dezembro 11, 2019

[EDUCAÇÃO] JOGO KONTAÊ HEROÍNAS NEGRAS BRASILEIRAS

 

O professor Alexander Francisco criou o jogo Kontaê Heroínas Negras Brasileiras, baseado no livro Heroínas Negras Brasileiras em 15 cordéis, de Jarid Arraes. As ilustrações das cartas são de Alexandre Magalhães. O melhor de tudo: este jogo está disponível para uso grauito em salas de aula, rodas de leitura e onde mais você quiser jogar!

 

KONTAÊ! Heroínas negras brasileiras – é um jogo criado como artefato para a dissertação de mestrado em NOVAS TECNOLOGIAS DIGITAIS NA EDUCAÇÃO. Foi pensado para ser usado como meio didático e aplicado em forma de dinâmica, nas competências de História, Língua Portuguesa, Artes etc (conforme lei 11.645/08), além de atender à habilidades específicas da BNCC (Base Nacional Comum Curricular – 2018).

O principal objetivo do jogo KONTAÊ! é divertir enquanto discute a representação e o protagonismo negro no período pós-abolição do Brasil, com destaque para os importantes feitos de quatro heroínas negras brasileiras: Antonieta de Barros, Carolina Maria de Jesus, Laudelina de Campos Melo e Tia Ciata (versão inicial).

O jogo KONTAÊ! une as cartas do jogo com as informações contidas neste site por meio da tecnologia dos QR Codes presentes nos componentes. Assim, os alunos podem estudar as informações textuais e os vídeos de uma das personagens históricas, antes de iniciar o jogo KONTAÊ!, onde devem reunir as cartas de personagem, de dados históricos e de dados em verso, os quais podem ser usados para cantar ou declamar!

 

 

Você pode baixar o jogo completo e ler todas as informações e regras no site do Kontaê, clicando aqui!

agosto 22, 2019

[DIÁRIO] SERTÃO, SELVA E LETRA: EUCLIDES DA CUNHA EM ATRAVESSAMENTOS, DE ANABELLE LOIVOS CONSIDERA

Sinopse: Após “Euclides da Cunha – da face de um tapuia”, biografia atualizada e acessível aos principiantes na leitura desse autor, Anabelle Loivos Considera surpreende com esta obra, conjunto de ensaios que ultrapassa os limites do discurso euclidiano.

Com profundo conhecimento do assunto, rigorosa e rica pesquisa bibliográfica e análise do interdiscurso dos textos de e sobre Euclides, o estilo de Anabelle Considera – misto de paixão pelo tema, poesia e certa dose de ironia – introduz o leitor em uma reflexão sobre a tese de Gumplowickz presente em “Os sertões”; passa pela cultura popular brasileira e a carnavalização nessa obra; envereda pela selva e na prática de uma “ecoleitura” da Amazônia euclidiana, relatando um projeto efetuado com alunos do ensino fundamental e médio, sobre a dicção ecopolítica do autor, de cujos textos brotou uma “ecopedagogia”.

Essa incursão se prolonga em “intertextos errantes” de um Euclides presente e plural; passeia pela rua do Ouvidor, em cujos cafés sempre fervilhou a resistência dos intelectuais cariocas, retomando a interessante história desse logradouro; resgata as memórias de Sinzig, franciscano alemão enviado a Canudos logo após chegar ao Brasil; desemboca na paideia euclidiana e nas releituras do sebastianismo em “Os sertões”.

Para os que se lançam ao estudo da produção literária de Euclides da Cunha, escritor tão complexo e contestador, uma leitura indispensável.”

 

Euclides da Cunha foi o autor homenageado da Flip deste ano e a Eduff, na ocasião, lançou o livro Sertão, Selva e Letra: Euclides da Cunha em Atravessamentos, de Anabelle Loivos Considera, após a mesa de debates sobre a vida e a obra do homenageado, na Casa da Literatura da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa. Eu não estive presente no evento, infelizmente, mas a Eduff (parceira linda como é) me enviou um exemplar do livro e eu preciso dizer: QUE LIVRO!

Para início de conversa, preciso admitir que Os Sertões é um desafio que eu ainda não consegui encarar. Estudei o autor e a obra, mas não desbravei ainda, como leitora, a narrativa de Euclides da Cunha sobre a rebelião de Canudos. Algumas pessoas têm certa resistência em ler livros que podem dar alguns detalhes sobre o enredo de outro livro, mas acredito que em certos casos o conceito de spoiler é irrelevante. Certas obras, sobretudo os clássicos da literatura, são mais fáceis de serem compreendidos quando bucamos textos de apoio (e também vídeos, dá uma uma olhada abaixo!).

Sertão, Selva e Letra tem sido uma leitura com menos spoilers do que inicialmente pensei e que proporciona muito mais possibilidades de interpretação do texto de Euclides da Cunha. São oito artigos que podem ser lidos da forma que o leitor achar melhor, na ordem ou alternadamente, com prefácio de Leopoldo Bernucci, da Universidade da Califórnia – Davis (ver Literatura Fundamental, vídeo abaixo) e uma espécie de posfácio da autora, intitulado Sofro de euclidianamentos…, que nos mostra brevemente o amor e a dedicação de Anabelle por Euclides da Cunha e sua obra, desde bem cedo, uma vez que a autora é, como Euclides, da cidade de Cantagalo-RJ e viveu rodeada por imagens e referências a ele.

Um capítulo particularmente importante deste livro para mim é Ecoleitura da Amazônia euclidiana: praticando “letras verdes” na sala de aula. É uma forma de ler (e ensinar) Euclides da Cunha chamando a atenção para a ecologia, os ecossistemas e a preservação do meio ambiente, dentre outros aspectos, alguns bastante pioneiros tendo em vista a época de sua primeira publicação. É um assunto sempre importante e muito atual, especialmente no contexto político atual.

Sertão, Selva e Letra é leitura para degustar, aprender e muito refletir. Uma obra indispensável tanto para quem já leu Os Sertões, quando para aqueles que ainda irão desbravar a obra desse importante escritor brasileiro.

 

 

Sobre a autora – Anabelle Loivos Considera nasceu em Cantagalo, também cidade natal de Euclides. Licenciada em Letras pela Faculdade de Filosofia Santa Doroteia, em 1994, concluiu o mestrado em Letras – Literatura Portuguesa, na UFF – Universidade Federal Fluminense, em 1999, e o doutorado também em Letras – Literatura Comparada, na mesma universidade, em 2005. É docente no ensino superior desde 2000; lecionou na Faculdade de Filosofia Santa Doroteia da Universidade Estácio de Sá e na Universidade Salgado de Oliveira, onde também ocupou o cargo de coordenadora do curso de Letras. Desde janeiro de 2007 é professora associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Faculdade de Educação.

 

 

Sertão, selva e letra: Euclides da Cunha em atravessamentos
Autora: Anabelle Loivos Considera
Páginas: 296
Formato: 16 x 23 cm
ISBN: 978-85-228-1340-7
Editora: Eduff

Compre no site da Eduff, clicando aqui.

 

 

Para enriquecer ainda mais a leitura:

‘Os Sertões’ em 1 minuto:

 

Literatura Fundamental 20 – Os Sertões – Leopoldo Bernucci:

 

Documentário Os Sertões:

agosto 12, 2019

[RESENHA] O PERIGO DE UMA HISTÓRIA ÚNICA, DE CHIMAMANDA NGOZIE ADICHIE

Sinopse: Uma das palestras mais assistidas do TED Talk chega em formato de livro. Para os fãs de Chimamanda, e para todos os que querem entender a fonte do preconceito.

O que sabemos sobre outras pessoas? Como criamos a imagem que temos de cada povo? Nosso conhecimento é construído pelas histórias que escutamos, e quanto maior for o número de narrativas diversas, mais completa será nossa compreensão sobre determinado assunto. 
É propondo essa ideia, de diversificarmos as fontes do conhecimento e sermos cautelosos ao ouvir somente uma versão da história, que Chimamanda Ngozi Adichie constrói a palestra que foi adaptada para livro. O perigo de uma história única é uma versão da primeira fala feita por Chimamanda no programa TED Talk, em 2009. Dez anos depois, o vídeo é um dos mais acessados da plataforma, com cerca de 18 milhões de visualizações. 
Responsável por encantar o mundo com suas narrativas ficcionais, Chimamanda também se mostra uma excelente pensadora do mundo contemporâneo, construindo pontes para um entendimento mais profundo entre culturas.”

 

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O perigo de uma história única, de Chimamanda Ngozie Adichie (Companhia das Letras, 2019), é a terceira palestra que a autora nigeriana ministrou para o TED Talks que acabou virando livro, tamanha a importância do assunto tratado. De forma bem simples, Chimamanda fala sobre o perigo (constante, ao qual ninguém está livre) de nos apegarmos a uma única narrativa, dando exemplos de sua própria trajetória.

Nós, seres humanos, somos feitos de histórias. Tudo o que sabemos e transmitimos é história, é construção social. Pensar nos perigos de uma história única vai bem mais além, portanto, de apenas ouvir os dois lados da história. Nos livrarmos das armadilhas da história única requer rever nossos próprios conceitos, pensar e pelo menos tentar entender o porquê pensamos determinadas coisas sobre pessoas, entidades, países etc.

A primeira vez que tive contato com essa palestra foi quando cursei a primeira disciplina de literaturas africanas de língua portuguesa, da UFF/CEDERJ. A nossa primeira tarefa desta disciplina foi responder a um fórum sobre qual seria a primeira coisa que nos vinha à mente quando o assunto era África. Podíamos responder com textos e/ou imagens, desde que com as devidas referências e justificativas. Acredito que não deve ser difícil para você que está lendo agora imaginar o que foi 99% das respostas. Praticamente todo mundo (incluindo eu) respondeu com imagens de fome, pobreza, exclusão social… daí para pior. Nenhum de nós sequer respondeu que a África é um continente imenso, bastante diverso e não um país. Todos caímos no estereótipo da narrativa única sobre a África.

Outro exemplo de narrativa única é, de modo geral, as comemorações do Dia da Consciência Negra nas escolas. O dia que poderia ser usado para mostrar narrativas diversas acaba caindo sempre no tema escravidão. Como se esse fosse o único assunto possível envolvendo os negros no Brasil.

 

“É assim que se cria uma história única: mostre um povo como uma coisa, uma coisa só, sem parar, e é isso que esse povo se torna.”

 

“O poeta palestino Mourid Barghouti escreveu que, se você quiser espoliar um povo, a maneira mais simples é contar a história dele e começar com ‘em segundo lugar’. Comece a história com as flechas dos indígenas americanos e não com a chegada dos britânicos, e a história será completamente diferente. Comece a história com o fracasso do Estado africano e não com a criação colonial do Estado africano, e a história será completamente diferente.”

 

 

Trazendo para o nosso presente atual, ainda no contexto da educação, recentemente as Universidades Federais foram acusadas de promover balbúrdia, de não fazer pesquisa, de serem de qualidade inferior etc., pelo próprio Ministro da Educação. Sem entrar em discussões político-partidárias no momento, será mesmo que as nossas Universidades estão assim tão exclusivamente desordeiras? Não existem, para dizer o mínimo, hospitais, clínicas, creches, bibliotecas etc. administradas por essas Universidades que atendem à população que não pode pagar e/ou não consegue atendimento em outros lugares? Estão restringindo toda a rede federal de ensino a uma história única, pelo que parece. Por qual motivo deveria ser o nosso questionamento.

 

“A história única cria estereótipos, e o problema com os estereótipos não é que sejam mentira, mas que são incompletos. Eles fazem com que uma história se torne a única história.”

 

“As histórias importam. Muitas histórias importam. As histórias foram usadas para espoliar e caluniar, mas também podem ser usadas para empoderar e humanizar. Elas podem despedaçar a dignidade de um povo, mas também podem reparar essa dignidade despedaçada.”

 

 

Esse é um tema extremamente importante e muito pertinente termos essa palestra também em livro, para ser multiplicada em todos os canais possíveis. A fala de Chimamanda Ngozie Adichie é bem direta e nos convida a pensar. Assista, leia e reflita. Precisamos disso mais do que nunca.

 

 

 

Título: O perigo de uma história única

Autora: Chimamanda Ngozie Adichie

Tradução: Julia Romeu

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 64

Compre na Amazon: O perigo de uma história única.

 

 

Assista a palestra O perigo de uma história única, que deu origem a este livro (com legendas em português!):

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