janeiro 30, 2019

[DIÁRIO] SOBRE FANTÁSTICOS LIVROS VOADORES E O AMOR PELA LEITURA

Sinopse: “Escritor e ilustrador, eleito uma das 100 personalidades de destaque do novo milênio pela revista Newsweek, William Joyce ganhou o Oscar 2012 pelo curta de animação The fantastic flying books of Mr. Morris Lessmore, que chega agora ao formato livro numa bem editada adaptação que mantém as ilustrações originais do filme. A obra, que alcançou o primeiro lugar na lista dos mais vendidos do The New York Times, é uma comovente declaração de amor à literatura e a seu poder transformador. “

 

Talvez eu seja um pouco desatualizada, a própria personificação do meme (injusto) do Rubinho Barrichello, mas só há pouco tempo tive conhecimento do curta-metragem “Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore” e da posterior publicação em livro, com o título “Os fantásticos livros voadores de Modesto Máximo” (Rocco, 2012). Mas uma pérola como esta não ficará datada nunca e não importa a data que você conheça essa história pela primeira vez, desde que tenha a oportunidade de conhecê-la.

Já parou para pensar na sua relação com os livros e a literatura? O poder que os livros têm, a transformação que eles são capazes de promover em nossa vida? Toda vez que alguém me pergunta o que são os livros, o que é a literatura para mim, eu fatalmente me embolo com as palavras e não consigo expressar fielmente o que eu sinto. Eu simplesmente acredito nos livros. Tenho plena convicção de que eles mudam pessoas, e só as pessoas mudam o mundo (parafraseando Mário Quintana).

 

“Um feliz acaso, então aconteceu.

Em vez de olhar para baixo, como havia se habituado, Modesto Máximo olhou para o alto. Viajando pelo céu, bem acima dele, Modesto viu uma linda moça. Ela era levada por um festivo esquadrão de livros voadores.”

 

“A moça que voava sabia que Modesto só precisava de uma boa história. Logo, enviou para ele a que ela mais gostava. Esse livro, que era uma companhia agradável, convidou Modesto a segui-lo.”

 

Quando eu assisti “Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore” pela primeira vez, foi como se tudo o que eu sentisse em relação aos livros finalmente tivesse sido traduzido. É uma pena que o livro esteja esgotado, consegui ler de empréstimo, mas a história é exatamente a mesma do curta-metragem, com a diferença de que no curta é você quem vai tecendo os parágrafos na sua memória a partir das imagens.

 

Sobre o curta-metragem:

“A obra, exibida no Anima Mundi 2013, foi inspirada no ator e diretor Buster Keaton, no furacão Katrina – que destruiu a cidade americana de Nova Orleans em 2005 – e no clássico O Mágico de Oz.

A partir de uma variedade de técnicas de animação (stop-motion, miniaturas, computação gráfica, animação 2D), o premiado ilustrador William Joyce nos presenteia com seu estilo híbrido. O resultado é um um delicioso e sensível uso de cores, sons, gestos e expressões.” (Fonte: Animamundi)

 

Assista no vídeo abaixo e emocione-se:

 

janeiro 17, 2019

[DIÁRIO] AS PRIMAVERAS E A CASA DE CASIMIRO DE ABREU

Sinopse: Casimiro de Abreu é o poeta do lirismo e da simplicidade. Os anseios da juventude, as saudades da infância e os compromissos com sua terra natal fazem da obra de Casimiro de Abreu, precoce e espontânea, uma das expressões mais legítimas da poesia do Romantismo brasileiro. Nostálgico, lírico e dono de uma poesia extremamente musical, o poeta carioca continua encantando e cativando leitores jovens e adultos, de ontem e de hoje. As Primaveras (1859) é o único livro do poeta publicado em vida. No prefácio desta obra, escreve: “Assim, as minhas Primaveras não passam de um ramalhete das flores próprias da estação — flores que o vento esfolhará amanhã, e que apenas valem como promessa dos frutos do outono”.

 

Iniciei o ano de 2019 da melhor forma possível: viajando! Fomos para Rio das Ostras-RJ logo no dia primeiro de janeiro e nesse dia a Olívia viu o mar pela primeira vez! Obviamente alguns livros foram comigo, guardados no fundinho da mala, mas lá acabaram ficando, pois a combinação criança-praia requer atenção redobrada. Além disso, eram nossas primeiras férias em família e eu poderia deixar as leituras para depois, certo?

No entanto, após um passeio programado pelo meu marido, aproveitei as noites pós-praia e a Olívia desmaiada de sono para conhecer a obra de um poeta que viveu bem pertinho de onde eu estava: Casimiro de Abreu (1839-1860). Não sabia muita coisa sobre ele, apenas que foi um autor da segunda geração do romantismo, que havia uma cidade no estado do Rio de Janeiro com o seu nome e que ele faleceu muito jovem, aos 21 anos.

Visitamos o museu Casa de Casimiro de Abreu e foi impossível não procurar as poesias desse escritor tão logo chegamos à pousada no final do dia. Em domínio público, li boa parte da obra dele antes de receber a edição de “As Primaveras” (Martin Claret, 2014), único livro lançado em vida por Casimiro de Abreu, primeiro livro comprado por mim neste ano de 2019.

 

“Casimiro José Marques de Abreu foi um grande representante da poesia romântica brasileira. Viveu em Portugal, onde escreveu a maior parte de suas obras, que contempla teatro e poesia, mas foi nessa última vertente artística que teve destaque. Com linguagem simples e tom ébrio, tornou-se um dos poetas mais populares da segunda geração do Romantismo nacional. ‘As Primaveras’, lançada em 1859, é sua obra de maior destaque.” (Fonte: orelha da edição Martin Claret, 2014)

 

“Flores e estrelas, murmúrios da terra e mistérios do céu, sonhos de virgem e risos de criança, tudo o que é belo e tudo o que é grande veio por seu turno debruçar-se sobre o espelho mágico da minha alma e aí estampar a sua imagem fugitiva. Se nessa coleção de imagens predomina o perfil gracioso duma virgem, facilmente se explica: era filha do céu que vinha vibrar o alaúde adormecido do pobre filho do sertão.

Rico ou pobre, contraditório ou não, este livro fez-se por si, naturalmente, sem esforço, e os cantos saíram conforme as circunstâncias e os lugares os iam despertando. Um dia a pasta, pejada de tanto papel, pedia que lhe desse um destino qualquer, e foi então que resolvi a publicação das ‘Primaveras’; depois separei muitos cantos sombrios, guardei outros que constituem o meu livro íntimo e, no fim de mudanças infinitas e caprichosas, pude ver o volume completo e o entrego hoje sem receios e pretensões.

(…)

Assim, as minhas ‘Primaveras’ não passam dum ramalhete de flores próprias da estação, flores que o vento esfolhará amanhã, e que apenas valem como promessa dos frutos do outono.” (Introdução de Casimiro de Abreu para a primeira edição, em 1859)

 

Embora eu seja leitora assídua de romances clássicos, confesso que tinha um pouco de resistência em relação à poesia de escritores mais antigos. Alguns poetas (de algumas escolas literárias) têm versos um pouco complicados, que exigem o uso de dicionário, e tem um nível de rebuscamento distante dos nossos dias. Com Casimiro de Abreu o leitor não tem esse problema! Seus versos são simples e, embora escritos no século XIX, ainda são muito próximos e podem ser lidos com facilidade pelo leitor do século XXI. A edição da Martin Claret, além da capa linda e delicada, vem com suporte pedagógico e prefácio de Jean Pierra Chauvin, que enriquecem bastante a leitura.

 

“Oh! que saudades que tenho

Da autora da minha vida,

Da minha infância querida

Que os anos não trazem mais!

Que amor, que sonhos, que flores,

Naquelas tardes fagueiras

À sombra das bananeiras,

Debaixo dos laranjais! (…)” (Retirado de “Meus Oito Anos”, p. 44)

 

Foi um ótimo passeio, como pode ser visto nas fotos abaixo. Não pagamos entrada e fomos muito bem recebidos pelos funcionários do museu que não se importaram muito com as bagunças da Olívia. Se você estiver passando pelo distrito de Barra de São João-RJ, dê uma paradinha e visite esse museu. Ah, também recomendamos a capela de São João Batista, na mesma cidade. Vale muito a pena!

 

Detalhe da entrada do museu Casa de Casimiro de Abreu, em Barra de São João-RJ.

 

Detalhe de uma das salas do museu Casa de Casimiro de Abreu.

 

Retrato do escritor Casimiro de Abreu.

 

Coroa de bronze que esteve no túmulo do autor. Certamente foi retirada do cemitério para previnir que fosse roubada.

 

Pombas de bronze que estavam no túmulo do autor. Certamente foram retiradas para previnir que fossem roubadas.

 

Pombas em argila que estavam no túmulo do autor. Certamente foram retiradas para previnir que fossem roubadas.

 

Placa comemorativa com uma mensagem de Carlos Drummond de Andrade para Casimiro de Abreu: “Casimiro é patrimônio emocional do país. Vamos acarinhá-lo na lembrança”.

 

Primeiras edições de “As Primaveras”, único livro lançado em vida pelo autor, com ajuda financeira de seu pai.

 

“Camões e o Jau”, peça teatral escrita por Casimiro de Abreu.

 

Minha filha Olívia “interagindo” com uma das peças do museu Casa de Casimiro de Abreu…

 

Vista da janela lateral do museu. Um encanto!

 

Na Casa de Casimiro de Abreu estão expostas algumas peças que eu não tenho certeza se tem mesmo relação com o escritor (e não tivemos tempo para perguntar, pois o museu estava quase fechando quando chegamos). Mesmo assim, são objetos bastante interessantes como o carro da foto acima.

 

Foto dos fundos da Casa de Casimiro de Abreu. A vista é lindíssima, como pode ser visto na foto a seguir.

 

Vista dos fundos do museu Casa de Casimiro de Abreu.

 

Meu marido Anderson, responsável pelo passeio, e a nossa filha Olívia.

 

Olívia encantada com a estátua de Casimiro de Abreu ainda jovem, na lateral do museu.

 

Por fim, esta blogueira que vos fala e Casimiro de Abreu, imortalizado nessa escultura ao lado de sua casa.

 

 

dezembro 12, 2018

[LETRAS] EU, ESTAGIÁRIA (PARTE III)

 

Não vou mentir: nesse ponto já cansamos dessa loucura que é o estágio supervisionado. Mas, como nem tudo são espinhos, a vantagem dessa etapa, o Estágio Supervisionado III, é que você já sabe tudo o que precisa fazer e como fazer. É só arregaçar as mangas e ir à luta!

 

Leia também: Eu, Estagiária Parte I e Parte II.

 

Inicialmente, os procedimentos burocráticos são os mesmos: preencher os termos de compromisso, enviar para a Universidade, levar até a escola parceira para colher a assinatura da direção, levar até a regional de ensino com os documentos pessoais e a carta de apresentação do polo CEDERJ para a liberação do estágio. Nesse meio tempo em que a papelada vai para lá e para cá, na plataforma sempre temos algumas atividades como relatório de experiências, resenha ou a elaboração de alguma atividade de pesquisa para fazer. Muitas atividades realizadas para o Estágio II são repetidas no Estágio III. A agenda de atividades é praticamente a mesma, com a diferença de que aqui você vai ter de ministrar pelo menos uma aula na escola parceira. Na verdade, precisamos elaborar dois planos de aula completos, com texto base, atividade e material complementar, mas caso você não consiga (ou não queira) dar as duas aulas na escola (ou apresentar o seu material para a professora regente), no Estágio III é possível dar uma das aulas no polo CEDERJ, para a tutora presencial de estágio.

 

“Para o Estágio Supervisionado III foram realizadas atividades de observação na turma base 3001, do terceiro ano do Ensino Médio, coparticipação junto a essa turma, realizando atividades como correção de exercícios e redações, auxílio individual aos alunos, confecção de materiais didáticos e instrumento de avaliação, além de outras atividades de pesquisa realizadas em casa. Com todo o suporte do polo regional CEDERJ, pela tutora presencial Danielle Marreiros Valleriote; da escola, pela direção e pela professora regente Joelma Pimentel, além da equipe pedagógica do Colégio Estadual Rotary, o estágio transcorreu tranquilamente.

Com a experiência adquirida especialmente no Estágio Supervisionado II, neste semestre as atividades previstas não foram tão complexas. Tendo o hábito de pesquisa como modus operandi o desafio aqui foi aplicar os conhecimentos estudados para nosso desenvolvimento didático, ou seja, descobrir a melhor forma de lecionar.” (Extraído do meu Relatório Final do Estágio III)

 

Material complementar do plano de aula “A Literatura de Cordel”.

 

“Diferente dos estágios I e II, no Estágio Supervisionado III, o aprendizado que fica mais evidente é o da prática docente, da didática para além dos livros.

O substantivo “didática” é de origem grega e significa “arte ou técnica de ensinar”. Nos cursos de Licenciaturas integrantes do Consórcio CEDERJ temos a disciplina de Prática de Ensino I – Didática, ofertada no quarto período (no caso do curso de Letras), que nos dá uma dimensão sobre tendências pedagógicas, construção da identidade docente, cotidiano escolar, dentre outros temas, aprofundados na disciplina Pratica de Ensino II, do quinto período. Com o Estágio Supervisionado, principalmente neste semestre, foi possível recordar toda a teoria estudada nessas disciplinas.” (Extraído do meu Relatório Final do Estágio III)

 

Eu comecei essa postagem reclamando (nas fotos, ao contrário, estou sempre sorrindo!), mas a verdade é que o estágio é muito importante para o aluno de licenciatura. Sem ele, não teríamos a menor ideia de como repassar tanto conteúdo aprendido durante os quatro anos e meio do curso de Letras. Além disso, o estágio nos dá um choque de realidade quanto à profissão de professor. Dentro da escola a gente não aprende apenas a ensinar, mas também a ouvir e a compartilhar.

 

“Um exercício bastante favorável para a nossa formação, e que tem sido constante nos Estágios Supervisionados, é o de pesquisa. Nas nossas agendas de atividades dos estágios II e III elaboramos materiais didáticos, o que é positivo para o estímulo à nossa criatividade; também selecionamos textos e materiais audiovisuais que poderiam ser usados em sala de aula; além das leituras e resenhas elaboradas pelo aluno estagiário. Essas atividades contribuem para a criação de um hábito — se já houver, pode reforçá-lo — de pesquisa, leitura, interpretação e escrita, fundamentais para que o professor se mantenha atualizado e possa dar aulas cada vez mais atraentes para os seus alunos.”  (Extraído do meu Relatório Final do Estágio III)

 

Apresentação do projeto de material complementar “Bingo Literário”.

 

“O Estágio Supervisionado das licenciaturas viabilizadas pelo CEDERJ contam com o apoio de uma grande rede em prol da educação: coordenação de curso e de polo presencial, tutores presencial e a distância, professora regente e direção escolar, colegas de curso, alunos, comunidade escolar e, muitas outras pessoas nas nossas redes particulares que acabam por se envolver com o nosso trajeto. Dessa forma, acreditamos que, com todas as dificuldades, o estágio é eficiente na promoção e disseminação de uma educação solidária e libertadora.” (Extraído do meu Relatório Final do Estágio III)

 

O estagiário tem sempre um relatório ou trabalho para fazer surante o semestre, mesmo quando as atividades de campo já acabaram. Prova disso é que neste semestre (2018/2) precisamos gravar um vídeo apresentando um dos nossos planos de aula. Foi a minha primeira vez na frente de uma câmera e, definitivamente, não sirvo para ser Booktuber de jeito maneira!

 

“Às quartas gravamos vídeos para o Youtube” #sóquenão

 

O próximo semestre, 2019-1, será o meu último semestre de estágio e também (se tudo der certo, torçam por mim!) o meu último semestre do curso de Licenciatura em Letras (UFF/EAD CEDERJ). Estou nervosa, ansiosa, vou cursar matérias além da matriz curricular porque amo Linguística e não quero perder a chance de me aprofundar nessa área linda, mas, acima de tudo, vou finalmente poder chegar aqui e postar: Eu, Formada. Até lá!

 

***

 

P.S.: Conselho estilo livro de autoajuda: não desanime, pois as dificuldades durante o estágio podem ser tantas que eu nem conseguiria enumerar. Direcione a sua visão para as coisas boas, para o aprendizado, para aprovação no final do semestre. Para você que está lendo agora ter uma ideia, no meu primeiro dia de trabalho de campo, quando fui combinar os dias e horários com a minha professora regente, no Colégio Estadual Rotary, o pneu da minha moto furou bem na hora de eu ir embora para casa (diga-se de passagem, horário de almoço, minha barriga estava roncando), e se não bastasse, caiu a maior chuva. Mas, como eu disse, nem tudo são espinhos, consegui uma ajuda para empurrar a moto até o mecânico mais próximo, peguei a chuva mais fraca na volta para casa (minha casa fica a 47 Km da escola base) e o meu almoço tava prontinho me esperando, porque eu não sou boba nem nada e já deixei pronto de véspera. No fim dá tudo certo, pode confiar!

 

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