junho 24, 2019

[LETRAS] EU, ESTAGIÁRIA (PARTE IV – FINAL)

“Onde houver professores haverá sempre alguém dando o passo além” (Içami Tiba). 

 

Leia desde o começo: Estágio I, Estágio II e Estágio III.

 

Enfim cheguei ao Estágio Supervisionado IV, o último estágio! Aqui fui invadida por um estranho sentimento de saudosismo, ao mesmo tempo que o cansaço batia forte e a vontade de terminar (no meu caso, também, o curso) era maior que tudo.

O que eu mostro a seguir são os principais registros dessa trajetória e alguns excertos do meu Relatório Final de Estágio IV, que foi feito mostrando as atividades deste semestre e também relembrando todo o aprendizado dos outros três estágios.

 

“Com a experiência adquirida nos últimos semestres e chegando ao final desta jornada, é impossível não relembrar os momentos marcantes proporcionados pelos Estágios Supervisionados I, II, III e IV. O desafio de aplicar os conhecimentos estudados em prática na sala de aula, nas diversas atividades realizadas, ficarão na memória, sem dúvida, entre os momentos mais especiais do curso de Licenciatura em Letras.” (Extraído do meu Relatório Final do Estágio IV)

 

Fachada do Polo CEDERJ Itaperuna, onde fiz boa parte das atividades presenciais do meu curso de Letras.

 

“O aluno do EAD, em geral, tem poucos momentos de descontração e entrosamento com os colegas; basicamente os encontros se dão nos dias de Avaliações Presenciais (APs), em algumas tutorias e/ou visitas docentes. Esses momentos de encontro físico são mais raros quanto mais longe o aluno residir do polo em Itaperuna. No meu caso, são pouco mais de 40 km percorridos para estar no polo ou na escola base. No entanto, cada viagem dessas valeu a pena.” (Extraído do meu Relatório Final do Estágio IV)

 

Minha escola querida, o Colégio Estadual Rotary <3

 

“Os quatro semestres de estágio foram realizados no Colégio Estadual Rotary, localizado no bairro Ministro Sá Tinoco, em Itaperuna-RJ. O Rotary é uma escola que, atualmente, oferece apenas turmas de Ensino Médio, nos períodos matutino e noturno. Em outras épocas, no entanto, o colégio teve turmas que iam da Classe de Alfabetização até o 3º ano do Ensino. Tenho grande carinho por esta escola, pois fui aluna da antiga 4ª série do Ensino Fundamental (hoje, 5º ano) até o terceiro ano do Ensino Médio.” (Extraído do meu Relatório Final do Estágio IV)

 

Relembrando a trajetória desde o comecinho:

“No Estágio Supervisionado I tínhamos ainda uma visão bastante superficial do que era, realmente, uma escola. Adentramos à rotina de confeccionar relatórios e selecionar leituras sobre a área da educação, mas o mais importante desse estágio foi aprender a ouvir. Foram realizadas algumas entrevistas com a Diretora do Colégio Rotary, Marilda Aleixo, sobre as condições materiais e estruturais da escola. Também houve um diálogo com as funcionárias de limpeza e da cozinha, o que proporcionou um panorama atual e realista do funcionamento da unidade escolar. Ainda no Estágio I, entrevistei a professora da rede pública estadual Julia Neri, e no Estágio II pude fazer semelhante arguição com a professora regente, Joelma Pimentel. Tais conversas versaram sobre planejamento e desafios da profissão docente, informações que foram muito úteis nos Estágios III e IV, os quais são realizadas a maior quantidade de atividades práticas.” (Extraído do meu Relatório Final do Estágio IV)

 

Do Estágio I eu não tenho muitas fotos, apenas das dependências da escola, pois as atividades foram, basicamente, ouvir, ouvir e ouvir (e relatar). Ainda acho graça quando lembro do susto que eu tomei ao perceber que, a partir do Estágio II, a carga de trabalho (mão na massa MESMO) seria muuuuuuito maior.

 

A professora Joelma Pimentel e eu, no Estágio II, em uma apresentação sobre Bullying em que foi utilizado o varal poético elaborado para o estágio, sobre o poeta Manoel de Barros.

 

A professora Regente, Joelma, me acompanhou por praticamente todo o estágio. Fui aluna de inglês dela no ensino fundamental e sou muito grata pelos três semestres de acompanhamento, paciência, dicas e boa vontade que ela me dedicou nos trabalhos na escola.

 

No Polo CEDERJ Itaperuna, em um dia de apresentação de uma proposta de material didático para o Estágio II — dinâmica “telefone sem fio”.

 

Falando em paciência, a tutora presencial dos estágios (todos eles!), Danielle Marreiros Valleriote, essa que me ouve gaguejar com toda atenção do mundo nesta foto, foi uma das pessoas mais incríveis que eu tive o privilégio de contar no curso de Letras. Foi ela que, com toda a calma do mundo, explicou (VÁRIAS VEZES) o que era para fazer em determinada atividade, ouviu as minhas repetidas lamúrias e foi dando aquele super apoio até o final. Digo que fui sortuda em dobro, pois tive ótimas pessoas me acompanhando na escola e no CEDERJ.

 

“Do Estágio Supervisionado II a atividade mais marcante, sem dúvida, foi a de observação das aulas. É muito diferente assistir uma aula não sendo, necessariamente, uma aluna. Para o estagiário, como é evidente, importam as técnicas utilizadas pelo professor, ou seja, o jeito dele de dar aula. Esse primeiro contato com diversas turmas e a posterior escolha da turma base nos causa aquela conhecida sensação de frio na barriga ao percebermos o estágio acontecendo de fato, na sala de aula. Outra atividade interessante foi a de comparação entre livros didáticos, a partir das duas resenhas que fizemos. Como futuros professores, é fundamental que saibamos escolher ou reconhecer o melhor material para trabalhar em sala de aula. Essa foi uma atividade que estudamos teoricamente na disciplina de Fundamentos da Educação e que pudemos realizar na prática no Estágio Supervisionado.”  (Extraído do meu Relatório Final do Estágio IV)

 

Em uma das aulas para o Estágio III, sobre texto dissertativo-argumentativo.

 

Em outro momento do Estágio III, apresentando no Polo CEDERJ Itaperuna a proposta de “bingo literário”.

 

“Já no Estágio Supervisionado III foi o momento da prática, no sentido mais estrito da palavra em um curso de licenciatura: dar aula! O frio na barriga, as mãos suando e trêmulas e a dificuldade de iniciar o assunto que, no plano de aula parece bastante simples, foram algumas das dificuldades que logo foram superadas com o apoio, sobretudo, da professora regente Joelma. Ela que, anos atrás, foi minha professora de Inglês, agora me ajudou a dar o tom certo das aulas, colocando a minha disposição seus muitos anos de prática docente. Nesta altura do estágio podemos entender o real significado da palavra didática.”  (Extraído do meu Relatório Final do Estágio IV)

 

O Estágio III é O ESTÁGIO! É onde você sua mais que tampa de panela, mas também começa a perceber se a profisão de docente é ou não a sua praia. Sem exagero algum, o Estágio Supervisionado foi um curso de Letras dentro do curso de Letras. Isso porque você acha que sabe tudo até precisar expor as suas ideias com clareza para um grupo de pessoas não necessariamente dispostas a ouvir você falar por mais que dez minutos. O aluno da licenciatura, em geral, mesmo sabendo que está estudando para dar aula, se acostuma com as boas notas das provas das disciplinas teóricas. Estudar e tirar nota boa em prova é fichinha perto de encarar uma sala de aula!

 

“Neste semestre, em vias de finalizar o Estágio Supervisionado IV, os sentimentos de dever cumprido e de amor por esta profissão a qual desejo muito atuar, são os mais fortes. Já não vejo como difíceis ou impeditivas as  papeladas e a burocracia que envolve esse processo, pois nenhuma dificuldade chega perto da experiência e dos momentos extraordinários proporcionados pelo estágio.

 O Estágio Supervisionado é realmente o divisor de águas de um curso de licenciatura. Cumprindo os requisitos, trabalhando, escrevendo e aprendendo a cada dia o que é ser de verdade um professor, especialmente tendo como base a rede pública estadual, o aluno saberá se tem condições e se deseja, ou não, atuar como docente.”  (Extraído do meu Relatório Final do Estágio IV)

 

Projeto de boas-vindas do Colégio Estadual Rotary, o qual pude participar logo no princípio do semestre.

 

Sala de leitura do Colégio Estadual Rotary, onde passei boa parte do meu tempo dos trabalhos de campo.

 

Na sala de leitura, com professoras e com a Diretora do Colégio Rotary, Marilda, presenteando a escola com um livro de minha autoria.

 

Em outro momento, também na sala de leitura, com a funcionária Tatiana, doando para o Colégio Rotary alguns livros do meu acervo pessoal.

 

Uma selfie com o material do plano de aula sobre o conto “Olhos D’Água”, da escritora mineira Conceição Evaristo.

 

Com o varal poético do plano de aula sobre o escritor Cruz e Sousa.

 

Varal poético (sim, eu gosto de fazer varal!) sobre o poeta Cuti.

 

Apresentação da proposta de projeto pedagógico “Racionais na Roda”, no polo CEDERJ Itaperuna.

 

E se dar aula pode ser uma das coisas mais aterrorizantes para quem não tem muita experiência em falar em público (leia-se experiência nenhuma e timidez quase extrema), aos poucos, para quem realmente tem essa vocação, começa a ser algo prazeroso como fazer uma tatuagem. Dói um pouco no começo, mas você sai da sala já pensando na próxima vez!

Outra experiência ímpar do Estágio, e aqui eu tiro todos os chapéus do mundo para os professores da rede pública, é que você, com zero experiência docente, chega na escola de salto alto, cheio de projetos bacanosos para revolucionar o ensino de língua portuguesa e literatura (no meu caso) e se depara com falta de papel, de caneta, pincel, data show… a lista é grande, então vou parar por aqui.

No Estágio IV eu já estava mais consciênte e pensando em projetos pedagógicos que não precisassem de tantos recursos da escola e que não fossem tão caros caso eu precisasse pagar (spoiler: precisei). A realidade pode ser (e é) muito mais difícil do que as pessoas ou alguns políticos gostam de falar nas redes sociais. Muitos trabalhos e projetos feitos na escola, idealizados por mim ou não, foram feitos com recursos dos professores, os mesmos que sempre me receberam de braços abertos e com um sorriso no rosto. Teve dia de eu ver professor trabalhar doente. A diretora teve Chikungunya e não tirou um único dia de repouso absoluto. Tudo isso pela escola, pelos alunos. E eles dizem que vale a pena, principalmente quando veem que um ex-aluno está bem encaminhado na vida.

 

Eu, orgulhosamente exibindo os meus Relatórios Finais de Estágio I, II, III e IV!

 

Eu tive muito mais que apenas o aprendizado formal nesses dois anos de estágio. Aprendi muito com as pessoas que eu reencontrei na escola, que eu conheci e que puderam me conhecer. A minha dica para você que chegou aqui interessado em informações extra-plataforma sobre o estágio na prática é: faça tudo o que puder fazer e faça bem feito. Pesquise, se informe, converse, pergunte e saiba ouvir. Talvez não seja possível fazer tudo o que é pedido da forma como é pedido; temos muita dificuldade, ainda, em estabelecer um modelo próprio de estágio para os alunos de educação a distância, mas pelo menos tente! Não deu para aplicar o projeto na turma? Apresente a proposta para o professor regente, ou para um grupo de professores. Converse com os alunos, com a equipe de limpeza e cozinha da escola, mostre as suas ideias, ouça o que eles têm a dizer. Você vai expandir seus horizontes!

Não acho que eu esteja plenamente preparada, pois nunca acho que estou até fazer o que tem de ser feito. Muitas vezes não acho que estava preparada mesmo depois de fazer. Mas agora só me resta esperar pela vida real, pois já treinei o bastante.

 



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Uma resposta para "[LETRAS] EU, ESTAGIÁRIA (PARTE IV – FINAL)"

Tamires de Carvalho [DIÁRIO] TECNOLOGIA E LEITURA: UMA COMBINAÇÃO QUE DÁ MATCH | Tamires de Carvalho - 27 junho 2019 às 11:57

[…] Nesse slide, recebi várias indicações ótimas de leituras. É importante ouvir, ao invés de só falar (aprendi isso no Estágio do curso de Letras). […]

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