novembro 07, 2016

[RESENHA] ORGULHO E PRECONCEITO, BBC 1995

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Orgulho e Preconceito é a adaptação do romance homônimo de Jane Austen, em série de seis episódios, produzida pela BBC no ano de 1995. Jennifer Ehle e Colin Firth protagonizam esta que é, na opinião de muitos, a melhor adaptação em vídeo do clássico de Jane Austen.

Nós, fãs de Jane Austen, sobretudo de seu romance mais famoso, fomos agraciados com uma produtora e um roteirista que encararam o desafio de adaptar Orgulho e Preconceito de forma que ficasse o mais fiel possível ao livro. Definitivamente, o resultado foi um trabalho de fã para fã. Andrew Davies, o roteirista, quis passar toda a energia do livro para a adaptação, desde a primeira cena. Por esse motivo escolheu começar com uma sequência de Darcy e Bingley chegando à Netherfield para vistoriar a propriedade. Ao longe, Elisabeth Bennet observa tudo, durante uma de suas caminhadas.

Tão logo o jovem (e solteiro) Mr. Bingley resolve alugar Netherfield, somos apresentados à família Bennet; especialmente aos poor nerves de Mrs. Bennet, que anseia, mais do que qualquer outra coisa na vida, casar suas cinco filhas (de preferência com homens de boa fortuna).

Mr. e Mrs. Bennet nessa adaptação são um capítulo a parte. Alison Steadman conseguiu dosar a histeria e a comicidade no ponto certo, assim como Benjamin Whitrow foi o Mr. Bennet mais irônico e carismático que já vi. Ver os dois em ação se assemelha a uma leitura em voz alta do romance; nem mais nem menos, eles são o casal Bennet na medida certa.

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Elisabeth Bennet desta adaptação também é bastante fiel ao livro. É irônica, inteligente e simpática. Uma comparação que sempre faço entre uma das cenas da série de 1995 e o filme de 2005 é que quando Miss Elisabeth ouve Mr. Darcy dizendo que ela seria apenas tolerável, mas não o bastante para tentá-lo, a Elisabeth de 1995 ri da situação (e do autor da frase), enquanto a de 2005 fica sentida. Obviamente, é difícil e um pouco injusto comparar uma adaptação feita em seis episódios e um filme, mas ainda assim, para quem é apegado ao que está impresso, uma adaptação fiel ao livro faz toda a diferença.

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Outro personagem de bastante destaque é Mr. Collins. Desde a primeira leitura o considero adoravelmente divertido e a série confirma tal opinião. Sua petulância e ousadia em suas conquistas são o que o faz mais divertido. Ele poderia muito bem ter se casado com Mary, sua igual em personalidade, mas vai logo se interessando por Jane e depois por Elisabeth. Apesar de um suposto carisma, sabemos que ele seria um par detestável para nossa querida Lizzie, mesmo que isso fosse por sua segurança financeira. O mesmo não podemos dizer de Charlote Lucas, que o aceitou prontamente para se livrar da pecha de solteirona.

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Lady Catherine de Bourgh também é um espetáculo a parte nesta adaptação. Chata, inconveniente, amarga e… divertida! Ela foi retratada com toda a comicidade e delicadeza possíveis. Outra “vilã” de destaque é Caroline Bingley. Elegante e refinada, mas sem um pingo de personalidade, faz de tudo para chamar a atenção de Mr. Darcy, o que rende boas risadas aos telespectadores.

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Orgulho e Preconceito da BBC está completando vinte anos em 2015 e tão cedo creio que precisaremos de outra adaptação com a proposta de ser fiel ao livro. É evidente que a obra de Jane Austen é inesgotável em fonte de inspiração, haja vista a grande quantidade de adaptações, spin-offs, sátiras etc que são lançadas todos os anos. Esta adaptação, contudo, é aquela que podemos mostrar para um amigo (tendo um pouco mais de tempo disponível) que deseja conhecer o clássico best-seller de Jane Austen, sem ler o livro.

O Mr. Darcy de Collin Firth ficou para o final porque até agora faltam palavras para descrevê-lo. Embora Matthew Macfadyen tenha feito nossos olhos grudarem na tela com sua interpretação no filme de 2005, Collin Firth ainda é o Darcy mais próximo do livro, com seu modo rude, embora seja um homem supostamente educadíssimo. Costumo brincar dizendo que ele é tão Darcy que foi Darcy em outros dois filmes (e será em um terceiro também, pois Bridget Jones 3 vem aí!). A cena do lago, presente no episódio 4 e que, embora não esteja no livro é totalmente aceitável, foi apontada pelo The Guardian como “um dos mais inesquecíveis momentos da história da TV britânica”. Sem levar em consideração a sensualidade de um Collin Firth todo desgrenhado e com a camisa molhada, a cena também é bonita por mostrar um Darcy vulnerável, quase doente de amor. Por esta cena e por toda a série, Mr. Firth sempre ocupará um lugar especial no cânone das adaptações das obras de Jane Austen.

 

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Se você ainda não assistiu, assista o quanto antes! É uma adaptação clássica de um clássico da literatura mundial. E é como dizem, um clássico não é um clássico à toa.

 

Elenco de destaque: Benjamin Whitrow e Alison Steadman como Mr. e Mrs. Bennet; Crispin Bonham-Carter, como Mr. Bingley; Anna Chancellor, como Caroline Bingley; David Bamber, como Mr. Collins; Barbara Leigh-Hunt, como Lady Catherine de Bourgh.

 

 

REFERÊNCIAS:

https://en.wikipedia.org/wiki/Pride_and_Prejudice_(1995_TV_series)#Cast

Making-Of  presente no DVD A Obra Completa de Jane Austen – LogOn DVD

 

Resenha em colaboração com o blog Escritoras Inglesas.

 

 

Ouça a trilha sonora da série abaixo:

 

 

 

outubro 28, 2016

[CRÔNICA] A COISA MAIS LINDA

É a coisa mais linda acompanhar de perto o crescimento de alguém. Não só acompanhar, mas ser fundamental para o crescimento de uma pessoa.

Após a difícil fase de recém-chegada ao planeta terra, a criança aprende muita coisa em pouquíssimo tempo. É incrível vê-la descobrir sons, sabores, sentimentos…

Na última semana a Olívia começou a almoçar. Almoça fruta, para ir treinando o paladar. Recomendação do pediatra que, estranhamente, resolvemos respeitar. Tem cinco meses e já tem preferências. Não gostou muito de banana nem de geleia de mocotó, à primeira colherada. Amou mamão e gelatina de cereja.

Ela sorri de volta quando sorrimos para ela. Quer conversar, e a gente vai confirmando tudo, imaginando um diálogo no meio daquela embolado de sons.

Ela vira de barriga para baixo e não aprendeu, ainda, a virar de volta. Recebeu, portanto, o apelido de tartaruga. Ela, é claro, morre de rir ao ser chamada assim.

A propósito, o sorriso dela é o remédio para todos os meus males. Tristeza, sono, fome, preguiça… Nada me derruba se eu a vir sorrindo.

O desenvolvimento dela é normal. Mas acho que a Olívia é especialmente inteligente. Ela chora bem pouco para tomar vacina. É forte. Não gosta de banho frio. Gosta de dormir depois do almoço. Às vezes, durante o almoço também.

Agora mesmo ela acordou, sorriu e voltou a dormir. Ela adora dormir quando está nublado.

Tudo muito normal. Mas é a coisa mais linda.

 

 

 

 

outubro 24, 2016

[RESENHA] CENAS LONDRINAS, DE VIRGINIA WOOLF

Sinopse: “Um retrato da década de 1930 em Londres — e uma aula sobre como explorar a consciência da modernidade.
Cenas londrinas compila seis crônicas nas quais Virginia Woolf confirma sua paixão por sua cidade natal. Virginia faz um retrato da década de 1930 ao observar o encanto da moderna Londres. Ao se deslocar para a perspectiva tanto de grandes homens quanto de cidadãos comuns, a autora oferece uma visão original, clara e atraente do movimento orgânico das ruas.
Inicialmente publicado com cinco narrativas – produzidas entre 1931 e 1932 –, a este volume se soma a crônica descoberta na biblioteca da Universidade de Sussex, em 2005. É como se Virginia estivesse conduzindo o leitor por um passeio, começa nas docas de Londres, depois migra para o tumultuado comércio ambulante da Oxford Street, prossegue com um curioso giro por endereços de grandes homens – em busca de escritores ilustres. Há a contemplação das catedrais de St. Paul e de Westminster, e a visita à casa de Keats, em Hampstead. Por fim, o olhar se fixa na figura típica da mulher de classe média inglesa, para Ivo Barroso, “a visão de um microcosmo representativo de toda uma nacionalidade”.

 

Cenas Londrinas é um conjunto de ensaios de Virginia Woolf publicados originalmente na revista Good Housekeeping nos anos de 1931 e 1932. No Brasil, o livro foi publicado pela José Olympio Editora, como integrante da coleção Sabor Literário, que contou com títulos de Antonio Calado, Nathaniel Hawthorne, Ferreira Gullar, dentre outros. Os ensaios de Woolf contam com a apresentação do poeta Ivo Barroso. Em 2017, ganhou nova edição com uma nova roupagem, no entanto, mantendo os mesmos ensaios.

São seis ensaios em que a autora nos permite passear por Londres, seus costumes, seus habitantes. É um livro bem pequeno; são 84 páginas incluindo a apresentação e a história dos ensaios. Contudo, o olhar sempre perspicaz de Virginia Woolf nos transporta para a realidade londrina de sua época.

Retrato de uma londrina, o último ensaio, foi o que mais me encantou. Nele, conhecemos a rotina e a vida de Mrs. Crowe, uma típica londrina retratada por uma autora que amava esta cidade.

 “O delicioso de Londres era que sempre dava algo novo para observar, algo fresco sobre o que falar. Era preciso apenas manter os olhos abertos e sentar em sua própria poltrona das cinco às sete horas todos os dias da semana.” (p. 77)

 

É um bom livro para aqueles que amam ou desejam conhecer um pouco mais da história e dos costumes de uma das mais importantes cidades do mundo. Não é um guia, mas um retrato inteligente e repleto de sentimento como só Virginia Woolf poderia escrever.

 

“Vê-se Londres como um todo – a Londres abarrotada, estriada e compacta, com suas cúpulas dominantes, suas catedrais-guardiães; suas chaminés e pináculos; seus guindastes, gasômetros; e a perpétua fumaça que nenhuma primavera ou outono consegue dissipar.” (contracapa da edição Coleção Sabor Literário)

 

 

Título: Cenas Londrinas
Autora: Virginia Woolf
Tradução: Myriam Campelo
Editora: José Olympio
Páginas: 96

Compre na Amazon: Cenas londrinas.

 

 

Resenha em colaboração com o blog Escritoras Inglesas, atualizada em 12/07/2018.

 

 

 

 

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