março 10, 2016

[RESENHA] A BRANCA VOZ DA SOLIDÃO, DE EMILY DICKINSON

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Sinopse: “Moça bela e prendada que não se sujeitou ao casamento numa época em que muitas opções eram negadas às mulheres Emily Dickinson dedicou-se depois de adulta a uma vida de completa reclusão tendo passado mais de vinte anos sem sair de casa e sem receber visitas. Suas únicas tarefas eram cuidar da mãe doente cozinhar e cultivar flores exóticas além é claro de fazer versos. Nos bolsos do avental ou do vestido branco que costumava usar havia sempre lápis e papel e entre uma ocupação e outra ela rabiscava os seus poemas. Alguns deles eram passados a limpo em cadernos outros eram enviados a amigos e parentes com os quais ela se correspondia e outros ainda na forma de esboços ou de rascunhos quase indecifráveis eram engavetados. Foram assim encontrados depois de sua morte uns na mais completa desordem outros em mãos de terceiros. O trabalho de edição de sua obra coube de início a um crítico literário Thomas Higginson que não apreciava a sua poesia e por mais de uma vez a havia aconselhado a não publicá-la e à amante de seu irmão Mabel Loomis Todd que ela se negara a conhecer pessoalmente. Editados e formatados ao gosto de cada época os poemas de Emily Dickinson tornaram-se ao longo dos anos um sucesso de vendas e foram aos poucos conquistando a crítica literária que antes via nela uma simples “poetisa’ de ocasião cujos versos “estranhos’ e “difíceis’ não se enquadravam nos ideais estéticos da poesia lírica e que hoje a consagrou como uma das maiores expressões da literatura universal.”

 

Emily Dickinson (1830-1886) foi e ainda é um grande mistério. Sabe-se que ela tinha uma vida reclusa, não se casou e mantinha nos bolsos de seu avental, ou do vestido branco que costumava usar, lápis e papel onde escrevia seus poemas. Sua obra passou a ser de conhecimento do grande público após o seu falecimento e o sucesso e o reconhecimento vieram bastante tempo depois disso. Hoje, a autora é considerada uma das maiores expressões da literatura universal.

 

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Emily Dickinson. Fonte: Tumblr

 

“É tudo que hoje tenho para dar-te –  
Isto – e meu coração – 
Isto, e meu coração, e mais os campos 
E prados na amplidão – 
Não te percas na conta – se eu esqueço 
Alguém tem de lembrar –  
Isto, e meu coração, e cada Abelha 
Que no Trevo morar.” 
 
Emily Dickinson, A Branca Voz da Solidão. Tradução de José Lira. 

 

 

A Branca Voz da Solidão, publicado pela Editora Iluminuras, é uma ótima edição para ter na estante e ler ocasionalmente. Os poemas de Dickinson foram traduzidos por José Lira, grande conhecedor da biografia da autora e de sua obra, tendo publicado, também pela Iluminuras, o título Emily Dickinson: Alguns poemas, finalista do Prêmio Jabuti de 2007. A publicação é bilíngue e acompanha um belo marcador de páginas em sua orelha, o qual não tive (e certamente não terei) coragem de destacar. 

 

Título: A Branca Voz da Solidão
Autora: Emily Dickinson
Tradução: José Lira
Editora: Iluminuras
Páginas: 352

 

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março 04, 2016

[RESENHA] ORGULHO E PRECONCEITO EM HQ

Sinopse: ““É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro, de posse de boa fortuna, deve estar atrás de uma esposa.”Elizabeth e suas quatro irmãs estão impossibilitadas de herdar a propriedade de seu velho pai e enfrentam a ameaça do despejo. As irmãs devem garantir sua segurança financeira por meio do casamento, mas nossa heroína tem outros planos. Ela fez votos de se casar somente por amor. Seu olhar acaba capturado pelo distinto Sr. Darcy, mas quem irá salvar os Bennets? Elizabeth deve se casar por amor ou deve salvar sua família?Jane Austen se referia a Orgulho e preconceito (1813), o primeiro romance que escreveu, como seu “filho querido” – e gerações de leitores lhe têm dado um cantinho em seus corações desde então. A atração irresistível que ela retrata, entre a vivaz e independente Elizabeth Bennet e o austero e solene Sr. Darcy, se insere entre as maiores, mais românticas e mais engraçadas histórias de amor já contadas.”

 

Uma história, quando é boa, não se esgota em si mesma. Por essa e outras razões, Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, vem sendo adaptada com sucesso para o cinema, teatro, televisão, e agora, em HQ!

A Editora Nemo trouxe para o Brasil uma ótima adaptação em HQ de Orgulho e Preconceito, adaptada por Ian Edginton, ilustrada por Robert Deas e com tradução de Fernando Variani e Gregório Bert. A edição está impecável e é peça obrigatória não só na coleção dos fãs de Austen, como também na dos aficionados em quadrinhos.

O roteiro foi muitíssimo bem estruturado, pois em momento algum temos a impressão de estarmos acompanhando uma história picotada. Todos os momentos e diálogos mais importantes do clássico de Jane Austen estão na HQ e as ilustrações casam perfeitamente com a adapatação. Detalhes como a paleta de cores escolhida para as cenas, o olhar dos personagens, seus gestos mais discretos, humores… enfim, toda a essência do romance está presente nesta HQ. Além de ser uma ótima forma de apresentar Jane Austen e sua história a quem ainda não conhece, Orgulho e Preconceito em HQ é mais um meio de se encantar com esses personagens, queridos há mais de duzentos anos.

 

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Título: Orgulho e Preconceito em HQ
Autores: Jane Austen; Ian Edginton (adaptação); Robert Deas (ilustração)
Tradução: Gregório Bert e Fernando Variani
Editora: Nemo
Páginas: 144

 

Veja o Booktrailer:

 

fevereiro 27, 2016

[RESENHA] O ESCARAVELHO DO DIABO, DE LÚCIA MACHADO DE ALMEIDA

Sinopse: “A única pista que Alberto tem sobre a série de assassinatos que está acontecendo é que vítimas ruivas recebem um escaravelho pelo correio antes de morrer. Ele precisa descobrir o que está por trás desses crimes misteriosos antes que outras mortes ocorram na cidade.”

 

O Escaravelho do Diabo, escrito por Lúcia Machado de Almeida e integrante da série Vaga-lume, é considerado um clássico da literatura infanto-juvenil nacional. Lançado em 1972, teve inúmeras reedições e volta a figurar nas listas de leitura atualmente devido ao lançamento da adaptação cinematográfica, prevista para estrear em abril deste ano.

A série Vaga-lume foi fundamental para a minha formação como leitora, junto aos gibis e as revistas com temática infantil do final dos anos 90. Contudo, sinceramente, não me recordo de ter lido este título específico de Lúcia Machado de Almeida, autora também de Xisto no Espaço, O Caso da Borboleta Atíria e Spharion. Resolvi ler, pois, sempre que possível, gosto de ler o livro antes de assistir ao filme.

Trata-se de um mistério que se passa na cidade de Vista Alegre, interior de São Paulo, onde uma série de assassinatos acometem pessoas ruivas. A primeira vítima é Hugo, e seu irmão, Alberto, estudante de medicina, passa a ajudar a polícia a desvendar o mistério das mortes que seguem a de seu irmão. Além da cor dos cabelos e da pele sardenta, outro fator comum entre os crimes é que uma caixinha com um besouro é enviada às vítimas, pouco antes de seus assassinatos.

Confesso que tinha as mais altas expectativas para esta leitura, mas não a considerei tão boa assim. Talvez, por ser um livro infanto-juvenil as pontas soltas no enredo devam ser perdoadas, mas algumas coisas me incomodaram nesta leitura:

1) As personagens femininas são muito mal desenvolvidas. São bobas, fúteis, altamente infantilizadas. O livro é de 1972, mas temos inúmeros exemplos de histórias muito mais antigas em que as personagens femininas são retratadas de melhor forma, principalmente levando em consideração que O Escaravelho do Diabo foi escrito justamente por uma mulher.

2) Alberto parece esquecer muito rápido a morte do irmão. Ele é mencionado poucas vezes, o que achei estranho. Descobrir o assassino era quase uma aventura para ele e seu relacionamento com Verônica também não foi muito interessante. Na verdade, em alguns momentos achei bem chato (muito também devido ao que mencionei anteriormente sobre as mulheres da história).

3) Alguns acontecimentos são muito corridos, desta forma, inverossímeis. Mas essa parte temos que dar um desconto, pois, é sempre bom lembrar, trata-se de uma história voltada ao público infanto-juvenil.

No geral, a ideia do romance é muito boa. Fiquei animada para assistir ao filme, que, pelo trailer, mostra que foram feitas algumas alterações no enredo. Que venham mais adaptações dos nossos livros, o cinema nacional merece (e nós também!).

 

 

Título: O Escaravelho do Diabo
Autora: Lúcia Machado de Almeida
Editora: Ática
Páginas: 128

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Saiba mais sobre o filme aqui!

 

Veja o trailer:

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