novembro 08, 2019

[LANÇAMENTO] OS MANUSCRITOS PERDIDOS DE CHARLOTTE BRONTË, DA FARO EDITORIAL

Sinopse: Resgatado de um naufrágio e perdido por quase dois séculos, este livro tem uma história tão incrível quanto as escritas pela família Brontë.

Viajando por quase duzentos anos entre o Velho e o Novo Mundo, os manuscritos passaram por diversas mãos e sobreviveram até a um naufrágio. Mais do que os primeiros rascunhos do que viria a se tornar a obra de Charlotte, o material revela detalhes da vida de uma das famílias mais talentosas da literatura mundial.

Tudo teve início em 1810, quando Maria Branwell, que se tornaria mãe das famosas irmãs Brontë, obteve um livro, em sua terra natal. Dois anos depois, ela se mudou e o exemplar estava entre seus bens que naufragaram em um navio.

O livro foi recuperado intacto e tornou-se precioso para toda a Família Brontë, sendo não apenas uma fonte de leitura, mas também de anotação pelas irmãs Charlotte, Emily, Anne, seu irmão Branwell e seu pai, Patrick.

Em 1861, o livro foi vendido em um leilão depois da morte de toda a família. E, nos anos seguintes, passou por diversos donos, eventualmente, viajando para a América, onde permaneceu em uma coleção particular até 2015.

Comprado pela Brontë Society, descobriu-se joias literárias e históricas escondidas entre suas páginas. Isso inclui anotações, esboços e dois textos nunca publicados de Charlotte Brontë.

Mas este trabalho vai além: especialistas foram convidados a examinar os documentos e apresentam muitas reflexões, incluindo uma sobre a inspiração de Emily Brontë para um dos maiores livros da história: O morro dos ventos uivantes.”

 

A Faro Editorial está lançando Os manuscritos perdidos, de Charlotte Brontë (176 páginas), contendo textos inéditos encontrados em um livro que pertenceu à mãe da autora e recuperado, em leilão, pela Brontë Society. Pelo trecho que eu já li (e você pode ler clicando aqui) parece ser um trabalho bem rico e com muitas fotos, item fundamental na coleção de quem gosta das irmãs Brontë, especialmente de Charlotte.

Adquira o seu exemplar clicando aqui (lançamento previsto para 14/11).

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novembro 07, 2019

[RESENHA] HEROÍNAS NEGRAS BRASILEIRAS EM 15 CORDÉIS, DE JARID ARRAES

Sinopse: “Desde 2012, a autora Jarid Arraes tem se dedicado a desvendar a história das mulheres negras que fizeram a História do Brasil. E não bastava conhecer essas histórias, era preciso torná-las acessíveis e fazer com que suas vozes fossem ouvidas. Para isso, Jarid usou a linguagem poética tipicamente brasileira da literatura de cordel. E vendeu milhares de seus cordéis pelo Brasil, alertando para a importância da multiplicidade de vozes e oferecendo exemplos de diversidade para as mulheres atuais. Neste livro, reunimos 15 dessas histórias, que ganharam uma nova versão da autora e a beleza das ilustrações de Gabriela Pires. Conheça a história de: Antonieta de Barros Aqualtune Carolina Maria de Jesus Dandara dos Palmares Esperança Garcia Eva Maria do Bonsucesso Laudelina de Campos Luísa Mahin Maria Felipa Maria Firmina dos Reis Mariana Crioula Na Agontimé Tereza de Benguela Tia Ciata Zacimba Gaba.”

 

Leia também: Quem tem medo do feminismo negro?, de Djamila Ribeiro

 

Puxe aí na memória: quantas mulheres você se lembra de ter estudado nas aulas de História e Literatura? Elas ocupavam um papel de destaque na narrativa? Quantas delas eram negras? Talvez eu esteja enganada, mas acho que você não deve ter conseguido lembrar nem de meia dúzia de mulheres. Talvez o número seja ainda menor em se tratando de mulheres negras.

Mas elas existem, elas existiram e fazem parte da nossa história. Jarid Arraes reuniu quinze dessas mulheres notáveis no livro Heroínas negras brasileiras em 15 cordéis, publicado pela Pólen Livros (2017). Eu queria poder dizer que já conhecia, de antemão, todas as mulheres retratadas neste livro, mas não é verdade. Nunca soube da existência de grande parte delas até ler este livro. Algumas, como as escritoras Maria Firmina dos Reis e Carolina Maria de Jesus eu conheço pela minha busca particular em ler autoras relegadas do cânone literário. Nos tempos de escola, nunca as estudei. Na faculdade de Letras, mesmo a minha habilitação sendo português e literaturas de língua portuguesa, pouco vi sobre as duas.

Nosso país ainda tem muita dificuldade em aceitar o próprio povo, aceitar e entender a própria história. Por isso, livros como este de Jarid Arraes são extremamente importantes. Aqui volto à fala de Chimamanda Ngozi Adichie, sobre os perigos da história única (ASSISTA!). Citando apenas um exemplo, enquanto continuarmos a reproduzir a narrativa única do eurocentrismo, os povos outrora escravizados continuarão sendo vistos — e estudados — de maneira enviesada, pela narrativa única de quem os escravizou. Isso, nos dias atuais, resulta em uma grande violência: a reprodução sistemática de um sistema racista e excludente para os negros.

 

“Na história do Brasil

Nas escolas ensinada

Aprendemos a mentira

Que nos é sempre contada

Sobre o povo negro e índio

Sobre a gente escravizada.

 

Nos contaram que escravos

Não lutavam nem tentavam

Conquistar a liberdade

Que eles tanto almejavam

E por isso que passivos

Os escravos se encontravam

 

Ô mentira catimboza

Me dá nojo de pensar

Pois o povo negro tinha

Muita força pra juntar

E com grande inteligência

Se uniam pra lutar. (…)”

(Trecho do cordel Tereza de Benguela, p. 137)

 

Heroínas negras brasileiras é alem de um trabalho riquíssimo de resgate histórico, um livro delicioso de ler. São cordéis, então a musicalidade salta das páginas, é contagiante. Para quem não está familiarizado com esse gênero textual — que também devia ser mais trabalhado e visto nas escolas por ser uma das expressões mais populares da nossa literatura —, saiba que no cordel os textos são escritos de forma rimada, alguns originados de relatos orais que depois são impressos em folhetos. São ilustrados por meio de xilogravura (presente na capa deste livro e também em seu interior) e podem ser declamados pelos cordelistas com acompanhamento de viola e pandeiro. O nome “cordel” remonta às origens deste trabalho, em Portugal, em que os folhetos eram expostos para venda em cordas ou barbantes (veja mais aqui).

Após essa leitura, eu só posso desejar que você leia, conheça e compartilhe essas histórias. Precisamos resgatar essas personagens reais e mostrá-las, principalmente, para as nossas crianças para que elas saibam que todas as narrativas são importantes e que sempre devemos buscar a diversidade. Obrigada, Jarid Arraes, por este livro tão necessário!

 

 

 

 

Título: Heroínas negras brasileiras em 15 cordéis

Autora: Jarid Arraes

Editora: Pólen Livros

Páginas: 176

 

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novembro 04, 2019

[RESENHA] UM AMOR INCÔMODO, DE ELENA FERRANTE

Sinopse: Uma história perversa e delicada sobre mãe e filha unidas por um complicado nó de mentiras e emoções.

Aos quarenta e cinco anos, Delia retorna a sua cidade natal, Nápoles, na Itália, para enterrar a mãe, Amalia, encontrada morta numa praia em circunstâncias suspeitas: a humilde costureira, que se acostumou a esconder a beleza com peças simples e sem graça, usava nada além de um sutiã caro no momento da morte.

Revelações perturbadoras a respeito dos últimos dias de Amalia impelem Delia a descobrir a verdade por trás do trágico acontecimento. Avançando pelas ruas caóticas e sufocantes de sua infância, a filha vai confrontar os três homens que figuraram de forma proeminente no passado de sua mãe: o irmão irascível de Amalia, conhecido por lançar insultos indistintamente a conhecidos e estranhos; o ex-marido, pai de Delia, um pintor medíocre que não se importava em desrespeitar a esposa em público; e Caserta, uma figura sombria e lasciva, cujo casamento nunca o impediu de cortejar outras mulheres.

Na mistura desorientadora de fantasia e realidade suscitada pelas emoções que vêm à tona dessa investigação, Delia se vê obrigada a reviver um passado cuja crueza ganha contornos vívidos na prosa elegante de Elena Ferrante.”

 

Leia também: Em Nápoles com Elena Ferrante: A Amiga Genial

 

Por mais que a relação mãe e filha seja vendida pela nossa sociedade como um paraíso cor de rosa, a realidade pode não ser tão vibrante assim. No fundo, apesar da superfície alegre, essa relação pode ter muitas camadas de dúvidas e idealizações. Uma verdadeira escala de tons nebulosos e cinzentos.

Um amor incômodo, de Elena Ferrante (Intrínseca, 2017) explora bastante essa névoa que embaça a relação entre mãe e filha. Com o falecimento de Amalia, Delia, sua filha, embarca em uma viagem de volta ao passado, o que inclui, além das lembranças, reencontros com pessoas que podem dar a ela pistas sobre as circunstâncias do trágico falecimento de sua mãe.

Amalia foi encontrada sem vida em uma praia, vestindo apenas um sutiã de uma refinada grife de Nápoles. Mas Amalia não era esse tipo de mulher, que vai à praia sozinha e usa esse tipo de roupa íntima. Ou era? Delia precisa de respostas para entender a mãe, mas, sobretudo, para entender a si própria.

Um amor incômodo é um romance curto, com uma trama bastante densa. É de leitura rápida, mas não pela quantidade de páginas, e sim por todo o suspense que permeia a trama. Entre situações reais e fluxo de consciência, visitamos o passado de Delia, fatos ocorridos há décadas, os quais ela mal se recorda, mas que foram imprescindíveis para torná-la a mulher que se tornou.

O título do romance explica muito bem a relação dessas duas personagens. Não é saudável a idealização exagerada da filha em relação à mãe, e vice versa. Não é saudável a renúncia da mãe à própria felicidade, em favor da família. É injusto o desejo de liberdade da filha, liberdade para ser o extremo oposto da mãe. Não pode ser normal, mas acontece, inclusive fora dos livros, e é amor. Um amor incômodo.

 

“Eu não quis ou não consegui enraizar ninguém em mim. Mais algum tempo e perderei até a possibilidade de ter filhos. Nenhum ser humano jamais se desligaria de mim com a mesma angústia com que me desliguei  da minha mãe apenas porque nunca consegui me apegar a ela definitivamente. Não haveria nenhum mais ou nenhum menos entre mim e outro ser feito de mim. Eu permaneceria sendo eu até o final, infeliz, insatisfeita com aquilo que arrastara furtivamente para fora do corpo de Amalia.” (p. 78)

 

 

 

Título: Um amor incômodo

Autora: Elena Ferrante

Tradução: Marcello Lino

Editora: Intrínseca

Páginas: 176

 

Compre na Amazon: Um amor incômodo

 

 

Veja também: trailer da adaptação (filme) Amore Molesto (Nasty Love), de Mario Martone (1995).

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