março 03, 2017

[DIÁRIO] O QUARTETO SMYTHE-SMITH, DE JULIA QUINN

Embora eu seja uma amante de romances, principalmente dos históricos e de época, até o momento só conhecia Julia Quinn de ouvir falar. Falar muitíssimo bem, diga-se de passagem! Já havia planejado ler algum livro dela assim que possível, mas era um plano futuro, ainda não tinha comprado nenhum livro da autora.

Foi então que dois acontecimentos colocaram a autora no topo da minha lista de leitura: a postagem Vale a Pena Ler Julia Quinn? publicada no blog The Bookworm Scientist, escrita pela autora do blog, a Fernanda, com a participação da Luciana Darce, do Coruja em Teto de Zinco Quente (recomendo muitíssimo os dois blogs, sou leitora assídua e garanto, são leituras maravilhosas!). O outro acontecimento foi o cupom de desconto da página do facebook Amo Livros com Desconto, que viabilizou a compra do Box Quarteto Smythe-Smith a um preço incrível e frete grátis!

Antes de falar dos livros, preciso falar do box: não é um simples box; é o box mais lindo disponível no mercado brasileiro. Se não for o mais lindo, está no topo da lista. A Editora Arqueiro caprichou no acabamento da caixa, perdi vários minutos olhando tudo, sentindo a textura. Lembrou-me uma caixa para guardar instrumentos musicais, de tão delicada! Os livros, inclusive, têm essa mesma textura. As capas, além de lindas, são aveludadas. A caixa, caso você queira dispor os livros na estante, certamente servirá para guardar cartas, joias ou outros mimos diversos, começando pelos cartões e imãs do Quarteto Smythe-Smith que integram a coleção. Sim, estou babando. Mas é tudo muito lindo mesmo!

 

O box Quarteto Smythe-Smith.

 

Falando em carta, o box acompanha uma carta da autora, que reproduzo abaixo. Julia Quinn, pelo que vi até o momento é extremamente atenciosa e carinhosa com seus leitores!

Caro leitor,

Muitos anos atrás, enquanto eu escrevia uma cena do meu terceiro romance, na qual o mocinho e a mocinha assistiam a uma apresentação musical amadora, eu pensei: ‘música ruim é tão mais divertida do que música boa!’ Assim nasceu o concerto anual das Smythe-Smiths. Na minha versão da sociedade londrina do Período Regencial, elas eram notáveis: quatro moças tocando as piores e mais dissonantes versões de Mozzart que já chegaram aos ouvidos de uma plateia, mas sem parecerem ter a menos ideai de como eram péssimas.

Vários livros depois, me ocorreu: por que não fazer meus personagens atuais também passarem pela provação de um recital das Smythe-Smiths? Eu me diverti tanto trazendo a apresentação delas de volta que a coloquei em outro livro e depois em mais outro. Até que comecei a pensar naquelas pobres moças, forçadas a empunhar seus instrumentos musicais ano após ano. Elas tinham noção de como os concertos eram terríveis? Elas se incomodavam com isso? E, talvez o mais relevante, algumdia se apaixonariam?

No fim das contas, tive que escrever sobre elas. Simplesmente tive. E, como as Smythes-Smiths formavam um quarteto, a série precisaria ter quatro livros. Sou muito grata à Editora Arqueiro por decidir lançar todos os volumes ao mesmo tempo – Um verdadeiro quarteto!

Assim, é com imenso prazer que apresento as Smythe-Smiths (e sua péssima música) aos meus leitores brasileiros. Espero que você se divirta lendo sobre essa família tanto quanto eu me diverti escrevendo sobre ela.

Com carinho,

Julia Quinn.

Outra prova de que a autora é um amor com seus leitores é que ela compartilhou, recentemente, no facebook, justamente a postagem do já citado anteriormente, The Bookworm Scientist! Agora estou descobrindo por mim mesma que sim, vale muito a pena ler Julia Quinn.

 

O box, livros e mimos.

 

O próximo registro desse diário, aguardem, será a resenha de Simplesmente o Paraíso, primeiro livro do Quarteto Smythe-Smith e a minha porta de entrada para o fandom da maravilhosa Julia Quinn! Estou terminando o segundo livro e aproveitando todas as promoções possíveis para suspirar com a série que consagrou a autora no Brasil: Os Bridgertons.

 

Julia Quinn. Fonte: Facebook

SOBRE A AUTORA: Julia Quinn começou a trabalhar em seu primeiro romance um mês depois de terminar a faculdade e nunca mais parou de escrever. Seus livros já atingiram a marca de oito milhões de exemplares vendidos, sendo 3,5 milhões da série Os Bridgertons.

É formada pelas universidades Harvard e Radcliffe. Seus livros já entraram na lista de mais vendidos do The New York Times e foram traduzidos para 26 idiomas. Foi a autora mais jovem a entrar para o Romance Writers of America’s Hall of Fame, a Galeria da Fama dos Escritores Românticos dos Estados Unidos, e atualmente mora com a família no Noroeste Pacífico. Fonte: Editora Arqueiro.

 

O Quarteto Smythe-Smith.

 

Links para comprar na Amazon (comprando com os links disponibilizados aqui você ajuda o blog a crescer):

Box Quarteto Smythe-Smith  (coleção completa)

Livro Simplesmente o Paraíso

Livro Uma Noite Como Esta

Livro A Soma de Todos os Beijos

Livro Os Segredos de Sir Richard

março 02, 2017

[RESENHA] BRIDE AND PREJUDICE: ORGULHO E PRECONCEITO EM VERSÃO INDIANA

Bride and Prejudice, ou Noiva e Preconceito, em português, é a versão bollywoodiana de Orgulho e Preconceito, de Jane Austen. O filme é de 2004, mas só tive a oportunidade de assisti-lo nos últimos dias e foi uma grata surpresa.

Não é de hoje, contudo, que ouço falarem da versão indiana do clássico de Jane Austen. Preconceituosamente, achei, sem nem assistir, que seria um filme ruim, uma história forçada, com muita coreografia e maquiagem. Teve tudo isso, mas foi lindo.

Alguns personagens mantiveram os mesmos nomes do livro de Austen, outros, como Elizabeth Bennet, ganharam uma versão indiana. No caso de nossa protagonista, ela tornou-se Lalita Bakshi.

A história se passa em Amritsar, Índia, onde será realizado um casamento em que Mr. Bingley, no filme, Mr. Balraj, participa como padrinho do noivo. Willian Darcy, no filme um americano, e Kiran Balraj (Caroline Bingley), estão com ele na cerimônia. Balraj é de Nova Deli, mas mora na Inglaterra, onde conheceu Darcy quando este estudou em Oxford. É no casamento que os amigos conhecem a família Bakshi e começam a fazer conexões.

Deixando de lado a velha e maravilhosa fórmula que Jane Austen criou em seu romance mais famoso, em que o casal inicialmente se detesta, mas depois se apaixona, tendo que vencer os desafios causados pelo orgulho e pelo preconceito para ficarem juntos, este filme tem algo a mais. A questão cultural foi muito bem abordada, dentro do que era possível em uma adaptação curta como um filme.

“ – Você devia ter visto o rosto da Sra. Lamba! Balraj não dançou com nenhuma outra garota a noite toda. Sabia que ele não resistiria ao charme da minha linda Jaya.

 – Ou o seu, é claro.

 – Imagine, se Jaya fosse morar no Reino Unido, poderíamos visitá-la a qualquer hora.

 – Não gostaria de ver minhas filhas tão longe.

 – Mas temos tantas. Uma ou duas podem morar no exterior. Elas vão ganhar mais, e Deus sabe que elas vão precisar. Porque não temos recursos para dar à todas um dote decente.

 – Talvez devêssemos ter afogado uma ou duas quando nasceram.”

 

Na Índia, ainda hoje, infelizmente, é comum que as meninas sejam abortadas ou mortas após o nascimento, para evitar a despesa com dote e casamento. É mais vantajoso, dentro da tradição, ter um filho homem. Em um diálogo descontraído do filme, a fala do Mr. Bakshi, Mr. Bennet, no original, evidencia essa parte triste da cultura indiana.

A Sra. Bennet continua um espetáculo a parte. Nesta adaptação, Mrs. Bakshi procura maridos para as filhas até em site de relacionamentos indianos. Sim, porque a família não quer apenas um bom partido, ele também deve compartilhar de sua cultura.

Darcy, como esperado, acha tudo muito primitivo. Casamento arranjado, coreografias, um trânsito louco, internet ruim em seu hotel. Mas desde o primeiro momento Lalita mostra que a Índia é muito mais do que supõem pessoas preconceituosas como ele.

“ – Esse é o seu primeiro casamento indiano?

– Sim, Está sendo uma experiência e tanto.

– Você não está se divertindo?

– Não, estou sim. Acho esse negócio de casamento arranjado um pouco estranho. Não sei como as pessoas podem se casar sem terem conhecido um ao outro. Acho isso um pouco atrasado, você não acha?

– Isso é tão clichê. É diferente hoje em dia. É mais parecido com um serviço de namoro global. O noivo parece feliz. Os pais o forçaram a casar?

– Não, foi ele quem pediu aos pais que achassem uma noiva para ele. Ele estava ocupado gerenciando sua empresa. Ele só queria algo simples.

– Entendo. Então ele veio aqui. É isso que você acha também? Que a Índia é um lugar para encontrar uma mulher simples?

– Espere, não. Não foi isso o que eu quis dizer.

– É engraçado, os americanos pensam que têm respostas para tudo, incluindo casamentos. Bastante arrogantes, considerando que têm a maior taxa de divórcio do mundo.

(…) Mr. Balraj chama para dançar

– Escute, sou um péssimo dançarino, mas… bem, isso parece que você coloca uma lâmpada com uma das mãos e faz carinho num cachorro com a outra. Você me ensina?

– Sabe o que eu acho? Acho que você deveria achar alguém simples e tradicional para lhe ensinar a dançar como os nativos.”

 

A questão do imperialismo norte americano é mencionado rapidamente no casamento e novamente discutido na fala que, no livro, é sobre o padrão de mulher ideal para Darcy. Um fato interessante, que eu não vi até o momento em nenhuma outra adaptação moderna de Orgulho e Preconceito é que aqui, Lalita questiona se o alto padrão que Darcy buscava em uma parceira faria dele um homem ideal. Ponto positivo para Noiva e Preconceito, que outras adaptações que transportaram a história de Jane Austen para os tempos atuais deixaram passar.

“ – Certamente você teria problemas para encontrar sua mulher ideal na Índia. Não ouvi ‘simples’, ‘tradicional’, ‘subserviente’ na sua lista.

– Ora, vamos, me dê um tempo! Agora você está distorcendo minhas palavras.

– Você mesmo disse estar acostumado ao melhor. Tenho certeza de que acha que a Índia está abaixo de você.

– Se eu realmente pensasse assim, por que eu estaria pensando em comprar esse lugar? – disse referindo-se a um hotel de luxo.

– Você acha que isso é a Índia?

– Bem, você não quer ver mais investimentos, mais empregos?

– Sim, mas quem realmente se beneficiaria disso? Você quer que as pessoas venham para a Índia sem ter que lidar com os indianos.

– Ah, isso é bom. Lembre-me de colocar isso no folheto  de turismo. – diz olhando para Kiran (Caroline Bingley)

– Não é isso que todos os turistas querem aqui? Conforto cinco estrelas com um pouco de cultura no meio? Eu não quero que você transforme a Índia em um parque temático. Achei que estávamos livres de imperialistas como você.

– Não sou inglês, sou americano.

– Exatamente!”

 

Mr. Collins, nesta adaptação, Mr. Kholi, é um canastrão de marca maior. Engraçadíssimo, faz o perfil do indiano que foi para os Estados Unidos e acaba reproduzindo os preconceitos de quem é de lá. Após ganhar o Green card, considera-se superior aos seus compatriotas e à cultura de seu país natal. Lalita recusa a oferta maravilhosa de casar-se com ele e ir morar próximo a Hollywood, destino este aceito prontamente por sua amiga Chandra Lamba (Charlotte Lucas). O Collins mais legal que eu já vi, só perde para o original do livro.

 

Mrs. Catherine de Bourgh e Giogiana Darcy, aqui Catherine Darcy e Georgina “Georgie” Darcy, respectivamente, com a diferença que a primeira é a mãe de Darcy, e não tia, tiveram pouco destaque no filme. Interpretadas por Marsha Mason e Alexis Bledel (Gilmore Girls), suas aparições foram participações especiais. Tiveram certa importância na trama, mas foram muito rápidas. Até me surpreendi ao ver a Alexis Bledel entrar em cena. Gostaria de uma série em alguns episódios para poder ver mais das duas personagens, e também, claro, do Mr. Kholi.

 

Um ditado que eu achei muito lindinho, e que foi colocado de maneira muito sutil na trama é de que quando você espirra, alguém estaria pensando em você. Darcy e Lalita espirram diversas vezes no filme. Momentos singelos de puro romance.

As coreografias são perfeitas, e as músicas bem legais. Depois de assistir, duvido que você também não deseje viver em um filme indiano, em que tudo vira festa! O roteiro acertou em misturar a magia e a cor dos filmes indianos com a questão cultural, uma transição natural da obra de Austen, que abordou o social em Orgulho e Preconceito.

 

 

Confira o trailer abaixo (em inglês):

 

Resenha em colaboração com o blog Escritoras Inglesas.

fevereiro 28, 2017

[RESENHA] CRANFORD, ADAPTAÇÃO DA BBC

 

Cranford é uma série em cinco episódios feita pela BBC no ano de 2007. Foram adaptados três romances de Elisabeth Gaskell para a produção: Cranford, My Lady Ludlow e Mr. Harrison’s Confessions; além de um artigo de não-ficção chamado The Last Generation in England, também da autora, como fonte de pesquisa.

A história começa em junho de 1842: Miss Matty e sua irmã Deborah aguardam a chegada de Mary Smith, vinda de Manchester para uma temporada em Cranford. As duas irmãs são personagens centrais da cidade. Miss Deborah é tida como uma espécie de guardiã da moral, dos bons costumes e das tradições de Cranford.

Miss Matty, Mary Smith e Deborah Jenkyns

 

Cranford é a típica cidade pequena em que todo mundo sabe da vida de todo mundo. É uma localidade em que todos têm muito orgulho de suas tradições e fazem o possível para mantê-las. As mulheres têm um papel de destaque na sociedade local, em sua maioria são viúvas ou solteiras.

Logo no começo do primeiro episódio, Miss Matty diz: “Em Cranford, tudo pode acontecer…”. Você duvida que alguma coisa de relevante possa realmente acontecer em um lugar tão pacato, mas depois acaba percebendo que Miss Matty sabe muito bem o que está dizendo.

A chegada de um novo médico, Dr. Harrison, movimenta a cidade. Jovem, bonito e solteiro, ele tem tudo para abalar o coração das mulheres da cidade, o que pode causar muita confusão. Para completar, a iminência de uma linha de trem cortar a cidade preocupa as Sras. de Cranford, pois com isso viriam forasteiros que poderiam pôr em risco o equilíbrio do lugarejo.

Dr. Harrison

 

“Tudo ao nosso redor, a Inglaterra muda… Mas Cranford permanece igual. Suas mulheres são como Amazonas…” (Mary Smith)

Mulheres de Cranford.

 

Também conhecemos o jovem Harry, membro de uma família numerosa, com um pai omisso, que vê sua vida mudar quando Mr. Carter, administrador das propriedades de Lady Ludlow, lhe oferece trabalho e o ensina a ler.

Harry e Mr. Carter

 

Lady Ludlow é uma senhora rica e solitária que passa os seus dias a espera do retorno de seu filho Septimus, que há muito tempo está fora de casa. Não fica satisfeita ao ver que Harry pode ascender socialmente por meio do estudo e vai fazer o possível para impedi-lo. Ela é a típica personagem que você começa detestando, mas depois sente certa empatia por sua história. Foi uma das personagens que mais me surpreendeu, quando assisti pela primeira vez.

Lady Ludlow

 

Muitas histórias são contadas em Cranford, todas igualmente belas. Quem mora em cidade pequena se reconhece e reconhece alguns vizinhos nela. A BBC (como sempre) fez um belo trabalho nesta simpática adaptação que tem no elenco nomes consagrados como Judi Dench, Michael Gambon, Eileen Atkins, Jim Carter dentre outros. Vale muito a pena assistir e ter na coleção!

 

P.S.: Cranford é uma história para assistir e também para ler. Sim, temos o livro de Elizabeth Gaskel publicado em português pela Pedrazul Editora! Confira aqui: Cranford.

 

 

 

REFERÊNCIA:

https://en.wikipedia.org/wiki/Cranford_(TV_series)

 

Resenha em colaboração com o blog Escritoras Inglesas.

 

Tamires de Carvalho • todos os direitos reservados © 2020 • powered by WordPressDesenvolvido por