maio 31, 2017

[ETC.] DESAFIO #12MESESDEPOE MAIO E DIÁRIO MEDO CLÁSSICO

“Todos os gatos pretos eram bruxas disfarçadas.” (Edgar Allan Poe em “O Gato Preto”)

 

Diferente da leitura do mês passado, o conto escolhido para maio esteve mais de acordo com o que espero lendo Edgar Allan Poe: morbidez e suspense até a última palavra!

O Gato Preto foi publicado originalmente em 1843 e ressalta o misticismo em torno dos felinos de cor preta, que seriam reencarnação de bruxas, na visão de um dos personagens deste conto. O narrador, que antes era uma pessoa pacífica, amante dos animais, foi mudando gradativamente de personalidade após adotar o gato preto. Por culpa do alcoolismo, ele também se torna uma pessoa violenta, agredindo fisicamente a esposa e os outros animais de estimação. O gato, Plutão, foi poupado das agressões até o dia em que arranhou o dono. A culpa é a peça chave deste conto, o desencadeador de todos os (mórbidos) acontecimentos. No livro Medo Clássico, publicado pela editora DarkSide, ele pode ser lido a partir da página 85.

 

 

“Mas amanhã estarei morto, e hoje preciso remover este fardo de minha alma.” (p. 85)

 

“Há algo de altruísta e abnegado no amor de um animal que toca o coração daquele que pôde testar amiúde a amizade precária e a fidelidade leviana dos Homens.” (p. 86)

 

Saiba mais sobre o livro Medo Clássico: Edgar Allan Poe clicando aqui e aqui.

 

Veja abaixo o curta de animação baseado em O Gato Preto, criado por Vít Přibyla and Noemi Valentíny:

 

Além de O Gato Preto, em maio o desafio #12mesesdepoe também propôs a leitura do poema O Corvo, uma das obras mais conhecidas de Edgar Allan Poe! No livro Medo Clássico temos, além da versão original, em inglês, as traduções de Machado de Assis e Fernando Pessoa. Enriquecendo ainda mais a leitura, o texto A Filosofia da Composição, em que Poe disserta sobre sua obra mais ilustre.

 

Neste mês, diferente dos outros, ao invés de transcrever o poema, deixarei os vídeos com as narrações incríveis de Guto Russel. Prepare-se!

 

O Corvo, tradução de Machado de Assis (1883):

 

O Corvo, tradução de Fernando Pessoa (1924):

 

 

Quer ler essas traduções maravilhosas de O Corvo? Baixe gratuitamente o e-book da Editora DarkSide! É só clicar aqui.

“Desaparecido precocemente aos 40 anos, Edgar Allan Poe já ultrapassou dois séculos de seu nascimento em posição privilegiada, responsável não somente por influenciar alguns dos escritores decisivos das décadas seguintes, bem como por estabelecer com propriedade caminhos novos e férteis para a literatura ocidental do então século XIX. Esta edição gratuita em e-book reúne o seu poema mais famoso, “O corvo”, em sua versão original, junto com as clássicas traduções de Machado de Assis e Fernando Pessoa, e uma análise de Poe feita por Charles Baudelaire, seu tradutor e um dos principais divulgadores de sua obra na Europa, acompanhadas das ilustrações de Édouard Manet.”

 

 

 

Links sobre #12MESESDEPOE

Instruções

Facebook

Grupo no facebook

Drive contendo os contos e os poemas

 

 

 

março 30, 2017

[ETC.] #12MESESDEPOE MARÇO E DIÁRIO MEDO CLÁSSICO

 

Março: mês em que as mulheres são celebradas e em que são feitas muitas reflexões sobre o nosso gênero. No dia 8, falei sobre A questão da mulher na sociedade, compartilhei vários links como sugestão de leitura de autoras maravilhosas, mas o melhor eu guardei para o final deste mês: #12mesesdePoe Março e mais um capítulo do meu diário de leitura Medo Clássico: Edgar Allan Poe. A primeira postagem sobre a minha leitura desse livro da Editora Darkside você pode ver aqui.

O livro Medo Clássico: Edgar Allan Poe tem uma seção chamada Mulheres Etéreas. Nesta parte do livro temos além do conto selecionado para o desafio de leitura no mês de março, Eleonora, os contos Berenice e Ligeia. Sendo este o mês das mulheres, resolvi ler e comentar as três histórias. Minha leitura do Medo Clássico está bem devagar, preciso dizer, pois os contos de Poe selecionados nesta antologia são tão bons que eu não quero atropelar a leitura deles. Sem contar também a minha lista enorme de leitura e o curso de Letras, que está em andamento e a pleno vapor! Como estudo a distância, tenho algumas centenas de páginas para ler toda semana durante o semestre letivo. Futuramente falarei mais sobre o curso e sobre estudar a distância em uma Universidade Federal. Aguardem!

 

Eleonora

Publicado originalmente em 1841, Eleonora trás a história de um apaixonado narrador falando sobre sua prima, amor de sua vida. Vivendo com ela e com a tia no Vale da Relva Multicor, um verdadeiro paraíso, vemos todo o desenrolar desse romance, tudo o com suspense característico do autor. Eleonora, entretanto, estava doente e temia que seu amado primo abandonasse o vale e transferisse o amor que lhe dedicara a outra pessoa, após sua morte. Sendo assim, o narrador promete, tendo Deus como testemunha, que nunca haveria de se casar com outra mulher. Muitos biógrafos consideram esse conto como autobiográfico, pois seria uma forma que o autor encontrara para aliviar sua consciência em considerar relacionar-se com outras mulheres, tendo em vista que a esposa dele, Virginia, havia começado a dar sinais de que estava seriamente doente. É um conto muito bonito, romântico até. Uma ótima escolha para o mês de março! No livro da Darkside, Medo Clássico, ele pode ser encontrado na página 263.

 

Berenice

Publicado originalmente em 1835, Berenice é um conto horror. Aqui, o narrador Egeu fala sobre suas origens e sua prima Berenice, que mais tarde seria sua noiva. A jovem tem uma doença misteriosa em que apenas os dentes permanecem intactos, enquanto tudo mais se deteriora. Egeu, que passa por períodos de monomania, uma espécie de fixação intensa e anormal, fica obcecado com os dentes brancos e perfeitos de sua prima. Ela morre, é enterrada, e ele, após acordar depois de um período de monomania recebe uma notícia perturbadora de um de seus criados. Além disso, perto dele havia provas de um acontecimento macabro. Esse foi, para mim, um conto de tirar o fôlego. Depois de ter lido Eleonora, foi um tremendo susto. Mas foi ótimo! No livro Medo Clássico, Berenice pode ser lido a partir da página 233.

 

Ligeia

Publicado originalmente em 1838, Ligeia traz novamente um narrador sem nome, e conta a história dele e de sua esposa Ligeia, uma linda e inteligente mulher. Ela adoece, compõe alguns versos, que são lidos pelo marido na madrugada de seu falecimento e cita Joseph Glanvill, em seus últimos suspiros: “O homem não se entrega aos anjos, nem à morte por completo, exceto através da fraqueza de sua débil vontade.” Após a morte de Ligeia, o narrador casa-se com Lady Rowena, mas esta também morre. Observando o corpo de sua segunda esposa, ele percebe que algo estranho está acontecendo e a mulher pode estar transformando-se em algo inexplicável. A história parece um grande delírio, mas estamos falando de Edgar Allan Poe. Tudo é possível! Ligeia está na página 245 do livro Medo Clássico.

 

O poema de março, Annabel Lee, vocês podem conferir abaixo:

Annabel Lee

 

Há muito, muito tempo, existia

num reino junto ao mar,

uma donzela que eu sabia

Annabel Lee se chamar;

Donzela em que outro pensar não se via

do que ser amada e muito amar.

 

Eu era criança e criança ela também,

num reino junto ao mar,

nos amamos com amor imenso,

Annabel Lee e eu, de tanto amar

com um amor que os alados Serafins

lá no Céu ousaram invejar.

 

E esta foi a razão de, tempo atrás,

num reino junto ao mar,

de uma nuvem soprar um vento

e a bela Annabel Lee congelar.

Então seus nobres parentes vieram

para de mim a afastar,

para fecharem-na num sepulcro

no reino junto ao mar.

 

Os anjos, pouco felizes no Céu,

começaram a invejar: -Sim! – eis aí a razão (todos sabem,

no reino junto ao mar)

de um vento soprar na noite nublada,

e minha Annabel Lee congelar.

 

Mas nosso amor era mais forte que o amor

daqueles mais antigos

daqueles mais sábios -e nem os anjos lá nos Céus

nem os demônios no mar,

Não podem mesmo minha alma

da bela Annabel Lee afastar.

 

Pois a lua nunca brilha, sem trazer-me sonhos

da bela Annabel Lee;

E estrela alguma surge, mas posso sentir o olhar

da bela Annabel Lee;

E assim, noite adentro, deito-me ao lado

de minha querida – minha vida e minha noiva,

no sepulcro junto ao mar -em seu túmulo junto ao borbulhante mar.

 

Em abril, leremos o conto A aventura sem paralelo de um tal Hans Pfaal  e o poema Sozinho. O conto não está no livro da Darkside, mas eu prossigo com a leitura do Medo Clássico até o mês de maio, em que leremos o conto O gato preto e o famoso poema O corvo, presente no livro em suas traduções mais ilustres, de Machado de Assis e Fernando Pessoa. Até lá!

 

 

REFERÊNCIAS

https://en.wikipedia.org/wiki/Eleonora_(short_story)

https://en.wikipedia.org/wiki/Berenice_(short_story)

https://en.wikipedia.org/wiki/Ligeia

 

 

Links sobre #12MESESDEPOE

Instruções

Facebook

Grupo no facebook

Drive contendo os contos e os poemas

 

janeiro 25, 2017

[ETC.] DESAFIO #12MESESDEPOE: JANEIRO

 

“Vós que me ledes, por certo estás ainda entre os vivos; mas eu que escrevo, terei partido há muito tempo para a região das sombras.”

 

O Desafio de leitura #12MESESDEPOE foi criado no ano passado pela blogueira Anna Costa e foi um tremendo sucesso! A ideia de ler um conto de Edgar Allan Poe todos os meses e interagir a partir da hashtag do desafio foi tão maravilhosa que agora em 2017 o #12mesesdePoe continua! Desta vez, além do conto, leremos também um poema do autor, veja o cronograma abaixo:

 

Em janeiro, como exposto acima, o conto escolhido foi A queda da casa de Usher.

 

“Seu coração é um alaúde suspenso; Tão logo o tocamos ele ressoa.” De Béranger

 

Publicado originalmente em 1839, A queda da casa de Usher, sem querer dar spoiler, mas já o fazendo, mostra logo em seu título o possível desfecho do conto. A história começa quando o narrador, que não foi nomeado, chega à casa de seu amigo dos tempos de infância, Roderick Usher, após ter recebido uma carta dele solicitando a visita, pois estava doente. No local, também mora a irmã de Usher, Madeline, que morre um tempo depois da chegada do narrador. Roderick decide sepultar a irmã de forma permanente apenas duas semanas depois de seu falecimento. Antes disso, com a ajuda do narrador, Madeline é sepultada no túmulo da família, na própria casa. Nota-se que ela tem as bochechas rosadas, mas… “é de praxe em qualquer enfermidade de caráter estritamente  cataléptico, a caricatura de um tênue rubor no busto e nas faces”. A partir daí, coisas muito estranhas acontecem na casa e com Usher e o seu amigo narrador. A queda da casa de Usher é um conto gótico com todos os maravilhosos elementos do gênero, e é considerada uma das mais famosas obras em prosa de Edgar Allan Poe. No conto encontramos o nosso poema de janeiro, O palácio assombrado. Como eu li o poema primeiro para só depois ler o conto, me surpreendi! Foi bom para ler mais uma vez, já que escolhi ler sempre o poema primeiro neste desafio.

 

 

E por falar em O palácio Assombrado, vocês podem conferir o poema a seguir. Um palácio, que antes era a morada da felicidade, perdera sua luz, sua felicidade, pois o trono do rei Pensamento foi tomado de assalto por seres maus, trajados de luto. O final é maravilhoso.

 

O Palácio Assombrado

I

  No mais verde de nossos vales,

  habitado por anjos bons,

  antigamente um belo e imponente palácio

  — um palácio radiante — se erguia.

  Nos domínios do rei Pensamento.

  lá se achava ele!

  Jamais um Serafim espalmou a asa

  sobre um edifício só metade tão belo.

 

  II

  Estandartes amarelos, gloriosos, dourados,

  sobre o seu telhado ondulavam, flutuavam.

  ( Isso, tudo isso, aconteceu há muito, muitíssimo tempo. )

  E em cada brisa sua que soprava,

  naqueles doces dias,

  ao longo dos muros pálidos e empenachados,

  se elevava um aroma alado.

 

  III

  Caminhantes que passavam por esse vale feliz

  viam, através de duas janelas iluminadas,

  espíritos que se moviam musicalmente

  ao som de um alaúde bem afinado,

  em torno de um trono onde, sentado,

  ( Porfirogênito! )

  com majestade digna de sua glória,

  aparecia o senhor do reino.

 

  IV

  E toda refulgente de pérolas e rubis

  era linda porta do palácio,

  através da qual passava, passava e passava,

  a refulgir sem cessar,

  uma turba de ecos cuja grata missão

  era apenas cantar,

  com vozes de inexcedível beleza,

  o talento e o saber de seu rei.

 

  V

  Mas seres maus, trajados de luto,

  assaltaram o alto trono do monarca;

 (ah, lamentemo-nos, visto que nunca mais a alvorada despontará sobre ele, o desolado!)

  e, em torno de sua mansão, a glória,

  que, rubra, florescia,

  não passa, agora, de uma história quase esquecida

  dos velhos tempos já sepultados.

 

  VI

  E agora os caminhantes, nesse vale,

  através das janelas de luz avermelhada, vêem

  grandes vultos que se movem fantasticamente

  ao som de desafinada melodia;

  enquanto isso, qual rio rápido e medonho,

  através da porta descorada,

  odiosa turba se precipita sem cessar,

  rindo — mas sem sorrir nunca mais.

 

Pesquisando no Google, vi que existe uma animação inspirada em O Palácio Assombrado, feita por Jeanette Seah e Daniel Nudds, da Vancouver Film School. Confira abaixo (em inglês):

 

Gostei muito da experiência de ler as histórias de Edgar Allan Poe, apesar de não ter cumprido o desafio de 2016 religiosamente até o final. Espero ler mais neste ano com o desafio e com a primeira edição da coleção Medo Clássico, lançamento da editora DarkSide do mês de fevereiro/2017.

Sinopse: “Nunca mais houve um autor como Edgar Allan Poe. Nunca mais haverá uma edição como esta. Edgar Allan Poe: Medo Clássico é uma homenagem ao mestre da literatura fantástica em todos os detalhes: da capa dura à tradução primorosa, além das belíssimas xilogravuras do artista gráfico Ramon Rodrigues. Pela primeira vez, os contos de Poe estão divididos por temas que ajudam a visualizar a grandeza de sua obra: a morte, narradores homicidas, mulheres etéreas, aventuras, além das histórias completas do detetive Auguste Dupin, personagem que inspirou Sherlock Holmes. Edgar Allan Poe: Medo Clássico apresenta ainda o poema “O Corvo” na sua versão original em inglês e nas traduções para o português de Machado Assis e de Fernando Pessoa, além do clássico ensaio sobre o poema, “A filosofia da composição”. O livro traz ainda o prefácio do poeta francês Charles Baudelaire, admirador do autor e seu primeiro tradutor na França. Este é um dos primeiros títulos da coleção Medo Clássico da DarkSide Books – que inclui outros autores eternos como Mary Shelley, Bram Stoker e H.P. Lovecraft –, sempre com texto integral, extras, notas e ilustrações exclusivas de renomados artistas brasileiros, em um projeto feito de fã para fã por quem ama e reverencia os grandes mestres da escuridão. “O melhor de Poe nunca envelhece. Seus contos ainda nos deixam maravilhados. E suspeito que eles serão eternos.” – Neil Gaiman”

 

[ATUALIZAÇÃO: Saiba um pouco mais sobre o livro: Diário Lendo Medo Clássico Vol. 1: Edgar Allan Poe ]

 

Compre na Amazon: Medo Clássico – Edgar Allan Poe.

 

Links sobre #12MESESDEPOE

Instruções

Facebook

Grupo no facebook

Drive contendo os contos e os poemas

 

12

Tamires de Carvalho • todos os direitos reservados © 2017 • powered by WordPressDesenvolvido por