janeiro 14, 2016

[RESENHA] VÁ, COLOQUE UM VIGIA, DE HARPER LEE

Sinopse: “A continuação de O sol é para todos, um dois maiores clássicos da literatura mundial Jean Louise Finch, mais conhecida como Scout, a heroína inesquecível de O sol é para todos, está de volta à sua pequena cidade natal, Maycomb, no Alabama, para visitar o pai, Atticus. Vinte anos se passaram. Estamos em meados dos anos 1950, no começo dos debates sobre segregação, e os Estados Unidos estão divididos em torno de questões raciais. Confrontada com a comunidade que a criou, mas da qual estava afastada desde sua mudança para Nova York, Jean Louise passa a ver sua família e amigos sob nova perspectiva e se espanta com inconsistências referentes à ética e a pensamentos nos âmbitos político, social e familiar.”

 

Há muito tempo ouço o nome da escritora Harper Lee com curiosidade, pois é dela o romance O Sol é para todos, ganhador do Prêmio Pulitzer de ficção em 1961, além de grande Best-seller. Em 2015, participei da leitura conjunta encabeçada pelo blog Literature-se, usando a hashtag #LendoHarperLee, e mal pude acompanhar o cronograma! A história me fisgou de tal maneira que terminei antes do previsto, como muitos outros participantes. Graças ao #LendoHarperLee eu finalmente embarquei naquela que foi uma das minhas melhores leituras de 2015! Obrigada, Mel Ferraz!

Um tempo depois eu soube que a continuação de O Sol é para todos seria publicada. Mas Vá, coloque um vigia não é bem uma sequência… A história por trás da publicação deste segundo livro é um pouco mais complicada e obscura. Ao que consta, Vá, coloque um vigia seria a história original, mas o editor de Harper Lee pediu que a história fosse abrandada, o que a fez reescrever o romance sob a ótica da personagem Jean Louise, a Scout, quando criança, narrando outros eventos. Esses eventos acabam por explicar o enredo de Vá, coloque um vigia, que ficou esquecido no fundo da gaveta por muitos anos. Há pouco tempo o manuscrito deste livro foi encontrado e a autora permitiu a sua publicação. Como Harper Lee, já em idade avançada, vive reclusa em um asilo, muitas versões sobre a publicação de seu segundo livro pipocaram na internet, então é difícil saber o que é verdade ou não. Motivada pela leitura de O Sol é para todos, e também pela polêmica em torno de Vá, coloque um vigia, resolvi comprar o livro na pré-venda, embora tenha demorado dois meses para embarcar nesta nova leitura.

Vá, coloque um vigia foi publicado aqui no Brasil pela José Olympio Editora, pouco depois do lançamento nos EUA e em vários outros países. Enquanto esperava pela tradução, a internet (ou seria a minha curiosidade?) me brindou com todo o tipo de spoilers de leitores decepcionados com o livro e até soube de livrarias que estavam devolvendo o dinheiro de quem comprou na pré-venda! Comprei com medo de ler e por isso acabei demorando para ver eu mesma do que se tratava. Confesso que perdi tempo à toa: a leitura foi boa, rápida, mas não chega nem perto de O Sol é para todos.

A história narra a viagem de férias em que Jean Louise Finch, a nossa pequena travessa Scout, vai para a casa de seu pai, Atticus Finch. O que seria algo não só normal como eventual torna-se uma jornada de autoconhecimento para a protagonista. Nesta viagem ela passa por situações que põem em xeque tudo aquilo que ela pensou saber sobre o seu pai. O livro fala daquilo que sentimos quando percebemos que um ente querido é tão humano quanto nós; que também tem defeitos. Paralela à história com Atticus, acompanhamos seu romance com Hank, cria de Maycomb, com quem ela mantém um noivado a distância, muito por medo de voltar a sua cidade natal, pois ela não se sente uma mulher do lugar. Jean Louise adulta é tão desajustada quanto foi na infância.

 

“Minha tia é uma estranha hostil, minha Calpúrnia não quer saber de mim, Hank enlouqueceu e Atticus… Tem alguma coisa errada comigo, o problema é comigo. Tem que ser, porque todas essas pessoas não podem ter mudado assim. Por que eles não ficam de cabelo em pé? Como podem acreditar piamente em tudo o que ouvem na igreja e depois dizer o que dizem, e ouvir o que ouvem e não vomitar? Eu pensei que fosse cristã, mas não sou. Sou outra coisa, e não sei o quê. Tudo o que eu sei sobre o que é certo ou errado aprendi com essas pessoas… essas mesmas pessoas. Portanto, o problema sou eu, não eles. Alguma coisa aconteceu comigo.”

 

Como eu disse anteriormente, é uma boa leitura. Recomendo para aqueles que leram e gostaram de O Sol é para todos, mas com ressalvas. Não espere a mesma qualidade e o mesmo fascínio com essa história, mas algumas horas de bom entretenimento de volta à velha Maycomb estão garantidas!

 

 

 

Título: Vá, coloque um vigia
Autora: Harper Lee
Tradução: Beatriz Horta
Editora: José Olympio
Páginas: 252

 

Compre pela Amazon:

O sol é para todos
Vá, Coloque Um Vigia

 

 

Referências:

Harper Lee, autora de “O Sol é para todos”, publica o primeiro livro em 55 anos

‘Vá, Coloque um Vigia’, o livro inédito de Harper Lee

janeiro 08, 2016

[RESENHA] FÁBULAS COMPLETAS, DE ESOPO

Sinopse: “Dentro do projeto de publicar clássicos da literatura mundial, a Cosac Naify apresenta mais um material inédito: 383 fábulas atribuídas a Esopo traduzidas diretamente do grego por Maria Celeste C. Dezzotti, professora da Unesp, que propôs uma maneira completamente original de organizar a obra. A tradutora optou por utilizar como fontes a compilação do editor Émilie Chambry – tida como referência – e acrescentar a do também editor Ben Perry, mais atual e completa que a anterior. Com isso, somam-se 26 fábulas ao corpus comumente usado. Outra novidade proposta pela tradutora é a disposição da moral, que vem separada da narrativa para deixar claro o seu caráter de argumentação – e não de conduta ou comportamento, como se convencionou atribuir às fábulas.
A editora convidou o jovem artista Eduardo Berliner – destaque na 30ª Bienal de São Paulo – para também renovar a interpretação pictórica das fábulas, dispostas nesta edição em ordem alfabética. Ao incorporar a ideia de que os textos trazem animais metaforizando homens, Berliner misturou partes dos corpos de animais e de humanos, em situações tão irônicas e perturbadoras quanto as narradas no texto.
Em nanquim preto, as inteligentes ilustrações dividem espaço com as fábulas impressas em vermelho, dispostas cada uma em uma página, como se a proposta fosse oferecer ao leitor um texto por dia. Esse conceito é reforçado pelo tamanho do livro, de proporções pequenas e confortáveis para a leitura. Como diz a professora de literatura grega da USP Adriane Duarte, que assina a apresentação do livro: “Os desenhos de Eduardo Berliner são cheios de referências contemporâneas, estimulando os leitores a ver a fábula como algo vivo, que diz respeito ao mundo que habitamos”.
Assim, a edição de Esopo – fábulas completas revisita as fábulas gregas em uma experiência de leitura completamente nova. É, ao mesmo tempo, uma referência acadêmica e uma ótima porta de entrada para se deliciar com os tão conhecidos animais de Esopo.”

 

Aproveitando a liquidação do catálogo da Cosac Naify, que anunciou o encerramento de suas atividades no final de 2015, adquiri essa edição lindíssima das Fábulas de Esopo contendo 383 fábulas traduzidas diretamente do grego, sendo 26 delas inéditas em português! A tradução foi feita por Maria Celeste C. Dezotti e conta com ilustrações de Eduardo Berliner. A apresentação do volume foi escrita por Adriane Duarte.

O gênero fábula sempre me remeteu à infância. Uma forma de aprendizado moral feito através do lúdico da personificação dos animais. Mas as Fábulas Completas vão além e mudaram totalmente esse meu ponto de vista: seu conteúdo é, muitas vezes, preconceituoso e até mesmo pornográfico! Logicamente, a apresentação feita por Adriane Duarte já havia feito esse alerta, mas, ainda assim, confesso que o conteúdo me desanimou um pouco. O fato de pensar nas fábulas de Esopo sempre como histórias infantis me fez ignorar o que elas realmente são: textos formadores de moral de uma época já distante da qual vivemos. Foi, entretanto, uma boa descoberta e também uma boa leitura.

 

Existem muitas edições brasileiras das fábulas esópicas, a grande maioria voltada para o público infantil. Menos por causa do público-alvo e mais pela concepção que se tem do que lhe é adequado ou não, essas antologias costumam trazer textos adaptados e fazer uma seleção que exclui as histórias que tratam de temas polêmicos, como morte e sensualidade, ou considerados politicamente incorretos. Quase todas têm tradução indireta, limitando-se apenas a reproduzir texto e ilustrações de obras editadas em outros países. Umas poucas edições fogem desse padrão. Mirando um público adulto, propõe-se a realizar tradução integral do corpus esópico diretamente do grego. Essa escolha se faz acompanhar de um projeto gráfico sóbrio, onde há pouco lugar para ilustrações. (Esopo e a tradição da fábula, por Adriane Duarte)

 

Sendo uma edição da Cosac Naify, o leitor, acostumado aos projetos gráficos impecáveis da editora, pode ter uma ideia do tratamento dado a esta edição: a capa tem acabamento em veludo, assim como o marcador de pano, que dá um charme todo especial à obra. As ilustrações, embora sóbrias, são lindas e o texto foi impresso em vermelho, cor predominante da capa. É uma edição para ler e ter na estante!

 

 

Título: Esopo: Fábulas Completas
Autor: Esopo
Tradução: Maria Celeste C. Dezotti
Apresentação: Adriane Duarte
Ilustrações: Eduardo Berliner
Editora: Cosac Naify
Páginas: 561

 

Compre pela Amazon: Esopo. Fábulas Completas

 

janeiro 07, 2016

[RESENHA] O DIÁRIO SECRETO DE LIZZIE BENNET

Sinopse: “Lizzie Bennet é uma jovem estudante de comunicação que resolve fazer um vlog como projeto para a faculdade, postando vídeos em que reflete sobre sua vida e a de suas irmãs. Quando dois amigos ricos e charmosos chegam à cidade, as coisas começam a ficar mais interessantes para as irmãs Bennet — e para os seguidores de Lizzie na internet.
De repente, Lizzie — que sempre se considerou uma garota bastante normal — se torna uma figura pública. Mas nem tudo acontece diante das câmeras. E, felizmente para nós, ela escreve um diário secreto…
Com reviravoltas que vão deliciar os fãs de Jane Austen, assim como novos leitores, O diário secreto de Lizzie Bennet expande o fenômeno da web série que encantou quase dois milhões de espectadores e faz uma releitura inédita de Orgulho e preconceito.”

 

The Lizzie Bennet Diaries foi uma premiada web série exibida originalmente em 2012 e também adaptada para livro, publicado no Brasil pela Verus Editora, em 2014. Trata-se de uma versão moderna e muito divertida do nosso querido clássico Orgulho e Preconceito, de Jane Austen.

Lizzie Bennet é uma estudante de pós-graduação em comunicação de massa (graduada em Letras), que resolve criar um vlog como projeto de curso. Com a chegada de dois amigos a sua cidade ela passa a ter bastante assunto para falar com a sua audiência.

A história tem todos os elementos de Orgulho e Preconceito, mas sem ser repetitiva ou inverossímil. Enxergamos na história e nos personagens a correspondência com a época atual e ela ainda consegue nos surpreender e nos deixar na expectativa pelo o que vai acontecer com a nossa heroína e sua família.

Na série, a escolha dos atores foi muito bem feita; ouso dizer perfeita. Até o Darcy com visual meio hipster (um tanto inesperado para mim) ficou uma graça! Em relação ao livro, um ponto positivo é que ele não funciona como uma mera transcrição da série; os autores conseguiram estruturar “as histórias” de forma que a leitura fosse tão agradável e divertida quanto assistir aos episódios no youtube. O livro preenche as lacunas dos episódios e também surpreende em alguns aspectos, por mostrar, realmente, os sentimentos mais secretos de Lizzie.

A cereja do bolo é que tudo aquilo que não conseguimos ver do romance entre Lizzie e Darcy na tela, é possível ler nas páginas do diário. Prepare-se para suspirar!

 

“Nesta hora, outro turista esbarrou em nós, e deixei meu celular cair. Não na água, por sorte, mas no deque, no meio do caminho lotado de turistas.

Eu pego – Disse o Darcy, abaixando-se no meio da confusão para recuperar  meu celular. Ele o agarrou e o estendeu para mim. – Aqui. Nenhum estrago, eu acho.

Quando estendi a mão e peguei o celular, meu dedo roçou no dele. E eu senti. Um choque se espalhando do ponto de contato até a minha mão. Não elétrico, mas um conforto latejante. Gostoso. E certo.

Meus olhos se ergueram de repente e encontraram os dele – e então eu percebi que ele também sentiu alguma coisa.” (p. 289)

 

 

Mais uma adaptação moderna de Orgulho e Preconceito que merece ser lida, relida e, sobretudo, assistida! É viciante, pode apostar! Vai ser responsável pela sua próxima ressaca literária!

Se interessou também pelo Diário de Mr. Darcy?  Fiz resenha dele aqui!

 

Ainda não conhece a websérie? Veja abaixo:

 

 

Título: O Diário Secreto de Lizzie Bennet
Autores: Bernie Su e Kate Rorick
Tradução: Cláudia Mello Belhassof
Editora: Verus
Páginas: 364

 

Compre pela Amazon: O Diário Secreto de Lizzie Bennet

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