fevereiro 12, 2019

[RESENHA] UMA NOITE NA PRAIA, DE ELENA FERRANTE

Sinopse: O livro de estreia de Elena Ferrante na literatura infantil.

Uma das mais importantes escritoras da atualidade, Elena Ferrante retorna ao universo de A filha perdida, romance que ela considera um divisor de águas em sua carreira, para contar essa fábula sombria, narrada do ponto de vista de Celina, uma boneca que é perdida em uma praia.

Após ganhar um gatinho de presente do pai, Mati — dona de Celina e sua melhor amiga — fica tão fascinada que acaba esquecendo a boneca, que é a sua favorita. Deixada para trás na areia deserta e sem saber como voltar para casa, Celina vai enfrentar uma noite interminável, cheia de sustos e surpresas, além da companhia indesejada de um salva-vidas cruel e seu terrível ancinho. À luz das chamas de uma fogueira, a noite transforma-se numa aventura fantástica e assustadora que só termina ao nascer do sol.

Uma história de impressões e percepções, ao mesmo tempo leve e repleta de tensão, dedicada não só ao público infantil, mas aos fãs da autora de todas as idades.

Um dos maiores fenômenos literários dos últimos anos, Elena Ferrante é considerada pela crítica uma das principais vozes femininas da atualidade, com livros publicados em mais de 30 países.

Uma noite na praia conta com belíssimas ilustrações coloridas da artista italiana Mara Cerri.”

 

Tenho a impressão de que alguns livros classificados como literatura infantil são, na verdade, direcionado aos adultos e para que nós nunca nos esqueçamos da simplicidade cheia de sabedoria da primavera das nossas vidas. Uma noite na praia, de Elena Ferrante (Intrínseca, 2016) segue bem essa linha infantil, porém adulto.

Isso não quer dizer, entretanto, que o livro não é indicado para crianças. Os livros não tem idade, o entendimento e o gosto por determinados temas e gêneros decorre mais do hábito e da maturidade do leitor que da sua idade propriamente dita.

Uma noite na praia é um conto bastante sombrio, com lindas ilustrações que reforçam essa percepção, abordando vários temas em suas quase cinquenta páginas. Aqui temos uma boneca que foi esquecida por sua dona na praia e que, por esta razão sofre muitos perigos no decorrer de uma noite. De enredo aparentemente simples, mas com um jeito cru e descomplicado, forma que eu tenho percebido ser regra nos livros de Ferrante, é até um pouco dolorido não serem necessárias muitas páginas para nos reconhecermos nas dores e infortúnios da boneca Celina.

Ao ser deixada na praia, a primeira coisa que Celina transborda é o ciúme do novo amigo de sua mãe/dona, o gatinho de estimação de Mati. Sem ao menos conhecê-lo, a boneca já o sentenciou como o culpado pelo abandono que ela sofrera. Somada à tristeza da solidão, existe o perigo, pois na praia há um Salva-Vidas Malvado que tenta roubar as palavras da boneca, que são muito valiosas, e que incendeia todo o refugo que não serve para vender. Essa questão do roubo das palavras, ou seja, o silenciamento de Celina, é uma parte que me pareceu uma metáfora para abuso. As palavras eram o que de mais valioso a boneca tinha, sem elas ela perderia todo o seu encanto e identidade.

Uma noite na praia é uma leitura intrigante. Cada pedacinho parece fazer parte de algo muito maior, é um livro que permite diversas interpretações de acordo com a vivência do leitor. É um infantil perfeito para leitura guiada ou compartilhada entre adultos e crianças.

 

 

 

 

Título: Uma noite na praia

Autora: Elena Ferrante

Tradução: Marcello Lino

Ilustrações: Mara Cerri

Editora: Intrínseca

Páginas: 40

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