[RESENHA] A ESTRANGEIRA, DE CHIRLEI WANDEKOKEN

[RESENHA] A ESTRANGEIRA, DE CHIRLEI WANDEKOKEN

Sinopse:  “Casamentos entre primos eram tradicionais entre duas nobres famílias inglesas. A aliança, que havia começado há muitos séculos a fim de fortalecer a família inglesa contra um clã escocês, agora incomodava o atual conde de Northumberland. Quando ele achava que este era seu maior problema, chega à casa do Lago Green, em Alnwick, a sobrinha de um falecido escudeiro de seu pai.

Na primeira metade do século XIX, na Prússia cheia de guerrilhas, uma jovem sem meios aceita se casar sem amor. Mas no dia do casamento algo terrível acontece. Forçada a viver em cativeiro, ela foge para a Inglaterra à procura de seus parentes. Porém, nada é como ela esperava. Não havia tia, nem tio e nem primos à sua espera. O encontro entre Eliza e o cavalheiro que herdara de seu antepassado, além do apelido, o ímpeto e a beleza, vai desenterrar antigos segredos, pois fala-se no condado que os membros do clã inglês, além de terem a estranha tradição de se casarem com primos, no passado casavam-se com seus próprios irmãos. Inspirado na Batalha real de Otterbourne, A Estrangeira, 340 páginas, narra duas histórias de amor que, embora separadas por 442 anos, se entrelaçam num verdadeiro turbilhão de emoção e mistério.”

 

A Estrangeira é o tipo de livro que você lê as últimas palavras, suspira, e tem vontade de ler tudo novamente no mesmo instante. Nesse romance histórico, Chirlei Wandekoken narra duas histórias que, embora separadas por séculos, são igualmente apaixonantes. É perceptível desde os primeiros parágrafos todo o zelo que a autora teve na escolha das palavras e na construção da história. Indiscutivelmente um livro super bem escrito, que não deve em nada se comparado a grandes livros de literatura inglesa.

Inicialmente, a narrativa se divide entre o presente, 1830, e o passado, 1388. Diferente do que acontece em algumas histórias que usam o recurso de vai e vem no tempo, aqui, os dramas envolvendo os Northumberland e os Douglas são instigantes da mesma forma. No passado ou no presente, os casamentos arranjados entre primos e as uniões à margem do permitido e esperado pela sociedade foram os combustíveis que alimentaram as histórias dos personagens.

A estrangeira é Eliza Schumacher, cujo o nome foi uma homenagem que Chirlei fez à sua bisavó, que também foi uma estrangeira, mas em terras brasileiras. A Eliza do livro saiu da Prússia, cidade de Leipzig, com destino à Inglaterra. Logo sabemos que ela guarda um segredo. Ou vários. Ela procura os tios John e Elizabeth, que residiam em uma cottage na propriedade de Alnwick Castle, domínio do nono conde de Northumberland. Chegando ao local, ela descobre que o tio havia falecido há pouco e que ninguém tinha notícisas de sua tia Elizabeth. Eliza, com pouquíssimos recursos, fica na cottage do tio e acaba protegida do conde, que nutria inestimável consideração pelo falecido John Baker.

 

“Foi quando lorde Hotspur a viu atravessando a rua. Ela e o cão. Os cabelos mal trançados, desgrenhados, caíam sobre os ombros e eram jogados no rosto pelo vento. Ela sacudia para tirá-los de sua visão. Trazia uma cesta na mão, uma simplicidade desconcertante, coloridamente intrigante, diferente de tudo que ele já vira.” (p. 11)

 

442 anos antes, Sir Evans planejava o casamento de sua filha, Mary Evans, com o conde de Douglas, mas ela já estaria irremediavelmente apaixonada por Henry Northumberland, filho do primeiro conde de Northumberland, e conhecido por seu vigor na guerra e nas paixões. O amor proibido por diversas razões alimentaria ainda mais o ódio ancestral que ao mesmo tempo unia e separava os Northumberland e os Douglas.

 

“Protegida atrás de uma moita de urzes, Mary Evans o viu chegar montado no mais bonito alazão que já tinha visto na vida. O animal brilhava de suor e o cavaleiro reluzia disposição e firmeza. Inicialmente, ela se assustou com a valentia que viu naqueles olhos verdes escuros, mas acabou seduzida pelo poder que emanava dele – uma força que se agigantava na robustez da montaria – e que, ao apear, somente aumentou sua exuberância, tão alto que era.” (p. 38)

 

“Nada podia ser como antes, algo mudara repentinamente, mas de maneira indelével; e seus planos tomaram outro rumo. Como podia se casar com o conde de Douglas se o cavalheiro do rio não lhe saía da mente?” (p. 57)

 

Até aqui contei apenas o comecinho das duas histórias, mas muita coisa (muita mesmo!) acontece em A Estrangeira. Trata-se de um romance riquíssimo, com muitas reviravoltas e muitos detalhes, mas nenhum deles fica solto. Achei bem bacana cada capítulo começar com uma citação e as notas de rodapé, tradicionais nas edições da Pedrazul, enriqueceram ainda mais a leitura. Foi ótimo a autora ter escrito as outras três novelas que compõem O Quarteto do Norte! Tendo terminado de ler o último livro, Fronteira da Paz, antes de terminar A Estrangeira, fiquei relembrando os detalhes das histórias e dos personagens. Só posso dizer que esses livros me deixaram com o que chamam de ressaca literária: seus personagens continuaram em meu pensamento por dias e ganharam lugar cativo em meu coração.

 

 

Título: A Estrangeira (O Quarteto do Norte, livro 1)
Autora: Chirlei Wandekoken
Editora: Pedrazul
Páginas: 344

 

 

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