janeiro 27, 2020

[RESENHA] ADEUS, GANA, DE TAIYE SELASI

Sinopse: “Adeus, Gana é ao mesmo tempo o retrato de uma família marcada pela separação de seus caminhos e uma viagem pela importância que nossas origens têm na formação de nosso caráter.

Kweku Sai, renomado cirurgião formado nos Estados Unidos e autoexilado em Acra, capital de Gana, está morto. A notícia da morte de Kweku chega aos mais diversos cantos do mundo, aproximando os laços quase perdidos de uma família que ele abandonara anos atrás.

Costurando com maestria uma narrativa entre diferentes tempos e lugares, Taiye Selasi fala de como certas verdades são capazes de curar as feridas mais escondidas, em um romance sobre o poder de transformação que há no amor incondicional.”

 

Alguns laços são doentios, mas o que afinal somos nós, do que somos feitos, senão de um emaranhado de sentimentos herdados de nossos pais (e causados principalmente por eles)? Adeus, Gana, de Taiye Selasi (TAG/Editora Planeta – Janeiro 2020) fala desse tipo de pertencimento (ou encarceramento) de forma muito sublime. É daqueles livros que a gente termina com um nó na garganta, apesar de demorar um pouco para entrar no ritmo da história. O começo um pouco confuso a gente acaba entendendo no final: iniciamos o romance, sua primeira parte, lendo a história de um homem morto; suas lembranças em uma espécie de retrospectiva antes do momento derradeiro.

Adeus, Gana é dividido em três partes: Partido, Partida e Partir. É a história de uma família fragmentada por ações mal pensadas e palavras não ditas. Kweku está morto! A morte deste homem, que outrora abandonou esposa e filhos por não conseguir suportar uma demissão injusta, faz com que todos os que ficaram para trás revivam suas dores e cicatrizes. A família Sai está junta novamente. Para velar o corpo de Kweku, sim, mas principalmente para entender o porquê de serem como são.

O livro mergulha profundamente nas relações familiares, nas relações de amor e abandono, mas também mostra como é ser imigrante — e filho de imigrantes — em um país que despreza a sua cultura de origem. Os brilhantes africanos nos Estados Unidos, mesmo obtendo as notas mais altas na universidade, ocupando cargos de prestígio e tendo sucesso, uma hora ou outra acabam sendo menosprezados ou “colocados em seu devido lugar”. A questão maior, a que mais incomoda, é qual seria este lugar? O não pertencimento é algo latente nas páginas de Adeus, Gana. O racismo e as relações patriarcais também são temas que Selasi descreve com sua forma única — poética — de narrar essa história. Adeus, Gana é um livro de imagens, milhares delas. Um filme que se projeta em nossa mente e também no coração.

 

“Elas faziam e pensavam e amavam e buscavam e doavam. Mas, o mais perigoso, elas sonhavam.

Eram mulheres sonhadoras.

Mulheres muito perigosas.

Que olhavam para o mundo através dos olhos arregalados de sonhadores e o viam não como era, “brutal, sem sentido” etc., mas pior, como poderia ser ou poderia ainda se tornar.

Então, mulheres insasiáveis.

Mulheres impossíveis de agradar.” (p. 67)

 

 

 

Título: Adeus, Gana

Autora: Taiye Selasi

Tradução: Isadora Prospero

Editora: TAG/Planeta de Livros

Páginas: 368

Assista: “Não me pergunte de onde venho, me pergunte onde sou local”TED Talk de Taiye Selasi (com legendas em português):

janeiro 21, 2020

[RESENHA] FRANTUMAGLIA: UM RETRATO ESCRITO DE ELENA FERRANTE

Sinopse: Cartas, entrevistas e trechos inéditos oferecem visão única de uma das maiores escritoras da atualidade.

Elena Ferrante, voz extraordinária que provocou grande comoção na literatura contemporânea, tornou-se um fenômeno mundial. O sucesso de crítica e de público se reflete em artigos publicados em importantes jornais e revistas, como The New York Times, The New Yorker e The Paris Review. Ao longo das últimas duas décadas, o “mistério Ferrante” habita a imprensa e a mente dos leitores, mas, afinal, quem é essa escritora?

Nas páginas de Frantumaglia, a própria Elena Ferrante explica sua escolha de permanecer afastada da mídia, permitindo que seus livros tenham vidas autônomas. Defende que é preciso se proteger não só da lógica do mercado, mas também da espetacularização do autor em prol da literatura, e assim partilha pensamentos e preocupações à medida que suas obras são adaptadas para o cinema e para a TV.

Diante das alegrias e dificuldades da escrita, conta a origem e a importância da frantumaglia para seu processo criativo, termo do dialeto napolitano que sempre ouvira da mãe e, dentre os muitos sentidos, seria uma instável paisagem mental, destroços infinitos que se revelam como a verdadeira e única interioridade do eu; partilha ainda a angústia de criar uma história e descobrir que não é boa o suficiente, e destaca a importância do universo pessoal para o processo criativo. Nas trocas de correspondência, nos bilhetes e nas entrevistas, a autora contempla a relação com a psicanálise, as cidades onde morou, a maternidade, o feminismo e a infância, aspectos fundamentais à produção de suas obras.

Frantumaglia é um autorretrato vibrante e íntimo de uma escritora que incorpora a paixão pela literatura. Em páginas reveladoras, traça, de maneira inédita, os vívidos caminhos percorridos por Elena Ferrante na construção de sua força narrativa.”

 

 

Leia outros textos sobre livros de Elena Ferrante clicando aqui.

 

Frantumaglia foi o primeiro livro que li neste ano, ainda extasiada por ter lido em 2019 todos os romances de Elena Ferrante lançados em português (até o momento). Foi uma boa escolha, ter lido a ficção dela primeiro, pois Frantumaglia retoma e discute vários aspectos desses livros, além de traçar um retrato da autora.

Este foi um dos poucos livros de “autoensaio”, se é que posso nomeá-lo assim de forma geral, que me fez ficar por dias e dias pensando não só em Elena Ferrante e como ela é maravilhosa, mas também no que eu faço ou penso fazer quando digo que escrevo e divulgo literatura. Elena Ferrante, para quem ainda não leu (L E I A  A G O R A  M E S M O), tem esse poder de nos mostrar aquilo que não entendemos sobre nós mesmos. O modo como ela lida com a própria escolha de não aparecer, de ser “o nome que assina os livros e só”, é inspirador quando penso no tempo precioso que passamos nos “divulgando” nas redes sociais. Será que isso é realmente importante? Isso é divulgar literatura? Será que o prazer da leitura não fica perdido no meio desses algoritmos todos que lutamos para entender e desses seguidores que lutamos para conseguir? Mesmo com a fama enorme que a escritora italiana alcançou, ela ainda prefere a paz de poder escrever sempre e de publicar quando o texto lhe parece adequado para isso. Qualquer pessoa que leia Frantumaglia vai entender e respeitar essa escolha de Ferrante de falar através de seus livros, sem ter de ser o escritor-personagem que a nossa sociedade cismou que precisa e exige (e algumas editoras também). A autora, entretanto, deixa bem claro que essa foi uma escolha dela, para ela que tivesse mais liberdade para escrever. Não que esse seja o único caminho possível para se fazer literatura, mas foi o melhor caminho para E L A. Se Ferrante tivesse de dar as caras e mostrar quem é a mulher por traz do pseudônimo (sim, neste livro — e em todos os outros — fica bem claro que Elena Ferrante é uma mulher), ela não publicaria mais nada.

Eu fechei o livro e fiquei pensando como uma senhora lá da Itália pôde falar tanto comigo, me dar conselhos que eu nem sabia que precisava. Cá pra nós, passei muito tempo tentando ser uma “blogueira literária”, daquelas com parcerias com mil editoras e autores, mas eu nem tenho esse perfil. Obviamente não sou contra parcerias, mas não funciona para mim se eu tiver de ler algo que não quero ou tenha um prazo rígido para ler um livro e fazer resenha dele. Nada deve comprometer o meu (o seu, o nosso!) prazer em ler. Eu tenho esse blog e uma estante cheia de livros. Não preciso sofrer por nada além de não ter tempo para ler e reler todos o livros que eu já tenho. [Fim do parágrafo de divagação]

Frantumaglia é um verdadeiro presente para os leitores de Elena Ferrante. Tive pena por todas as entrevistas em que os jornalistas direcionaram as perguntas para a questão da “verdadeira identidade” da autora. Certamente perderam a oportunidade de perguntar algo mais relevante. Gostei de saber sobre as escritoras que ela gosta (e que vou ler), dentre elas a nossa Clarice Lispector. Não sei vocês, mas eu não preciso de uma foto de Elena Ferrante. Eu já sei quem ela é. Ferrante está em seus livros e ainda nos deu uma bela fotografia sua chamada Frantumaglia.

 

“Minha mãe me deixou um vocábulo do seu dialeto que ela usava para dizer como se sentia quando era puxada para um lado e para o outro por impressões contraditórias que a dilaceravam. Dizia que tinha dentro de si uma ‘frantumaglia’. A frantumaglia a deprimia. Às vezes, causava-lhe tonteira, um gosto de ferro na boca. Era a palavra para um mal-estar que não podia ser definido de outra maneira, remetia a um monte de coisas heterogêneas na cabeça, detritos em uma água lamacenta do cérebro. A frantumaglia era misteriosa, causava atos misteriosos, estava na raiz de todos os sofrimentos que não podiam ser atribuídos a uma razão única e evidente. A frantumaglia, quando minha mãe não era mais jovem, a acordava no meio da noite, a induzia a falar sozinha e, depois, a se envegonhar do que fizera, sugeria alguns temas indecifráveis cantados a meia voz e que logo se extinguiam em um suspiro, empunhava-a para fora de casa de repente, abandonando o fogão aceso, o molho queimando na panela. Muitas vezes, também a fazia chorar, e essa palavra ficou na minha mente desde a infância para definir, sobretudo, os choros imprevistos e sem um motivo consciente. Lágrimas de frantumaglia.” (p. 105,106)

 

“O nome Elena Ferrante começa e acaba nas páginas de cada um dos seus livros. Veio com a escrita, ela deu-lhe uma identidade. Pode definir-se? Quem é Elena Ferrante, escritora?

Elena Ferrante? Treze letras, nem mais nem menos. A sua definição está toda contida nelas.” (p. 231 – em resposta à Isabel Lucas)

 

“Os autores, como tal, moram em seus livros. Ali se mostram com a máxima vontade. E os bons leitores sempre souberam disso.” (p. 353)

 

 

 

Título: Frantumaglia: Os caminhos de uma escritora

Autora: Elena Ferrante

Tradução: Marcello Lino

Editora: Intrínseca

Páginas: 416

Compre na Amazon: Frantumaglia.

janeiro 20, 2020

[DICA] VAI COMPRAR LIVROS? USE CUPONS DE DESCONTO!

 

Se você ainda não tem o hábito de comprar pela internet, livros sobretudo, pode estar perdendo várias chances de economizar!  No meu caso, que moro bem no interior de Minas Gerais, as compras online me ajudam não só no quesito praticidade, mas também no preço e na variedade de produtos e lojas. Já esperei meses para que o preço de determinado produto (leia-se livro) baixasse a ponto de caber no meu orçamento… Sabe como é: quanto maior a lista de desejados, maior o custo! Isso, é claro, se não dermos uma olhada nas promoções do dia e o MELHOR site para pesquisar cupons de desconto é o Cupom Válido!

 

Dá uma olhada como é fácil economizar:

 

1) Acesse o site Cupom Válido;

Selecione a sua loja favorita dentre as lojas em destaque ou busque na barra na lateral superior do site:

 

2) Eu escolhi a Amazon, por motivo de LIVROS (!) mas você pode escolher entre mais de 400 lojas, os mais diversos cupons para vários produtos! Para comprar livros, o site Cupom Válido também tem opções de cupom de desconto para comprar na AmericanasLivraria Cultura, SaraivaSubmarinoetc.

 

3) O site Cupom Válido mostrará o cupom que você deve usar na sua compra OU redicionará o link para a página de desconto da loja (com o desconto já aplicado no link), conforme vocês podem ver abaixo:

OU

 

É simples, rápido e fácil. Aproveita e já pesquisa aquele livro que você quer há um tempão! Vai que tem Cupom Válido para ele?! Clique aqui!

 

 

 

 

Tamires de Carvalho • todos os direitos reservados © 2020 • powered by WordPressDesenvolvido por