julho 21, 2016

[LETRAS] LATIM, PRA QUE TE QUERO

latin

Estou iniciando, neste segundo semestre, o estudo da disciplina que está dentre as mais importantes do curso de Letras, o Latim. Voltarei a falar mais sobre as aulas na medida em que eu for assimilando o conteúdo. Enquanto isso, compartilho aqui o texto abaixo, retirado do blog Quando Tudo é Importante, que foi disponibilizado no ambiente virtual de boas vindas da disciplina Latim Genérico, na Plataforma Cederj.

 

DAD SQUARISI: LATIM, PRA QUE TE QUERO?

 Expulsaram o latim da escola há meio século. Não adiantou. Teimosa, a “linguinha” bate à nossa porta sem cerimônia. Na televisão, o ministro diz que é demissível ad nutum. O jornal anuncia que o presidente recebeu o título de doutor honoris causa. O advogado afirma que vai entrar com pedido de habeas corpus em favor do cliente.

 

Mais: a placa do restaurante ostenta o nome Carpe Diem. O professor pede: “Escreva assim, ipsis litteris”. O repórter considera sui generis a reação do candidato. O diplomata foi tratado como persona non grata. Dura lex, sed lex, consola o juiz.

 

Criaturas tão íntimas merecem tratamento respeitoso. A reverência impõe duas condições. Uma: grafá-las como manda a norma culta. A outra: dominar-lhes o significado. Vamos lá?

 

Ad nutum quer dizer à vontade. O empregado sem estabilidade pode ser demitido segundo o humor do patrão — a qualquer momento.

 

Honoris causa significa pela honra. Para ostentar o título de doutor, a maioria dos mortais tem de ralar. Mas pessoas ilustres podem chegar lá sem exame. Tornam-se doutores honoris causa.

 

 Habeas corpus é o nome da lei inglesa que garante a liberdade individual. Em português claro: que tenhas o corpo livre para te apresentares ao tribunal.

 

 Carpe Diem dá o recado: aproveita o dia de hoje. A vida é curta; a morte, certa.

 

 Ipsis litteris tem a acepção de textualmente — sem tirar nem pôr.

 

 Sui generis: ímpar, sem igual.

 

 Persona non grata: usada em linguagem diplomática para dizer que a pessoa não é bem-aceita por um governo estrangeiro. Pessoa que não é bem-vinda.

 

 Dura lex sed lex? Está na cara, não? É isso mesmo. A lei é dura, mas é lei.

 

 Reparou? As expressões latinas não têm acento nem hífen. Se aparecer um ou outro, elas perdem a originalidade. Entram, então, na vala comum dos compostos. Ganham hífen. Compare: via crucis e via-crúcis, habeas corpus e hábeas-corpus, in octavo e in-oitavo.

 

julho 13, 2016

[RESENHA] CARTAS EXTRAORDINÁRIAS

Sinopse: “Do comovente bilhete suicida de Virginia Woolf à receita que a rainha Elizabeth II enviou ao presidente americano Eisenhower; do pedido especial que Fidel Castro, aos catorze anos, faz a Franklin D. Roosevelt à carta em que Gandhi suplica a Hitler que tenha calma; e da bela carta em que Iggy Pop dá conselhos a uma fã atormentada ao genial pedido de emprego de Leonardo da Vinci – Cartas extraordinárias é uma celebração do poder da correspondência escrita, que captura o humor, a seriedade e o brilhantismo que fazem parte da vida de todos nós. Esta coletânea de mais de 125 cartas oferece um olhar inédito sobre os eventos e as pessoas notáveis da nossa história. O livro reproduz a maior parte dos fac-símiles das missivas, com sua transcrição e uma breve contextualização, além de ser ricamente ilustrado com fotografias e documentos. A engenhosa organização de Shaun Usher cria uma experiência de leitura que proporciona muitas descobertas, e cada nova página traz uma bela surpresa para o leitor. Não apenas um deleite literário, mas também um livro-presente inesquecível. Inclui cartas de: Zelda Fitzgerald, Dostoiévski, Amelia Earhart, Charles Darwin, Albert Einstein, Elvis Presley, Dorothy Parker, John F. Kennedy, Charles Dickens, Katharine Hepburn, Mick Jagger, Steve Martin, Emily Dickinson e muito mais. “Literalmente o volume mais delicioso que se poderia imaginar. Cada página é uma maravilha.” – The Spectator”

 

Quem é que não gosta de uma boa carta? No livro Cartas Extraordinárias: a correspondência inesquecível de pessoas notáveis, organizado por Shaun Usher e publicado pela Companhia das Letras, temos 125 missivas dos mais variados temas, o que nos proporciona ótimas histórias em um único livro.

Esta coletânea de 125 cartas oferece um olhar inédito sobre uma série de eventos e pessoas notáveis da história – não apenas personagens famosos, como também indivíduos ditos ‘comuns’ que viveram experiências extraordinárias. O livro reproduz a maioria dos fac-símiles das missivas, com sua transcrição traduzida e uma breve contextualização feita pelo organizador, além de ser fartamente ilustrado com fotografias e documentos.” (orelha do livro)

Abaixo, transcrevo a carta de número dez, sob o título Não consigo mais lutar, escrita por Virginia Woolf para o seu marido Leonard em março de 1941. Nela, a autora de romances como Mrs. Dalloway e Orlando, despede-se de seu companheiro pois não aguentava mais lutar contra a depressão.

Meu querido,

Tenho certeza de que vou enlouquecer de novo. Não podemos passar por mais uma daquelas crises terríveis. E, desta vez, não vou sarar. Começo a ouvir vozes e não consigo me concentrar. Por isso estou fazendo o que me parece a melhor coisa. Você me deu a maior felicidade possível. Você foi, sob todos os aspectos, tudo o que alguém poderia ser. Acho que não existiam duas pessoas mais felizes, antes de aparecer essa terrível doença. Não consigo mais lutar. Sei que estou estragando sua vida, que, sem mim, você poderia trabalhar. E eu sei que vai. Veja que nem consigo escrever direito. Não consigo ler. O que eu quero dizer é que devo a você toda a felicidade da minha vida. Você tem sido extremamente paciente comigo e incrivelmente bom para mim. Quero dizer que – todo mundo sabe disso. Se existisse alguém capaz de me salvar, seria você. Perdi tudo, menos a certeza de sua bondade. Não posso continuar estragando a sua vida.

Não creio que tenham existido duas pessoas mais felizes que nós.

V.”

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Ainda temos a receita de scones que a Rainha Elizabeth II enviou ao presidente dos EUA, Eisenhower; de um ex-escravo para o seu antigo dono que, aparentemente, desejava atraí-lo de volta ao trabalho escravo; de Emily Dickinson para Susan Gilbert, que foi amiga e, posteriormente, cunhada da autora, dentre outras histórias.

Cartas tristes, alegres, emocionantes e extraordinárias: esse é um livro para todos aqueles que gostam de uma boa história. Tanto faz se você lê de uma só vez ou ocasionalmente, ele é sempre uma ótima leitura.

 

 

 

Título: Cartas Extraordinárias: a correspondência inesquecível de pessoas notáveis.

Organização: Shaun Usher

Tradução: Hildegard Feist

Editora: Companhia das Letras

 

Compre pela Amazon: Cartas Extraordinárias

julho 02, 2016

[RESENHA] SÉRIE OLIVIA, DE IAN FALCONER

 

A dica hoje é para os papais que estão a procura de uma personagem tão encantadora (ou mais) que a Peppa Pig: a porquinha simpática da foto acima, Olivia, protagonista da série de livros e animação de autoria de Ian Falconer. Confira abaixo os títulos disponíveis em português, publicados pela Editora Globo.

 

Olivia

Sinopse: “Olivia é uma porquinha bem sapeca, que agita sem parar, sonha alto e topa todos os desafios. É uma menina hiperbólica: prova todas as roupas do armário, canta a plenos pulmões, constrói castelos de areia iguais ao Chrysler Building, pinta a parede do seu quarto imitando Jackson Pollock (para desespero de sua mãe). O que ela detesta mesmo é tirar uma soneca. Mesmo na hora de dormir, continua firme e forte, barganhando com sua mãe o número de livros a serem lidos na cama.

De modo divertido e encantador, Ian Falconer ilustra a carvão sua pequena heroína em inúmeras situações e atividades, acentuando com guache vermelho-bombeiro suas roupas e objetos, como batom, fitas de cabelo, sapatos de salto alto, escova de dente etc. O texto é enxuto, engraçado e algumas vezes irônico em relação às ilustrações, criando uma interação causticamente humorística. Juntos, texto e ilustrações despertam sorrisos e risadinhas, que os adultos apreciarão tanto quanto as crianças.” 

“Nos dias de chuva, Olivia gosta de ir ao museu.
vai direto ao seu quadro favorito.
Olivia olha para o quadro durante muito tempo.
O que ela poderia estar pensando?
Mas há um quadro que não a convence.
-Eu poderia pintar um quadro desses em cinco minutos – ela diz para a mãe.”

Olivia Ajuda no Natal

Sinopse: “Olivia ajuda no Natal, de Ian Falconer — o segundo da famosa série Olivia (best-seller nos EUA) —, é um pequeno grande livro infantil, assim como sua pequena grande personagem central. Pequena, porque Olivia é pequena mesmo; grande, porque tem uma personalidade que não cabe no mundo. Ah, sim: resta dizer que se trata de uma porquinha. Segundo sua biografia, “Olivia é uma porquinha sapeca, que agita sem parar, sonha alto e topa todos os desafios. É uma menina hiperbólica: prova todas as roupas do armário, canta a plenos pulmões, constrói castelos de areia, pinta a parede do quarto… O que odeia mesmo é dormir”. Já o livro, com muitas imagens e pouco texto (destina-se a crianças em fase de alfabetização, entre 5 e 7 anos), é no entanto bastante equilibrado na qualidade deles: as ilustrações foram criadas em carvão e guache sobre papel (uma técnica artística clássica), enquanto a tradução ficou a cargo de Deisa Chamahum Chaves. Nesse episódio natalino, que começa depois de um dia exaustivo de compras típicas da época — de pinheirinho a presentinhos, presentes e presentões —, não faltam oportunidades para Olivia ajudar os pais. Por exemplo, pondo-se a alimentar seu irmão caçula, um bebê — que ela, ao lhe oferecer carinhosamente torta de amora, faz vomitar… Ou então tentando, claro, arrumar a árvore — e caprichando no enovelamento dos fios com lampadazinhas… Mas tudo termina muito bem, e, desta vez, com uma Olivia que, tão feliz quanto exausta, não titubeia em dormir. Nem que seja para continuar a festa sonhando… “

Olivia disse: “Agora é hora de esperar.”

Sua mãe disse: “Agora é hora de ir deitar.”

Mas Olivia não estava com sono nenhum.

Ela se mexia e virava…

de um lado para o outro.

Uma hora com calor.

Depois com frio.

Então ouviu alguma coisa no telhado.

Seria o Papai Noel???”

Olivia Perdeu Seu Brinquedo

Sinopse: “Quem conhece os outros dois títulos da série infantil do autor e ilustrador Ian Falconer, Olivia e Olivia ajuda no Natal, provavelmente já virou fã desta graciosa porquinha incansável e incontrolável. Ela agita o tempo todo, não dá trégua a seus pais e aos dois irmãos e não quer saber de ir dormir. Cheia de energia, como toda criança, ela encanta os leitores com suas descobertas e com a capacidade de apresentar o ponto de vista infantil de uma forma singela e criativa.

Em Olivia perdeu seu brinquedo as crianças acompanham a solução de um mistério: o brinquedo favorito da porquinha sumiu sem deixar sinais. Preocupada, Olivia sai em busca de seu boneco, perguntando a todos sobre seu paradeiro e vasculhando mesmo os cantos mais assustadores de sua casa. Será que ela precisará substituir seu grande companheiro de aventuras imaginárias?

Com o peculiar traço do autor, as ilustrações (feitas em carvão e guache sobre papel) tornam ainda mais peculiar o universo da família de Olivia.” 

 

“Olivia estava passeando de camelo no Egito…

… quando sua mãe a chamou.

-É hora de levantar, filhinha.

Hoje você tem futebol.

Olivia não gostava da cor verde do seu uniforme.

-Mamãe, você pode me fazer uma camisa de futebol vermelha como esta? Por favor…

-Mas você vai ficar diferente das outras jogadoras do time – disse a mãe.

-É isso o que eu quero!”

 

Olivia Não Quer Ser Princesa

Sinopse “Ser princesa é a fantasia de todas as meninas. Todas? Não é bem assim. Que o diga a porquinha Olivia! Inquieta como sempre, e desta vez mais inconformada do que nunca, ela enfrenta uma crise de identidade infantil. Todas as suas amigas só querem saber de ser princesa, com vestido cor-de-rosa e varinha de condão. Olivia se pergunta: por que é que todo mundo tem de pensar do mesmo jeito, vestir as mesmas roupas, sonhar os mesmos sonhos? Ela queria ser diferente. Mas o que Olivia quer ser? Na nova aventura da série criada por Ian Falconer – Olivia não quer ser princesa, título recém-lançado pela Globinho –, a contestadora porquinha descobre que a vida é cheia de alternativas. E, usando toda sua criatividade e rebeldia, perturba os pais falando sobre as possibilidades de escolha que mais combinam com seu jeito todo próprio de ser. O que, afinal, Olivia gostaria de ser? O “papo cabeça” de Olivia com os pais em meio à rotina da família é entremeado de cenas fantasiadas pela garotinha – tudo capturado pelo traço minimalista do autor na forma de ilustrações divertidíssimas.” 

“Olívia estava arrasada!

-Acho que estou com crise de identidade- ela disse para os pais.

-Não sei o que vou ser!

-Bem, disse o pai-, você sempre será a minha princesa!

-Esse é o problema- disse Olivia. – Todas as meninas querem ser princesas.

-No aniversário de Pippa, todas as meninas estavam com vestido cor-de-rosa, saia de pregas com laços, coroa a varinha de condão. Inclusive alguns meninos.

-Fui de camisa listrada, calças de toureiro, sapatos pretos, colar de pérolas, óculos escuros, bolsa vermelha e meu chapéu de jardinagem – disse ela.” 

 

Até o momento, temos apenas esses títulos em português, mas segundo a página da Olivia na Wikipedia , a porquinha invocada tem muitas outras aventuras publicadas. A série também tem um canal no Youtube, infelizmente sem legendas ou dublagem em português. Por outro lado, uma boa oportunidade para treinar o inglês com as crianças!

 

 

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