março 08, 2019

[DIÁRIO] O MAR E A POESIA DE SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

Sinopse: “Com seleção e apresentação de Eucanaã Ferraz, esta antologia reúne poemas lapidares de uma das vozes mais marcantes e comoventes da literatura portuguesa. O mar é um dos elementos centrais da lírica de Sophia de Mello Breyner Andresen. As “praias lisas”, a “linha imaginária” e as “ondas ordenadas”, em seus poemas, simbolizam a mais profunda beleza, um segredo íntimo, “um milagre criado só para mim”. Nas cidades, sua poesia é associada à luta: a vida, no “vaivém sem paz das ruas”, é “suja, hostil, inutilmente gasta”. A atuação de Sophia em resistência ao salazarismo se firmou não apenas em sua escrita, com caráter combativo, mas também na Assembleia Constituinte, ao se eleger deputada pelo Partido Socialista, em 1975. Esta antologia joga luz sobre a dimensão concreta e ao mesmo tempo misteriosa de uma das vozes mais cultuadas da literatura portuguesa. Seja para denunciar o mundo sombrio, seja para tratar de praias radiantes, a poeta ― com sintaxe direta e imagens surpreendentes ― alerta: “por mais bela que seja cada coisa/ Tem um monstro em si suspenso.””

 

A primeira impressão que temos ao ler as poesias de Sophia de Mello Breyner Andresen é de encantamento. Aconteceu mais de uma vez de eu interromper a leitura, fechar o livro e pensar: como é que eu nunca havia conhecido essa escritora em tantos anos de estudo e de leituras? Como ninguém nunca falou dela para mim? Hoje, depois de ter lido algumas vezes as poesias de Sophia, já não me incomoda não tê-la conhecido antes, pois nunca é tarde para se apaixonar por um novo autor e por sua obra.

 

Assista/ouça: “Um dia” (Coral e outros poemas), de Sophia de Mello Breyner Andresen:

 

Os portugueses têm uma forte ligação com o mar e a poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen segue, em grande parte, essa temática. Você lê e sente o cheiro do mar, ouve o barulho das ondas… Ler Sophia é como chegar à praia depois de um grande período de ausência.

 

Mar

I

De todos os cantos do mundo

Amo com um amor mais forte e mais profundo

Aquela praia extasiada e nua,

Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.

II

Cheiro a terra as árvores e o vento

Que a primavera enche de perfumes

Mas neles só quero e só procuro

A selvagem exalação das ondas

Subindo para os astros como um grito puro.

 

Organizada por Eucanaã Ferraz, Coral e outros poemas (Companhia das Letras, 2018) reúne poemas escritos entre 1944 e 1997, incluindo poemas dispersos e alguns inéditos. Os principais temas são memória, morte, mar (como já dito anteriormente), beleza e mistério.

 

Terror de amar num sítio tão frágil como o mundo.

 

Mal de te amar neste lugar de imperfeição

Onde tudo nos quebra e emudece

Onde tudo nos mente e nos separa.

 

Penélope

 

Desfaço durante a noite o meu caminho.

Tudo quanto teci não é verdade,

Mas tempo, para ocupar o tempo morto,

E cada dia me afasto e cada noite me aproximo.

 

Prece

 

Que nenhuma estrela queime o teu perfil

Que nenhum deus se lembre do teu nome

Que nem o vento passe onde tu passas.

 

Para ti criarei um dia puro

Livre como o vento repetido

Como o florir das ondas ordenadas.

 

Quem me roubou o tempo que era um

quem me roubou o tempo que era meu

o tempo todo inteiro que sorria

onde o meu Eu foi mais limpo e verdadeiro

e onde por si mesmo o poema se escrevia.

Setembro de 2001.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen era apaixonada pela poesia brasileira, especialmente pelos autores João Cabral de Melo Neto e Cecília Meireles (dentre outros). Foi a primeira mulher portuguesa a receber o prêmio Camões, em 1999. Além de poesia, Sophia também escreveu contos, ensaios e literatura infantil. Foi deputada na Assembleia Constituinte (1975) pelo Partido Socialista e compôs resistência à ditadura em Portugal. A escritora faleceu aos 84 anos, em 2004, na cidade de Lisboa. Este ano, 2019, marca o centenário de seu nascimento, o que, espero, traga novas edições e reedições de sua obra para o Brasil.

 

Brasil 77

Em vosso e meu coração

Manuel Bandeira

Brasil dos Bandeirantes

E das gentes emigradas

Em tuas terras distantes

As palavras portuguesas

Ficaram mais silabadas

Como se nelas houvesse

Desejo de ser cantadas

Brasil espaço e lonjura

Em nossa recordação

Mas ao Brasil que tortura

Só podemos dizer não

 

Brasil de Manuel Bandeira

Que ao franquismo disse não

E cujo verso se inscreve

Neste poema invocado

Em vosso e meu coração

Brasil de Jorge de Lima

Bruma sonho e mutação

Brasil de Murilo Mendes

Novo mundo mas romano

E o Brasil açoriano

De Cecília a tão secreta

Atlântida encoberta

Sob o véu dos olhos verdes

Brasil de Carlos Drummond

Brasil do pernambucano

João Cabral de Melo que

Deu à fala portuguesa

Novo corte e agudeza

Brasil da arquitectura

Com nitidez de coqueiro

Gente que fez da ternura

Nova forma de cultura

País da transformação

Mas ao Brasil que tortura

Só podemos dizer não

 

Brasil de D. Helder Câmara

Que nos mostra e nos ensina

A raiz de ser cristão

Brasil imensa aventura

Em nossa imaginação

Mas ao Brasil que tortura

Só podemos dizer não

 

1977

 

 

 

Título: Coral e outros poemas

Autora: Sophia de Mello Breyner Andresen

Seleção e apresentação: Eucanaã Ferraz

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 392

Compre na Amazon: Coral e outros poemas.

 

REFERÊNCIA

Poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen são publicados no Brasil. Globo News Literatura, programa exibido em 28 de abril de 2018.

 

 

fevereiro 28, 2019

[DIÁRIO] EM NÁPOLES COM ELENA FERRANTE: A AMIGA GENIAL

Sinopse: “A reclusa autora italiana que conquistou a crítica internacional tem sua série napolitana lançada no Brasil pela Biblioteca AzulAclamada pela crítica e pelo público, Elena Ferrante se tornou conhecida por escrever sobre questões íntimas com muita clareza, sem se expor para divulgar seus livros. Sua ficção parece apresentar traços autobiográficos, mas não é possível identificar os pontos comuns entre sua vida e sua obra, uma vez que a escritora se recusa a comentar sua intimidade.A Série Napolitana, formada por quatro romances, conta a história de duas amigas ao longo de suas vidas. O primeiro, A amiga genial, é narrado pela personagem Elena Greco e cobre da infância aos 16 anos. As meninas se conhecem em uma vizinhança pobre de Nápoles, na década de 1950. Elena, a menina mais inteligente da turma, tem sua vida transformada quando a família do sapateiro Cerullo chega ao bairro e Raffaella, uma criança magra, mal comportada e selvagem, se torna o centro das atenções. Essa menina, tão diferente de Elena, exerce uma atração irresistível sobre ela.As duas se unem, competem, brigam, fazem planos. Em um bairro marcado pela violência, pelos gritos e agressões dos adultos e pelo o medo constante, as meninas sonham com um futuro melhor. Ir embora, conhecer o mundo, escrever livros. Os estudos parecem a melhor opção para que as duas não terminem como suas mães entristecidas pela pobreza, cansadas, cheias de filhos. No entanto, quando as duas terminam a quinta série, a família Greco decide apoiar os estudos de Elena, enquanto os Cerrulo não investem na educação de Raffaella. As duas seguem caminhos diferentes. Elena se dedica à escola e Raffaella se une ao irmão Rino para convencer seu pai a modernizar sua loja. Com a chegada da adolescência, as duas começam a chamar a atenção dos rapazes da vizinhança. Outras preocupações tornam-se parte da rotina: ser reconhecida pela beleza, conseguir um namorado, manter-se virgem até encontrar um bom candidato a marido.Mais que um romance sobre a intensidade e complexa dinâmica da amizade feminina, Ferrante aborda as mudanças na Itália no pós-guerra e as transformações pelas quais as vidas das mulheres passaram durante a segunda metade do século XX. Sua prosa clara e fluída evoca o sentimento de descoberta que povoa a infância e cria uma tensão que captura o leitor.”

 

Há até bem pouco tempo o nome Elena Ferrante não dizia muita coisa para mim. Sabia que se tratava de uma autora que eu talvez leria, talvez não, mas eu não fazia ideia da febre que envolvia essa escritora e sua tetralogia (veja a hashtag #ferrantefever), menos ainda que ela (ou talvez ele, duvido, mas há a possibilidade) era uma escritora reclusa e que já fizeram até uma “séria” investigação para saber quem é, realmente, Elena Ferrante.

 

Saiba mais: A verdade sobre o caso Elena Ferrante, por El País.

Leia também: Uma noite na praia, de Elena Ferrante.

 

Com a série da HBO, My Brilliant Friend, exibida no final do ano passado, o nome Elena Ferrante voltou a circular pela internet e eu fiquei encantada com as personagens principais, Lila e Lenu, e também por todo aquele contexto pós Segunda Guerra Mundial, em uma Nápoles não tão glamurosa quanto a que nos vem em mente quando ouvimos falar desse lugar. A tetralogia napolitana conta a história de gente comum, de uma periferia violenta de uma Itália que estava engatinhando para uma realidade mais pacífica, seja lá o que isso queira dizer na prática.

Tentei não assistir aos episódios, mas as reprises em horário vespertino quando eu estava de férias foram tentação demais para que eu pudesse resistir. Tentei não ver com tanta regularidade, deixei de ver a série após a fase da passagem da infância para a adolescência, com medo de que pudesse prejudicar a minha leitura, mas A Amiga Genial (Biblioteca Azul, 2015) prende tanto, mais tanto MESMO, que a única ressalva que eu faço para quem ainda estiver vivendo o dilema “leio primeiro ou assisto” é de que a série é muito fiel ao primeiro livro, então pode ser um incômodo (para mim, não foi) ler quase exatamente o que assistiu. É como assistir a série Pride and Prejudice (BBC 1995) e só depois ler Orgulho e Preconceito. A parte uma cena ou outra, o livro está todo ali na tela, dividido em episódios.

A Amiga Genial começa com Lenu já mais velha, recebendo a notícia de que sua amiga Lila teria simplesmente desaparecido, sem deixar qualquer vestígio de sua existência. Não havia roupas, sapatos e até as fotos em que ela figurava foram cortadas. Com raiva, Lenu decide dar o troco: Lila podia tentar, mas não ia desaparecer facilmente. Ela escreveria a história da amiga, delas duas, com todos os detalhes de que se lembrava.

 

Elisa del Genio como “Lenu” e Ludovica Nasti como “Lila” em “My Brilliant Friend” (HBO, 2018).

 

“Como sempre Lila exagerou, pensei.

Estava extrapolando o conceito de vestígio. Queria não só desaparecer, mas também apagar toda a vida que deixara para trás.

Fiquei muito irritada.

Vamos ver quem ganha desta vez, disse a mim mesma. Liguei o computador e comecei a escrever cada detalhe de nossa história, tudo o que me ficou na memória.” (p. 17)

 

A partir daí, Lenu e nós, leitores, viajamos no tempo, para a periferia de Nápoles dos anos 1950, quando ela e Lila eram crianças. Toda a história é narrada por Lenu, Elena Greco, e o primeiro livro mostra a infância e adolescência das duas.

 

“ Na época já havia algo que me impedia de abandoná-la. Não a conhecia bem, nunca tínhamos trocado uma palavra, mesmo competindo continuamente entre nós, na classe e fora dela. Mas eu sentia confusamente que, se tivesse fugido com as outras meninas, lhe teria deixado algo de meu que ela nunca mais me devolveria.” (p.26)

 

A Amiga Genial é um livro com poucos diálogos, tendo em vista o tamanho. Longe de ser cansativo, pelo contrário, por toda a leitura me senti como se estivesse ouvindo uma senhora contar suas alegrias e tristezas para mim. Elena Ferrante é extremamente detalhista, mas sua escrita é cirúrgica: embora os quatro livros da série somem mais de mil e setecentas páginas (!) até o momento (estou na metade do segundo livro) a leitura está fluindo muito bem. Falando bem claramente, estou devorando os livros e dói ter de parar de ler para fazer qualquer outra coisa.

Esse livro toca em temas bastante delicados ao público feminino, pois aqui as mulheres são protetoras e cruéis na mesma medida. Lila e Lenu são amigas, mas além do carinho e da admiração entre as duas, há uma rivalidade pesadíssima. Como o livro é narrado pela Lenu, que tem uma relação distante e de asco com a mãe dela, o “ser mulher desde pequena” é uma das nuances mais fortes dessa primeira parte da série e também o que mais me chamou a atenção, obviamente.

 

Margherita Mazzucco como “Lenu” e Gaia Girace como “Lila” em “My Brilliant Friend” (HBO, 2018).

 

“Lila é mais bonita que eu. Então eu era a segunda em tudo. E torci para que ninguém jamais percebesse.” (p. 45)

 

 

Do livro à tela, por trás das câmeras da adaptação da HBO:

 

Eu não saberia resumir essa história ou apontar tudo o que ela tem de maravilhoso com apenas uma única leitura, em um único texto. O que posso dizer é que Elena Ferrante virou quase uma obsessão literária para mim, quero ler todos os seus livros, aprender com a sua escrita limpa e profunda, e me reconhecer nos pontos fortes e nas fraquezas de suas personagens, porque isso é inevitável.

 

“ ‘Sabe o que é a plebe, Greco?’

‘Sei: a plebe, os tribunos da plebe, os Graco.’

‘A plebe é uma coisa muito feia.’

‘Sim.’

‘E se alguém quer continuar sendo plebe, ele, seus filhos e os filhos de seus filhos não serão dignos de nada. Deixe Cerullo pra lá e pense em você.’” (p. 65)

 

Resguardadas as devidas proporções entre ficção x realidade, Brasil x Itália etc., eu me vi muito em A Amiga Genial. Diria até que eu sou Lenu e tenho minha própria Lila, a quem eu amo, mas já invejei muito e ainda invejo por ela ser, para mim, perfeita em tudo. Até ler esse livro eu pensava que existia um limite rígido entre admiração e inveja, mas talvez eu tenha sido manipulada pelo maniqueísmo comum da nossa sociedade. No mais, preciso continuar em Nápoles com Elena Ferrante para saber como termina essa história.

 

“Temia que lhe acontecessem coisas, boas ou ruins, sem que eu estivesse presente. Era um temor antigo, um temor que eu nunca superara: o medo de que, perdendo partes de sua vida, a minha perdesse intensidade e centralidade.” (p. 207)

 

Um trecho de uma cena corrida, mas que eu considero como um dos mais brilhantes do livro A Amiga Genial é o que eu reproduzo abaixo. Antes de explicar o porquê, já aviso que não é spoiler o que eu vou dizer, pois é algo que o leitor vai projetando logo no começo da história e aqui, como em muitos outros livros, o conceito de spoiler é discutível. A tetralogia napolitana definitivamente não é um thriller com diversos pontos de virada etc., que teria a leitura prejudicada com revelações da trama. Ele nos tira o fôlego por outros motivos, mesmo o enredo sendo um pouco previsível em algumas partes. Enfim, quando todos pensamos que Lila é a amiga genial, pois ela é extraordinária em sua rebeldia e em sua facilidade de aprendizado, ela diz para Lenu “ei, você é minha genial”. Essa fala da Lila, quer o leitor ou Lenu aceite, quer não, mina aquela chata dicotomia boa e má, sensata e passional etc., ou até questionamentos mais simplórios que acabam por roubar a cena do que é realmente importante para a história, como em Dom Casmurro, de Machado de Assis, com o insistente questionamento Capitu traiu ou não traiu Bentinho?

Quando Lila diz que Lenu é a amiga genial a gente se dá conta de que é mesmo, aquilo é verdade. As duas são geniais, cada qual a seu modo. Se eu já não estivesse perdidamente apaixonada pela Elena Ferrante, ela me ganharia definitivamente com essa cena.

“ ‘Qualquer coisa que aconteça, continue estudando.’

‘Mais dois anos: depois pego o diploma e terminou.’

‘Não, não termine nunca: eu lhe dou dinheiro, você precisa estudar sempre.’

Dei um risinho nervoso e disse:

‘Obrigada, mas a certa altura a escola termina.’

‘Não para você: você é minha amiga genial, precisa se tornar a melhor de todos, homens e mulheres.’” (p. 312)

 

Sobre a pobreza, sobre não pertencer ou não querer pertencer ou continuar na pobreza, o trecho a seguir também é marcante:

“O que era a plebe eu soube naquele momento, e com muito mais clareza do que quando, anos antes, Oliviero me fizera aquela pergunta. A plebe éramos nós. A plebe era aquela disputa por comida misturada a vinho, aquela briga por quem era servido antes e melhor, aquele pavimento imundo sobre o qual garçons iam e vinham, aqueles brindes cada vez mais vulgares. A plebe era minha mãe, que tinha bebido e agora se deixava levar com as costas contra o ombro de meu pai, e ria de boca escancarada às alusões sexuais do comerciante de metais. Todos riam, inclusive Lila, com o ar de quem tinha um papel e o desempenharia até o fundo.” (p. 330)

 

Por hora, sigo com a leitura de A História do Novo Sobrenome, segundo livro da tetralogia, que retoma a história de onde A Amiga Genial parou, com o mesmo poder de nos prender às páginas como o seu antecessor. Na lista de desejados, alguns livros citados em A Amiga Genial: Mulherzinhas; Três homens num barco; Bruges, a morta; Os irmãos Karamazov; dentre outros títulos e autores. Leiam tudo, leiam Elena Ferrante e me chamem para um café para conversarmos sobre essa autora maravilhosa.

 

 

Veja o trailer da série My Brilliant Friend (legendado):

 

Título: A Amiga Genial

Autora: Elena Ferrante

Tradução: Maurício Santana Dias

Editora: Biblioteca Azul

Páginas: 336

Compre na Amazon: A Amiga Genial.

janeiro 30, 2019

[DIÁRIO] SOBRE FANTÁSTICOS LIVROS VOADORES E O AMOR PELA LEITURA

Sinopse: “Escritor e ilustrador, eleito uma das 100 personalidades de destaque do novo milênio pela revista Newsweek, William Joyce ganhou o Oscar 2012 pelo curta de animação The fantastic flying books of Mr. Morris Lessmore, que chega agora ao formato livro numa bem editada adaptação que mantém as ilustrações originais do filme. A obra, que alcançou o primeiro lugar na lista dos mais vendidos do The New York Times, é uma comovente declaração de amor à literatura e a seu poder transformador. “

 

Talvez eu seja um pouco desatualizada, a própria personificação do meme (injusto) do Rubinho Barrichello, mas só há pouco tempo tive conhecimento do curta-metragem “Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore” e da posterior publicação em livro, com o título “Os fantásticos livros voadores de Modesto Máximo” (Rocco, 2012). Mas uma pérola como esta não ficará datada nunca e não importa a data que você conheça essa história pela primeira vez, desde que tenha a oportunidade de conhecê-la.

Já parou para pensar na sua relação com os livros e a literatura? O poder que os livros têm, a transformação que eles são capazes de promover em nossa vida? Toda vez que alguém me pergunta o que são os livros, o que é a literatura para mim, eu fatalmente me embolo com as palavras e não consigo expressar fielmente o que eu sinto. Eu simplesmente acredito nos livros. Tenho plena convicção de que eles mudam pessoas, e só as pessoas mudam o mundo (parafraseando Mário Quintana).

 

“Um feliz acaso, então aconteceu.

Em vez de olhar para baixo, como havia se habituado, Modesto Máximo olhou para o alto. Viajando pelo céu, bem acima dele, Modesto viu uma linda moça. Ela era levada por um festivo esquadrão de livros voadores.”

 

“A moça que voava sabia que Modesto só precisava de uma boa história. Logo, enviou para ele a que ela mais gostava. Esse livro, que era uma companhia agradável, convidou Modesto a segui-lo.”

 

Quando eu assisti “Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore” pela primeira vez, foi como se tudo o que eu sentisse em relação aos livros finalmente tivesse sido traduzido. É uma pena que o livro esteja esgotado, consegui ler de empréstimo, mas a história é exatamente a mesma do curta-metragem, com a diferença de que no curta é você quem vai tecendo os parágrafos na sua memória a partir das imagens.

 

Sobre o curta-metragem:

“A obra, exibida no Anima Mundi 2013, foi inspirada no ator e diretor Buster Keaton, no furacão Katrina – que destruiu a cidade americana de Nova Orleans em 2005 – e no clássico O Mágico de Oz.

A partir de uma variedade de técnicas de animação (stop-motion, miniaturas, computação gráfica, animação 2D), o premiado ilustrador William Joyce nos presenteia com seu estilo híbrido. O resultado é um um delicioso e sensível uso de cores, sons, gestos e expressões.” (Fonte: Animamundi)

 

Assista no vídeo abaixo e emocione-se:

 

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