maio 03, 2016

[RESENHA] COLEÇÃO PEQUENOS LEITORES, DE JENNIFER ADAMS E ALISON OLIVER

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Eu sempre gostei, mas agora que me tornei mamãe tenho me envolvido cada vez mais com o universo da literatura infantil! Na estante da Olívia, que já tem uma coleção de livros novinhos com o seu nome, há também um dos três livros da Coleção Pequenos Leitores, que apresenta às crianças os clássicos Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll e Romeu e Julieta, de Shakespeare. Como boa jainete que sou, comprei A pequena Jane Austen: Orgulho e Preconceito!

 

“Este livro apresenta às crianças, de forma moderna e especial, o universo da literatura clássica de Jane Austen, com Orgulho e preconceito. O texto simples e instigante, a iniciação nos números e o repertório de imagens e temas que remontam à sociedade inglesa do século XIX constituem elementos importantes para as primeiras leituras no mundo dos grandes clássicos da literatura.” (contracapa)

 

Esse livro é indicado para uma leitura orientada com a criança, pois apresenta elementos visuais do clássico de Jane Austen, mas sem recontar detalhadamente a história. Basicamente, são dez itens para a criança contar. Ao invés de bolinhas, estrelinhas ou coisas do tipo, a criança contará “cinco irmãs: Jane, Elizabeth, Lydia, Kitty e Mary”. Digo isso pois já li muitas reclamações desse livro na internet, do tipo “não conta nenhuma história”. Na verdade, A Pequena Jane Austen: Orgulho e Preconceito, assim como os outros títulos, serve como um incentivador para despertar o interesse nos grandes clássicos da literatura, mas é o adulto que deve apresentar e direcionar as leituras das crianças. As ilustrações são lindas, vale muito a pena ter na estante dos pequenos!

 

Veja os outros títulos da coleção:

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Daniel Pereira

 

Compre na Amazon: A Pequena Jane Austen e O Pequeno Shakespeare.

abril 12, 2016

[ETC.] TAG LIVROS OPOSTOS

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Fonte: in-dissoluvel.tumblr.com

 

A Lethycia Dias, do blog Loucura por Leituras, me indicou para responder a TAG livros opostos, que consiste em falar sobre livros de acordo com dez questões preestabelecidas. Confesso que algumas perguntas foram bem complicadas, mas todas foram respondidas com a máxima sinceridade! Confira abaixo:

 

1) O primeiro livro da sua coleção e o último comprado.

Vou considerar como o primeiro livro da minha coleção aquele que eu mesma comprei, com o meu dinheiro, em uma feira de livros usados que eu fui há bastante tempo: O Diário de Taty, da Heloísa Périssè. Na época, falar “tipo assim, cara, fala sério!” era moda e eu aproveitei bastante a leitura.

 

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O último, na verdade, os últimos, foram Mary Poppins, da P. L. Travers, e Coraline, do Neil Gaiman. Aproveitei uma promoção da Amazon para comprar os dois pois estou montando a biblioteca da minha florzinha que vai nascer. Coraline eu já li em epub e gostei muito e Mary Poppins, por enquanto, só assisti ao filme, que é maravilhoso.

 

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2) Um livro que você pagou barato e um que você pagou caro.

Um livro que eu amei e paguei bem baratinho foi Um Bonde Chamado Desejo, escrito por Tenesse Williams. Me custou R$ 2,00 e a compra foi feita em uma calçada no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, quando fui visitar uma amiga. Edição antiga, de capa dura, com introdução falando de inúmeras adaptações da peça, com fotos coloridas. Um verdadeiro achado!

 

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Um que eu paguei caro foi Os Mistérios de Udolpho, de Ann Radcliffe. Mas, veja bem: não sou o tipo de pessoa que acha livro caro. Para mim, ou tenho dinheiro no momento para comprá-lo, ou não tenho. Existe uma série de coisas a se levar em consideração ao comprar um livro, especialmente quando se trata de um clássico da literatura. No caso de Udolpho, o comprei um pouco mais barato do que está sendo vendido agora, pois era pré-venda e também adquiri os dois volumes de uma só vez. Trata-se de um livro que não tinha edição em português até a Pedrazul Editora lançá-lo, e eu, como muitos fãs de Jane Austen, sobretudo do livro A Abadia de Northanger, tinha um enorme desejo em tê-lo em minha estante. Então, dependendo do livro, vale a pena apertar um pouquinho o orçamento e fazer a compra. Foi uma leitura muito boa, valeu a pena o gasto. Fiz resenha dos dois volumes para o blog Escritoras Inglesas, confira pelos links abaixo:

 

Resenha de “Os Mistérios de Udolpho”, Vol. 1.

Resenha de “Os Mistérios de Udolpho”, Vol. 2.

 

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3) Um livro com protagonista homem e um livro com protagonista mulher.

Minha indicação, na verdade, vai para um livro com protagonista menino: Extraordinário, da R. J. Palacio. É um livro maravilhoso, recomendo a todos!

 

Um livro com protagonista mulher que eu devorei e também gosto bastante do filme é Garota Exemplar, da Gillian Flynn. Simplesmente adorei, um best-seller de qualidade e original ao mesmo tempo, o que tem sido difícil de encontrar por aí.

 

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4) Um livro que você leu rápido e um que você demorou a ler.

Um livro que geralmente muitas pessoas dizem que é uma leitura complicada, demorada etc., e eu li em poucos dias e virou um dos meus favoritos da vida foi Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Marquez. Para mim a leitura fluiu muito bem.

 

Um livro que é muito bom, muito bem escrito, mas que eu demorei bastante para terminar foi Madame Bovary, de Gustave Flaubert. Dificilmente ele entrará na minha lista de releituras, pois o achei muito cansativo. Um outro caso parecido foi As Relações Perigosas, de Chordelos de Laclos. Um ótimo livro, mas muito cansativo para o meu gosto.

 

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5) Um livro com a capa feia e um com a capa bonita.

Com a capa feia… ah, fico sem jeito de falar. Parece bullying com o livro!

 

Uma das capas mais belas da minha estante é sem dúvida Agnes Grey, de Anne Brontë. As edições da Pedrazul Editora também têm capas lindíssimas, fica até difícil escolher a mais bela!

 

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6) Um livro brasileiro e um estrangeiro.

Um livro brasileiro que gosto muito é Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. É um livro maravilhoso! Também sou muito fã de Dom Casmurro, do mesmo autor.

 

Um livro estrangeiro que foi um divisor de águas na minha vida de leitora é Orgulho e Preconceito, de Jane Austen. A partir da leitura dele eu descobri a literatura clássica inglesa, que hoje eu tanto amo!

 

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7) Um livro mais fino e um livro mais grosso.

Um livro fininho, mas muito bom, é Sejamos Todos Feministas, da Chimamanda Ngozi Adichie. São 24 páginas falando sobre o feminismo atual. O livro é a adaptação de uma palestra que Chimamanda fez no TEDxEuston, disponível legendado no youtube e também aqui no blog.

 

Um livro grosso, talvez o mais grosso da minha estante, ganhando de Anna Kariênina, do Tolstói, é David Copperfield, de Charles Dickens. É um belo calhamaço!

 

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8) Um livro de ficção e um de não ficção.

Um de ficção que eu recomendo a todos: O Sol é Para Todos, de Harper Lee.

 

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Um livro de não ficção que eu adorei e recomendo para todos os fãs da série Downton Abbey é O Mundo de Downton Abbey, de Jessica Fellowes. Uma edição belíssima da Editora Intrínseca, toda ilustrada, com curiosidades históricas (1912-1919) utilizando o contexto das primeiras temporadas da série.

 

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9) Um livro meloso e um livro de ação.

Um livro meloso só poderia ser do rei dos livros melosos, Nicholas Sparks: Um Amor Para Recordar. É um dos meus favoritos dele, embora, confesso, já não leio tantos livros do autor como fazia há algum tempo.

Um livro de ação é o nacional Elite da Tropa, de Rodrigo Pimentel. Não foi uma leitura que eu amei, apesar de ter gostado do filme.

 

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10) Um livro que te deixou feliz e um que te deixou triste.

É difícil falar um livro que me deixou feliz, pois toda leitura é uma conquista, uma felicidade. Mesmo os livros mais difíceis, os técnicos etc., nos empurram para frente. Vou listar aqui um livro divertido que li a pouco tempo, o Diálogos Impossíveis, de Luiz Fernando Veríssimo. Uma leitura rápida e agradável, do autor nacional que é mestre das crônicas.

 

Um livro triste que li recentemente é o Como Eu Era Antes de Você, da Jojo Moyes. Amei o livro, a história, mas… terminei soluçando e a leitura me deu uma ressaca danada! Ainda assim, é um livro que eu recomendo.

 

Adorei responder as perguntas e as deixo para quem quiser também responder nos comentários ou refletir sobre a sua estante e livros lidos. Até a próxima!

 

abril 07, 2016

[RESENHA] PROFISSÕES PARA MULHERES E OUTROS ARTIGOS FEMINISTAS

Sinopse: “Profissões para mulheres e outros artigos feministas reúne sete ensaios de Virginia Woolf nos quais ela questiona a visão tradicional da mulher como “anjo do lar” e expõe as dificuldades da inserção feminina no mundo profissional e intelectual da época. Numa era em que o papel da mulher modifica-se cada vez mais rapidamente, as críticas e reflexões de Virginia mostram que a autora estava à frente de seu tempo. Uma das romancistas mais inovadoras da literatura inglesa, Virginia Woolf (1882-1941) notabilizou-se também como uma das precursoras do feminismo contemporâneo. Além dos seus clássicos modernistas Mrs. Dalloway e Rumo ao farol, escreveu artigos nos quais explorou sem igual a questão da mulher e seu papel em uma sociedade dominada por homens, ideias que ajudaram a pavimentar o caminho do movimento feminista.”

 

Profissões para Mulheres e Outros Artigos Feministas foi o primeiro livro de Virginia Woolf que li; definitivamente amor à primeira página! São sete ensaios de leitura super-rápida que podem mudar a visão que muitas pessoas têm do feminismo. Em tempos de opiniões calorosas (mas com pouca ou nenhuma fundamentação teórica) em redes sociais, nada como ler algo escrito por alguém que foi e ainda é referência para o movimento.

Profissões para mulheres é o primeiro ensaio, seguido de A nota feminina na literatura; Mulheres romancistas; A posição intelectual das mulheres; Duas mulheres; Memórias de uma União das Trabalhadoras e Ellen Terry. Todos têm o seu valor, contudo, abaixo, elenco os meus dois favoritos e os quais retorno ocasionalmente quando preciso me lembrar do porquê ler bons artigos e livros com temática feminista ainda é tão importante e relevante na sociedade atual.

O ensaio que abre este livro foi lido pela Sra. Woolf para a Sociedade Nacional de Auxílio às Mulheres em 21 de janeiro de 1931. Supostamente seria uma realidade distante da nossa, pois trata-se de um texto de oitenta e quatro anos! Ledo engano. Este ensaio poderia ser lido em um auditório lotado de mulheres hoje mesmo e facilmente muitas delas se reconheceriam nele. A autora fala de um fantasma que muitas vezes precisamos enfrentar, o “Anjo do Lar”. Tal “Anjo” é uma alusão a um poema de Coventry Patmore que celebrava o amor conjugal e idealizava o papel doméstico das mulheres. Percebe que ele ainda está entre nós?

“Na verdade, penso eu, ainda vai levar muito tempo até que uma mulher possa se sentar e escrever um livro sem encontrar um fantasma que precise matar, uma rocha que precise enfrentar. E se é assim na literatura, a profissão mais livre de todas para as mulheres, quem dirá nas novas profissões que agora vocês estão exercendo pela primeira vez? (…) Mesmo quando o caminho está nominalmente aberto – nada impede que uma mulher seja médica, advogada, funcionária pública –, são muitos, imagino eu, os fantasmas e obstáculos pelo caminho. Penso que é muito bom e importante discuti-los e defini-los, pois só assim é possível dividir o trabalho, resolver as dificuldades. Mas, além disso, também é necessário discutir as metas e os fins pelos quais lutamos, pelos quais combatemos esses obstáculos tremendos. Não podemos achar que essas metas estão dadas; precisam ser questionadas e examinadas constantemente.” (trecho de Profissões para mulheres, ps. 17 e 18)

 

Em outro ensaio de destaque nesta coletânea, A posição intelectual das mulheres, Virginia Woolf contrapõe as opiniões negativas que o romancista Arnold Bennett publicou em uma coletânea de ensaios, sob o título Nossas mulheres: capítulos sobre a discordância entre os sexos. Bennet acreditava que as mulheres eram intelectualmente inferiores aos homens; proposição que levou a autora a pensar mais sobre o assunto, resultando no livro Um Teto Todo Seu. Em outubro de 1920, Desmond MacCarthy publicou uma resenha favorável do livro de Bennett, sob o pseudônimo de Falcão Afável. Virginia Woolf fez um comentário sobre a resenha e ele foi publicado; seguido de uma réplica e uma tréplica de Falcão Afável. É um “diálogo” maravilhoso, em que temos vontade de bater palmas para a Sra. Woolf no final.

“O fato, como penso que havemos de concordar, é que as mulheres, desde os primeiros tempos até o presente, têm dado à luz toda a população do universo. Essa atividade toma muito tempo e energia. Tal fato também levou a se sujeitarem aos homens e, diga-se de passagem – se fosse essa a questão –, desenvolveu nelas algumas das qualidades mais admiráveis e apreciáveis da espécie. Discordo de Falcão Afável não porque ele negue a atual igualdade intelectual entre homens e mulheres. E sim porque afirma, com Mr. Bennett, que o espírito da mulher não é sensivelmente afetado pela educação e pela liberdade; que é incapaz das mais altas realizações, e que deve permanecer para sempre na condição em que se encontra agora. Devo repetir que o fato de terem as mulheres se aprimorado (que Falcão Afável agora parece admitir) mostra que elas podem se aprimorar ainda mais; pois não consigo entender por que haveria de se impor um limite a seu aprimoramento no século XIX, e não, por exemplo, no século CXIX. Mas o que é necessário não é apenas a educação. É que as mulheres tenham liberdade de experiência, possam divergir dos homens sem receio e expressar claramente suas diferenças (pois não concordo com Falcão Afável que homens e mulheres sejam iguais); que todas as atividades mentais sejam incentivadas para que sempre exista um núcleo de mulheres que pensem, inventem, imaginem e criem com a mesma liberdade dos homens e, como eles, não precisem recear o ridículo e a condescendência. Essas condições, a meu ver muito importantes, são dificultadas por declarações como as de Falcão Afável e Mr. Bennett, pois para um homem ainda é muito mais fácil do que para uma mulher dar a conhecer suas opiniões e vê-las respeitadas. Não tenho dúvidas de que, caso tais opiniões prevaleçam no futuro, continuaremos num estado de barbárie semicivilizada. Pelo menos é assim que defino a perpetuação do domínio de um lado e, de outro, da servilidade. Pois a degradação de ser escravo só se equipara à degradação de ser senhor.” (trecho de A posição intelectual das mulheres, ps. 50 e 51)

 

Profissões para Mulheres e Outros Artigos Feministas é aquele livro que nos abre os olhos; uma leitura para ser feita ocasionalmente, como toda a obra de Virgínia Woolf. Com esse livro me descobri uma amante da leitura de ensaios, tendo os da Sra. Woolf um espaço especial na minha cabeceira.

 

 

Título: Profissões para Mulheres e Outros Artigos Feministas
Autora: Virginia Woolf
Tradução: Denise Bottmann
Editora: L&PM Pocket
Páginas: 112

Compre na Amazon: Profissões para mulheres e outros artigos feministas.

 

Resenha em colaboração com o blog Escritoras Inglesas, atualizada em 12/07/2018.

 

 

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