junho 16, 2017

[RESENHA] MITOLOGIA NÓRDICA, DE NEIL GAIMAN

Sinopse: “Quem, além de Neil Gaiman, poderia se tornar cúmplice dos deuses e usar de sua habilidade com as palavras para recontar as histórias dos mitos nórdicos? Fãs e leitores sabem que a mitologia nórdica sempre teve grande influência na obra do autor. Depois de servirem de inspiração para clássicos como Deuses americanos e Sandman, Gaiman agora investiga o universo dos mitos nórdicos. Em Mitologia nórdica, ele vai até a fonte dos mitos para criar sua própria versão, com o inconfundível estilo sagaz e inteligente que permeia toda a sua obra.

Fascinado por essa mitologia desde a infância, o autor compôs uma coletânea de quinze contos que começa com a narração da origem do mundo e mostra a relação conturbada entre deuses, gigantes e anões, indo até o Ragnarök, o assustador cenário do apocalipse que vai levar ao fim no mundo. Às vezes intensos e sombrios, outras vezes divertidos e heroicos, os contos retratam tempos longínquos em que os feitos dos deuses eram contados ao redor da fogueira em noites frias e estreladas.

Mitologia nórdica é o livro perfeito para quem quer descobrir mais sobre a mitologia escandinava e também para aqueles que desejam desvelar novas facetas dessas histórias.”

 

Não sou uma grande conhecedora de mitologia nórdica, mas tenho verdadeira fascinação pela história das religiões mundo afora e de como elas procuravam explicar os fenômenos da natureza e sempre moldaram o comportamento da sociedade. Para os já revelados segredos do universo temos a ciência, mas para entender a sociedade e perceber como as religiões se entrelaçam nada melhor do que ler uma boa história. Neste caso, quinze delas.

Em Mitologia Nórdica, Neil Gaiman resgata as histórias da tradição oral do povo nórdico, em pequenos contos, com sua tradicional habilidade narrativa e seus textos de linguagem acessível, que prendem o leitor até a última página. Para os leigos, é uma ótima oportunidade de conhecer a mitologia nórdica, desde o princípio até o destino final dos deuses, o Ragnarök.

Não tenho a menor vergonha em dizer que passei o livro inteiro com as imagens de Anthony Hopkins (Odin), Chris Hemsworth (Thor) e Tom Hiddleston (Loki) na minha mente. Só consegui imaginar os outros personagens que eu não conhecia, pois o único contato que tive com os mitos nórdicos foram breves passagens em alguns dos livros que li do Jostein Gaarder.

 

 

“Loki era bonito e tinha plena consciência disso. Todos queriam gostar dele, acreditar em sua conversa, mas o melhor que se podia dizer a seu respeito é que ele era irresponsável e autocentrado, e o pior, que era perverso e maligno.” (p. 89)

Tom Hiddleston como “Loki” (Marvel Studios).

 

 

“Thor sempre tomava as mesmas atitudes quando algo dava errado. A primeira era se perguntar se era culpa de Loki. Thor pensou. Achava que nem mesmo Loki ousaria roubar o seu martelo. Então fez o que sempre fazia quando alguma coisa dava errado e a primeira ideia não era a solução: foi se aconselhar com Loki.” (p. 106)

Chris Hemsworth como “Thor” (Marvel Studios).

 

 

Reiterando o que o mestre Gaiman disse no vídeo acima, um dos pontos fortes dos deuses nórdicos é o caráter falho que eles têm. Eles erram, são trapaceiros, nem sempre se dão bem naquilo que querem. Sabem ser amorosos e vingativos na mesma medida. Divertem e fazem pensar. Mitologia Nórdica, como já dito, é uma leitura que pode ser a porta de entrada para estudos mais aprofundados sobre o assunto, se assim o leitor desejar. Do contrário, é uma ótima fonte de entretenimento.

 

“Desde aquele tempo, sabemos que todos aqueles capazes de fazer magia com as palavras, de compor poemas e narrativas épicas, de tecer histórias, provaram do hidromel da poesia.

(…)

Eis o último detalhe, e é uma confissão vergonhosa. Quando o Pai de Todos, em sua forma de águia, estava quase chegando aos barris, com Suttung logo atrás, Odin expeliu um pouco do hidromel pelo traseiro, soltando um peido molhado que jorrou hidromel fedorento bem no rosto de Suttung, cegando o gigante e tirando-o de seu encalço.

Ninguém, nem naquela época nem agora, quis beber o hidromel que saiu do traseiro de Odin. Mas sempre que você ouvir poetas ruins declamando sua péssima poesia, cheios de sorrisos tolos e rimas feias, vai saber que hidromel eles provaram.” (p. 147)

 

 

Título: Mitologia Nórdica
Autor: Neil Gaiman
Tradução: Edmundo Barreiros
Páginas: 288
Editora: Intrínseca

 

 

Leia um trecho em PDF, clicando aqui.

 

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Março 21, 2017

[RESENHA] A BELA E A ADORMECIDA, DE NEIL GAIMAN

Sinopse: “Uma rainha disposta a decidir o próprio futuro, e a princesa que precisa de resgate não é exatamente quem parece ser. Em uma sombria e fascinante história, as mais queridas heroínas dos contos de fadas são reinventadas de maneira brilhante por Neil Gaiman, em parceria com o ilustrador Chris Riddell. Em A Bela e a Adormecida, a história de Branca de Neve se entrelaça com a da Bela Adormecida em uma incrível releitura contemporânea, acompanhado das ilustrações de Chris Riddell.

Primeiro lugar na cobiçada lista dos mais vendidos do The New York Times, A Bela e Adormecida tem projeto gráfico sofisticado, edição em capa dura e sobrecapa com papel transparente. As ilustrações de miolo são em preto e branco, mas acompanhadas de pantone dourado que dão destaque a detalhes da trama.

No livro, uma jovem rainha é informada, na véspera de seu casamento, sobre uma estranha praga que assola as fronteiras do seu reino. Um sono mágico se espalhava pelo território vizinho e ameaçava os seus domínios. Na companhia de três anões, ela abandona o fino vestido da festa, pega sua espada e armadura e parte pelos túneis dos anões para o reino adormecido. Uma viagem repleta de ação e suspense, até uma estonteante descoberta.

Um dos maiores nomes da literatura de fantasia da atualidade, admirado por várias gerações de leitores em todo o mundo, Gaiman une-se a um dos mais premiados ilustradores britânicos para criar uma obra surpreendente, uma releitura atual das duas mais conhecidas princesas, repleta de magia e aventura capaz de hipnotizar o mais exigente dos leitores.” Fonte: Editora Rocco.

 

Lembro-me da polêmica em torno dessa publicação, na época de seu lançamento no Brasil, em 2015. Tratava-se de uma história para jovens com “beijo gay lésbico”! Um tremendo absurdo, segundo as mentes mais conservadoras e que muito provavelmente não dispuseram de alguns minutos do seu tempo para conhecer a história escrita por Gaiman, uma releitura dos contos de fadas Branca de Neve e os Sete Anões e A Bela Adormecida.   

O beijo polêmico.

 

Como em todos os seus livros, pelo menos os que eu li até o momento, A Bela e a Adormecida é uma história encantadoramente surpreendente. O autor usou de nosso conhecimento prévio sobre as protagonistas desses contos de fadas e transformou suas histórias em uma narrativa diferente, com suspense, magia e o mais importante: aqui não temos a figura do príncipe herói que precisa salvar a mocinha. Neste conto, as mulheres dominam a história.

“Existem escolhas, pensou ela quando já estava sentada ali por um tempo. Existem sempre escolhas.

Ela fez uma.”

 

Uma rainha, que nós rapidamente identificamos como sendo a Branca de Neve, está prestes a se casar, quando ouve sobre um feitiço que deixou toda uma cidade adormecida. Decide, então, trocar os preparativos de seu casamento pela missão de salvar aquelas pessoas, sobretudo uma jovem e bela adormecida. Mas as aparências muitas vezes enganam e a adormecida pode não ser verdadeiramente uma vítima nessa história.

A Bela e a Adormecida é uma história de leitura super rápida, dá para ler no caminho para o trabalho, horário de almoço ou pouco antes de dormir. Conta com ilustrações lindíssimas de Chris Riddell, que só enriquecem a história (mesmo em e-book). Para quem gosta de narrativas relacionadas aos contos de fadas, é uma ótima pedida. Neil Gaiman é sempre uma ótima pedida.

 

 

 

 

Título: A Bela e a Adormecida
Autor: Neil Gaiman
Tradução: Renata Pettengil
Editora: Rocco
Páginas: 72

 

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dezembro 28, 2016

[RESENHA] A VERDADE É UMA CAVERNA NAS MONTANHAS NEGRAS

A Verdade é uma caverna nas montanhas negras, é um conto de Neil Gaiman, publicado no Brasil pela Editora Intrínseca em 2015. É uma história densa sobre família, a busca por um tesouro escondido, vingança e a descoberta de um mundo invisível. O livro é fruto do trabalho de Gaiman e do ilustrador Eddie Campbell, que transformou a história em um misto de graphic novel e prosa ilustrada.

Neil Gaiman foi convidado para ler um conto em um festival no Sydney Opera House e indicou Campbell para fazer as ilustrações. Em agosto de 2010 a história foi apresentada para uma grande plateia, com o acompanhamento do Quarteto de Cordas FourPlay e foi um sucesso. A verdade é uma caverna nas montanhas negras, publicado originalmente na antologia Stories, recebeu os prêmios Locus e Shirley Jackson, ambos na categoria melhor conto.

“Pouco depois de me apaixonar pela ilha de Skye, descobri os livros da falecida Otta F. Swire, obras que contam lendas e a história das Hébridas Interiores e Exteriores. Esta história começou com uma frase de um dos livros da autora, e cresceu ao seu redor.” (Neil Gaiman)

 

Essa é uma história de leitura rápida não só por ser um conto, mas por ser um conto de Neil Gaiman, autor que consegue nos prender e nos encantar sejam em 10, 20 ou 500 páginas. Dificilmente uma pessoa conseguirá ler o início desta história e deixar o livro de lado:

“Indaga se sou capaz de me perdoar? Posso me perdoar por muitas coisas. Por onde o deixei. Por aquilo que fiz.” (p. 7)

 

O anão de “A verdade é uma caverna nas montanhas negras”.

 

Em A verdade é uma caverna nas montanhas negras, somos transportados para a nebulosa Escócia, onde um anão procura por Calum MacInnes para que este o acompanhe até a caverna na Ilha das Brumas. Chega sem se identificar, mas oferece um pagamento a Calum, que aceita prontamente.

A caverna era amaldiçoada e eles não tinham certeza se encontrariam a Ilha das Brumas, pois o lugar guardava certa magia em si. Os caminhos que os levariam até a caverna eram repletos de desconfianças e pequenas revelações sobre a vida e a personalidade de Colum e do anão.

“- Às vezes acho que a verdade é um lugar. Para mim, é como uma cidade: pode haver uma centena de estradas, uma centena de caminhos que, no fim, nos levarão ao mesmo lugar. Não importa de onde venhamos. Se seguirmos na direção da verdade, vamos alcançá-la, independentemente do rumo que tomarmos.

Calum MacInnes olhou para mim e nada disse. Então:

– Está enganado. A verdade é uma caverna nas montanhas negras. Há somente um caminho até lá, e um caminho apenas. Um caminho árduo e traiçoeiro. E, se seguir na direção errada, vai morrer sozinho na montanha.” (p. 27)

 

Gaiman nos envolve em sua história fazendo-nos acreditar que ela seguiria para um desfecho previsível, e quando estamos quase certos disso, uma grande revelação é feita, deixando-nos de queixo caído. O final desse conto é ótimo, um dos melhores que eu já li. E não perde a qualidade em uma releitura, muito pelo contrário. Recomendo!

 

“As montanhas negras são as Black Cuillins na ilha de Skye, também conhecida como ilha alada, ou talvez ilha das brumas. Dizem que há uma caverna cheia de ouro por lá, e que aqueles que a procuram para levar parte de seu ouro se tornam um pouco mais malignos…” (Neil Gaiman)

 

 

 

Título: A verdade é uma caverna nas montanhas negras
Autor: Neil Gaiman
Ilustrações: Eddie Campbell
Tradução: Augusto Calil
Editora: Intrínseca
Páginas: 80

 

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