[RESENHA] BRAVA SERENA, DE EDUARDO KRAUSE

[RESENHA] BRAVA SERENA, DE EDUARDO KRAUSE

 

Sinopse: “Após ter sido obrigado a se aposentar pela empresa onde trabalhou a vida inteira, Roberto Bevilacqua decide deixar o Brasil e se mudar para a Itália. Assim, planeja viver seus últimos anos em Roma, acompanhado apenas de remédios e lembranças. Ele só não conta com um milagre televisivo e com uma amizade que, entre um vinho e outro, vai redefinir o seu modo de encarar a vida, o tempo e o amor.”

 

A bem da verdade, estou lendo muito pouco de março pra cá. A pandemia da Covid-19 e seus efeitos na minha rotina acabaram deixando para os livros (e a escrita) momentos muitos raros no meu dia a dia. Cheguei a pensar que, estando mais em casa, leria mais. Mas eu não podia imaginar que estando mais em casa e em horário reduzido no trabalho eu acabaria trabalhando mais e acumulando ainda mais tarefas do que o normal. Mesmo assim, não estou em posição de reclamar. Pela forma que vivo, sou privilegiada.

Apesar de tudo, ao mesmo tempo em que estou “lendo pouco”, tenho lido livros incrivelmente maravilhosos. Brava Serena (Não Editora, 2018), do Eduardo Krause, foi o mais recente deles, continuando uma intensa viagem pela Itália iniciada com Ferrante, seguida por Starnone. Um belo trio literário, digo de antemão.

 

Leia também: Pasta Senza Vino, de Eduardo Krause.

 

A diferença é que com o Krause a gente faz uma viagem SUPER sensorial à Itália. Em Brava Serena, assim como em Pasta Senza Vino, a (minha) recomendação é que você nunca leia de barriga vazia, nem desprovido do seu vinho favorito no armário. Ainda assim é inevitável desejar comer tudo aquilo que salta das páginas, todos aqueles pratos descritos tão apaixonadamente pelos personagens. Além da experiência literária, seguramente você viverá uma experiência gastronômica. O que for possível (de preparar ou de comprar) você vai querer comer. Depois não diga que eu não avisei!

Agora, especificamente sobre Brava Serena: que livro! Falando por alto, a história é centrada no Roberto Bevilacqua, um viúvo idoso aposentado e sósia do ator italiano Marcello Mastroianni que decide viver seus últimos anos em Roma, onde em outros tempos ele viveu momentos muito felizes com sua esposa, Alice. Roberto planejou tudo, viveria entre lembranças, misturado aos italianos, na companhia apenas dos seus remédios e de um celular velho que não funciona mais para fazer ligações. Ele só não contava que conheceria Serena, uma jovem exuberantemente livre e bem fora do comum. Essa amizade até então improvável renderá momentos hilários, emocionantes, inesquecíveis… especialmente para nós, leitores.

 

“Eis os grandes pilares da terceira idade: atravancar o caminho e falar sem ser ouvido. A gente acostuma, não tem jeito. Quando se é velho, as saudades e os remorsos ocupam tanto espaço que não há lugar para nutrir novos pesares.”

 

E, olha, eu disse bem por alto mesmo. Essa viagem você precisa fazer por si mesmo, pode acreditar. E ir à Itália com sotaque porto-alegrense foi uma delícia! Talvez seja o meu lado “mãe que está imersa na cinematologia infantil neste período de isolamento social” falando agora, mas Roberto me lembrou muito a rabugice do Sr. Fredericksen de UP, Altas Aventuras. Em comum, eles têm a saudade da mulher amada e o sonho de reviver essas lembranças (acontecidas ou idealizadas) em locais distantes de casa. Belos personagens, ótimos para sairmos do lugar comum das narrativas exclusivamente sobre pessoas jovens, abundantes por aí. Já parou para pensar em quantos protagonistas idosos você já leu (ou parou para ouvir)?

Para agora estou com uma lista de filmes imensa do Mastroianni para assistir (só vi Gabriela), uma ressaca literária das boas e uma saudade imensa da Serena. Mas, conhecendo-a, quem não teria?

 

“Diferente da ficção, a vida não precisa ser verossímil.” (p. 74)

 

 

Sobre o autor: Eduardo Krause nasceu em 1980, em Porto Alegre. Publicitário formado pela UFRGS, em 2014 publicou seu primeiro romance: Pasta senza vino, história de amores e sabores ambientada em Florença, cidade onde morou por um ano. Brava Serena é o seu segundo romance, no qual retoma a temática ítalo-brasileira, prestando tributo a Roma e ao inesquecível Marcello Mastroianni.

 

 

Título: Brava Serena

Autor: Eduardo Krause

Editora: Não editora

Páginas: 320

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