maio 15, 2019

[DIÁRIO] SÉRGIO SANT’ANNA: MEIO SÉCULO DE LITERATURA

Sérgio Sant’Anna é um escritor carioca que nasceu para a literatura em Belo Horizonte, sendo um dos nomes mais vitoriosos da Geração Suplemento. O marco inicial de sua carreira, o lançamento do livro de contos O sobrevivente, completa 50 anos neste 2019, atingindo a marca de seu contemporâneo Luiz Vilela, cujo cinquentenário de estreia em livro foi saudado por este Suplemento Literário de Minas Gerais (SLMG nº 1375, de novembro/dezembro de 2017). Os jornalistas João Pombo Barile e André Nigri palmilharam a trajetória de Sérgio, como pode ser lido a partir da página 3, um documento ao qual acrescentamos os testemunhos dos seus companheiros de viagem Sebastião Nunes e Angelo Oswaldo e de seu filho André, que vem lhe seguindo os passos na literatura.
Outro importante intelectual mineiro, Jacyntho Lins Brandão, recém empossado na Academia
Mineira de Letras e tradutor de textos da antiguidade, nos revela aqui sua face poética, através de
cinco sonetos sobre nada. João Batista Santiago Sobrinho tem sua poesia estudada por Ana Paula
da Costa, Yeda Prates Bernis mostra sua poesia em prosa e Mário Alex Rosa verseja sobre a unha do poeta, fechando o número.
Temos ainda o conto “Guri”, do gaúcho Lucio Carvalho, e um exercício de memória do mineiro
Edgard Pereira, mostrando dois aspectos diversos da ficção brasileira.
O desenho da capa e as outras duas ilustrações desta edição são de autoria de Carlos Wolny”

 

O Suplemento MG publicou em sua edição 1.383 (Março/Abril 2019) um especial sobre os cinquenta anos anos da publicação do livro O Sobrevivente, do escritor Sérgio Sant’Anna! Clique aqui ou na imagem abaixo e leia agora gratuitamente!

 

 

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maio 09, 2019

[DIÁRIO] CONTOS DE FADAS EM SUAS VERSÕES ORIGINAIS: EDIÇÃO DE COLECIONADOR DA EDITORA WISH

Sinopse: A trilogia Contos de fadas em suas versões originais ganha capa dura!

Todos nós tivemos contato com os contos de fadas pelos desenhos animados, livros ou contações de histórias. O curioso é que todas essas narrativas foram adaptadas sem muito compromisso com os contos originais, perdendo parte da tirania e sutileza naturais da época.

Neste livro de colecionador, os melhores contos de fadas foram escolhidos de forma criteriosa, cujas histórias centenárias se enveredam por horizontes escuros e sombrios, onde não há censura ou limites. Seus finais nem sempre envolvem casamentos ou futuros felizes, nos quais a moral prevalece sobre os pecados.

Nada mais será escondido ou censurado. A chave para conhecer os contos de fadas mais obscuros está em suas mãos. Você tem coragem de abrir esta porta?

Um dia você será velho o bastante para voltar a ler contos de fadas. – C.S. Lewis”

 

Compre a edição de colecionador do livro “Contos de fadas em suas versões originais” clicando aqui!

 

Se existem histórias que parecem já ter nascido dentro da nossa cabeça, certamente são os contos de fadas! Pense bem: são narrativas tão antigas, tão continuamente contadas, adaptadas e reimaginadas, que a gente conhece (e ama) desde… sempre.

Para quem adora contos de fadas, gosta de saber as origens (ou as origens mais antigas possíveis de serem rastreadas, neste caso) e quer ler as versões sem filtros ou sem o abrandamento dos desenhos infantis, o livro Contos de fadas em suas versões originais da editora Wish é uma das melhores edições em português dessa temática!

Eu já li alguns contos, chorei (e vou chorar sempre) com A Pequena Sereia, mas estou lendo aos poucos, apreciando cada detalhe desse livro. Falando em detalhes, tirei algumas fotos para quem quiser ver um pouco do interior do livro Contos de Fadas em suas versões originais. Futuramente, mostrarei detalhes dos Contos de Fadas Nórdicos, outra edição de luxo da editora Wish.

 

Contos de Fadas em Versões Originais e Contos de Fadas Nórdicos, ambos da editora Wish.

 

Lombadas dos livros Contos de Fadas em Versões Originais e Contos de Fadas Nórdicos, ambos da editora Wish.

 

Contos de Fadas em Versões Originais, da editora Wish.

 

Contos de Fadas em Versões Originais, da editora Wish: cada virada de página é um “uau” seguido de uma perda momentânea do fôlego.

 

Contos de Fadas em Versões Originais, da editora Wish: também conhecido (por mim) como o livro vermelho dos contos de fadas!

 

Contos de Fadas em Versões Originais, da editora Wish: sumário.

 

Contos de Fadas em Versões Originais, da editora Wish: sumário, parte 2.

 

Contos de Fadas em Versões Originais, da editora Wish: o livro é riquíssimo em ilustrações, além de ter uma diagramação de luxo.

 

Contos de Fadas em Versões Originais, da editora Wish.

 

Contos de Fadas em Versões Originais, da editora Wish.

 

A Pequena Sereia: uma das histórias mais lindas que eu li em toda a minha vida!

 

Contos de Fadas em Versões Originais, da editora Wish: o livro é riquíssimo em ilustrações!

 

Contos de Fadas em Versões Originais, da editora Wish: o livro é riquíssimo em ilustrações, além de ter uma diagramação de luxo.

 

E essas páginas inteirinhas com ilustrações? Maravilhosas!

 

Já disse, eu sei, mas… olha mais essa ilustração! <3

 

Contos de Fadas em Versões Originais, da editora Wish: um dos livros mais lindos da minha estante!

 

Veja abaixo a lista com todos os contos presentes nesta edição:

Contos Populares e clássicos:
A Pequena Sereia
Aladdin e a lâmpada maravilhosa (conto árabe)
A Bela e a Fera
Branca de Neve
A Bela Adormecida
Rapunzel
Chapeuzinho Vermelho
Cinderela
Polegarzinha
A Rainha da Neve
O Pequeno Polegar
Os Três Porquinhos
João e Maria
Barba Azul
O Gato de Botas
Rumpelstiltskin
O príncipe sapo
A princesa e a ervilha
João e o pé de feijão
O alfaiate valente
As doze princesas dançarinas
O Bravo Soldado de Chumbo
As roupas novas do Imperador

Contos Raros:
A Pequena Vendedora de Fósforos
Pele de Asno
Hua Mulan (A garota que batalhou como um homem na China)
As Explorações de Maui (O semideus de Moana)
Sapatinhos Vermelhos
O Rouxinol e o Imperador da China
Irmãozinho e Irmãzinha
Filhos de Lir (conto celta)
Chicken Little (O galinho que pensou que o mundo estava acabando)
O Flautista de Hamelin
Sol, Lua e Talia (a versão original do século XV de A Bela Adormecida)
Os Cisnes Selvagens
A História dos três ursos
As três irmãs
Baba Yaga e Vasilissa, a Bela (conto russo)

Quem são os autores

Autores: Jacob e Wilhelm Grimm, Hans Christian Andersen, Charles Perrault, Joseph Jacobs, Alexander Afanasyev, Andrew Lang e Giambattista Basile.

 

 

Meu kit completo, adquirido na época da campanha via Catarse.

 

 

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maio 06, 2019

[RESENHA] EU SOU MALALA, DE MALALA YOUSAFZAI

Sinopse: “Quando o Talibã tomou controle do vale do Swat, uma menina levantou a voz. Malala Yousafzai recusou-se a permanecer em silêncio e lutou pelo seu direito à educação. Mas em 9 de outubro de 2012, uma terça-feira, ela quase pagou o preço com a vida. Malala foi atingida na cabeça por um tiro à queima-roupa dentro do ônibus no qual voltava da escola. Poucos acreditaram que ela sobreviveria. Mas a recuperação milagrosa de Malala a levou em uma viagem extraordinária de um vale remoto no norte do Paquistão para as salas das Nações Unidas em Nova York. Aos dezesseis anos, ela se tornou um símbolo global de protesto pacífico e a candidata mais jovem da história a receber o Prêmio Nobel da Paz. Eu sou Malala é a história de uma família exilada pelo terrorismo global, da luta pelo direito à educação feminina e dos obstáculos à valorização da mulher em uma sociedade que valoriza filhos homens. O livro acompanha a infância da garota no Paquistão, os primeiros anos de vida escolar, as asperezas da vida numa região marcada pela desigualdade social, as belezas do deserto e as trevas da vida sob o Talibã. Escrito em parceria com a jornalista britânica Christina Lamb, este livro é uma janela para a singularidade poderosa de uma menina cheia de brio e talento, mas também para um universo religioso e cultural cheio de interdições e particularidades, muitas vezes incompreendido pelo Ocidente. “Sentar numa cadeira, ler meus livros rodeada pelos meus amigos é um direito meu”, ela diz numa das últimas passagens do livro. A história de Malala renova a crença na capacidade de uma pessoa de inspirar e modificar o mundo.”

 

Esta resenha foi publicada originalmente no dia 21 de janeiro de 2016 no site Minas Nerds, de minha autoria com edição e revisão de Camila Fernandes. Em tempos como os que estamos vivendo, acho importante e extremamente necessário fazer reverberar vozes que transmitem esperança, vozes de luta pela paz e por uma educação para todos.

***

 

Malala foi baleada pelo Talibã em nove de outubro de 2012, quando voltava da escola no vale do Swat, Paquistão. Na época, tinha 14 anos e muitos sonhos. Felizmente, o Talibã não conseguiu matar nem a menina nem seus sonhos; pelo contrário, fez com que eles tomassem uma dimensão global. No livro Eu Sou Malala: A história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã, publicado no Brasil pela Companhia das Letras em 2013, Malala conta a sua história a partir da pergunta feita pelo terrorista que a baleou: quem é Malala?

A jovem foi perseguida pelo Talibã por ser a menina que queria estudar e também porque seu pai era um grande defensor e ativista pela educação para todas as crianças. Os terroristas queriam manter as mulheres em burcas e dentro de suas casas. Segundo a crença local, aos 14 anos uma moça já é considerada adulta.

Os pais de Malala têm um bom relacionamento, baseado em amor e respeito. O pai, Ziauddin Yusafzai, é um personagem chave na vida da jovem e em sua história como ativista pela educação. Diferente de boa parte dos homens da região, como ela mesma conta, seu pai não despreza as mulheres e não as considera inferiores. Sempre tratou a esposa com respeito e não se indignou quando Malala nasceu, como normalmente acontece no nascimento de meninas. Pelo contrário, ficou muito feliz com o nascimento da filha. Pode parecer que, em boa parte do livro, a história que estamos lendo é a do pai de Malala, e não a dela. Contudo, levando com consideração que aquela é uma sociedade bastante excludente para as mulheres, saber sobre o pai dela é fundamental para entender quem é Malala.

 

“No dia em que nasci, as pessoas da nossa aldeia tiveram pena de minha mãe, e ninguém deu os parabéns a meu pai. (…) Nasci menina num lugar onde rifles são disparados em comemoração a um filho, ao passo que as filhas são escondidas atrás de cortinas, sendo seu papel na vida apenas fazer comida e procriar.”

 

A mãe, Tor Pekai Yousafzai, começou a estudar aos seis anos, mas não prosseguiu com os estudos. Gostava da escola, mas considerava um desperdício estudar para depois ficar restrita ao espaço doméstico e ao cuidado dos filhos. Acabou continuando analfabeta e se arrependeria de ter largado os estudos depois de se casar com Ziauddin, muito inteligente e grande amante de poesia. Contudo, tanto Malala quanto o seu pai enfatizam que Tor tem um outro tipo de inteligência, voltada para relacionamentos e pessoas. Seu marido constantemente lhe pede conselhos e valoriza muito a sua opinião.

 

“Enquanto os homens e os meninos podem andar livremente pela cidade, minha mãe não tinha autorização para sair de casa sem que um parente do sexo masculino a acompanhasse, mesmo que esse parente fosse um garotinho de cinco anos de idade. É a tradição.”

 

Malala conta que sob o regime do General Zia, a partir de 1947, a situação das mulheres no Paquistão ficou ainda mais complicada. Antes disso, as questões se baseavam em restringir a mulher ao espaço doméstico, sem condições de igualdade com os homens, mas com um mínimo de respeito. Depois, a forte islamização do Paquistão, em oposição ao laicismo, reduziu quase a nada o valor das mulheres. Malala conta que o testemunho de uma mulher equivalia à metade do testemunho de um homem, por exemplo. As mulheres não conseguiam fazer nada sem a autorização de um homem.

A leitura de Eu Sou Malala também nos permite conhecer, com uma visão regionalizada, o início das tensões causadas pelos terroristas, assunto muito em voga em razão dos últimos ataques promovidos pelo ISIS. Por meio da experiência de Ziauddin, que se aprofundou nos estudos do islã quando jovem, tornando-se quase um fanático, entendemos como é feita a doutrinação dos meninos e quais governos financiaram e fortaleceram as ditaduras daquelas áreas, em especial do Paquistão e Afeganistão. Felizmente, o pai de Malala encontrou um bom lugar entre dois extremos, o secularismo socialista e o islã militante.

Malala tem muito orgulho de sua terra e de seus costumes, mas não fecha os olhos para as injustiças cometidas contra as mulheres, justificadas pela tradição. Ela conta casos de machismo envolvendo pessoas próximas e também do estranhamento causado por sua personalidade e criação. Ela sempre foi protegida pelo pai, mas muitas outras meninas não. Ziauddin, como educador e dono da escola onde Malala estudava, não só acreditava na educação como elemento fundamental para a transformação da realidade das pessoas no Paquistão, como defendia o direito da filha batalhar por um futuro diferente daquele sacramentado para as mulheres e meninos pobres do vale do Swat.

 

“Eu lia livros como Ana Karênina, de Leon Tolstói, e os romances de Jane Austen. Confiava nas palavras de meu pai: Malala é livre como um pássaro. Quando ouvia as histórias sobre as atrocidades que aconteciam no Afeganistão, eu celebrava o Swat. Aqui uma menina pode ir à escola, eu dizia. Mas o Talibã estava logo ali, na esquina, e era pachtum* como nós. Para mim, o vale era um lugar ensolarado. Não pude ver as nuvens se juntando atrás das montanhas. Meu pai costumava falar: Vou proteger sua liberdade, Malala. Pode continuar sonhando.”

 

“Em fins de 2008, cerca de quatrocentas escolas haviam sido destruídas pelo Talibã.”

 

“Papai argumentava que a única coisa que sempre quis foi criar uma escola para ensinar as crianças. Não nos restara alternativa, a não ser o envolvimento em política e em campanhas pela educação. Minha única ambição, ele dizia, é educar meus filhos e minha nação até onde eu for capaz. Mas, quando metade dos nossos líderes mente e a outra metade negocia com o Talibã, não há outra saída. Temos de nos manifestar.”

 

Malala reafirma sua fé no islã em várias passagens do livro. Explica que o Corão não diz que as mulheres devem andar de burca ou deixar de receber educação, por exemplo. Pelo contrário, segundo o seu entendimento da religião, todas as criaturas devem buscar o conhecimento. O Talibã seria um grupo que interpreta o islã de forma errada, assim como vários grupos fundamentalistas de várias religiões ao redor do mundo. Isso, pessoalmente, me entristece. O fato de livros tidos como sagrados, escritos há milênios, servirem de norma de conduta para pessoas que vivem hoje é absurdo. Creio que seria uma boa ideia o lançamento de uma edição revista e atualizada dos livros sagrados para que se eliminasse, de uma vez por todas, a possibilidade de má interpretação das escrituras, que agride e mata tanta gente ao redor do mundo.

Malala, felizmente, fez e faz a sua parte, lutando para que o direito pela educação seja garantido também às meninas. Foi enriquecedor conhecer uma realidade tão diferente da nossa pelos olhos de uma mulher. Obrigada, Malala, por contar a sua história.

 

*Pachtum ou pastó é um grupo etnolinguístico que habita algumas regiões do Afeganistão do Paquistão.

 

 

 

Título: Eu Sou Malala: A história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã

Autoras: Malala Yousafzai e Cristina Lamb

Tradução: George Schlesinger, Luciano Vieira Machado, Denise Bottmann e Caroline Chang

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 360

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