novembro 13, 2018

[DIÁRIO DE LEITURA] JÚLIA LOPES DE ALMEIDA EM 1908 FALA DE QUESTÕES AINDA ATUAIS, COMO SEGURANÇA PÚBLICA E FRAGILIDADE DA JUSTIÇA

A autora Júlia Lopes de Almeida. Fon-Fon!, n. 40, p. 37.

 

Sábado acordei ouvindo o barulho da chuva e logo uma doce alegria se espalhou pelo meu espírito à ideia de que os gramados do meu jardim e as árvores do meu pomar, tão abrasadas pela míngua d’água em que têm crescido, tinham enfim para ressuscitar-lhes as fileiras semimortas um rega salvadora. A verdade, para mim solenemente triste, é que morando eu a cinco minutos da Carioca[1], seja a minha casa fornecida de água só das 5:30 ou 6 horas até as 9 e pouco da manhã, e isso mesmo pó um encanamento de tão pequeno diâmetro, que a água não tem pressão que a faça subir até o alto das chácaras dos meus vizinhos nem da minha, onde vicejariam espinafres e alfaces e assim não floresce nem um mísero pé de couve.

Este assunto não interessa ao leitor, mas interessa-me a mim e não é demais que, ao menos uma vez na vida, eu propugne aqui pelos meus interesses de munícipe apaixonada por violetas e morangos. Hortaliça também. Quem não gosta de couve-flor? Imaginemos que todos os quintais do Rio transbordavam de lindas flores, saborosas frutas e delicadas verduras e veríamos talvez mudada a nossa feição melancólica em aparência satisfeita e risonha. Valha-nos do dr. Sampaio Correia[2], que se quiser mandar verificar à estrada da carril de Santa Teresa a razão desta queixa, que faço constrangida, acha-la-á justa. Perdi da memória o número de vezes que fui ao escritório das obras públicas pedir ao seu antecessor remédio para um mal que sofremos sem culpa, visto que satisfazemos todas as contribuições do estilo.

É como a polícia. Se souberem por aí que fui assassinada com toda a minha família a horas mortas da noite por ladrões iludidos na sua boa-fé, ninguém estranhe o caso, porque as patrulhas, coitadas, têm medo de rondar o sítio isolado e trevoso em que nós e os nossos vizinhos (reparem que não sou egoísta e nunca aludo a mim só) nos lembramos de assentar acampamento. Compreendo que não deva ser agradável caminhar um sujeito para trás e para diante num caminho que escorrega de um lado em ribanceiras de que podem emergir vultos inesperadamente, e do outro as raras casas sejam intervaladas por mato híspido igualmente favorável às esperas para o assalto. É um estado de alma compreensível.

De resto, a brava ronda, certa da valentia geral, deixa aos moradores da estrada o cuidado de defenderem a sua vida e a sua propriedade a revólver. Por mim, tenho feito constar por toda a redondeza que sou capaz de matar um tico-tico que voe a mais de quinhentos metros acima de minha cabeça. Parece-me que acreditam.

Neste sentido recebi da mais impressionável das minhas amigas um conselho original e que cedo a quem o quiser: o de mandar fazer algumas figuras de cera, com olhos iluminados por lamparinas internas, e postá-las todas as noites na varanda e no terraço, de armas engatilhadas para o jardim. Um fio elétrico… Mas a explicação desse maquinismo levar-nos-ia muito longe, e nem ele é necessário em um país em que quase toda a gente anda armada, infelizmente. Infelizmente, sim, porque quantos e quantos crimes são cometidos sem premeditação, só pelo recurso que em um momento de desvario impulsivo um indivíduo encontra na faca pontuda que traz oculta na cava do colete, ou no revólver carregado que lhe pesa no bolso traseiro das calças! Além de ser esse um hábito covarde de que todo o brasileiro deve ser libertar, é um hábito perigoso, e que de um momento para o outro o pode transformar na mais desgraçada das criaturas. Todos os assassinatos executados com armas usadas pelos assassinos devem ser considerados, sejam quais forem as suas atenuantes, com a agravante da premeditação. Ninguém carrega um objeto mortífero consigo sem um interesse ou uma ideia qualquer, a não ser que esses objetos sejam (como os longos alfinetes dos chapéus das senhoras) objetos de uso particular.  E aí estão umas armas que ninguém conta… pelo menos os que ainda não viram a Theodora[3], de Sardou. Felizmente, estes constituem a maioria.

Não costumo ler jornais estrangeiros, a não ser revistas de arte, nem posso, portanto, imaginar se o número dos nossos crimes se iguala ou excede o de outros países em que o uso das armas não seja tão comum, ou em que a benevolência dos júris não seja tamanha como aqui, onde os criminosos de certa posição, contando com a impunidade certa, levam a efeito os atos de maior atrocidade ou de mais feia culpa. Todavia, exatamente os criminosos de melhor posição social, deveria a justiça punir com mais desassombro, porque eles não têm a desculpá-los nem a ignorância que brutaliza os homens, nem a fome, que alucina todo o animal, irracional ou não. Condenar um ladrão de botas rotas ao cárcere e deixar passear o outro de botas de verniz reluzente pelos salões; segregar do convívio da sociedade um assassino analfabeto e desamparado, para consentir que outros assassinos bem-vestidos circulem pelas ruas, se misturem à gente honesta, cortejando moças inocentes ou intervindo em negócios públicos, é fato que bradaria pela justiça, se além de cega ela não se tivesse também feito surda.

Este drama de São Paulo, vibrado entre as paredes do próprio Tribunal com inconcebível audácia, que dolorosas surpresas nos trará, a nós todos, que nos interessamos pela perfeição moral dos nossos costumes e da nossa raça?

A propósito de raça: ninguém imagina a inveja que o lindo artigo de Alfredo de Mesquita[4], publicado sexta-feira nesta folha, provocou em meu espírito, não pela minha, mas pela sorte de minhas filhas, comparada à das meninas americanas. A alegria, a atividade, o desembaraço dessas lindas criaturas teriam também as nossas, se os homens brasileiros consentissem nisso. Eu não admiro a mulher americana, admiro o homem americano que não se opôs a que ela se individualizasse e tomasse os ares de independência que seriam tidos ainda entre nós como escandalosos, e são, entretanto, mais inocentes do que os das sociedades hipócritas. Aqui o homem ainda é um inimigo da mulher. Lá é um irmão. É só essa a diferença. Mas a ocasião agora não é para estudos comparativos das sociedades, mas para estudos comparativos do nosso progresso material e artístico. Ainda no último sábado, em um dos salões do rés do chão do almirantado, passei uma hora interessantíssima, vendo ao lado de primorosas reproduções de vários dos nossos navios de guerra, que fazem parte do museu naval, pequenos modelos de embarcações brasileiras de todo o gênero, desde as canoas dos índios, agudas como lançadeiras, destinadas a cortarem as águas dos rios e a se despenharem pelas cachoeiras fragosas; desde as jangadas e as balsas do norte, que se unem à terra durante o dia e deslizam à noite para o meio das águas, fugindo ao ataque das onças bravas; desde o que há, enfim, de mais primitivo no país, até o que se faz modernamente de mais aperfeiçoado. O interesse por essa exposição[5] pitoresca e curiosa cresce com a ideia de que ela é o berço de uma escola marítima como talvez não haja outra igual em todo o mundo. Não cabe neste fim de crônica ligeira falar de intuitos tão patrióticos e tão complexos, os quais, estou certa, encontrarão no governo o apoio que tudo facilita. O que é preciso é que, ao desejo de realizar obra tão importante, junte o seu iniciador, dr. João Marques, a tenacidade, que é a maior força conquistadora…

25 de agosto de 1908

[1] Situado no centro antigo da cidade, o largo da Carioca está próximo à Santa Teresa, bairro em que a autora residia.

[2] José Matoso de Sampaio Correia (1875-1946), engenheiro, empresário e político fluminense, era na época inspetor-geral de Obras Públicas do governo de Afonso Pena.

[3] Victorien Sardou (1831-1884), dramaturgo francês, reconhecido por suas comédias, entre as quais Theodora, encenada pela atriz francesa Sarah Bernhardt.

[4] Jornalista, escritor e diplomata português, Alfredo de Mesquita (1871-1903) trabalhou no Jornal do Commercio, no Diário de Notícias e na revista O Ocidente. Escreveu biografias, ensaios literários, contos, teatro, literatura de viagens e um romance.

[5] Referência provavelmente à Exposição Nacional de 1908, inaugurada no dia 11 de agosto em comemoração aos 100 anos da abertura dos portos: ocupou dezenas de prédios públicos e pavilhões, muitos dos quais construídos especialmente para o evento.

 

 

Crônica retirada do livro Dois dedos de prosa: o cotidiano carioca por Júlia Lopes de Almeida (foto acima). Cadernos da Biblioteca Nacional, Vol. 16, organizado por Angela di Stasio, Anna Faedrich e Marcus Venicio Ribeiro.

novembro 12, 2018

[DIÁRIO DE LEITURA] POESIA: COMBUSTÍVEL PARA TODOS OS DIAS

 

Em 2018 eu aumentei consideravelmente o (meu já existente) hábito de leitura de poesia.  Como nem sempre consigo falar o necessário sobre esse gênero sublime, que é o meu combustível para todos os dias, compartilho abaixo uma lista com algumas das melhores leituras de poesia que eu fiz nos últimos meses. Espero que gostem!

 

Tudo nela brailha e queima, de Ryane Leão

Sinopse: Estreia em livro de Ryane Leão, criadora da página onde jazz meu coração, com mais de 150 mil seguidores nas redes
Livro de estreia de Ryane Leão, mulher negra, poeta e professora, criadora do projeto onde jazz meu coração, com mais de 150 mil seguidores nas redes. “a poesia é minha chance de ser eu mesma diante de um mundo que tanto me silencia. é minha vez de ser crua. minha arma de combate. nossa voz ecoada. nossa dor transformada. nela eu falo sobre amor, desapego, rotina, as cidades que nos atravessam, os socos no estômago que a vida dá, o coração desenfreado, a pulsação que guia as estradas, os recomeços, os dias, as noites, as madrugadas, os fins, os jeitos que a gente dá, as transições, os discos, os tropeços, as partidas, as contrapartidas, os pés firmes que insistem em voar, e tudo isso que é maluco e lindo e nos faz ser quem somos.”

Encontre na Amazon: Tudo nela brilha e queima, de Ryane Leão.

 

 

Da poesia, de Hilda Hilst

Sinopse: Pela primeira vez, a produção poética de Hilda Hilst, dispersa em mais de vinte livros, é reunida em um único volume.

Encontre na Amazon: Da poesia, de Hilda Hilst.

 

 

 

 

 

 

 

 

Cantos à beira mar, de Maria Firmina dos Reis

Livro de poemas disponível em Úrsula e outras obras, de Maria Firmina dos Reis, publicado e disponível gratuitamente ao público pela Edições Câmara. Publicado originalmente em 1871, é dedicado à memória da mãe de Maria Firmina dos Reis e conta com cinquenta e seis poesias.

Ver também: Memorial de Maria Firmina dos Reis.

 

 

 

 

 

 

 

Escrevi isso pra você, de Iain S. Thomas

Sinopse: Você sempre me diz que foi bom enquanto durou. Que as chamas mais intensas são as que queimam mais rápido. Ou seja, você via em nós uma vela. E eu via em nós o sol. Escrevi isso pra você é uma coletânea de poemas contemporâneos sobre os diversos momentos do amor: a paixão e o encantamento dos primeiros tempos, o lento afastamento, a solidão a dois, a dor do fim e a esperança de novos começos. Reunindo cerca de 200 textos divididos em quatro partes – Sol, Lua, Estrelas, Chuva –, o poeta sul-africano Iain S. Thomas combina palavras profundas e intensas com fotografias frias e impessoais. O resultado é um livro que provoca uma explosão de sentimentos perturbadores e conflitantes, mas totalmente familiares a qualquer pessoa que já tenha amado e sofrido pelo menos uma vez. Conhecido nas redes sociais pelo pseudônimo pleasefindthis, o autor começou sua trajetória na internet, publicando poemas e fotos em seu blog pessoal. Com o tempo, seu trabalho ganhou repercussão, se transformou em livro e encantou milhares de leitores ao redor do mundo. Com extrema delicadeza, Escrevi isso pra você expõe a natureza frágil das relações humanas e as nuances líricas e obscuras do amor.

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Daqui estou vendo o amor, de Carlos Drummond de Andrade

Sinopse: A poesia amorosa de Carlos Drummond de Andrade está entre os mais altos momentos da lírica do século XX. São poucos os poetas que conseguiram falar tanto e com tanta variedade sobre as relações amorosas, os afetos, as paixões. Ao longo de sua vasta carreira, o poeta mineiro reinventou a poesia amorosa nas mais diversas modalidades e com as mais variadas dicções: do poema modernista ao soneto, da elegia à meditação. Em toda essa produção, contudo, há uma identidade permanente: a profunda compreensão do autor para as relações amorosas. Este conjunto de poemas cujo mote é a manifestação amorosa atesta a força e a atualidade do autor. Em diversos poemas publicado ao longo de sua fecunda carreira, Drummond escreveu alguns dos mais penetrantes poemas amorosos da língua portuguesa. Examinou o nascimento do sentimento amoroso, as aproximações afetivas, a sensualidade e o fim dos relacionamentos. Sempre com inteligência aguda, ironia e a suave melancolia que lhe eram características. Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) é um dos mais importantes poetas brasileiros e um dos grandes nomes da poesia do século XX em qualquer idioma. Sua obra, publicada a partir de 1930 e apenas interrompida por sua morte quase sessenta anos depois, é um depoimento lírico, lúcido e poderoso sobre o amor, a política, os costumes, a família, a memória e o Brasil.

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Sonetos de amor, de Luís de Camões

Sinopse: Os amantes da melhor literatura têm um motivo a mais para celebrar: esta belíssima edição, com uma seleção dos melhores sonetos camonianos sobre o amor. Líricos, eletrizantes e insuperáveis, textos do autor de Os Lusíadas auscultam, a partir da forma poética difundida por Francesco Petrarca (o italiano reputado como o inventor do soneto), o coração de leitores apaixonados. “Luís de Camões amou muito, sofreu muito, teve gozo no seu sofrimento e escreveu dezenas de sonetos (e canções, elegias, odes etc.) numa repetida tentativa de entender o que era essa coisa simultaneamente terrível e sublime”, escreve Richard Zenith na esclarecedora introdução ao volume.

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Poemas escolhidos, de Mia Couto

Sinopse: O escritor moçambicano Mia Couto tem grande incursão na prosa, com livros de contos, crônicas e romances premiados, mas a poesia sempre fez parte de seu universo criativo e segue como uma de suas formas de expressão favoritas. Para esta antologia poética, o autor selecionou poemas de seus livros Idades cidades divindades, Raiz de orvalho e outros poemas e Tradutor de chuvas. Nas palavras de José Castello, autor da apresentação, “Os poemas de Mia Couto são, antes de tudo, reflexivos e filosóficos. […] Abordam o ser e a incompreensível dor de existir. Inspecionam as dificuldades de viver. Trata-se de uma poesia que, sem se pretender didática, entra em sincronia com as perguntas que nos fazemos desde o nascimento”.

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O vento da noite, de Emily Brontë

Sinopse: Único livro no país que reúne exclusivamente a poesia de Emily Brontë, autora de O morro dos ventos uivantes, este volume traz 33 poemas da escritora inglesa Publicado no Brasil originalmente em 1944, como parte da primorosa Coleção Rubáiyát, da editora José Olympio, O vento da noite, traduzido por Lúcio Cardoso, retorna em edição bilíngue pela Civilização Brasileira. É uma bela oportunidade de reviver o encontro entre dois grandes nomes na literatura e de observar as especificidades que permeiam os processos de criação do autor e do tradutor – uma relação marcada pela sensibilidade, intimidade, escuta e delicadeza. A edição é organizada e apresentada por Ésio Macedo Ribeiro, organizador dos Diários, de Lúcio Cardoso. A prestigiada tradutora Denise Bottman assina o texto de orelha.

Encontre na Amazon: O vento da noite, de Emily Brontë.

 

 

Escritos em verbal de ave, de Manoel de Barros

Sinopse: As palavras inocentes e o lirismo doce de Manoel de Barros retornam às livrarias. E trazem de volta Bernardo, personagem importante de diversos poemas de Manoel, como “O guardador de águas”, “Livro de pré-coisas” e o mais recente, “Menino do mato”. “Em Escritos em verbal de ave”, o poeta retrata a morte de Bernardo com a sutileza intrínseca à sua poesia. Manoel de Barros não só homenageia Bernardo em seu novo livro, como presenteia os leitores com mais uma obra delicada, uma mistura de sonhos, invenções e palavras que só o poeta consegue combinar.

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Poesia que transforma, de Bráulio Bessa

Sinopse: Bráulio Bessa conquistou o Brasil com seus cordéis no programa Encontro com Fátima Bernardes. O livro inclui o poema Recomece e ilustrações do artista baiano Elano Passos. “O Bráulio mexe com nossas memórias, nossos sentimentos, faz aflorar o melhor da gente. É poesia que sai do coração. Que alegria tê-lo toda semana no meu programa!” – Fátima Bernardes “Cada palavra que sai da boca do Bráulio Bessa toca minha alma de uma forma raríssima.” – Milton Nascimento “Bráulio Bessa é um hipnotizador de palavras. Tem o coração rimado. Quando fala, o verbo venta verso.” – Fabrício Carpinejar “Gosto de comparar a poesia a um abraço, que consegue fazer um carinho na alma sem nem saber qual é a dor que você está sentindo. A poesia se adapta à sua dor. É um abraço cego e despretensioso, como quem diz: ‘Venha! Tá doendo? Pois deixe eu dar um arrocho, que vai lhe fazer bem.’” – Bráulio Bessa Este livro é uma homenagem à poesia e a tudo o que ela é capaz de proporcionar. Com mais de 30 de seus emocionantes poemas, alguns deles inéditos, Bráulio Bessa nos conta um pouco das histórias do menino de Alto Santo, no interior do Ceará, que se tornou poeta e ativista cultural. Desde o primeiro encontro com a obra de Patativa do Assaré, aos 14 anos, até a fama na televisão, ele mostra como a poesia transformou sua vida. Com ilustrações do artista baiano Elano Passos, o livro traz ainda depoimentos de fãs de todos os cantos do Brasil, revelando como as palavras de Bráulio são capazes de inspirar pequenas e grandes mudanças.

Encontre na Amazon: Poesia que transforma, de Braulio Bessa.

 

dezembro 21, 2017

[ETC.] AS MELHORES LEITURAS DE 2017

 

Dois mil e dezessete foi, para mim, um dos melhores anos em termos de leitura dos últimos, sei lá, dez anos. Em minha vida adulta de leitora e compradora compulsiva de livros, não me lembro de um ano que eu tenha lido mais que este. Só lia tanto assim na época da escola, quando a minha fonte de livros era a biblioteca. Apesar da faculdade e das minhas outras atividades, foram setenta e cinco livros concluídos até o momento da publicação desta postagem! Seriam setenta e seis se eu acelerasse a leitura de Kurt Seyit & Shura, mas estou me deliciando (leia-se economizando a leitura, lendo bem devagar) com as palavras de Nermin Bezmen via e-book e com os episódios da série da Netflix enquanto o meu livro impresso não chega.

Além de ótimas leituras, 2017 também foi um marco para mim em termos de escrita. Fecho o ano com dois e-books publicados na Amazon, Anne e O dia em que conheci meu pai pela segunda vez, vários contos no Wattpad, além de ter participado de duas coletâneas literárias na Andross Editora.

Espero que entre os meus favoritos de 2017, você encontre ótimas leituras para o ano de 2018!

 

 

Janeiro

Em janeiro eu li três livros e todos eles foram leituras maravilhosas, portanto, estão entre as melhores do ano! Vasto Mar de Sargaços foi uma leitura muito especial e eu recomendo a todos que conheçam (e amem) o romance Jane Eyre, de Charlotte Brontë. O foco narrativo aqui é a esposa louca do Sr. Rochester, Bertha Mason. O texto é brilhante, e o livro, inesquecível.

Depois foi a vez de Os Oito Primos, de Louisa May Alcott. Lançada apenas em e-book pela Pedrazul Editora, essa é uma história muito delicada, que ressalta valores familiares e de amizade. Um romance infantojuvenil, que eu recomendo a todas as idades!

Finalizando o primeiro mês de 2017, e embarcando na onda da adaptação feita pela Rede Globo, li o romance Dois Irmãos, de Milton Hatoum. Foi o primeiro livro que eu li do autor e eu simplesmente AMEI! Hatoum consegue nos transportar para a Manaus de meados da década de 1940 e o texto é tão envolvente que a leitura é bem rápida. Nos dividimos entre os conflitos dos gêmeos idênticos Yaqub e Omar, suas tragédias familiares e sua família convencional até certo ponto.

 

Livro “Vasto Mar de Sargaços”, de Jean Rhys.

 

Fevereiro

Em fevereiro eu li Simplesmente o Paraíso e me rendi às maravilhosas histórias românticas de Julia Quinn. Recomendo os romances de Julia Quinn para quem quer uma leitura confortavelmente prazerosa, tipo filme de seção da tarde. Espero ler mais da autora em 2018, pois amei o Quarteto Smythe-Smith!

 

Box “Quarteto Smythe-Smith”.

 

Março

Os melhores do mês de março foram, sem dúvidas, o delicado Os Darcys de Derbshire, de Abigail Reynolds, e o misterioso Uma Noite Escura, de Elizabeth Gaskell. O primeiro é uma variação lindíssima de Orgulho e Preconceito, de Jane Austen. O último, eu confesso que a leitura demorou um pouco a deslanchar, mas o acontecimento da tal noite escura (que eu não revelo na resenha) deu uma virada inesperada na história e a partir daí eu não consegui largar o livro de jeito nenhum. Os amantes dos clássicos certamente irão gostar.

 

Abril

Em abril eu li, por meio de parceria, dois livros da autora Thati Machado: Com Outros Olhos e Contando Estrelas. Foram leituras ótimas, que me fizeram sair da minha zona de conforto e despertaram em mim aquele sentimento tão lindo e tão em falta ao mesmo tempo em nosso mundo, a empatia.

 

Maio

Maio eu tive a alma tocada pelo Outros Jeitos de Usar a Boca, de Rupi Kaur, e dei muitos suspiros com Um Amor Conquistado, da Silvia Spadoni, e Alina, da Emilia Lima. Os dois últimos, literatura brasileira contemporânea da melhor qualidade!

 

“Alina”, de Emilia Lima: livro e marcadores com ilustrações de Mara Sop.

 

Junho

Junho foi o mês Chirlei Wandekoken: li e amei o romance A Estrangeira e me perdi com as novelas independentes que a autora escreveu sobre personagens secundários do romance, A Ama Inglesa, Um Cocheiro em Paris e, o meu favorito Fronteira da Paz. São histórias intensas e muito envolventes, dica especial para quem gosta de se perder com um nobre inglês em todos os lugares possíveis.

 

“A Estrangeira”, de Chirlei Wandekoken.

 

Julho

Em julho o livro Querida Jane Austen ganhou meu coração. Antologia organizada pela talentosa Katherine Salles, o livro é leitura obrigatória para todos os amantes de Jane Austen. Vários contos e dois artigos bem bacanas compõem o livro. Neste mês também me apaixonei pelo A Rosa e o Espinho, uma belíssima história (na verdade, duas) ambientada na maravilhosa Cornualha. A Alegria de Ensinar foi um livro que eu tive de resenhar como parte das atividades do meu Estágio Supervisionado I e eu fiquei tão encantada com as crônicas do livro, que postei a resenha aqui no blog assim que a atividade foi avaliada. Além desses, em julho também li Um Amor Inesperado, da Silvia Spadoni, e o meu favorito do Quarteto Smythe-Smith, da Julia Quinn, A Soma de Todos os Beijos.

 

Cards dos contos do livro “Querida Jane Austen”, gentilmente enviados pela autora Moira Bianchi.

 

Agosto

Dos três favoritos do mês de agosto, apenas um tem resenha já postada aqui no blog: Um Amor Apaixonado, da Silvia Spadoni. Esse livro, que eu tive o privilégio de ganhar um exemplar autografado pela autora, é o meu favorito entre os três da série amores. Se você gosta do estilo da Julia Quinn, de romances de época de aquecer o coração, precisa conhecer os livros da Silvia Spadoni!

Vozes Anoitecidas é um livro de contos do moçambicano Mia Couto, os quais ele se inspirou na tradição oral do seu país reproduzindo histórias conhecidas por lá, com um toque mágico de lirismo que conquista desde a primeira linha. Lembro do começo de um dos contos, impossível de abandonar a leitura: “de repente, o boi explodiu”. Já tenho uma lista imensa do autor para ler (e estudar também), e esse título será uma das primeiras resenhas aqui do blog para 2018. Outro título marcante a ser resenhado é A Festa de Babette, de Karen Blixen. Gostei tanto desse conto que passei uns dois ou três dias sem conseguir ler nada. Só remoendo a história de uma mulher que decide oferecer um mágico e delicioso jantar àquelas pessoas que a acolheram em sua dificuldade. Em breve conversaremos mais sobre esses livros.

 

 

Setembro

Setembro foi o mês que eu conheci um detetive super engraçado: Mort. Ed Mort. Tá escrito na capa do livro. Você lê os contos e fica com essa mania louca de falar como ele. Leitura leve, rápida e muito bem humorada, marca registrada de Luis Fernando Veríssimo.

Através, também, de parceria, li o maravilhoso A Fantástica Jornada do Escritor no Brasilde Kátia Regina Souza. Um livro para conhecer as engrenagens que envolvem o processo de escrita e reconhecer alguns erros e inseguranças em outros colegas, há mais tempo na estrada. Ótima leitura.

Destaque também para a leitura de Invisível, conto da querida Clara Taveira e para o primeiro volume dos Contos de fadas em suas versões originais, da Editora Wish, ambos sem resenha no blog. Em setembro lancei Anne na Amazon.

 

Outubro

Em outubro, fiquei boquiaberta (mais uma vez) com a qualidade do texto do Ian McEwan em Enclausurado. Um suspense inspirado em Hamlet, de Shakespeare, para ninguém botar defeito, especialmente porque, aqui, a história é narrada por um bebê que ainda não nasceu.

Outubro também foi o mês que eu descobri um dos melhores poetas brasileiros que já existiu: Manoel de Barros. Li o livro Meu quintal é maior que o mundo e fiquei tão encantada que prometi a mim mesma reler as poesias do autor pelo menos uma vez ao ano. Não tem resenha do livro aqui no blog, mas tem um texto que eu escrevi para um trabalho da faculdade (Letras, eu te amo!) com link de um documentário maravilhoso feito sobre a vida do autor. Clique aqui e confira!

Também neste mês aconteceu lá em São Paulo o lançamento das duas coletâneas literárias que participei na Andross Editora. Foi uma experiência muito bacana, que eu contei os detalhes há poucos dias aqui no blog.

 

Livro “Sem mais, o amor”, o qual participei com o conto “Querido Paulo”.

 

Novembro

Novembro eu li dois livros incríveis de duas escritoras completamente diferentes, mas igualmente maravilhosas: Olhos D’água, de Conceição Evaristo; e, Alétheia, de Soraya Coelho. Ambos livros de contos. Ambos emocionantes. A resenha de Alétheia também será postada no comecinho do ano que vem.

 

Dezembro

O mês ainda não acabou, eu sei, mas vou deixar duas recomendações de leitura que eu fiz e gostei muito, pois daqui a alguns dias eu vou ativar o modo mamãe-dona-de-casa-cozinheira e ficar só na companhia de Kurt Seyit & Shura, que talvez eu termine de ler até o dia 31 (vai rolar muita Netflix e Discovery Kids também, certeza).

De A a Z: dicas para escritores foi um livro bem legal, lançado recentemente pelo Fábio Fernandes. Ele foi leitor crítico do meu O dia em que conheci meu pai pela segunda vez e a primeira opinião profissional que eu recebi sobre o livro. O Fábio foi incrivelmente paciente e bondoso comigo. E nas dicas ele passa um pouquinho da experiência dele para pessoas que gostam e querem escrever cada vez melhor. E as dicas não se restringem apenas  à ficção, que fique claro.

Mais um da Chirlei Wandekoken para a conta: Sob os acordes dos anjos talvez (talvez!) seja o meu favorito dela deste ano de 2017. Uma história envolvente e com toques pontuais de erotismo. Li de um dia para o outro de tão viciante!

 

Dois mil e dezessete foi um ano incrível. Li muito e escrevi bastante. Fui até entrevistada no Anime Uai em Muriaé! O melhor de tudo é que através da literatura consegui estabelecer e fortalecer laços de amizade com pessoas de todo canto do Brasil (e do mundo!), além de aprender muito. Foi incrível. E 2018 também será. Até lá!

 

Euzinha participando do Anime Uai em Muriaé.

 

Ps1.: Não terminei o desafio #12mesesdePoe, embora eu tenha conseguido ler mais do autor este ano que em 2016. Para 2018, não tenho nenhum desafio em vista, nem planos mirabolantes de não comprar nenhum livro o ano inteiro (onde eu estava com a cabeça?)! Apenas, sem data limite, resolvi aderir ao Projeto Agatha Christie, do blog Randomicidades. É só clicar no banner na lateral aqui do blog para saber mais e baixar o planner que a Tábata fez para organizar a leitura dos romances da Rainha do Crime em ordem cronológica.

 

Ps2.: Para ver todos os livros que eu li em 2017, basta clicar aqui para ver a minha estante no Skoob. Aproveita e me adiciona por lá também!

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