abril 16, 2019

[DIÁRIO] Quer que eu leia com você? – Refletindo sobre as práticas e os espaços de leitura para a educação infantil

Sinopse: Este livro contribui para estimular o debate, a reflexão e a criação de novas metodologias para incrementar a leitura e a contação de histórias, inclusive com o envolvimento e a participação ativa das crianças. Apresenta experiências desenvolvidas na Biblioteca Flor de Papel da UFF, um espaço de mediação dedicado a incentivar as crianças da educação infantil a terem contato com a literatura e demais gêneros textuais, buscando trabalhar o gosto e a prática cotidiana da leitura. Uma obra de grande interesse para pais, professores, bibliotecários e todos os que se interessam pelo desenvolvimento das práticas de leitura infantil.” 

 

Um grande pedagogo, reconhecido internacionalmente, uma vez disse que “antes da leitura da palavra impressa, o indivíduo lê o mundo”. Acertou quem reconheceu nesta frase as palavras de Paulo Freire! Deste modo, engana-se quem pensa que o hábito de leitura só precisa ser incentivado com a criança já mais velha, quase beirando a adolescência. O próprio conceito de leitura, segundo Eni Orlandi, é polissêmico, ou seja, há muitos sentidos, embora apenas um deles geralmente seja mais lembrado ou valorizado: o de alfabetização. Saber decodificar sílabas, reconhecer palavras escritas, no entanto é diferente de saber ler. Mais ainda: esse conhecimento não é condição suficiente para que haja gosto pela leitura.

O livro Quer que eu leia com você? – Refletindo sobre as práticas e os espaços de leitura para educação infantil, das autoras Luciana Esmeralda Ostetto, Maria Clara Cavalcanti de Albuquerque, Ninfa Parreiras e Raquel Polycarpo da Silva, apesar de breve (menos de 100 páginas) é uma ótima leitura inclusive para a família, pois contém um apanhado teórico e de experiências práticas para incentivar a leitura na infância, antes mesmo da alfabetização (bem antes). Se você é professor (a), trabalha com educação infantil e quer incentivar a leitura, ou é bibliotecário (a) e quer organizar um espaço que acolha pequenos leitores, não tem erro: esse livro é o que você precisa para começar! Partindo da experiência da Biblioteca Flor de Papel, da UFF, encontram-se aqui indicações de leitura e organização do espaço, dentre várias outras informações valiosas que contribuem como um sólido embasamento para que a leitura seja incentivada desde os primeiros meses de vida da criança.

 

“Por isso, principalmente em nossos tempos em que a tecnologia vai cada vez mais ganhando espaço e diminuindo a interação social tão necessária para nossa formação (…) faz-se necessário contar muitas, muitas, muitas histórias para que não se perca a capacidade de ouvir o outro, de imaginar nossos próprios cenários e personagens e de exercer nossa criatividade.”

 

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Sobre as autoras:

Ninfa Parreiras é mestre em literatura pela USP e graduada em letras e psicologia pela PUC-RJ. É também professora de literatura, psicanalista e escritora de obras literárias e de ensaios. Trabalha com literatura para instituições como FNLIJ, Estação das Letras, Casa da Leitura no Rio de Janeiro, além de ser curadora de eventos literários, consultora de programas de leitura.

Luciana Esmeralda Ostetto é doutora em educação pela Unicamp, professora da Faculdade de Educação da UFF, autora de diversos livros sobre educação infantil.

Maria Clara Cavalcanti de Albuquerque é psicóloga, especialista em literatura infantojuvenil e leitura, pesquisadora do Instituto Interdisciplinar de Leitura/Cátedra Unesco de Leitura/PUC-Rio, autora de livros de literatura infantil, contadora de história do Grupo Confabulando.

Rachel Polycarpo da Silva é mestre em ciência da informação, bibliotecária da Biblioteca Flor de Papel da UFF, desde 2011, tendo idealizado e organizado as mesas-redondas Bibliotecas na Educação Infantil, de 2012 a 2015.

 

 

Quer que eu leia com você? – Refletindo sobre as práticas e os espaços de leitura para a
educação infantil
Série Nova Biblioteca, v. 1
Autoras: Luciana Esmeralda Ostetto, Maria Clara Cavalcanti de Albuquerque, Ninfa Parreiras e Rachel Polycarpo da Silva
Páginas: 75
Formato: 14 x 21 cm
ISBN: 978-85-228-1191-5
Eduff (2017)

Leia a apresentação e introdução deste livro clicando aqui.

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Leia também: Oxford e Harvard amam Paulo Freire.

abril 12, 2019

[RESENHA] SOBREVIVENDO NO INFERNO, DOS RACIONAIS MC’S

Sinopse: A principal obra do maior grupo de rap do Brasil agora publicada em livro, contundente como sempre e atual como nunca. Leitura obrigatória do vestibular da Unicamp.

Na virada para os anos 1990, os Racionais MC’s emergiram como um dos mais importantes acontecimentos da cultura brasileira. Incensado pela crítica, o disco Sobrevivendo no inferno vendeu mais de um milhão e meio de cópias.
Agora publicados em livro, precedidos por um texto de apresentação e intermeados por fotos clássicas e inéditas, os raps dos Racionais são a imagem mais bem-acabada de uma sociedade que se tornou humanamente inviável, e uma tentativa radical, esteticamente brilhante, de sobreviver a ela.”

 

Eu estou sempre entrando no site da Amazon atrás de ofertas. Em uma dessas visitas de rotina, vi que o e-book de Sobrevivendo no Inferno, dos Racionais MC’s (Companhia das Letras, 2018) estava com um ótimo preço e atendia perfeitamente a uma atividade acadêmica que eu precisava fazer: uma proposta de projeto pedagógico para o meu estágio supervisionado. Minha turma base é de 3º. ano do ensino médio, e o Sobrevivendo no Inferno há pouco tempo tornou-se leitura obrigatória no vestibular da Unicamp. Sendo assim, eu havia encontrado o livro perfeito, com uma temática pertinente e atual. Só precisava, então, pôr a mão na massa.

Meu projeto, falando brevemente, consiste em trabalhar pelo menos três músicas do Sobrevivendo no Inferno, conjugando leitura e audição das músicas, pois originalmente, para quem não sabe, Sobrevivendo no Inferno é um álbum musical. Batizei o projeto de Racionais na Roda, como uma forma de colocar os alunos como protagonistas (racionais) na interpretação dos textos (nada de respostas prontas por aqui). Em algumas andanças pela internet, vi que muita gente não entendeu muito bem a proposta do livro, achou incompleto, ou “só com as músicas”. É importante ressaltar que a Unicamp colocou o livro Sobrevivendo no Inferno em sua lista de leituras obrigatórias na categoria poesia. E o livro é basicamente isso mesmo, poesia (as letras das músicas) precedida por um artigo muito bem escrito de Acauam Silvério de Oliveira, intitulado O evangelho marginal dos Racionais MC’s. Esse texto de abertura é muito bom para quem não conhece em profundidade a trajetória do grupo de hip-hop brasileiro.

Em sala de aula, a abrangência de assuntos que podem ser trabalhados a partir do livro e do álbum Sobrevivendo no Inferno é enorme. Como indicação simplesmente de leitura, o pulo do gato, que me fez ter uma percepção muito melhor sobre as letras e a realidade retratada pelos Racionais MC’s é ler o artigo e, depois, acompanhar a leitura com o áudio das músicas, que estão disponíveis gratuitamente no Spotify ou no Youtube.Vai por mim, a poesia declamada oferece uma oportunidade de compreensão muito maior que apenas passar o olho pelos versos, como muitas vezes a pressa nos obriga a fazer. É como eu sempre digo, e repito também para mim: poesia é para ler com calma, paciência.

A temática dos poemas/músicas não poderia ser mais atual em relação ao momento que estamos vivendo em nosso país, onde o racismo ainda impera e a cultura afro-brasileira continuamente é posta de lado, como se não tivesse relevância. Conhecer e valorizar a cultura negra e a cultura de periferia é fundamental para entender a nossa sociedade e por um basta em tanta violência. Precisamos dar voz e fazer ecoar as vozes daqueles que estão na linha de frente e, repetidamente, acabam pagando com a própria vida por este ciclo de desigualdade e abandono social.

 

Leitura recomendada: Entenda por que Racionais é leitura obrigatória no vestibular (Revista Galileu)

 

Assista: Roda Viva entrevista Mano Brown, dos Racionais MC’s (2007)

 

 

Título: Sobrevivendo no Inferno

Autor: Racionais MC’s

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 160

Compre na Amazon: Sobrevivendo no Inferno.

 

janeiro 30, 2019

[DIÁRIO] SOBRE FANTÁSTICOS LIVROS VOADORES E O AMOR PELA LEITURA

Sinopse: “Escritor e ilustrador, eleito uma das 100 personalidades de destaque do novo milênio pela revista Newsweek, William Joyce ganhou o Oscar 2012 pelo curta de animação The fantastic flying books of Mr. Morris Lessmore, que chega agora ao formato livro numa bem editada adaptação que mantém as ilustrações originais do filme. A obra, que alcançou o primeiro lugar na lista dos mais vendidos do The New York Times, é uma comovente declaração de amor à literatura e a seu poder transformador. “

 

Talvez eu seja um pouco desatualizada, a própria personificação do meme (injusto) do Rubinho Barrichello, mas só há pouco tempo tive conhecimento do curta-metragem “Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore” e da posterior publicação em livro, com o título “Os fantásticos livros voadores de Modesto Máximo” (Rocco, 2012). Mas uma pérola como esta não ficará datada nunca e não importa a data que você conheça essa história pela primeira vez, desde que tenha a oportunidade de conhecê-la.

Já parou para pensar na sua relação com os livros e a literatura? O poder que os livros têm, a transformação que eles são capazes de promover em nossa vida? Toda vez que alguém me pergunta o que são os livros, o que é a literatura para mim, eu fatalmente me embolo com as palavras e não consigo expressar fielmente o que eu sinto. Eu simplesmente acredito nos livros. Tenho plena convicção de que eles mudam pessoas, e só as pessoas mudam o mundo (parafraseando Mário Quintana).

 

“Um feliz acaso, então aconteceu.

Em vez de olhar para baixo, como havia se habituado, Modesto Máximo olhou para o alto. Viajando pelo céu, bem acima dele, Modesto viu uma linda moça. Ela era levada por um festivo esquadrão de livros voadores.”

 

“A moça que voava sabia que Modesto só precisava de uma boa história. Logo, enviou para ele a que ela mais gostava. Esse livro, que era uma companhia agradável, convidou Modesto a segui-lo.”

 

Quando eu assisti “Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore” pela primeira vez, foi como se tudo o que eu sentisse em relação aos livros finalmente tivesse sido traduzido. É uma pena que o livro esteja esgotado, consegui ler de empréstimo, mas a história é exatamente a mesma do curta-metragem, com a diferença de que no curta é você quem vai tecendo os parágrafos na sua memória a partir das imagens.

 

Sobre o curta-metragem:

“A obra, exibida no Anima Mundi 2013, foi inspirada no ator e diretor Buster Keaton, no furacão Katrina – que destruiu a cidade americana de Nova Orleans em 2005 – e no clássico O Mágico de Oz.

A partir de uma variedade de técnicas de animação (stop-motion, miniaturas, computação gráfica, animação 2D), o premiado ilustrador William Joyce nos presenteia com seu estilo híbrido. O resultado é um um delicioso e sensível uso de cores, sons, gestos e expressões.” (Fonte: Animamundi)

 

Assista no vídeo abaixo e emocione-se:

 

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