março 29, 2018

[RESENHA] O QUE O SOL FAZ COM AS FLORES, DE RUPI KAUR

Sinopse: “Da mesma autora de outros jeitos de usar a boca, o que o sol faz com as flores é uma coletânea de poemas arrebatadores sobre crescimento e cura. Ancestralidade e honrar as raízes. Expatriação e o amadurecimento até encontrar um lar dentro de você. Organizado em cinco capítulos e ilustrado por Rupi Kaur, o livro percorre uma extraordinária jornada dividida em murchar, cair, enraizar, crescer, florescer. Uma celebração do amor em todas as suas formas. Essa é a receita da vida minha mãe disse me abraçando enquanto eu chorava pense nas flores que você planta a cada ano no jardim elas nos ensinam que as pessoas também murcham caem criam raiz crescem para florescer no final.”

 

O que o sol faz com as flores não foi, para mim, uma leitura de impacto como a coletânea anterior de Rupi Kaur, Outros jeitos de usar a boca. Fiquei refletindo sobre isso alguns minutos antes de começar a escrever essa resenha quando percebi, com alegria, que o choque do qual eu senti falta já tinha acontecido com o primeiro livro.

O que o sol faz com as flores segue a mesma linha de Outros jeitos de usar a boca, acrescentando outros temas, como a imigração e o infanticídio feminino na Índia, por exemplo. São poesias de vivências, sobretudo de vivências que nos mostram que alguns sentimentos são mais comuns entre as mulheres do que gostaríamos.

 

O que o sol faz com as flores é uma

coletânea de poesias sobre

a dor

o abandono

o respeito às raízes

o amor

e o empoderamento

é dividido em cinco partes

murchar. cair. enraizar. crescer. e florescer.

sobre o livro”

 

por que girassóis ele me pergunta

Eu aponto para o campo amarelo

os girassóis adoram o sol eu digo

quando o sol sai eles se erguem

quando o sol vai embora

eles baixam a cabeça de tristeza

é o que o sol faz com as flores

é o que você faz comigo.

o sol e suas flores”

 

 

Quando eu li Outros jeitos de usar a boca, disse que “cada homem que eu beijei está aqui nesse livro. Meu pai está nesse livro, minha mãe também. As mulheres da minha família estão aqui. Minha filha está aqui, assim como o pai dela. Mas o melhor de tudo é que eu também estou nesse livro. Acho que você também pode estar.”. Essas palavras também se aplicam a O que o sol faz com as flores, com uma adição: as poesias de Rupi Kaur surpreendem, mesmo com a simplicidade aparente dos versos, ao mostrar que não estamos sozinhas. Também comigo. Também com você. Também podemos fazer diferente.

Enquanto houver ar

em nossos pulmões —

precisamos continuar dançando.”

 

Título: O que o sol faz com as flores

Autora: Rupi Kaur

Tradução: Ana Guadalupe

Editora: Planeta

Páginas: 256

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junho 29, 2017

[RESENHA] OUTROS JEITOS DE USAR A BOCA, DE RUPI KAUR

Sinopse: “Maior fenômeno de poesia dos EUA na última década, há mais de 40 semanas no topo das listas de best-sellers.
Outros jeitos de usar a boca é um livro de poemas sobre a sobrevivência. Sobre a experiência de violência, o abuso, o amor, a perda e a feminilidade. O volume – publicado nos EUA como “milk and honey” – é dividido em quatro partes, e cada uma delas serve a um propósito diferente. Lida com um tipo diferente de dor. Cura uma mágoa diferente. Outros jeitos de usar a boca transporta o leitor por uma jornada pelos momentos mais amargos da vida e encontra uma maneira de tirar delicadeza deles. Publicado inicialmente de forma independente por Rupi Kaur, poeta, artista plástica e performer canadense nascida na Índia – e que também assina as ilustrações presentes neste volume –, o livro se tornou o maior fenômeno do gênero nos últimos anos nos Estados Unidos, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos.”

 

Esse livro desnudou a minha alma. Se eu pudesse voltar no tempo, daria ele de presente para a minha versão de 13 ou 14 anos, que sonhava com um príncipe que ainda demoraria a chegar. Alguns anos à frente eu o reconheceria, mas não sem antes ter passado por tantas lágrimas e desilusões.

Minha adolescência foi marcada por muitas idas ao hospital. Meu pai teve insuficiência renal quando eu tinha 11 anos; minha mãe, câncer, quando eu estava com 13. Tinha duas irmãs mais novas e muitas obrigações domésticas, precisava dar conta de ter as responsabilidades dos dois adultos que em breve viriam a faltar. Neste ínterim, descobria-me como pessoa e como mulher. E não foi fácil entender a vida praticamente sozinha.

Ainda que eu tivesse tido uma adolescência diferente, normal, isso não seria garantia que eu teria o apoio integral da minha mãe, que nós teríamos conversas francas sobre relacionamentos. As gerações anteriores a ela não estavam acostumadas a conversar sobre sexo. Em muitos casos, mesmo tendo muitos e muitos filhos, as mulheres de antigamente passavam a vida inteira, em muitos casos, sem saber como é fazer amor.

Em Outros Jeitos de Usar a Boca, Rupi Kaur toca naqueles pontos sensíveis do que é ser mulher. Desde a infância, desde o primeiro contato físico. Fala de abusos, que eu felizmente não vivi, mas fala também do amor materno, do conhecimento do nosso corpo, da consciência de quando o sexo é verdadeiramente satisfatório para ambas as partes, sobre as dores da alma de ser mulher. Das belezas, mas, sobretudo, das amarras que diariamente lutamos para romper e sermos livres.

Com esse livro revivi relacionamentos fracassados, revivi a perda da minha mãe, seu amor maternal, e também as falhas do relacionamento dela e do meu pai, as concessões que ela fez e não devia. As concessões que eu também fiz, apesar do exemplo dela.  Vi minha alma de mãe e de mulher exposta de uma forma tão bela e tão dolorida ao mesmo tempo. Também revivi relacionamentos que tive com outras mulheres, pois a amizade também pode ser tóxica. É incrível como podemos ser muitas e sermos apenas uma. Rupi Kaur é uma mulher que soube escrever sobre as mulheres. Sem censuras, sem críticas além daquelas que são necessárias para a nossa saúde mental, para nossa felicidade. Onde eu não consegui me enxergar, consegui ter empatia por aquelas mulheres que eu talvez nunca conheça, mas que eu tenho certeza que já passaram ou vão passar por algo parecido. É uma leitura até rápida, por sua densidade, que eu recomendo fortemente se você que está lendo agora for mulher. Recomendo para os homens também, para que saibam pelo menos um pouquinho sobre nós, sobre a nossa alma.

Cada homem que eu beijei está aqui nesse livro. Meu pai está nesse livro, minha mãe também. As mulheres da minha família estão aqui. Minha filha está aqui, assim como o pai dela. Mas o melhor de tudo é que eu também estou nesse livro. Acho que você também pode estar.

 

 

 

Título: Outros Jeitos de Usar a Boca
Autora: Rupi Kaur
Tradução: Ana Guadalupe
Editora: Planeta
Páginas: 208

 

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