dezembro 15, 2017

[CONTOS] Miríade e Sem mais, o amor: publicando pela primeira vez com a Andross Editora

 

Neste ano eu resolvi MESMO tirar os meus textos da gaveta. Além das publicações no Wattpad e na Amazon, tive a oportunidade de participar de duas coletâneas literárias pela Andross Editora. Miríade foi uma delas.

Sinopse: “Qual é o número ideal de capítulos para se produzir uma obra literária de sucesso? Quantas letras são necessárias em uma frase de impacto? Quanta criatividade cabe em um texto? Na literatura, como na vida, há coisas incontáveis, imensuráveis, como a miríade de ideias, formas e estilos contidos na produção dos contos e crônicas deste livro.”

 

O texto que eu enviei para esta coletânea, que é de temática livre e recebeu contos e crônicas, foi o Bichectomia. A história é um conto meio crônica sobre uma moça, Carolina, que resolve fazer uma bichectomia a partir do momento que vê esse nome escrito em um panfleto de uma clínica de bairro. Como eu trabalho no Conselho Regional de Odontologia de Minas Gerais — Regional Muriaé — essa temática (Odontologia, registro, legislação etc.) é frequente no meu dia a dia. Bichectomia é o último texto do livro Miríade, que pode ser comprado na minha lojinha de livros na Amazon, com os outros autores ou ainda na loja da Andross Editora. Sou suspeita, eu sei, mas recomendo a leitura mesmo assim, pois o livro ficou ótimo!

Participaram como autores do Miríade:

Airton Baquit * Alberto Franco Lacerda * Alice Castro * Amanda Vitória * Ashitaka * Carla Azevedo * Carolina C. Meulan * Carolina Coelho * Dadai dos Anjos * Daniel Constantini * Darlan Zurc * David Ramos * Eduardo Rodrigues * Fatima Romani * Francisco Oliveira * Gean Jeferson M. C. * Giovana Andrade * Gisele Honorato * Gisele Moura Queiroz * Guilherme Isler da Costa * Hugo Sales * Igos Luchese * Inajá Uira Meier Galliani * Isbela Teles Teixeira dos Santos * João Renato Weigert * Josiane Carvalho * Larissa Prado * Márcia Moura * Maria Anna Martins * Marina Franconeti * Marli de Oliveira Geraldo * Matheus Andrade * Matheus Zuca * Maurílio Alves Rocha Junior * Maurílio Ribeiro da Silva * Murilo Tavares Ferreira * Nathália Dalbianco * Patrick Álisson Sousa * Paula Maciel * Pedro Leal * Rafaela Manicka * Rosamares da Maia * Sérgio Motta * Sthefane Pinheiro * Tamires de Carvalho (!) * Thacio Fagundes Vissicchio * Thais Caldeira * Thaís Prado * Thiago Petrin * Trycia Mello * Vitória V. Lussari * Wallax Bat * Wanille Araujo J. Almeida * William Sene * Zuila Cruz.

 

 

A outra coletânea que participei foi a Sem mais, o amor.

Sinopse: “Fernando Pessoa já dizia que ‘todas as cartas de amor são ridículas’. E afirmava veementemente: ‘não seriam cartas de amor se não fossem ridículas’. Mesmo não vivendo o suficiente para conhecer novas tecnologias de comunicação, o poeta sabia bem que a interação verdadeira entre duas pessoas que se amam se despe de vaidades e apresenta a pureza de um sorriso. SEM MAIS, O AMOR é uma coletânea de contos românticos em forma de cartas, emails, páginas de diário e outras formas de registro escrito. E o mais importante: são histórias ridículas! Exatamente como o poeta disse que tinham de ser.”

 

Eu escrevi um conto especialmente para esta antologia, chamado Querido Paulo. Vocês podem imaginar, então, a minha alegria quando o organizador, Leandro Schulai, entrou em contato comigo! Ao conhecer a Andross Editora, como blogueira, vi que havia vários editais de coletâneas abertos e a capa de Sem mais, o amor, chamou muito a minha atenção. Fiquei em casa remoendo o tema e pensei: acho que consigo escrever alguma coisa para essa coletânea. Veja a sinopse de Querido Paulo abaixo:

“Prestes a se mudar para Londres, Lília encontra uma foto nas páginas de um livro que fora o seu favorito, presente de uma pessoa especial. Por lembrar-se demais de Paulo lendo os versos de Florbela Espanca, o belo exemplar, presente do namorado de seus tempos de juventude ficara guardado, intocado em sua estante, por quase trinta anos! Uma única foto desperta-lhe lembranças de um amor até então sufocado em seu peito. Não podia fugir, precisava escrever algumas linhas para seu querido Paulo antes de ir embora de vez.”

 

Recebi bons elogios sobre esse conto e o resultado final me agradou bastante. Embora não seja uma história real, dei os nomes dos meus pais aos protagonistas. Foi uma forma que encontrei de homenageá-los, ainda que postumamente.

 

 

Você encontra o livro Sem mais, o amor também na minha lojinha na Amazon, com os autores ou no site da Andross Editora. Se você gosta de boas histórias de amor, sejam elas trágicas ou docemente agradáveis como um filme de fim de tarde, vai amar esse livro.

Participaram como autores de Sem mais, o amor:

Ágabo Araújo * Agatha Andrade * Alana Miranda * Aline Bettú Bechi * Aline Duarte* Ana Carolina Dias * Ana Julia Ramos * Anne Alyne Mendes * Aracelly Lima * Ariane M. Costa * Beatriz Pedro * Bia Christov * Camyla Silva * Carlos Patricio * Carolina C. Meulam * Cassia S. Cardoso * Clara Fernandes * Flávia Filha * Francisco J. A. Martins * G. Isler * Gi Pezzolato * Heder Willian de Oliveira * Helena Mendonça * Ingrid Bacellos * Heder William de Oliveira * Helena Mendonça * Ingrid Barcellos * Janielle Batista Souza * Julia Teixeira Lourenço * Juliana de Castro * Kelly Amorim * Kêmely Gomes da Silva * Lacy Pires de Andrade * Lê Ferrera * Leandro Schulai * Lobo Alves * M. A. Thompson * Marcela Carvalho * Marcelo Luiz Coelho * Margarete Schiavette * Maria Jordânia de Oliveira * Marina Yamauchi Santos * Matheus R. Carreiro * Nicole Siebel * P. H. Young * Paola Campos * Patrick Álisson de Sousa * R. P. Carvalho * Renata Ribeiro * S. G. Martins * Selma Barbosa * Silvia Ligabue * Sthefane Pinheiro * Tamires de Carvalho (!) * Tay Gomes * Thacio Fagundes Vissicchio * Thaís Caldeira * Thaissa Araujo * Valmira Ferreira * Victoria Binaghi Gallagher * Vitória V. Lussari * Wanille Araujo J. Almeida.

 

 

Participar de uma coletânea literária em uma editora foi uma experiência bem bacana. Aprendi muito sobre o processo desde a submissão do texto até ter o livro em mãos e, mesmo desconfiando que não seria nada fácil, pude perceber na prática todo o trabalhoso processo que envolve uma publicação. Muitos autores não gostam do modelo de antologias feito pela maioria das editoras, pois elas estabelecem que o autor deve arcar com uma parte da publicação. Com a Andross, o processo é todo muito transparente e as condições são apresentadas na página de submissão dos textos. Eles não publicam todos os textos que recebem, e os que são aprovados passam por uma preparadora de textos, depois da peneira/orientação dos organizadores. Ou seja, o livro como produto final tem uma qualidade muito boa. Obviamente, todo escritor sonha em receber o produto do seu trabalho em dinheiro, entretanto sabemos que as editoras — que são empresas, antes de tudo — não apostam todas as suas fichas em autores iniciantes. O retorno é baixo, quase nulo. Acredito e pude ver na prática, que o modelo adotado pela Andross é bom para os dois lados. O valor que você paga, recebe em livros. Na verdade você está comprando uma parte da tiragem e pode vendê-la depois. Além disso, a Andross organiza um grande evento de lançamento das coletâneas, o Livros em Pauta, e no ano seguinte os melhores contos de cada coletânea concorrem ao Prêmio Strix.

Valeu muito pela experiência e eu certamente participarei de outras coletâneas no futuro.

 

dezembro 01, 2017

[LANÇAMENTO] O DIA EM QUE CONHECI MEU PAI PELA SEGUNDA VEZ

Sinopse: “O dia em que conheci meu pai pela segunda vez” é uma antologia de contos e primeiro livro escrito pela autora Tamires de Carvalho. São narrativas inspiradas nos ‘causos’ de polícia que seu pai adorava contar e que mostram como a profissão de policial militar pode moldar o caráter e a personalidade de um homem. Do início ao fim, o dia a dia de abordagens, perseguições e conflitos de exercer esta profissão.

 

Já está disponível em e-book na Amazon O dia em que conheci meu pai pela segunda vez! Esse foi o primeiro livro que eu escrevi, e ele foi inspirado nos causos de polícia do meu falecido pai. Inclusive, a primeira postagem aqui do blog foi do conto que dá nome ao livro.

Estou tão feliz com essa publicação que, como em poucas vezes na minha vida, não sei nem o que dizer. Leiam, avaliem e compartilhem! Espero que gostem. Escrevi com todo o meu coração.

 

Adicione O Dia em sua estante no Skoob clicando aqui.

 

O Dia também tem playlist no Spotify! Confira abaixo:

 

julho 07, 2017

[CONTO] ANNE: UMA RELEITURA DE PERSUASÃO, DE JANE AUSTEN

Sinopse: Anne pertence a uma importante, porém empobrecida, família do interior de Minas Gerais. No passado, foi apaixonada por Fred, um inteligente e ambicioso rapaz de família humilde. Teria se casado com ele, mas foi persuadida por sua família e recuou do compromisso firmado anteriormente. Vários anos se passam até que um novo Fred volta ao lugar onde foi desprezado pela família Elias. Agora, ele é um homem bem sucedido, um veterinário respeitado e de boa situação financeira. “Anne” é uma releitura moderna de Persuasão, de Jane Austen: a história de um amor que precisará vencer as barreiras do orgulho e do ressentimento para ser vivido.

 

O post de hoje é um convite à leitura do meu conto, Anne. Veja o primeiro capítulo abaixo:

Anne

Capítulo 1

Minas Gerais, século XXI.

 

O Sr. Walter Elias, da fazenda Élio, em Minas Gerais, era um homem que, em momentos de ócio, não se distraía com mais nada além da leitura do livro de recortes de sua família. Ali tinha um porto seguro nos momentos difíceis e situações desagradáveis ocasionadas, em maior parte, por problemas domésticos. Os jornais antigos mostravam todos os grandes homens que tiveram a honra de carregar o sobrenome Elias.

Quando se cansava de ler sobre seus antepassados, lia fatos de sua própria história, sempre muito bem narrados pelos jornalistas em nível regional e até nacional. Eis um trecho da biografia do respeitável senhor publicada pelo jornal Estado de Minas Gerais:

 

Walter Elias, nascido em 1º de março de 1951, casou-se em 15 de julho de 19-— com Elisabeth, filha de Frederick Stevenson, distinto cavalheiro imigrante da Inglaterra. Ficou viúvo com três filhas ainda bem jovens: Elisabeth, nascida em 1º de abril de 1981; Anne, nascida em 20 de setembro de 1985; e Mariah, nascida em 19 de novembro de 1987.

 

Orgulhosamente, usando uma caneta de escrita fina e com traços delicados, escreveu, logo após a data de nascimento de Mariah: “casada em 16 de dezembro de 2009, com Carlos Musgrove Filho, herdeiro de Carlos Musgrove, distinto empresário de São Paulo”.

 

Ninguém podia dizer que o Sr. Walter, conhecido por muitos como Dr. Walter, embora nunca tenha concluído um curso universitário, não era um homem atraente. Aos sessenta e seis anos, era um senhor respeitado, que ainda atraía olhares, inclusive de mulheres mais novas, como bem gostava de observar. É bem verdade que a estima adquirida em sua comunidade se deve, além do sobrenome Elias, à lembrança que muitos ainda guardavam de sua falecida esposa, que era uma flor de candura e sabia ignorar os defeitos do marido.

Sr. Walter tão logo enviuvou, teve a valiosa ajuda de D. Glória, uma grande amiga de sua finada mulher, para o término da criação das filhas. Ela também é uma viúva e de boa família, mas, contrariando todos os mexericos e expectativas da comunidade, os dois não se casaram. Não havia necessidade, tampouco desejo da parte de Sr. Walter. Ele se considerava um bom pai e viveria o resto de sua vida em função das filhas, sobretudo da mais velha, fisicamente semelhante à mãe, mas de temperamento e caráter iguais ao seus. Mariah havia se casado na primeira boa oportunidade que teve, e Anne… Bem, Anne sempre esteve a cargo de D. Glória, sua madrinha de batismo. Embora fosse a imagem e semelhança do pai, ele não tinha paciência para os arroubos de Anne e seu diferente jeito de ser.

No momento, irritava-se facilmente com os pitacos que a filha dava em relação à situação financeira da família.

— A fazenda não produz como antes. Na verdade, não produzimos nada de relevante, não nos automatizamos e gastamos muito dinheiro com frivolidades! – Dizia Anne.

— Elisabeth é uma ótima senhora para a Fazenda Élio. Se os negócios vão mal, a culpa é da economia brasileira, que está em frangalhos! – Defendia o Sr. Walter.

— Querido pai, não podemos culpar a economia pelos gastos frequentes e as festas que vocês dão. Daqui a pouco, não teremos como pagar os salários dos empregados! A melhor saída, como eu já disse mais de uma vez, é arrendar a fazenda. Pelo menos parte dela. O Dr. Gonçalo tem algumas pessoas para nos indicar. Vamos ouvi-lo!

Dr. Walter se enfurecia toda vez que percebia que Anne tinha razão. A serenidade com a qual ela lidava com a situação o fazia quase detestá-la. Certamente não se importava em deixar a fazenda, se virava bem no meio de gente pobre, e se achava independente, pois tinha um emprego. Mas Elisabeth, pobre Elisabeth, o que seria dela, e dele próprio, não podendo mais serem os senhores da Fazenda Élio? Infelizmente não tinham saída, teriam de arrendar a fazenda. Mas seria por pouco tempo, tinha certeza. Seriam férias do campo! Enquanto isso, viveriam em uma casa não muito longe dali, uma residência mais modesta, comparada à sede da fazenda. Muito bem localizada, essa casa ficava de frente para o Paço Municipal e suas belas árvores e mesinhas de jogar xadrez.

 

***

 

— Dr. Walter, tenho os arrendatários perfeito para o senhor! – Disse o animado advogado da família, Dr. Gonçalo. – Um militar aposentado e sua esposa. Não têm filhos e desejam a calmaria do interior. Não tendo achado uma propriedade para comprar, estão dispostos a arrendar a Fazenda Élio; a área da casa grande, os estábulos e uma parte do campo onde fica o pomar. A parte agrícola, como o Sr. sabe, será arrendada para a indústria.

— E esse militar por acaso tem dinheiro? – Perguntou Sr. Walter.

— Sim, e muito! Nem quis negociar. É de família abastada, se afastou da Aeronáutica por problemas de visão, pelo o que eu pude entender. – Disse o advogado.

Sr. Walter bufou e debochou, sob o olhar de reprovação de Anne:

— Então um velho cegueta vai ser o senhor da minha fazenda?

— De maneira alguma, Dr. Walter. Ele não é cego, nem velho. Bem, deve ter a idade do senhor, talvez um pouco menos. – Dr. Gonçalo riu e logo se envergonhou com o olhar crítico de Sr. Walter. – Ele saiu da Aeronáutica porque lá não admitem pilotos com problemas de visão que podem se agravar com o tempo. E ele já tinha muitos anos de serviço, pelo que pude apurar. Ademais, o cunhado dele conhece bem a região. É um renomado veterinário, cuidará dos cavalos enquanto estiver aqui. Andrade é o sobrenome dele, mas não me recordo o nome.

Sr. Walter franziu o cenho ao perceber Anne pálida como um fantasma.

— Não conheço ninguém com esse sobrenome. – Disse Sr. Walter.

— Frederick. O nome dele é Frederick. – Respondeu Anne de forma quase inaudível.

— Ah, então vocês o conhecem? Ótimo! Vou dar andamento à papelada e em breve lhe procuro, Dr. Walter, para finalizarmos a transação e assinarmos o contrato.

Sr. Walter acompanhou o advogado até a saída e foi tratar com Elisabeth os detalhes da decoração da casa da cidade, pois vários objetos teriam de ser substituídos ou acrescentados, agora que a família Elias estava de mudança. Anne ficara jogada em sua poltrona favorita, com o pensamento apenas em uma pessoa.

— Em pouco tempo ele estará aqui novamente. Fred estará aqui.

 

Ouça a playlist abaixo:

 

Anne foi publicado em seis capítulos de forma semanal no Wattpad entre julho e agosto deste ano. Agora, desde o dia 22 de setembro, está disponível em e-book na Amazon, em edição revista e com um capítulo extra. Quem gosta de romance sem muitas cenas quentes, só amorzinho mesmo, está convidado a suspirar comigo!

(Avaliações e comentários são muito bem-vindos!)

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