abril 12, 2019

[RESENHA] SOBREVIVENDO NO INFERNO, DOS RACIONAIS MC’S

Sinopse: A principal obra do maior grupo de rap do Brasil agora publicada em livro, contundente como sempre e atual como nunca. Leitura obrigatória do vestibular da Unicamp.

Na virada para os anos 1990, os Racionais MC’s emergiram como um dos mais importantes acontecimentos da cultura brasileira. Incensado pela crítica, o disco Sobrevivendo no inferno vendeu mais de um milhão e meio de cópias.
Agora publicados em livro, precedidos por um texto de apresentação e intermeados por fotos clássicas e inéditas, os raps dos Racionais são a imagem mais bem-acabada de uma sociedade que se tornou humanamente inviável, e uma tentativa radical, esteticamente brilhante, de sobreviver a ela.”

 

Eu estou sempre entrando no site da Amazon atrás de ofertas. Em uma dessas visitas de rotina, vi que o e-book de Sobrevivendo no Inferno, dos Racionais MC’s (Companhia das Letras, 2018) estava com um ótimo preço e atendia perfeitamente a uma atividade acadêmica que eu precisava fazer: uma proposta de projeto pedagógico para o meu estágio supervisionado. Minha turma base é de 3º. ano do ensino médio, e o Sobrevivendo no Inferno há pouco tempo tornou-se leitura obrigatória no vestibular da Unicamp. Sendo assim, eu havia encontrado o livro perfeito, com uma temática pertinente e atual. Só precisava, então, pôr a mão na massa.

Meu projeto, falando brevemente, consiste em trabalhar pelo menos três músicas do Sobrevivendo no Inferno, conjugando leitura e audição das músicas, pois originalmente, para quem não sabe, Sobrevivendo no Inferno é um álbum musical. Batizei o projeto de Racionais na Roda, como uma forma de colocar os alunos como protagonistas (racionais) na interpretação dos textos (nada de respostas prontas por aqui). Em algumas andanças pela internet, vi que muita gente não entendeu muito bem a proposta do livro, achou incompleto, ou “só com as músicas”. É importante ressaltar que a Unicamp colocou o livro Sobrevivendo no Inferno em sua lista de leituras obrigatórias na categoria poesia. E o livro é basicamente isso mesmo, poesia (as letras das músicas) precedida por um artigo muito bem escrito de Acauam Silvério de Oliveira, intitulado O evangelho marginal dos Racionais MC’s. Esse texto de abertura é muito bom para quem não conhece em profundidade a trajetória do grupo de hip-hop brasileiro.

Em sala de aula, a abrangência de assuntos que podem ser trabalhados a partir do livro e do álbum Sobrevivendo no Inferno é enorme. Como indicação simplesmente de leitura, o pulo do gato, que me fez ter uma percepção muito melhor sobre as letras e a realidade retratada pelos Racionais MC’s é ler o artigo e, depois, acompanhar a leitura com o áudio das músicas, que estão disponíveis gratuitamente no Spotify ou no Youtube.Vai por mim, a poesia declamada oferece uma oportunidade de compreensão muito maior que apenas passar o olho pelos versos, como muitas vezes a pressa nos obriga a fazer. É como eu sempre digo, e repito também para mim: poesia é para ler com calma, paciência.

A temática dos poemas/músicas não poderia ser mais atual em relação ao momento que estamos vivendo em nosso país, onde o racismo ainda impera e a cultura afro-brasileira continuamente é posta de lado, como se não tivesse relevância. Conhecer e valorizar a cultura negra e a cultura de periferia é fundamental para entender a nossa sociedade e por um basta em tanta violência. Precisamos dar voz e fazer ecoar as vozes daqueles que estão na linha de frente e, repetidamente, acabam pagando com a própria vida por este ciclo de desigualdade e abandono social.

 

Leitura recomendada: Entenda por que Racionais é leitura obrigatória no vestibular (Revista Galileu)

 

Assista: Roda Viva entrevista Mano Brown, dos Racionais MC’s (2007)

 

 

Título: Sobrevivendo no Inferno

Autor: Racionais MC’s

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 160

Compre na Amazon: Sobrevivendo no Inferno.

 

dezembro 12, 2018

[LETRAS] EU, ESTAGIÁRIA (PARTE III)

 

Não vou mentir: nesse ponto já cansamos dessa loucura que é o estágio supervisionado. Mas, como nem tudo são espinhos, a vantagem dessa etapa, o Estágio Supervisionado III, é que você já sabe tudo o que precisa fazer e como fazer. É só arregaçar as mangas e ir à luta!

 

Leia também: Eu, Estagiária Parte I e Parte II.

 

Inicialmente, os procedimentos burocráticos são os mesmos: preencher os termos de compromisso, enviar para a Universidade, levar até a escola parceira para colher a assinatura da direção, levar até a regional de ensino com os documentos pessoais e a carta de apresentação do polo CEDERJ para a liberação do estágio. Nesse meio tempo em que a papelada vai para lá e para cá, na plataforma sempre temos algumas atividades como relatório de experiências, resenha ou a elaboração de alguma atividade de pesquisa para fazer. Muitas atividades realizadas para o Estágio II são repetidas no Estágio III. A agenda de atividades é praticamente a mesma, com a diferença de que aqui você vai ter de ministrar pelo menos uma aula na escola parceira. Na verdade, precisamos elaborar dois planos de aula completos, com texto base, atividade e material complementar, mas caso você não consiga (ou não queira) dar as duas aulas na escola (ou apresentar o seu material para a professora regente), no Estágio III é possível dar uma das aulas no polo CEDERJ, para a tutora presencial de estágio.

 

“Para o Estágio Supervisionado III foram realizadas atividades de observação na turma base 3001, do terceiro ano do Ensino Médio, coparticipação junto a essa turma, realizando atividades como correção de exercícios e redações, auxílio individual aos alunos, confecção de materiais didáticos e instrumento de avaliação, além de outras atividades de pesquisa realizadas em casa. Com todo o suporte do polo regional CEDERJ, pela tutora presencial Danielle Marreiros Valleriote; da escola, pela direção e pela professora regente Joelma Pimentel, além da equipe pedagógica do Colégio Estadual Rotary, o estágio transcorreu tranquilamente.

Com a experiência adquirida especialmente no Estágio Supervisionado II, neste semestre as atividades previstas não foram tão complexas. Tendo o hábito de pesquisa como modus operandi o desafio aqui foi aplicar os conhecimentos estudados para nosso desenvolvimento didático, ou seja, descobrir a melhor forma de lecionar.” (Extraído do meu Relatório Final do Estágio III)

 

Material complementar do plano de aula “A Literatura de Cordel”.

 

“Diferente dos estágios I e II, no Estágio Supervisionado III, o aprendizado que fica mais evidente é o da prática docente, da didática para além dos livros.

O substantivo “didática” é de origem grega e significa “arte ou técnica de ensinar”. Nos cursos de Licenciaturas integrantes do Consórcio CEDERJ temos a disciplina de Prática de Ensino I – Didática, ofertada no quarto período (no caso do curso de Letras), que nos dá uma dimensão sobre tendências pedagógicas, construção da identidade docente, cotidiano escolar, dentre outros temas, aprofundados na disciplina Pratica de Ensino II, do quinto período. Com o Estágio Supervisionado, principalmente neste semestre, foi possível recordar toda a teoria estudada nessas disciplinas.” (Extraído do meu Relatório Final do Estágio III)

 

Eu comecei essa postagem reclamando (nas fotos, ao contrário, estou sempre sorrindo!), mas a verdade é que o estágio é muito importante para o aluno de licenciatura. Sem ele, não teríamos a menor ideia de como repassar tanto conteúdo aprendido durante os quatro anos e meio do curso de Letras. Além disso, o estágio nos dá um choque de realidade quanto à profissão de professor. Dentro da escola a gente não aprende apenas a ensinar, mas também a ouvir e a compartilhar.

 

“Um exercício bastante favorável para a nossa formação, e que tem sido constante nos Estágios Supervisionados, é o de pesquisa. Nas nossas agendas de atividades dos estágios II e III elaboramos materiais didáticos, o que é positivo para o estímulo à nossa criatividade; também selecionamos textos e materiais audiovisuais que poderiam ser usados em sala de aula; além das leituras e resenhas elaboradas pelo aluno estagiário. Essas atividades contribuem para a criação de um hábito — se já houver, pode reforçá-lo — de pesquisa, leitura, interpretação e escrita, fundamentais para que o professor se mantenha atualizado e possa dar aulas cada vez mais atraentes para os seus alunos.”  (Extraído do meu Relatório Final do Estágio III)

 

Apresentação do projeto de material complementar “Bingo Literário”.

 

“O Estágio Supervisionado das licenciaturas viabilizadas pelo CEDERJ contam com o apoio de uma grande rede em prol da educação: coordenação de curso e de polo presencial, tutores presencial e a distância, professora regente e direção escolar, colegas de curso, alunos, comunidade escolar e, muitas outras pessoas nas nossas redes particulares que acabam por se envolver com o nosso trajeto. Dessa forma, acreditamos que, com todas as dificuldades, o estágio é eficiente na promoção e disseminação de uma educação solidária e libertadora.” (Extraído do meu Relatório Final do Estágio III)

 

O estagiário tem sempre um relatório ou trabalho para fazer surante o semestre, mesmo quando as atividades de campo já acabaram. Prova disso é que neste semestre (2018/2) precisamos gravar um vídeo apresentando um dos nossos planos de aula. Foi a minha primeira vez na frente de uma câmera e, definitivamente, não sirvo para ser Booktuber de jeito maneira!

 

“Às quartas gravamos vídeos para o Youtube” #sóquenão

 

O próximo semestre, 2019-1, será o meu último semestre de estágio e também (se tudo der certo, torçam por mim!) o meu último semestre do curso de Licenciatura em Letras (UFF/EAD CEDERJ). Estou nervosa, ansiosa, vou cursar matérias além da matriz curricular porque amo Linguística e não quero perder a chance de me aprofundar nessa área linda, mas, acima de tudo, vou finalmente poder chegar aqui e postar: Eu, Formada. Até lá!

 

***

 

P.S.: Conselho estilo livro de autoajuda: não desanime, pois as dificuldades durante o estágio podem ser tantas que eu nem conseguiria enumerar. Direcione a sua visão para as coisas boas, para o aprendizado, para aprovação no final do semestre. Para você que está lendo agora ter uma ideia, no meu primeiro dia de trabalho de campo, quando fui combinar os dias e horários com a minha professora regente, no Colégio Estadual Rotary, o pneu da minha moto furou bem na hora de eu ir embora para casa (diga-se de passagem, horário de almoço, minha barriga estava roncando), e se não bastasse, caiu a maior chuva. Mas, como eu disse, nem tudo são espinhos, consegui uma ajuda para empurrar a moto até o mecânico mais próximo, peguei a chuva mais fraca na volta para casa (minha casa fica a 47 Km da escola base) e o meu almoço tava prontinho me esperando, porque eu não sou boba nem nada e já deixei pronto de véspera. No fim dá tudo certo, pode confiar!

 

novembro 27, 2018

[DIÁRIO DE LEITURA] O ROMANCE DOM CASMURRO, DE MACHADO DE ASSIS – EDIÇÃO CRÍTICA E COMENTADA

Sinopse: Reproduz, na atual ortografia, o célebre romance na versão de 1899, revisada pelo próprio fundador da Academia Brasileira de Letras, e a compara a outras duas edições, de 1900 e 1969, esta última organizada pela Comissão Machado de Assis. Maximiano propõe a leitura do romance como obra de ficção já na linha do realismo, procurando fazer ver que o texto, acima de tudo, retrata o ambiente e as concepções burguesas da sociedade brasileira no século XIX.

Na introdução e no registro filológico, o crítico explica minuciosamente o critério adotado na correção das falhas e erros tipográficos da edição princeps e na atualização gráfica do texto, com preservação das formas lexicais e construções sintáticas e da pontuação original.

Visando favorecer a boa leitura e a compreensão do romance, o livro traz ainda, em apêndice, uma série de informações complementares.”

 

Dom Casmurro, de Machado de Assis, é um dos meus livros favoritos da vida, daqueles que eu estou sempre relendo e recomendando a leitura. Fico eufórica a cada edição nova e a cada adaptação, releitura ou estudo desse romance, pois acredito que Machado de Assis deve ser lido não só por ser o maior escritor brasileiro de todos os tempos, mas também porque seus textos tem algo de atemporal, de fazer com que cada experiência de leitura seja única e inesquecível. Todo dia é dia de se apaixonar (mais uma vez) por Machado de Assis, eu garanto.

A Eduff, Editora da Universidade Federal Fluminense, me presenteou há algumas semanas com o livro O romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, edição crítica e comentada, com estudos bibliográficos, de Maximiano de Carvalho e Silva. O livro é uma verdadeira joia para os leitores de Dom Casmurro que desejam uma imersão maior na obra de Machado de Assis!

 

O livro “O Romance Dom Casmurro, de Machado de Assis – Edição Crítica e Comentada”.

 

Edição crítica?

De forma geral, uma edição crítica procura recuperar a forma primitiva de um texto, mostrando-o com suas características autorais primeiras, além de destacar erros de outras edições e listar as variantes textuais. É bom ressaltar que textos mais antigos sofreram mais alterações — em comparação aos textos modernos — por sucessivas edições, sobretudo de terceiros. Sendo assim, uma edição crítica tem como objetivo colocar ao alcance do leitor um texto fidedigno, o mais próximo possível daquele que o autor escreveu. A Crítica Textual é uma área interessantíssima que eu tive o prazer e a oportunidade de estudar no curso de Letras. Caso queira saber mais sobre o assunto, sugiro o material das professoras Marlene Gomes Mendes e Silvana dos Santos Ambrosoli, que usamos no CEDERJ (referência para esse parágrafo) e pode ser baixado gratuitamente clicando aqui.

 

O livro sem a proteção (jacket/ luva): um luxo!

 

São características singulares da presente edição crítica e comentada do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis:

1) Reproduz com fidelidade, na ortografia atual, o texto da única edição em vida do autor por ele revista, datada de 1899, compara essa edição com as duas outras tiragens do ano de 1900 e com a edição da Comissão Machado de Assis em 1969.

2) Na introdução e no Registro Filológico explica minuciosamente o critério adotado na correção das falhas e erros tipográficos da edição princeps e na atualização gráfica do texto, com preservação das formas lexicais e construções sintáticas e da pontuação original.

3) Favorece a boa leitura e compreensão do romance com dados e comentários em apêndice:

* Informações referentes ao contexto histórico-cultural do Brasil do século XIX.

* Cronologia da vida e obra de Machado de Assis, em que reúne em nova apresentação dados disponíveis até agora, mencionando os estudos em que se baseiam, e acrescenta vários outros de igual importância.

* Fontes para o estudo da gênese, da fortuna crítica e da interpretação do romance, com a indicação precisa do teor das leituras que dele fizeram grandes figuras da crítica literária no Brasil e no estrangeiro.

* Proposta de leitura do romance como obra de ficção já na linha do realismo, procurando fazer ver que o romance acima de tudo retrata o ambiente e as concepções burguesas da sociedade brasileira no século XIX, e objeções com apoio em estudos críticos publicados nas últimas décadas do século XX ao que se lê nas análises do drama amoroso central por parte do ensaísta paulista Alfredo Pujol (1917) e da autora norte-americana Helen Caldwell (1960) e seus seguidores, em linhas opostas no julgamento dos personagens principais.

* Índice dos personagens, com indicações a respeito de cada um deles que permitem a qualquer momento dissipar as dúvidas do leitor.

* Extenso glossário, de mais de trinta páginas, em que estão relacionados com breves explicações todos os nomes próprios (personativos, locativos, intitulativos, históricos, mitológicos) e todas as palavras e expressões comuns que, por terem sentido diferente do usual, por serem de raro uso, ou por terem caído em desuso possam constituir-se em problemas para a exata compreensão das passagens em que se localizam.

 

Sumário do livro “O Romance Dom Casmurro, de Machado de Assis – Edição Crítica e Comentada”.

 

Detalhe do livro “O Romance Dom Casmurro, de Machado de Assis – Edição Crítica e Comentada”.

 

Detalhe da orelha do livro “O Romance Dom Casmurro, de Machado de Assis – Edição Crítica e Comentada”, com a foto e biografia do autor Maximiano de Carvalho e Silva.

 

 

Esse não é um livro para ler em uma sentada só. Maximiano de Carvalho e Silva fez um trabalho minucioso, que requer tempo para ser degustado. No entanto, é um prazer descobrir algo novo cada vez que eu abro esse livro. A edição é em capa dura e tem várias fotografias ilustrando e corroborando o estudo do autor. Como eu disse anteriormente, O romance Dom Casmurro é uma joia, leitura indispensável para os amantes de Machado de Assis, Bentinho, Escobar e, claro, de Capitu.

 

 

O romance “Dom Casmurro” de Machado de Assis – Edição crítica e comentada
Autor: Maximiano de Carvalho e Silva
Editora: Eduff
Páginas: 480

Compre no site da Eduff, basta clicar aqui!

 

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