novembro 28, 2017

[LANÇAMENTO] POLDARK: ROSS POLDARK, DE WINSTON GRAHAM

Já está em pré-venda o livro Ross Poldark, primeiro volume da série Poldark, do escritor britânico Winston Graham (1908-2003). A tradução é de Bianca Costa Sales e a previsão de entrega é para dezembro, antes do natal! Saiba mais sobre o livro abaixo:

Sinopse:“Cansado de uma guerra cruel na América, Ross Poldark retorna para sua terra e sua família. Mas o alegre retorno que ele esperava torna-se amargo, pois seu pai havia morrido, sua propriedade estava abandonada, e a garota que ele amava estava noiva de seu primo. Porém, sua compaixão pelos mineradores e rendeiros desamparados do distrito o leva a resgatar uma faminta mocinha de rua que estava brigando em uma feira, um ato que altera todo o curso de sua vida.

 Ross Poldark é o primeiro romance da incrível saga de Winston Graham sobre a vida na Cornualha do século dezoito. Publicado pela primeira vez em 1945, a série Poldark tem cativado leitores por mais de setenta anos. Agora, é uma série atual, transmitida em horário nobre, pela BBC de Londres.”

 

 

Ainda estou descobrindo as maravilhas dessa série linda! Veja abaixo o trailer da primeira temporada (em inglês):

novembro 10, 2017

[RESENHA] ENCLAUSURADO, DE IAN McEWAN

Sinopse: “O narrador deste livro é nada menos do que um feto. Enclausurado na barriga da mãe, ele escuta os planos da progenitora para, em conluio com seu amante — que é também tio do bebê —, assassinar o marido. Apesar do eco evidente nas tragédias de Shakespeare, este livro de McEwan é uma joia do humor e da narrativa fantástica. Em sua aparente simplicidade, ”Enclausurado” é uma amostra sintética e divertida do impressionante domínio narrativo de McEwan, um dos maiores escritores da atualidade.”

 

Em Enclausurado, o escritor britânico Ian McEwan faz uma releitura moderna e inusitada de Hamlet, de Shakespeare. No entanto, o narrador da história, aqui, ainda não nasceu. E esse pequeno detalhe faz toda a diferença na história.

 

“Deus, eu poderia viver enclausurado dentro de uma noz e me consideraria um rei do espaço infinito não fosse pelos meus sonhos ruins.” Shakespeare, Hamlet. (epígrafe)

 

Trudy envolve-se em um tórrido caso extraconjugal com seu cunhado, Claude. O marido, duplamente traído, John Cairncross, é um poeta decadente e apaixonado pela esposa. E também o herdeiro único de um imóvel que vale alguns milhões em dinheiro. No meio disso tudo, mais precisamente dentro da barriga de Trudy, o nosso narrador descobre detalhes sobre o mundo, a humanidade, e os planos nada ortodoxos de sua mãe e seu tio para se apoderarem do bem mais precioso da família Cairncross: o imóvel.

 

“No meio de uma noite longa e serena, posso sapecar um bom pontapé em minha mãe. Ela acorda, perde o sono, liga o rádio. Uma maldade, eu sei, mas estamos os dois bem informados pela manhã.” (p. 12)

 

“Vejamos. Minha mãe preferiu o irmão de meu pai, traiu seu marido, arruinou seu filho. Meu tio roubou a mulher de seu irmão, enganou o pai de seu sobrinho, insultou gravemente o filho de sua cunhada. Meu pai é indefeso por natureza, como eu sou por circunstancias.” (p. 40)

 

“Deus disse: que seja feita a dor. E depois se fez a poesia.” (p. 53)

 

“Certos artistas, escritores ou pintores, florescem em espaços confinados como bebês em gestação. Seus temas estreitos podem desconcertar ou desapontar algumas pessoas (…) Alguns escritores de prosa cuidam apenas de seus egos. Também no campo científico há quem dedique a vida a um caramujo albanês ou a um vírus. Darwin consagrou oito anos às cracas. E mais velho e mais sábio, às minhocas. Milhares de pesquisadores passaram a vida correndo atrás do bóson de Higgs, uma coisinha de nada. Estar circunscrito a uma casca de noz, ver o mundo em cinco centímetros de marfim, num grão de areia. Por que não, quando toda a literatura, toda a arte e a iniciativa humana não passam de uma partícula no universo das coisas possíveis? E mesmo esse universo pode ser uma partícula numa infinidade de universos reais ou possíveis?” (ps. 69,70)

 

Descobri, com essa leitura, que poetas nunca trancam o carro, e também que você pode conhecer uma pessoa por dentro, conhecer suas vísceras e as alterações de seus batimentos cardíacos e, ainda assim, não conhecê-la de fato ou entender suas motivações. Enclausurado é o tipo de livro que te prende até a última palavra, não só por ser um livro de suspense, mas por ser visivelmente bem trabalhado. O resto é o caos.

 

Tirei até uma selfie com o livro. Não me peça para explicar as minhas loucuras.

 

 

SOBRE O AUTOR: Ian McEwan nasceu em Aldershot, Inglaterra, em 1948. É um dos ficcionistas mais importantes de sua geração. Seus livros já lhe renderam uma série de prêmios literários, entre eles o Man Booker Prize e o Whitbread Award. Dele, a Companhia das Letras já publicou Reparação, Na Praia e A Balada de Adam Henry, dentre outros.

 

Título: Enclausurado
Autor: Ian McEwan
Tradução: Jorio Dauster
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 200

Compre na Amazon: Enclausurado.

Leia um trecho clicando aqui.

 

junho 27, 2017

[RESENHA] O MORRO DOS VENTOS UIVANTES, ITV 2009

 

O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights) é uma adaptação do romance homônimo de Emily brontë, em dois episódios para a televisão, exibida em 2009 pelo canal ITV. Com roteiro de Peter Bowker, a série é estrelada por Tom Hardy e Charlotte Riley, como Heathcliff e Cathy Earnshaw.

 

Diferente do livro e da adaptação mais ilustre, com Ralph Fiennes e Juliette Binoche (1992), aqui não temos a figura de Nelly como narradora da história, apenas como personagem. Para quem não se lembra ou ainda não leu o romance, Nelly conta toda a história dos personagens de O Morro dos Ventos Uivantes  para um inquilino de Heathcliff.

 

Após o falecimento da mãe Isabela, Linton passa a morar com o pai, Heathcliff. De saúde frágil e caráter duvidoso, o jovem vai ajudar o pai a atrair Catherine para a sua vingança. Heathcliff planeja unir Catherine Linton ao seu filho, para que o seu domínio sobre todos seja completo. No começo pode parecer um pouco complicado, pois os jovens não fizeram nada para merecerem que tamanho plano de vingança recaia sobre eles. Um pouco mais tarde, entretanto, a história fica mais clara.

 

 

Atormentado pelo fantasma de seu amor, Heathcliff comete uma loucura: profana o túmulo de Cathy, pois a cada dia é mais difícil viver sem ela. Após passar a noite com o cadáver e ao ver Catherine na janela do quarto que fora de sua mãe, ele se recorda de sua história com os Earnshaws, de quando foi acolhido pela família.

 

Em uma viagem, Sr. Earnshaw promete trazer um violino para o seu filho Hindley e um chicote para Cathy. Ao invés dos presentes, ele traz um novo membro para a família, o jovem Heathcliff, órfão e possivelmente de origem cigana. Hindley odeia o garoto desde o primeiro momento, mas Cathy não. Sr. Earnshaw queria transformar Heathcliff em um homem de bem, honrado e, de certa forma, seu relacionamento com o pobre órfão tinha mais afeto do que ele jamais conseguira ter com o próprio filho.

 

Cathy e Heathcliff eram uma só pessoa, desde o começo. Uma amizade sincera que transforma-se, mais tarde, em um amor avassalador. Eles viviam livres como o vento, correndo pelos morros de Wuthering Heighs. Até que um dia o Sr. Earnshaw morre e Hindley, que havia passado muito tempo em um colégio para rapazes, retorna já casado e disposto a tomar o seu lugar de direito em Heights.

 

 

A partir daí as coisas começam a mudar. Hindley expulsa Heathcliff de casa e relega ao rapaz o espaço dos estábulos, junto aos cavalos, tratando-o pior que a um criado. O cigano, então, passa a nutrir um forte desejo de vingança contra o irmão.

 

Um dia me vingarei de Hindley com dor e agonia.” (Heathcliff)

 

Muitos pensam em Heathcliff como um personagem detestável, que só tem ódio e rancor em seu coração. Aqui preciso sair em defesa dele: uma criança que fora abandonada, não sabia de suas origens, fora resgatada, mas ainda era subjugada. Perde o pai que o acolheu e não lhe é permitido que viva o seu amor, por razões diversas. Heathcliff era todo sentimento, para o bem ou para o mal. Seu amor por Cathy o inflamava, assim como o seu desejo de vingança por todos aqueles que  roubaram-lhe o direito de ser feliz. Sua trajetória pode não justificar os seus atos, mas nos permite entender melhor o personagem.

 

 

Cathy jamais poderia esquecer Heathcliff, mas acaba se envolvendo com Edgar Linton, que conhecia desde a infância. Mimada e de temperamento forte, ela vê em Edgar a segurança emocional e também financeira que ela não teria com Heathcliff. Linton era, inicialmente, uma alternativa mais fácil.

 

 

-Você ama o Sr. Edgar? – pergunta Nelly

– Claro que amo – responde Cathy.

– Por que você o ama?

– Eu o amo. Não é o suficiente?

– De jeito nenhum. Deve dizer o motivo.

– Por que ele é bonito e uma companhia agradável.

– Isso é ruim.

– Serei rica. Serei a mulher mais importante dos arredores.

– Continua ruim. Mas acho que o seu irmão ficará feliz. Edgar Linton é um homem bom e irá protegê-la. Não é conveniente nem desejável que você se case com Heathcliff. E, se você ama Edgar e ele também a ama… onde está o obstáculo?

– Nelly, meu amor por Edgar é como a folhagem da mata. O tempo há de mudá-lo, estou certa disso. Meu amor por Heathcliff é como as rochas eternas por baixo. Minhas maiores tristezas no mundo têm sido as de Heathcliff. Se tudo desaparecesse e ele ficasse, eu continuaria a existir. Nelly, eu sou Heathcliff! Não como um prazer, mas como meu próprio ser! Não posso pensar em nossa separação. Nunca mais falarei sobre a nossa separação de novo.”

(O Morro dos Ventos Uivantes, 2009)

 

 

O elenco inclui nomes como Andrew Lincoln (Edgar Linton), Kevin McNally (Sr. Earnshaw), Burn Gorman (Hindley Earnshaw), Sarah Lancashire (Nelly), Rosalinda Halstead (Isabela Linton), dentre outros. Grandes atuações e um casal de protagonistas que exalam paixão, assim é O Morro dos Ventos Uivantes de 2009. Estou certa de que até quem não gostou do livro vai gostar desta adaptação!

 

 

REFERÊNCIAS:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Wuthering_Heights_(2009)

 

Resenha em colaboração com o blog Escritoras Inglesas.

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