jane Austen, produzida pela BBC e exibida originalmente em 2007. O elenco contou com nomes como Olivia Williams (Jane Austen), Hugh Bonneville (Mr. Bridges), Greta Scacchi (Cassandra Austen), Imogen Poots (Fanny Austen Knight), Tom Hiddleston (Mr. Plumptre), dentre outros.

Diferente de Becoming Jane (no Brasil, Amor e Inocência), aqui vemos uma Jane Austen madura. A série é bastante melancólica e retrata uma Jane até então desconhecida; uma mulher insegura e com possíveis arrependimentos.

 

Escrever cartas era algo muito agradável para Jane Austen.

 

A série começa em 1802, com o pedido de casamento de Harris Bigg-Whiter e a resposta positiva de Jane, motivada, talvez, pela surpresa que ela teve com a proposta. Logo na manhã seguinte, Jane e Cassandra Austen deixavam Manydown House, pois Jane se arrependera de ter aceitado o pedido.

Doze anos depois, sua sobrinha, Fanny, está prestes a se casar e deseja a opinião da tia Jane sobre um pretendente, Mr. Plumptre.

Fanny: “Por favor, não espere por um Mr. Darcy”. Jane Austen: “Minha querida, isto é o mundo real. A única maneira de ter um Mr. Darcy é inventando-o”.

 

Fanny é romântica e inspira-se nos livros da tia. Mas também é uma jovem que não tem outro objetivo a não ser o matrimônio; não ficará satisfeita até se tornar a esposa de alguém. É imatura e acha que tudo deve girar em torno dela e de seus planos.

“Moças de 20 anos estão tão desesperadas para se apaixonarem. É tão difícil dizer se é real. Todos deviam ter a chance de se casar uma vez por amor, se puderem.”  (Jane Austen sobre os sentimentos de Fanny pelo Sr. Plumptre)

 

A opinião de Jane sobre os assuntos do coração era frequentemente solicitada, contudo, sua família não perdia tempo em lembrar-lhe que ela não tinha experiência no assunto. O fato de nunca ter se casado foi um fardo sempre presente na vida da autora, lembrado sempre e toda vez que havia uma oportunidade.

Seus livros eram um sucesso, mas a pobreza era uma realidade. Ela chegou a cogitar pedir mais dinheiro pela publicação de Emma, mas seus irmãos não viam com bons olhos que ela pedisse um aumento. Não era elegante uma mulher aos 40 anos de idade escrever para o seu sustento, isso envergonharia a família.

Miss Austen Regrets também retrata a visita de Jane Austen ao Príncipe Regente, onde ela foi recebida pelo bibliotecário James Stanier Clarke. Na ocasião, a autora foi autorizada a dedicar o próximo romance a ser publicado, Emma, a Sua Alteza Real, o Príncipe Regente. Ele era fã de Austen e tinha cópias dos romances dela em todas as suas residências.

 

Nesta adaptação, o pretendente principal é o afetuoso Mr. Bridges. Não tinha lido ou ouvido falar dele antes de assistir Miss Austen Regrets. Existem tantas suposições sobre a vida amorosa de Jane Austen, seus pretendentes etc., que nunca temos certeza se as histórias retratadas nos filmes e em algumas biografias são realmente verdade.

Mr. Bridges: “Não a teria impedido de escrever, se era isso que temia”.

Jane Austen: “Como poderia ter escrito se tivéssemos casado? Todo o trabalho de ser mãe…”.

 

Jane menciona um antigo pretendente, Tom Lefroy, que foi retratado em Becoming Jane.  Ela simplesmente diz que ele não foi o cara.

 

Cassandra desenhando sua irmã, Jane Austen. A cena recria o momento da pintura do único retrato que conhecemos da autora.

 

Nesta altura, aos 40 anos, Jane já dava sinais que estava adoecendo. A autora estava escrevendo Persuasão e se preocupava se conseguiria terminar o romance.

Jane Austen faleceu aos 41 anos, numa sexta feira, 18 de julho de 1817. Com base nas cartas às quais temos acesso e que falam sobre os sintomas da doença que lhe tirou a vida, a opinião médica atual acredita que a autora tenha sofrido de Doença de Addison; uma perda da função das glândulas suprarrenais.

A tristeza de Cassandra por perder o sol de sua vida, como dito na adaptação, é comovente. As duas irmãs tiveram uma amizade tão forte e bela que, quando assistimos Cassandra queimar algumas cartas escritas por Jane, entendemos e perdoamos tal fato. Penso, assim como muitos admiradores e estudiosos de Jane Austen, que ela quis preservar a imagem da irmã e alguma história que não fosse adequada tornar pública.

Se alguém tinha esse direito, definitivamente esse alguém era Cassandra Austen.

 

Miss Austen Regrets foi lançado no Brasil como integrante do DVD de Razão e Sensibilidade (BBC, 2008), e também faz parte do box A Obra Completa de Jane Austen, da extinta produtora LogOn, com 10 discos.

 

 

Referências:

James, Syrie. As Memórias Perdidas de Jane Austen. Tradução de Claudia Melo. Rio de Janeiro: Galera Record, 2013.

https://en.wikipedia.org/wiki/Miss_Austen_Regrets

 

Resenha em colaboração com o blog Escritoras Inglesas.

novembro 07, 2016

[RESENHA] ORGULHO E PRECONCEITO, BBC 1995

pride_and_prejudice_2

 

Orgulho e Preconceito é a adaptação do romance homônimo de Jane Austen, em série de seis episódios, produzida pela BBC no ano de 1995. Jennifer Ehle e Colin Firth protagonizam esta que é, na opinião de muitos, a melhor adaptação em vídeo do clássico de Jane Austen.

Nós, fãs de Jane Austen, sobretudo de seu romance mais famoso, fomos agraciados com uma produtora e um roteirista que encararam o desafio de adaptar Orgulho e Preconceito de forma que ficasse o mais fiel possível ao livro. Definitivamente, o resultado foi um trabalho de fã para fã. Andrew Davies, o roteirista, quis passar toda a energia do livro para a adaptação, desde a primeira cena. Por esse motivo escolheu começar com uma sequência de Darcy e Bingley chegando à Netherfield para vistoriar a propriedade. Ao longe, Elisabeth Bennet observa tudo, durante uma de suas caminhadas.

Tão logo o jovem (e solteiro) Mr. Bingley resolve alugar Netherfield, somos apresentados à família Bennet; especialmente aos poor nerves de Mrs. Bennet, que anseia, mais do que qualquer outra coisa na vida, casar suas cinco filhas (de preferência com homens de boa fortuna).

Mr. e Mrs. Bennet nessa adaptação são um capítulo a parte. Alison Steadman conseguiu dosar a histeria e a comicidade no ponto certo, assim como Benjamin Whitrow foi o Mr. Bennet mais irônico e carismático que já vi. Ver os dois em ação se assemelha a uma leitura em voz alta do romance; nem mais nem menos, eles são o casal Bennet na medida certa.

pride-and-prejudice-1995-pride-and-prejudice-569249_1024_576-800x450

 

Elisabeth Bennet desta adaptação também é bastante fiel ao livro. É irônica, inteligente e simpática. Uma comparação que sempre faço entre uma das cenas da série de 1995 e o filme de 2005 é que quando Miss Elisabeth ouve Mr. Darcy dizendo que ela seria apenas tolerável, mas não o bastante para tentá-lo, a Elisabeth de 1995 ri da situação (e do autor da frase), enquanto a de 2005 fica sentida. Obviamente, é difícil e um pouco injusto comparar uma adaptação feita em seis episódios e um filme, mas ainda assim, para quem é apegado ao que está impresso, uma adaptação fiel ao livro faz toda a diferença.

g1836-5

 

Outro personagem de bastante destaque é Mr. Collins. Desde a primeira leitura o considero adoravelmente divertido e a série confirma tal opinião. Sua petulância e ousadia em suas conquistas são o que o faz mais divertido. Ele poderia muito bem ter se casado com Mary, sua igual em personalidade, mas vai logo se interessando por Jane e depois por Elisabeth. Apesar de um suposto carisma, sabemos que ele seria um par detestável para nossa querida Lizzie, mesmo que isso fosse por sua segurança financeira. O mesmo não podemos dizer de Charlote Lucas, que o aceitou prontamente para se livrar da pecha de solteirona.

pride_prejudice_mrcollins_1995

 

Lady Catherine de Bourgh também é um espetáculo a parte nesta adaptação. Chata, inconveniente, amarga e… divertida! Ela foi retratada com toda a comicidade e delicadeza possíveis. Outra “vilã” de destaque é Caroline Bingley. Elegante e refinada, mas sem um pingo de personalidade, faz de tudo para chamar a atenção de Mr. Darcy, o que rende boas risadas aos telespectadores.

barbara_leigh_hunt

 

Orgulho e Preconceito da BBC está completando vinte anos em 2015 e tão cedo creio que precisaremos de outra adaptação com a proposta de ser fiel ao livro. É evidente que a obra de Jane Austen é inesgotável em fonte de inspiração, haja vista a grande quantidade de adaptações, spin-offs, sátiras etc que são lançadas todos os anos. Esta adaptação, contudo, é aquela que podemos mostrar para um amigo (tendo um pouco mais de tempo disponível) que deseja conhecer o clássico best-seller de Jane Austen, sem ler o livro.

O Mr. Darcy de Collin Firth ficou para o final porque até agora faltam palavras para descrevê-lo. Embora Matthew Macfadyen tenha feito nossos olhos grudarem na tela com sua interpretação no filme de 2005, Collin Firth ainda é o Darcy mais próximo do livro, com seu modo rude, embora seja um homem supostamente educadíssimo. Costumo brincar dizendo que ele é tão Darcy que foi Darcy em outros dois filmes (e será em um terceiro também, pois Bridget Jones 3 vem aí!). A cena do lago, presente no episódio 4 e que, embora não esteja no livro é totalmente aceitável, foi apontada pelo The Guardian como “um dos mais inesquecíveis momentos da história da TV britânica”. Sem levar em consideração a sensualidade de um Collin Firth todo desgrenhado e com a camisa molhada, a cena também é bonita por mostrar um Darcy vulnerável, quase doente de amor. Por esta cena e por toda a série, Mr. Firth sempre ocupará um lugar especial no cânone das adaptações das obras de Jane Austen.

 

firth_2696575b

 

Se você ainda não assistiu, assista o quanto antes! É uma adaptação clássica de um clássico da literatura mundial. E é como dizem, um clássico não é um clássico à toa.

 

Elenco de destaque: Benjamin Whitrow e Alison Steadman como Mr. e Mrs. Bennet; Crispin Bonham-Carter, como Mr. Bingley; Anna Chancellor, como Caroline Bingley; David Bamber, como Mr. Collins; Barbara Leigh-Hunt, como Lady Catherine de Bourgh.

 

 

REFERÊNCIAS:

https://en.wikipedia.org/wiki/Pride_and_Prejudice_(1995_TV_series)#Cast

Making-Of  presente no DVD A Obra Completa de Jane Austen – LogOn DVD

 

Resenha em colaboração com o blog Escritoras Inglesas.

 

 

Ouça a trilha sonora da série abaixo:

 

 

 

12

Tamires de Carvalho • todos os direitos reservados © 2019 • powered by WordPressDesenvolvido por