janeiro 24, 2019

[RESENHA] UM MARIDO DE FAZ DE CONTA (OS ROKESBYS #2), DE JULIA QUINN

Sinopse: “Enquanto você dormia…

Depois de perder o pai e ficar sabendo que o irmão Thomas foi ferido durante uma batalha, Cecilia Harcourt tem duas opções: se mudar para a casa de uma tia ou se casar com um vigarista. Para fugir desses destinos, ela cruza o Atlântico, determinada a cuidar do irmão. Após uma semana sem conseguir localizá-lo, ela encontra o melhor amigo dele, Edward Rokesby, inconsciente e precisando desesperadamente de cuidados. Mas, para permanecer a seu lado, Cecilia precisa contar uma pequena mentira…

Eu disse a todos que era sua esposa.

Quando Edward recobra a consciência, não entende nada. A pancada na cabeça o fez esquecer tudo que aconteceu nos últimos três meses, mas ele certamente se lembraria de ter se casado. Apesar de saber que Cecilia é irmã de Thomas, eles nunca foram apresentados. Mas, já que todo mundo a trata como esposa dele, deve ser verdade.

Quem dera fosse verdade…

Cecilia coloca o próprio futuro em risco ao se entregar ao homem que ama. Mas, quando a verdade vem à tona, Edward também pode ter algumas surpresas guardadas para a nova Sra. Rokesby.”

 

Leia também: resenha de Uma dama fora dos padrões (Os Rokesbys #1), de Julia Quinn.

 

Não são necessárias muitas páginas para que possamos cair de amores por Edward Rokesby. Não é exagero, não, eu juro! O mocinho é uma graça e qualquer uma de nós no lugar da Cecília diria “esposa” tão logo nos perguntassem o parentesco em relação ao convalescente, mesmo conhecendo bem pouco dele.

Um marido de faz de conta, segundo livro da série Os Rokesbys (Arqueiro, 2019), conseguiu ser ainda mais encantador que Uma dama fora dos padrões, lançado no ano passado. Aqui, temos uma mocinha que foi obrigada pelas circunstâncias a contar uma mentirinha: Cecília apenas disse ter se casado com o melhor amigo do seu irmão, à distância, em um navio, por meio de procuração, e todos acreditaram na história, inclusive o marido, ao acordar relativamente desmemoriado da espécie de coma em que estava. O contexto era bem sério, pois o irmão e o marido de Cecília estavam lutando pelo exército britânico na América, daí o tal casamento por procuração quase não foi questionado, nem pelo próprio noivo. Afinal, que mulher teria coragem de inventar uma história dessas, um compromisso sério desses com um filho de um Conde?!

Os motivos de Cecília Harcourt foram nobres, preciso defendê-la: a moça viajou até Nova York a procura do irmão, que até onde ela soube, estava ferido. Após a morte do pai e com um primo odioso à espreita só aguardando para dar o bote na herança (incluindo Cecília), a jovem precisava encontrar Thomas para não ficar sozinha no mundo. Chegando à América, ela não acha o irmão, mas o amigo dele, o Capitão Rokesby, que está muito ferido e precisando de cuidados. Cecília já o conhecia superficialmente pelas correspondências que trocava com o irmão e quando deu por si já estava emaranhada até o último fio de cabelo em sua mentira. O que ela não contava é que ficaria cada vez mais ligada à Edward desejando, quem sabe, ser verdadeiramente a Sra. Rokesby.

 

“Ah, como ela queria que fosse tudo verdade…

Queria ser feliz com aquele homem. Queria ser a esposa dele, a mãe dos filhos dele, seria uma vida maravilhosa… se não fosse uma mentira. (…)

Objetivo do dia: parar de se apaixonar.”

 

“Estava se apaixonando por ela? Não lhe ocorria nenhum outro motivo para que estivesse se sentindo daquela maneira, como se seus dias só começassem de verdade depois de vê-la sorrir. Ele estava se apaixonando por ela. Antes mesmo de se conhecerem, ele já estava meio apaixonado e talvez jamais se lembrasse dos eventos que o haviam conduzido àquele momento, mas certamente haveria de se lembrar disso. Daquele beijo.

Daquele toque. Daquela noite.”

 

Apesar de vários capítulos de mentiras, os quais a mocinha sofre calada, é divertido ver Cecília com ciúmes da Billie Bridgerton (lembra que Edward ou Andrew eram pretendentes em potencial para ela? Contei isso aqui). Mesmo que você não tenha lido o primeiro livro da série vai perceber que isso é besteira da cabeça dela, pois um homem como Edward é difícil de ver até em livros! Em um mar de libertinos (nada contra, até gosto com moderação), Julia Quinn conseguiu fazer um mocinho extremamente romântico e apaixonante. Um marido de faz de conta é um livro para devorar em pouco tempo, de tão viciante. Um romance para quem gosta de uma bela história de amor!

 

 

 

Título: Um marido de faz de conta (Os Rokesbys #2)

Autora: Julia Quinn

Tradução: Thaís Paiva

Editora: Arqueiro

Páginas: 304

 

Compre na Amazon: Um marido de faz de conta

 

 

P.s.: Qual não foi o meu susto em ver circulando nas redes sociais essa capa (LINDA) do livro 3 da série Os Rokesbys! A capa e as primeiras páginas de Um cavalheiro a bordo estão logo no final da edição de Um marido de faz de conta. Como eu estava lendo em e-book não tinha visto, mas as ninjas queridas da página Paixão por Letras postaram e rapidinho a notícia se espalhou! Até a publicação dessa resenha a Arqueiro não havia divulgado uma previsão para esse lançamento, mas eu espero que não demore muito (pelamordedeus, Arqueiro!)!

agosto 14, 2018

[RESENHA] UMA DAMA FORA DOS PADRÕES (OS ROKESBYS #1), DE JULIA QUINN

Sinopse: “Às vezes você encontra o amor nos lugares mais inesperados…

Esta não é uma dessas vezes.

Todos esperam que Billie Bridgerton se case com um dos irmãos Rokesbys. As duas famílias são vizinhas há séculos e, quando criança, a levada Billie adorava brincar com Edward e Andrew. Qualquer um deles seria um marido perfeito… algum dia.

Às vezes você se apaixona exatamente pela pessoa que acha que deveria…

Ou não.

Há apenas um irmão Rokesby que Billie simplesmente não suporta: George. Ele até pode ser o mais velho e herdeiro do condado, mas é arrogante e irritante. Billie tem certeza de que ele também não gosta nem um pouco dela, o que é perfeitamente conveniente.

Mas às vezes o destino tem um senso de humor perverso…

Porque quando Billie e George são obrigados a ficar juntos num lugar inusitado, um novo tipo de faísca começa a surgir. E no momento em que esses adversários da vida inteira finalmente se beijam, descobrem que a pessoa que detestam talvez seja a mesma sem a qual não conseguem viver.”

 

Estou disposta a ler tudo o que for publicado em português de Julia Quinn, e livro certamente não vai faltar: a autora, que já vendeu mais de 850 mil livros pela Arqueiro e terá sua série mais aclamada — Os Bridgertons — adaptada para a Netflix, continua conquistando leitores mundo afora com seus delicados romances de época.  Seu lançamento mais recente no Brasil, Uma dama fora dos padrões, não foge à regra: quando o leitor percebe, já se rendeu completamente ao romance e aos personagens.

Uma dama fora dos padrões (Os Rokesbys #1), é uma trama que se passa antes dos Bridgertons. A protagonista, Billie — Sybilla Bridgerton — é a irmã mais velha do futuro Visconde Briderton, patriarca da amada e mais famosa família criada por Julia Quinn. Ela é tida como fora dos padrões porque, aos 23 anos, seu interesse principal é cuidar da propriedade de sua família, o que faz muito bem por sinal, até que o irmão tenha idade suficiente para assumir suas responsabilidades como herdeiro do título e de tudo o que vem com ele. Billie é uma típica moça do campo, livre, sem muito traquejo para assuntos e tarefas femininas da sociedade a qual pertence. Usa calcas e lê sobre agricultura, por exemplo. Tem uma vaga certeza de que se casará com um dos irmãos Rokesby, Andrew ou Edward. Definitivamente sabe que não se casará com George, o herdeiro do condado. A partir daí o leitor deduz facilmente que o casal, aqui, é Billie e George, pois é assim que funciona nos romances de Julia Quinn. Não é spoiler, é informação que vem na contracapa e eu já me rendi por esse jeito descomplicado de contar histórias, marca registrada da autora.

 

“Mesmo naquela época, ela já sabia que não era como as outras garotas. Não queria tocar piano ou costurar. Queria estar ao ar livre, voar na garupa de seu cavalo, a luz do sol dançando pela sua pele enquanto seu coração pulava e corria com o vento.

Ela queria levantar voo.

Ainda queria.

Se beijasse George… Se ele a beijasse… A sensação seria a mesma?” (cap. 16)

 

George Rokesby, o mocinho, não era exatamente como os irmãos: herdeiro do título, foi criado desde cedo para tal, com todas as responsabilidades e restrições que exigem o cargo. Isso, além da diferença de cinco anos entre ele e Billie, não permitiu que George ficasse cavalgando pela propriedade, subindo em árvores etc, coisas que seus irmãos mais novos faziam em companhia da garota. Os Bridgertons e os Rokesbys além de vizinhos eram muito próximos, como se fossem da mesma família.

A aproximação entre o casal é lenta. Apesar de se conhecerem há anos, Billie e George nunca foram exatamente amigos. Então muitas coisas acontecem até que a amizade fique mais próxima e depois eles percebam que estão apaixonados um pelo outro. Até quase a metade do livro tive a impressão de que não ia acontecer nada além de alguns diálogos bem humorados e algumas fagulhas entre os dois, mas em seguida tudo foi ficando mais romântico e eu só consegui parar de ler quando cheguei ao fim.

 

“Billie sorriu, e George ficou sem ar. Ninguém sorria como Billie. Nunca sorriria. Ele sabia disso há anos e ainda assim… só agora…” (cap. 14)

 

Uma dama fora dos padrões é uma delícia de livro. Com uma trama descomplicada, mas ao mesmo tempo viciante, Julia Quinn mais uma vez nos presenteia com o tipo de história que só faz bem ao coração.

 

 

 

Título: Uma dama fora dos padrões (Os Rokesbys #1)

Autora: Julia Quinn

Tradução: Viviane Diniz

Editora: Arqueiro

Páginas: 272

Compre na Amazon: Uma dama fora dos padrões (Os Rokesbys #1)

 

agosto 07, 2018

[RESENHA] ENTRE IRMÃS, DE FRANCES DE PONTES PEEBLES

Sinopse: Nos anos 1920, as órfãs Emília e Luzia são as melhores costureiras de Taquaritinga do Norte, uma pequena cidade de Pernambuco. Fora isso, não podiam ser mais diferentes.

Morena e bonita, Emília é uma sonhadora que quer escapar da vida no interior e ter um casamento honrado. Já Luzia, depois de um acidente na infância que a deixou com o braço deformado, passou a ser tratada pelos vizinhos como uma mulher que não serve para se casar e, portanto, inútil.

Um dia, chega a Taquaritinga um bando de cangaceiros liderados por Carcará, um homem brutal que, como a ave da caatinga, arranca os olhos de suas presas. Impressionado com a franqueza e a inteligência de Luzia, ele a leva para ser a costureira de seu bando.

Após perder a irmã, a pessoa mais importante de sua vida, Emília se casa e vai para o Recife. Ali, em meio à revolução que leva Getúlio Vargas ao poder, ela descobre que Luzia ainda está viva e é agora uma das líderes do bando de Carcará.

Sem saber em que Luzia se transformou após tantos anos vagando por aquela terra escaldante e tão impiedosa quanto os cangaceiros, Emília precisa aprender algo que nunca lhe foi ensinado nas aulas de costura: como alinhavar o fio capaz de uni-las novamente.”

 

Às vezes, tenho a impressão de que gastamos o nome heroína com personagens que são, simplesmente, protagonistas. Tal dispêndio, entretanto, não ocorre em Entre Irmãs (Arqueiro, 2017). Frances de Pontes Peebles nos presenteia com duas protagonistas que são verdadeiramente heroínas, cada uma a seu modo: Luzia, a Vitrola — alcunha que ganhou após sofrer um acidente que deixou um de seus braços defeituoso, torto como uma vitrola, — E Emília, uma jovem inconformada com sua condição social, uma matuta nas palavras da irmã, que deseja a todo custo ir para a cidade e ser como as mulheres que ela vê impressas nas páginas de sua revista favorita, a Fonfon.

A forma como o livro foi estruturado foi brilhante no sentido de fazer com que o leitor se afeiçoasse as duas irmãs quase não sendo possível ter uma preferência entre elas. Cada capítulo (e suas subdivisões) é centrado em uma das personagens, intercalando Emília e Luzia como uma colcha de retalhos em terceira pessoa. Apesar da prosa bastante descritiva da autora, Entre Irmãs é uma leitura saborosa e, em pouco tempo, o leitor devora as mais de quinhentas páginas quase sem pestanejar.

 

 

Uma curiosidade sobre Entre Irmãs é que o livro foi escrito originalmente em inglês. Embora a autora seja brasileira, a tradução do romance foi feita por Maria Helena Rouanet. Esse é um detalhe, entretanto, que não fica perceptível nem incomoda, acredito que pelo ótimo trabalho da tradutora e também pela obra em si, que tem uma temática bem brasileira. O romance foi publicado no Brasil com outro título, antes da adaptação em filme e série, com o nome de A Costureira e o Cangaceiro.

Entre Irmãs é o tipo de livro que fica na memória. É marcante, dá um nó na garganta. Por vezes tive vontade de que Emília e Luzia fossem reais, para que eu pudesse abraçá-las. Lembrei que mulheres fortes como elas existiram e ainda existem aos montes no nosso país.

As três personagens mais queridas por mim neste livro me ensinaram coisas valiosas que eu vou guardar para a vida. Tia Sofia me ensinou que eu não devo desperdiçar as minhas lágrimas. Luzia mostrou que as mulheres são ainda mais fortes do que imaginam. Emília me fez perceber que é preciso ter muita determinação para não ser levada pela maré das coisas tidas como fáceis, previsíveis.

 

 

Eu poderia ficar horas e horas falando sobre Entre Irmãs, mas esse é um livro bom demais para ser simplesmente resumido. Você precisa ler para fazer parte daquelas histórias, tornar-se íntima das irmãs Dos Santos. Ir embora de Taguaritinga e enfrentar uma sociedade implacável ou percorrer o sertão a ponto de ser parte dele.

Entre Irmãs me remeteu fortemente aO Quinze, de Rachel de Queiroz, quando, lá pelo capítulo 9, mostrou um dos campos de concentração criados pelo governo para tentar remediar a seca no sertão. Frances foi além ao mostrar, mais que a miséria, um pouco da corrupção que envolvia a distribuição de comida nos tempos mais severos dos períodos de seca.

Não foi somente uma das melhores leituras que fiz em 2018. Entre Irmãs foi um dos melhores livros que eu li na vida. É um monumento em forma de livro. Obrigada, Frances de Pontes Peebles.

 

 

 

Título: Entre Irmãs

Autora: Frances de Pontes Peebles

Tradução: Maria Helena Rouanet

Editora: Arqueiro

Páginas: 576

 

Compre na Amazon: Entre Irmãs.

 

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