maio 31, 2019

[DIÁRIO] EM NÁPOLES COM ELENA FERRANTE: UMA JORNADA INESQUECÍVEL

As atrizes Margherita Mazzucco e Gaia Girace, Lenu e Lila na adapatação da HBO “My Brilliant Friend”.

 

Quando eu terminei a leitura do segundo livro da série napolitana, História do novo sobrenome, ficou bem claro para mim que eu não faria resenha das sequências de A amiga genial. Não porque foi uma experiência de leitura ruim, muitíssimo pelo contrário. Foi uma jornada tão boa, mas TÃO boa, que eu não conseguiria escrever nada mais relevante que um breve resumo cheio  de spoilers dos acontecimentos da juventude, maturidade e velhice de Lila e Lenu, além da minha visão apaixonada da leitura (óbvio).

Por outro lado, não posso deixar de compartilhar um pouco da experiência que tive com essa jornada. A série napolitana tem mais de 1.500 páginas, o que pode parecer muito para quem nunca teve contato com a escrita limpa e certeira de Elena Ferrante. Eu mesma fiz uma aposta ao comprar os quatro livros de uma só tacada em janeiro — depois acabei comprando os e-books também! — pois, mesmo sem ter muita certeza se teria tempo ou disposição para encarar uma leitura tão longa, já que não sou (era) muito fã de longas séries de livros em torno dos mesmos personagens, tive medo de terminar de ler um e sofrer até poder comprar o seguinte. E foi exatamente assim que aconteceu, essa urgência de querer ler mais logo em seguida: terminei o primeiro, corri na estante e já li quase cem páginas do segundo. E assim sucessivamente, até não ter mais sequência alguma para ler.

 

A série napolitana na minha estante (levemente bagunçada).

 

A tetralogia napolitana mudou o meu conceito sobre longas histórias, mais precisamente, sobre série de livros. Eu leria ainda mais sobre Lila e Lenu, com mais detalhes, porque depois de ler a última frase do último livro, eu fiquei perdida e ainda não sei muito bem qual caminho seguir. Apenas os ótimos livros têm o poder de nos deixar assim.

O primeiro livro, A amiga genial (tem resenha aqui), é maravilhoso, mas é mais lento que os outros. Sugiro que, caso você tenha lido e não tenha sido arrebatado pela história, comece já o segundo livro. Essa série é como uma montanha russa: no primeiro livro estamos subindo pelos trilhos, a expectativa vai crescendo aos poucos. Já no segundo e no terceiro, damos voltas e mais voltas; o estômago, o cérebro, fica tudo fora do lugar. O último livro é o finalzinho do passeio, ainda mexe com a gente, mas sabemos que logo chegará o momento em que o carrinho vai desacelerar e vamos voltar ao ponto de partida.

Talvez não faça muito sentido o que estou dizendo aqui, mas é exatamente como me sinto em relação a esses livros. Honestamente, não pensei que essa leitura ia ser tão significativa, mas a ressaca está tão grande que eu não vejo a hora de ler tudo de novo, e mais outra vez!

 

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Enquanto a segunda temporada não chega, está disponível na HBO GO o documentário “My True Brilliant Friend”, que mostra a trajetória e os desafios das atrizes iniciantes Margherita Mazzucco e Gaia Girace ao interpretarem Lenu e Lila. É uma ótima forma de matar a saudade da série e também uma boa pedida para quem gosta de ver os bastidores de uma adaptação. Tem duração de pouco mais de uma hora e é bem dinâmico ao acompanhar as atrizes de forma bastante espontânea, sem muitas enrevistas e roteiro pré-definido (pelo menos passa essa impressão). Fiquei abismada com a semelhança que as atrizes, com o passar do tempo e com as filmagens, adquirem com suas personagens. Em certo ponto a gente fica convencido que ali estão, de fato, Lenu e Lila. Recomendo muito. Recomendo tudo (livros, série, documentário)!

 

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A série napolitana, de Elena Ferrante, tem tradução de Maurício Santana Dias e foi publicada no Brasil pela editora Biblioteca Azul.

Compre os livros na Amazon: Série Napolitana

 

A HBO adaptou o primeiro livro com a série My Brilliant Friend, que já teve a segunda temporada confirmada (a programação é que se produza uma temporada para cada livro).

 

maio 24, 2019

[DIÁRIO] OS MELHORES CONTOS DE FADAS NÓRDICOS: EDIÇÃO DE COLECIONADOR DA EDITORA WISH

Sinopse: Contos de fadas antigos e raros que vieram diretamente dos países Nórdicos

Cultura, tradições e criaturas traduzidas dos livros antigos, em uma edição linda com 320 páginas e histórias ilustradas!

Entre dezenas de livros encantadores do passado, datando dos séculos XVII e XVIII, foram selecionados os melhores contos de fadas Nórdicos, que descobrem a cultura da Dinamarca, Suécia, Noruega, Islândia e Finlândia. Com mais de dez autores diferentes como Peter Asbjørnsen, Jørgen Moe, Klara Stroebe, Hans Christian Andersen, Parker Fillmore, Svend Grundtvig, Mrs. Angus W. Hall, Marie Timme, G. Djurklou, Helena Nyblom, Anna Wahlenberg e Helge Kjellin.”

 

Outro dia mesmo eu postei aqui várias fotos do livro Contos de Fadas em suas versões originais, da Editora Wish. Como eu disse antes, essas histórias parecem já ter nascido junto com a gente, dentro da nossa cabeça, muito disso por estarmos expostos a essas narrativas e às variações delas desde a infância. Com os contos de fadas nórdicos a coisa já muda um pouco de figura, pelo menos no meu caso. Não conheço muita coisa além do que já li pelo Neil Gaiman, com seu livro Mitologia Nórdica. Mas conto de fada é conto de fada, para quem gosta é sempre uma viagem interessante ao passado, onde a literatura já tinha força antes mesmo da palavra impressa no papel, por meio da tradição oral. É muito bom poder conhecer outra cultura por meio de suas antigas histórias em uma edição tão caprichada como esta da Wish! Veja o livro em detalhes nas fotos abaixo:

 

 

 

 

 

 

 

Veja abaixo a lista de contos dessa edição:

Populares

A Leste do Sol e Oeste da Lua
Per Gynt (originou música homônima)
Por que o mar é salgado
A noiva da Floresta
Kari Capa Dura (versão nórdica de Cinderella)
A Criança Trocada
O Rei Dragão
O Castelo de Soria Moria
A giganta e o barco de granito
O gato em Dovrefjell
Poderoso Mikko
Rei Valemon, o Urso Branco

Raros

A flor da Islândia
Lindaura e o velho Rei
Lasse, meu vassalo! (Semelhante a Aladdin)
O anel
A noiva galhuda
O homem de neve
Heiemo e o Nokk
A saga do alce e da Princesa Tuvstarr
Perconauta e os Trolls
O monte élfico
O vizinho subterrâneo
Tempestade mágica
A última morada dos gigantes

 

 

 

 

 

Contos de Fadas em Versões Originais e Contos de Fadas Nórdicos, ambos da editora Wish.

 

Lombadas!

 

 

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maio 24, 2019

[RESENHA] OS FILHOS DO PÔR-DO-SOL (AS ESTAÇÕES, LIVRO 3) DE ANNA FAGUNDES MARTINO

Sinopse: “Em 1947, Éamonn Delaney se vê em uma posição complicada. Ele herdou uma residência com fama de assombrada e está cuidando sozinho de um grupo de ex-prisioneiros de guerra traumatizados. Para conseguir dar conta de tudo, Éamonn apela para as forças do Outro Lado, que salvaram sua vida anos antes. No entanto, a batalha também causou muitos danos aos misteriosos jardineiros que auxiliam Éamonn, e talvez magia e plantas não sejam suficientes para consertar todos os problemas…”

 

ATENÇÃO: A resenha abaixo pode conter spoilers dos dois livros anteriores desta série. Mas não muito, prometo!

Leia a resenha de A Casa de Vidro (As Estações, Livro I)

Leia a resenha de Um Berço de Heras (As Estações, Livro II)

 

Eu tinha alguns meses de blog quando li A Casa de Vidro, primeiro livro da série As Estações, da escritora e editora Anna Fagundes Martino. Lembro-me bem, até hoje, passados quase três anos dessa publicação, o quão fascinada eu fiquei pela escrita suave da Anna e também por aquele universo que eu não entendi tão bem logo de cara, confesso, mas, ao mesmo tempo, fez sentido para mim, me encantou completamente. No ano seguinte, Um berço de heras, a continuação dA Casa de vidro, furou a fila e foi lido logo no lançamento. Deixou saudades no final, com a promessa de que voltaria com Os filhos do pôr-do-sol, com lançamento previsto para o dia 25 de maio, mas que eu tive o prazer e o privilégio de ler antecipadamente, com a cortesia da autora.

Os filhos do pôr-do-sol, assim como os livros anteriores, é uma leitura delicada, perfeita para ser feita em uma única sentada. Digo isso porque é impossível largar o e-book até ler a última linha. Um capítulo vai puxando o outro e o outro até terminar.

O livro começa com o que seria o presente (em 1982) da propriedade Amaranthe Hall com sua casa de vidro. Uma famosa escritora, Marjorie Claire, teria se inspirado no local e escrito uma série de livros de fantasia, adaptados com sucesso pela BBC. São histórias sobre plantas e seres de outro mundo, um tipo bem particular de fadas que fazem crescer flores de onde menos se possa imaginar. Os lindos jardins de Amaranthe Hall, inspiração para esses livros, antes foi residência de Eleanor, depois de Mark e também de Stella, além de lar refúgio para Éamonn Delaney, seus filhos e vários sobreviventes dos conflitos da Segunda Guerra Mundial.

Voltando ao passado, em 1947, vemos que Amaranthe Hall torna-se uma casa de repouso para ex-combatentes atormentados pelos horrores nos campos de batalha. Éamonn Dalaney é o responsável pelo lugar, tendo como ajudantes seus filhos Stíofan e Seaghán, seres híbridos, como a mãe deles, Stella. Além deles, temos duas outras personagens que movimentam bastante a trama: Millie e Margaret. A primeira, uma jovem simples, mas bastante encantada pelo mundo das plantas e aberta ao inexplicável. Já Margaret, é uma noviça profundamente conhecedora das leis de Deus e se surpreende com as pessoas e todas aquelas flores que ela encontra no peculiar sanatório.

 

“A casa era dominada por flores de todos os tipos: em vasos de cristal e de porcelana em cada uma das salas, em canteiros especiais pendurados nas janelas e em todo e qualquer espaço arável do lado de fora. Onde antes havia plantações de batatas, cenouras ou beterrabas para alimentar o esforço de guerra, agora nasciam, aparentemente sem esforço, rosas e cravos, margaridas e papoulas, crisântemos e narcisos em tons que não se encontravam em floriculturas, ou em nenhum outro jardim naquele cruel fim de inverno. Não havia muita organização nos canteiros, apenas cor: onde houvesse espaço, cresciam plantas.”

 

“Meu avô dizia que as pessoas por aqui tinham regras demais. — Seaghán se afastou um pouco do vaso, pensativo. — Quão pouco mudou, apesar de tudo.”

 

Sem dar muito mais revelações do enredo, Os filhos do pôr-do-sol é uma novela emocionante sobre um período histórico sempre doloroso de tratar, o pós-guerra e seus efeitos, mas sem o peso e o horror que encontramos em livros com essa temática. Aqui o foco são as pessoas e as maravilhas que podem ser criadas por elas ou a partir delas. Na verdade, essa série mostra com muita sensibilidade como as pessoas podem se reconstruir através do amor, da entrega e da cumplicidade. As fadas e as plantas, além de todas as flores que a gente tenta imaginar, são o toque especial que o gênero de fantasia tem para levar brilho aos nossos olhos. Foi o toque que a Anna encontrou para nos cativar com os seu universo botânico que se despede agora com esse livro. Queria não falar novamente em saudade, já que nós sempre podemos reler os livros. Mas eu estaria mentindo ou omitindo esse sentimento, pois leria com prazer ainda sobre uma infinidade de descendentes de Eleanor e Sebastian, híbridos de feéricos e humanos.

 

“Os jardins de Amaranthe Hall pareciam tanto com um paraíso terreno que ele precisou se sentar para recuperar o fôlego.

— Como isso aconteceu? — O funcionário olhou para Éamonn.

— Magia. — O jardineiro deu de ombros. — Magia e amor.

O funcionário franziu a testa, achando que estava lidando com mais um irlandês metido a poeta. Éamonn, porém, olhou para seus filhos e piscou um olho. Ele tinha dito a verdade. Uma pena que ninguém acreditaria.”

 

 

 

Título: Os filhos do pôr-do-sol (As Estações, Livro 3)

Autora: Anna Fagundes Martino

Editora: Dame Blanche

Páginas: 86

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