maio 24, 2019

[RESENHA] OS FILHOS DO PÔR-DO-SOL (AS ESTAÇÕES, LIVRO 3) DE ANNA FAGUNDES MARTINO

Sinopse: “Em 1947, Éamonn Delaney se vê em uma posição complicada. Ele herdou uma residência com fama de assombrada e está cuidando sozinho de um grupo de ex-prisioneiros de guerra traumatizados. Para conseguir dar conta de tudo, Éamonn apela para as forças do Outro Lado, que salvaram sua vida anos antes. No entanto, a batalha também causou muitos danos aos misteriosos jardineiros que auxiliam Éamonn, e talvez magia e plantas não sejam suficientes para consertar todos os problemas…”

 

ATENÇÃO: A resenha abaixo pode conter spoilers dos dois livros anteriores desta série. Mas não muito, prometo!

Leia a resenha de A Casa de Vidro (As Estações, Livro I)

Leia a resenha de Um Berço de Heras (As Estações, Livro II)

 

Eu tinha alguns meses de blog quando li A Casa de Vidro, primeiro livro da série As Estações, da escritora e editora Anna Fagundes Martino. Lembro-me bem, até hoje, passados quase três anos dessa publicação, o quão fascinada eu fiquei pela escrita suave da Anna e também por aquele universo que eu não entendi tão bem logo de cara, confesso, mas, ao mesmo tempo, fez sentido para mim, me encantou completamente. No ano seguinte, Um berço de heras, a continuação dA Casa de vidro, furou a fila e foi lido logo no lançamento. Deixou saudades no final, com a promessa de que voltaria com Os filhos do pôr-do-sol, com lançamento previsto para o dia 25 de maio, mas que eu tive o prazer e o privilégio de ler antecipadamente, com a cortesia da autora.

Os filhos do pôr-do-sol, assim como os livros anteriores, é uma leitura delicada, perfeita para ser feita em uma única sentada. Digo isso porque é impossível largar o e-book até ler a última linha. Um capítulo vai puxando o outro e o outro até terminar.

O livro começa com o que seria o presente (em 1982) da propriedade Amaranthe Hall com sua casa de vidro. Uma famosa escritora, Marjorie Claire, teria se inspirado no local e escrito uma série de livros de fantasia, adaptados com sucesso pela BBC. São histórias sobre plantas e seres de outro mundo, um tipo bem particular de fadas que fazem crescer flores de onde menos se possa imaginar. Os lindos jardins de Amaranthe Hall, inspiração para esses livros, antes foi residência de Eleanor, depois de Mark e também de Stella, além de lar refúgio para Éamonn Delaney, seus filhos e vários sobreviventes dos conflitos da Segunda Guerra Mundial.

Voltando ao passado, em 1947, vemos que Amaranthe Hall torna-se uma casa de repouso para ex-combatentes atormentados pelos horrores nos campos de batalha. Éamonn Dalaney é o responsável pelo lugar, tendo como ajudantes seus filhos Stíofan e Seaghán, seres híbridos, como a mãe deles, Stella. Além deles, temos duas outras personagens que movimentam bastante a trama: Millie e Margaret. A primeira, uma jovem simples, mas bastante encantada pelo mundo das plantas e aberta ao inexplicável. Já Margaret, é uma noviça profundamente conhecedora das leis de Deus e se surpreende com as pessoas e todas aquelas flores que ela encontra no peculiar sanatório.

 

“A casa era dominada por flores de todos os tipos: em vasos de cristal e de porcelana em cada uma das salas, em canteiros especiais pendurados nas janelas e em todo e qualquer espaço arável do lado de fora. Onde antes havia plantações de batatas, cenouras ou beterrabas para alimentar o esforço de guerra, agora nasciam, aparentemente sem esforço, rosas e cravos, margaridas e papoulas, crisântemos e narcisos em tons que não se encontravam em floriculturas, ou em nenhum outro jardim naquele cruel fim de inverno. Não havia muita organização nos canteiros, apenas cor: onde houvesse espaço, cresciam plantas.”

 

“Meu avô dizia que as pessoas por aqui tinham regras demais. — Seaghán se afastou um pouco do vaso, pensativo. — Quão pouco mudou, apesar de tudo.”

 

Sem dar muito mais revelações do enredo, Os filhos do pôr-do-sol é uma novela emocionante sobre um período histórico sempre doloroso de tratar, o pós-guerra e seus efeitos, mas sem o peso e o horror que encontramos em livros com essa temática. Aqui o foco são as pessoas e as maravilhas que podem ser criadas por elas ou a partir delas. Na verdade, essa série mostra com muita sensibilidade como as pessoas podem se reconstruir através do amor, da entrega e da cumplicidade. As fadas e as plantas, além de todas as flores que a gente tenta imaginar, são o toque especial que o gênero de fantasia tem para levar brilho aos nossos olhos. Foi o toque que a Anna encontrou para nos cativar com os seu universo botânico que se despede agora com esse livro. Queria não falar novamente em saudade, já que nós sempre podemos reler os livros. Mas eu estaria mentindo ou omitindo esse sentimento, pois leria com prazer ainda sobre uma infinidade de descendentes de Eleanor e Sebastian, híbridos de feéricos e humanos.

 

“Os jardins de Amaranthe Hall pareciam tanto com um paraíso terreno que ele precisou se sentar para recuperar o fôlego.

— Como isso aconteceu? — O funcionário olhou para Éamonn.

— Magia. — O jardineiro deu de ombros. — Magia e amor.

O funcionário franziu a testa, achando que estava lidando com mais um irlandês metido a poeta. Éamonn, porém, olhou para seus filhos e piscou um olho. Ele tinha dito a verdade. Uma pena que ninguém acreditaria.”

 

 

 

Título: Os filhos do pôr-do-sol (As Estações, Livro 3)

Autora: Anna Fagundes Martino

Editora: Dame Blanche

Páginas: 86

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