fevereiro 20, 2016

[RESENHA] SEJAMOS TODOS FEMINISTAS, DE CHIMAMANDA NGOZI ADICHIE

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Sinopse: “O que significa ser feminista no século XXI? Por que o feminismo é essencial para libertar homens e mulheres? Eis as questões que estão no cerne de Sejamos todos feministas, ensaio da premiada autora de Americanah e Meio sol amarelo. “A questão de gênero é importante em qualquer canto do mundo. É importante que comecemos a planejar e sonhar um mundo diferente. Um mundo mais justo. Um mundo de homens mais felizes e mulheres mais felizes, mais autênticos consigo mesmos. E é assim que devemos começar: precisamos criar nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos criar nossos filhos de uma maneira diferente. “Chimamanda Ngozi Adichie ainda se lembra exatamente da primeira vez em que a chamaram de feminista. Foi durante uma discussão com seu amigo de infância Okoloma. “Não era um elogio. Percebi pelo tom da voz dele; era como se dissesse: ‘Você apoia o terrorismo!'”. Apesar do tom de desaprovação de Okoloma, Adichie abraçou o termo e — em resposta àqueles que lhe diziam que feministas são infelizes porque nunca se casaram, que são “anti-africanas”, que odeiam homens e maquiagem — começou a se intitular uma “feminista feliz e africana que não odeia homens, e que gosta de usar batom e salto alto para si mesma, e não para os homens”. Neste ensaio agudo, sagaz e revelador, Adichie parte de sua experiência pessoal de mulher e nigeriana para pensar o que ainda precisa ser feito de modo que as meninas não anulem mais sua personalidade para ser como esperam que sejam, e os meninos se sintam livres para crescer sem ter que se enquadrar nos estereótipos de masculinidade.”

 

Sejamos Todos Feministas é uma versão adaptada da palestra que Chimamanda Ngozi Adichie ministrou em 2012, no TEDxEuston, conferência anual com foco na África. O E-book está disponível para download gratuito no site da Companhia das Letras e nas principais plataformas online. Também é possível adquirir a versão impressa a um preço bastante acessível.

O livro é muito importante para o momento atual do movimento feminista, pois ainda existe muita desinformação e a falsa crença de que o feminismo não é mais necessário, pois as mulheres já teriam conquistado tudo o que queriam e precisavam. Será?

 

“A palavra ‘feminista’ tem um peso negativo: a feminista odeia os homens, odeia sutiã, odeia a cultura africana (no caso da autora), acha que as mulheres devem mandar nos homens; ela não se pinta, não se depila, está sempre zangada, não tem senso de humor, não usa desodorante.”

 

A mulher que se assume publicamente como feminista fatalmente já ouviu ou foi acusada de alguma das coisas descritas acima. Sendo homem, a situação fica ainda pior: sua masculinidade é posta em xeque porque homem não pode ser feminista. Muitas vezes o homem que apoia a causa é criticado por feministas que o acusam de roubar o protagonismo do movimento. A autora é brilhante na questão de colocar o feminismo como sendo responsabilidade de todos, pois a igualdade beneficia a ambos os sexos.

Chimamanda conta que um amigo, Louis, certa vez lhe disse: “Não entendo quando você diz que as coisas são diferentes e mais difíceis para as mulheres. Talvez fosse verdade no passado, mas não é mais. Hoje as mulheres têm tudo o que querem.” Em um jantar com este amigo, a autora resolveu dar uma gorjeta ao manobrista, que tinha feito um ótimo trabalho em estacionar o seu carro em uma área com poucas vagas. O rapaz imediatamente agradeceu a Louis, que apenas estava acompanhando Chimamanda. Surpreso com a situação, Louis questionou o porquê de o funcionário tê-lo agradecido, já que não havia sido ele quem deu o dinheiro. A partir daí ele percebeu que as coisas são sim diferentes entre homens e mulheres e que o feminismo ainda pode ser relevante nos dias atuais. Pode parecer uma coisa boba, mas é só um exemplo do machismo há muito tempo enraizado em nossa sociedade.

 

“De forma literal, os homens governam o mundo. Isso fazia sentido há mil anos. Os seres humanos viviam num mundo onde a força física era o atributo mais importante para a sobrevivência. Quanto mais forte a pessoa, mais chances ela tinha de liderar. E os homens, de uma maneira geral, são fisicamente mais fortes. Hoje vivemos num mundo completamente diferente. A pessoa mais qualificada para liderar não é a pessoa fisicamente mais forte. É a mais inteligente, a mais culta, a mais criativa, a mais inovadora. E não existem hormônios para esses atributos. Tanto um homem como uma mulher podem ser inteligentes, inovadores, criativos. Nós evoluímos, mas nossas ideias de gênero ainda deixam a desejar.”

 

Ao longo da leitura percebemos o quão simples é o caminho para a mudança, ainda que ele seja repleto de percalços. Chimamanda fala daquilo que vivemos, com simplicidade e propriedade. Em tempos de opiniões confusas e mal embasadas em redes sociais, é muito bom ter um texto lúcido e esclarecedor sobre um tema tão importante. Em alguns momentos a fala da autora pode até parecer demasiadamente óbvia, mas de vez em quando alguém tem de dizer o óbvio para que continuemos seguindo em frente.

 

 

 

Título: Sejamos Todos Feministas
Autora: Chimamanda Ngozi Adichie
Tradução: Christina Baum
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 24

 

Se você não puder ler o livro no momento, veja a palestra que o deu origem abaixo (legendado em português):

fevereiro 16, 2016

[RESENHA] DIÁLOGOS IMPOSSÍVEIS

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Sinopse: “Qual um existencialista dotado de senso de humor, Verissimo persegue em suas crônicas o absurdo que marca a existência humana – salvo engano, a única que se preocupa com o seu propósito, o seu término e se alguém está falando demais na hora do pôquer. Em nenhum momento essa maldição se torna mais evidente do que na hora em que o homem abre a boca. Então, o que era para comunicar acaba é “estrumbicando”. Tais constatações podem ser verificadas em seu novo livro, Diálogos impossíveis, seja no diálogo imaginário de Don Juan tentando seduzir a própria Morte ou na conversa cotidiana de um casal que se desentende na hora de dormir. Tanto faz. O homem – e, sejamos igualitários, a mulher – parece falar o que não deve e calar no fundamental. Para sorte do leitor, Verissimo está sempre por perto, registrando os hilariantes momentos em que o ser humano exerce sua vocação para a confusão.”

 

Imagine um marido que tem como consultor financeiro o ursinho de estimação da mulher. O diálogo entre Drácula e Batman, já velhinhos em um asilo. Uma conversa sobre os bolsos de um defunto. E, o melhor de todos, na minha opinião, o diálogo entre Abraão e Isaque, muitos anos depois de Deus mandar o pai imolar seu único filho. Seriam diálogos impossíveis, não fosse o talento inquestionável de Luiz Fernando Veríssimo para nos entreter com suas crônicas.

O livro Diálogos Impossíveis é uma reunião de crônicas de Luiz Fernando Veríssimo, publicadas nos jornais O Estado de São Paulo e Zero Hora, lançado em 2012 e vencedor do Prêmio Jabuti em 2013, na categoria Melhor Livro do Ano de Ficção. Escolhi este título para o Desafio Corujesco de fevereiro pois sabia que seria uma leitura rápida e agradável. Não é à toa que o autor é um dos cronistas mais respeitados do país, nós podemos passar horas e horas lendo as suas crônicas sem cansar ou querer fazer outra coisa. Gostei bastante deste livro e quero procurar outros títulos de Luiz Fernando Veríssimo para ler ocasionalmente.

 

“– Não somos muito diferentes – diz Drácula.

– Somos completamente diferentes! – rebate Batman. – Eu sou o Bem, você é o Mal. Eu salvava as pessoas, você chupava o seu sangue e as transformava em vampiros como você. Somos opostos.

– E no entanto – volta Drácula com um sorriso, mostrando os caninos de fantasia – somos, os dois, homens-morcegos…

Batman come o resto do seu iogurte sob o olhar cobiçoso do conde.

– A diferença é que eu escolhi o morcego como modelo. Foi uma decisão artística, estética, autônoma.

– E estranha – diz Drácula. – Por que morcego? Eu tenho a desculpa de que não foi uma escolha, foi uma danação genética. Mas você? Por que o morcego e não, por exemplo, o cordeiro, símbolo do Bem? Talvez o que motivasse você fosse uma compulsão igual à minha, disfarçada. Durante todo o tempo em que combatia o Mal e fazia o Bem, seu desejo secreto era de chupar pescoços. Sua sede não era de justiça, era de sangue. Desconfie dos paladinos, eles também querem sangue.”

(p. 11)

 

 

Título: Diálogos Impossíveis
Autor: Luiz Fernando Veríssimo
Editora: Objetiva
Páginas: 176

 

Compre pela Amazon: Diálogos Impossíveis

 

 

 

 

fevereiro 14, 2016

[ETC.] OLÍVIA NÃO QUER SER PRINCESA

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Pesquisando alguns livros infantis para a biblioteca da Olívia, qual não foi a minha surpresa ao ver este título em vários blogs e sites como boa literatura para meninas! Fiquei apaixonada pela sinopse e vi que este é apenas um dos títulos da série Olívia, que tem até canal no Youtube! Infelizmente este título, Olívia não quer ser princesa, está indisponível em todas as lojas e sebos online que pesquisei… mas não vou desistir até encontrar um exemplar para a minha Olívia! Veja a sinopse:

Ser princesa é a fantasia de todas as meninas. Todas? Não é bem assim. Que o diga a porquinha Olivia! Inquieta como sempre, e desta vez mais inconformada do que nunca, ela enfrenta uma crise de identidade infantil. Todas as suas amigas só querem saber de ser princesa, com vestido cor-de-rosa e varinha de condão. Olivia se pergunta: por que é que todo mundo tem de pensar do mesmo jeito, vestir as mesmas roupas, sonhar os mesmos sonhos? Ela queria ser diferente. Mas o que Olivia quer ser? Na nova aventura da série criada por Ian Falconer – Olivia não quer ser princesa, título recém-lançado pela Globinho –, a contestadora porquinha descobre que a vida é cheia de alternativas. E, usando toda sua criatividade e rebeldia, perturba os pais falando sobre as possibilidades de escolha que mais combinam com seu jeito todo próprio de ser. O que, afinal, Olivia gostaria de ser? O “papo cabeça” de Olivia com os pais em meio à rotina da família é entremeado de cenas fantasiadas pela garotinha – tudo capturado pelo traço minimalista do autor na forma de ilustrações divertidíssimas.

Fonte: Globo Livros

 

No blog Livro de Infância, tem outras sugestões de livros bem legais que questionam o padrão menininha delicada. Vale a pena para quem também está procurando bons títulos infantis, sobretudo para meninas.

 

Folha de São Paulo também falou sobre o livro de Ian Falconer, na época de seu lançamento, em 2014.

 

ATUALIZAÇÃO: Consegui comprar alguns títulos da Série Olivia, veja aqui.

 

Título: Olívia não quer ser princesa
Autor: Ian Falconer
Tradução: Silvana Salerno
Editora: Globinho
Páginas: 34

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