novembro 14, 2017

[LANÇAMENTO] COISA DE MENINO, DE PRI FERRARI

Sinopse: “O que é coisa de menino?
Tem menino que deseja ser super-herói, jogador de futebol e astronauta. Outros sonham em ser estrelas do rock e viajar o mundo cantando para multidões. Mas todos eles também podem querer brincar de boneca, cozinhar receitas gostosas e fazer aulas de dança.
Muitos meninos crescem ouvindo que não podem agir e sentir da mesma forma que meninas — por que as coisas têm que ser assim? Este livro é para todos aqueles que acreditam que o importante é ter liberdade para fazer da vida o que se bem entender.”

 

Depois do sucesso do livro Coisa de Menina, Pri Ferrari lança esse mês pela Companhia das Letrinhas o livro Coisa de Menino. O livro está em pré-venda na Amazon e em várias livrarias online! Essa é uma ótima publicação para presentear os pequenos e reforçar que as crianças podem ser o que quiserem. Super pertinente para esse tempo de obscurantismo que estamos vivendo.

 

Sobre a autora: Pri Ferrari tem 27 anos e é paulistana. Escreveu e ilustrou Coisa de Menina, seu primeiro livro infantil. Acredita que o mundo pode ser um lugar melhor e está pronta para fazer a sua parte.

 

Ficha técnica:

Título original: COISA DE MENINO
Páginas: 32
Formato: 20.50 x 20.50 cm
Peso: 0.127 kg
Acabamento: Brochura
Lançamento: 17/11/2017
ISBN: 9788574068008
Selo: Companhia das Letrinhas

 

 

Março 15, 2017

[RESENHA] PARA EDUCAR CRIANÇAS FEMINISTAS: UM MANIFESTO

Sinopse: “Após o enorme sucesso de Sejamos todos feministas, Chimamanda Ngozi Adichie retoma o tema da igualdade de gêneros neste manifesto com quinze sugestões de como criar filhos dentro de uma perspectiva feminista. Escrito no formato de uma carta da autora a uma amiga que acaba de se tornar mãe de uma menina, Para educar crianças feministas traz conselhos simples e precisos de como oferecer uma formação igualitária a todas as crianças, o que se inicia pela justa distribuição de tarefas entre pais e mães. E é por isso que este breve manifesto pode ser lido igualmente por homens e mulheres, pais de meninas e meninos. Partindo de sua experiência pessoal para mostrar o longo caminho que ainda temos a percorrer, Adichie oferece uma leitura essencial para quem deseja preparar seus filhos para o mundo contemporâneo e contribuir para uma sociedade mais justa.” Fonte: Companhia das Letras. 

 

Chimamanda Ngozie Adichie é uma das mulheres que eu mais respeito quando o assunto é feminismo. Ela é o tipo de feminista que eu me esforço para ser, não exclui ninguém (pelo menos tenta não excluir) e não fica apenas repetindo jargão de internet. Com seu discurso prático e acessível, ela apresenta ideias para uma sociedade mais justa, em que as mulheres possam assumir um papel protagonista, assim como os homens sempre fizeram.

Li mais de uma vez o livro que teve origem com a palestra que ela deu para o TED Talks, Sejamos Todos Feministas, e tornei-me grande fã de seu trabalho e trajetória de vida. Comprei, mas ainda não li o livro Hibisco Roxo, e tenho interesse em toda a sua obra, especialmente o livro Americanah, cujos direitos foram comprados por Lupita Nyongo para uma provável adaptação cinematográfica.

Agora, em sua publicação mais recente, Para Educar Crianças Feministas: Um Manisfesto, Chimamanda novamente mostra a face de um feminismo atual e inteligente. A publicação surgiu de uma carta que ela escreveu para uma amiga, Ijeawele, respondendo ao seguinte questionamento: como se deve educar uma criança feminista? Como seria aplicar o feminismo na criação de uma menina, por exemplo? Pois bem, a autora escreveu uma lista com 15 sugestões para uma educação feminista, que podemos pelo menos tentar aplicar em nossos filhos e crianças próximas.

“Há alguns anos, quando uma amiga de infância – que cresceu e se tornou uma mulher bondosa, forte e inteligente – me perguntou o que devia fazer para criar sua filha como feminista, minha primeira reação foi pensar que eu não sabia.

Parecia uma tarefa imensa.

Mas, como eu me manifestara publicamente sobre o feminismo, talvez ela achasse que eu era uma especialista no assunto. Ao longo dos anos, eu havia cuidado de muitos filhos de pessoas próximas, tinha sido baby-sitter e ajudado a criar sobrinhos e sobrinhas. Havia observado muito, ouvido muito e pensado ainda mais.

Em resposta ao pedido de minha amiga, resolvi lhe escrever uma carta na esperança de que fosse algo prático e sincero, e também servisse como uma espécie de mapa de minhas próprias reflexões feministas. Este livro é uma versão da carta, com pequenas alterações.

Agora eu também sou mãe de uma menininha encantadora e percebo como é fácil das conselhos para os outros criarem seus filhos, sem enfrentar na pele essa realidade tremendamente complexa.

Ainda assim, penso que é moralmente urgente termos conversas honestas sobre outras maneiras de criar nossos filhos, na tentativa de preparar um mundo mais justo para mulheres e homens.

Minha amiga respondeu dizendo que iria ‘tentar’ seguir minhas sugestões. E, ao relê-las agora como mãe, eu também estou decidida a tentar.” (Introdução, por Chimamanda Ngozie Adichie)

 

Esse livro é genial, pois mostra um caminho ao invés de apenas apontar erros e fazer textão na internet. Existem muitas mulheres que se dizem feministas, mas quando se deparam com uma mãe casada, tendo uma vida doméstica por escolha, torcem o nariz. Saí de muitos grupos feministas e parei de seguir muitas páginas de ou sobre feminismo no facebook por essa razão. Lá, eu não seria uma feminista de verdade, porque além de todas as outras atividades que eu exerço, escolhi também ser mãe, esposa e dona de casa. Para muitas, essa minha escolha é um desperdício. Eu considero pessoas assim como um desperdício para um movimento tão legítimo e que nos rendeu tantos frutos dos quais gozamos contemporaneamente. Mais que textão falando sobre tudo o que o patriarcado roubou e ainda tenta roubar de nós, Chimamanda dá dicas para serem colocadas em prática, e é isso que nós, feministas de hoje, precisamos. Por em prática tudo aquilo que fica lindo e ganha muitos likes nas redes sociais.

 

 

 

 

Título: Para Educar Crianças Feministas: Um Manifesto.
Autora: Chimamanda Ngozie Adichie
Tradução: Denise Bottman
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 96

Compre na Amazon: Para Educar Crianças Feministas: Um Manifesto

 

Em tempo: estou ciente da polêmica envolvendo o nome da autora que em entrevista recente fez a seguinte declaração sobre uma possível diferença entre as mulheres trans e as cisgênero:

“Eu acho que todo o problema de gênero no mundo é sobre nossas experiências. Não é sobre como usamos nossos cabelos ou se temos uma vagina ou um pênis. É sobre a maneira como o mundo nos trata, e eu acho que se você viveu no mundo como um homem com os privilégios que o mundo concede aos homens e, em seguida, vivenciou a mudança de gênero, é difícil para mim aceitar que, em seguida, podemos igualar a sua experiência com a experiência de uma mulher que vive desde o início de sua vida como uma mulher, e que não teve os privilégios que os homens tem.”

 

Correndo o risco de ser transfóbica, concordo com as palavras de Chimamanda. Entretanto, reconheço que não tenho o direito nem o conhecimento necessário para expressar qualquer opinião sobre uma situação tão distante da minha realidade. No lugar dela, eu teria passado a palavra para uma trans para que ela contasse sua experiência. Evitaria, no mínimo, essa polêmica. O Huffpost Brasil falou sobre o caso e os seus desdobramentos aqui.

dezembro 12, 2016

[ETC.] OLÍVIA, UM TEXTO DESCRITIVO

Olívia, minha musa inspiradora, com 1 ou 2 meses.

 

Estou fazendo um curso de redação na modalidade EAD pela Universidade Federal Fluminense (UFF), intitulado “Redação Prática: comunicando ideias por escrito“. Tem sido uma ótima oportunidade para aprender e treinar essa arte trabalhosa que é a escrita. Meu primeiro exercício prático foi elaborar um texto descritivo. Alguns temas foram propostos e eu escolhi escrever sobre um ser humano que eu conhecesse bem. Como é notório, Olívia tornou-se o meu tema favorito! Confira o texto abaixo; críticas são (sempre) muito bem-vindas!

 

Olívia

Ela veio ao mundo trazida pelo sol de uma terça-feira. Antes disso, sentia-se confortável. Vivia em um lugar quente, aconchegante e seguro. Obviamente, nos últimos tempos o aconchego dava lugar a um aperto, em que mal conseguia mexer-se. Sentia a sua casa mover-se em demasia, como se não houvesse um lugar em que pudesse repousar. Ainda assim, era o melhor lugar do mundo para se viver.

Na nova casa, uma casa muito diferente daquela a qual acostumara-se, gostava de perceber tudo. Seus olhos, desde as primeiras piscadelas, eram, portanto, atentos, como se quisesse reconhecer o quanto antes aquele mundo que outrora fora apenas sons e leves movimentos. Era tanta informação! Seria capaz de aprender tudo? Teria que aprender, pois não era possível retornar à antiga casa. Fora arrancada depois de uma janela ter sido aberta, depois de haver sido forçada durante muitas horas a sair sozinha.

Tinha bom peso e medidas. Mediram-lhe toda. De uma pontinha a outra. Falaram alguma coisa sobre estar tudo bem a uma pessoa que não conhecia ainda. Ela estava deitada e adormecera antes que o médico pudesse acabar de falar. Sua pele, de aspecto aveludado e um aroma angelical, possível apenas em seres recém-chegados a este universo, era branca, mas não pálida. Parda, como dizia alguns papéis, inclusive o que serviria para o seu registro civil. Tinha cabelos. Alguns cabelos negros, assim como o de seus pais. Mas com falhas, o que, entretanto, não roubava-lhe um milímetro sequer de graciosidade. Era de uma beleza ímpar, assim como todos os bebês.

Pensava ser o mundo uma escuridão orquestrada por batidas ora regulares, ora irregulares. Sentiu-se feliz em reconhecer as mesmas batidas e uma voz, a primeira voz de que teve consciência, em um dos abraços que recebeu. Soube que era da pessoa que ainda não conhecia; aquela que adormecera em uma mesa antes que o médico conseguisse finalizar a frase. Olívia gostava de ficar naquele abraço. Foi amor à primeira percepção. Aquele abraço, colo, como diziam, dava-lhe sustento. Era um abraço com cheiro de lar.

Era uma menina, mas já havia ganhado o mundo. Tinha uma grande família e um lar acolhedor. Tinha um quarto só dela, mas dormia com o colo que tinha cheiro de lar e dava-lhe sustento, e com outra pessoa, que também tinha cheiro de lar. Começara a fazer coisas e emitir sons que alarmavam a todos, especialmente sua mãe. Soube quem era sua mãe. E também, seu pai. Um pequeno choro e já não estava mais sozinha, podia ser claro ou escuro, como em sua antiga casa.

Percebeu-se feliz, pois sua chegada iluminara a todos. Muito mais que o sol daquela manhã.

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