novembro 20, 2018

[LETRAS] ÚRSULA E OUTRAS OBRAS, DE MARIA FIRMINA DOS REIS

 

Quanto mais Úrsula, melhor! A Edições Câmara, da Câmara dos Deputados, disponibiliza gratuitamente para download o livro Úrsula e outras obras, de Maria Firmina dos Reis. Integra a edição, com introdução do professor Danglei de Castro Pereira, o romance Úrsula, os contos Gupeva A Escrava, além da coletânea de poesias Cantos à beira mar. Vale muito a pena ler e conhecer Maria Firmina dos Reis e você pode começar agora, basta clicar aqui!

A Edições Câmara tem a satisfação de publicar esta coletânea com as obras de Maria Firmina dos Reis. O trabalho desta maranhense foi ignorado por mais de um século e continua pouco conhecido apesar das tentativas de resgate realizadas a partir da década de 1970.

Além de seu texto mais publicado, o romance Úrsula, incluímos o conto abolicionista A escrava e o indianista Gupeva, e sua reunião de poesias Cantos à beira-mar, todos pela sua inequívoca qualidade literária.

A importância da obra de Firmina, primeira escritora negra de que se tem notícia em nossa literatura, se deve ao pioneirismo na denúncia da opressão a negros e mulheres no Brasil do século XIX.

Antes do Navio negreirode Castro Alves, declamado pela primeira vez em 1868, Firmina já descrevia em seu livro Úrsula, de 1859, a crueldade do tráfico de pessoas sequestradas na África e transportadas nos porões dos “tumbeiros”.

Neste mesmo romance, a crítica da escritora abrange o retrato lamentável da condição feminina da época ao delinear personagens como o pai de Tancredo ou o comendador, tiranos não só de escravos, mas também de mulheres.

Maria Firmina foi uma voz profundamente legítima e dissonante que não encontrou acolhida e reconhecimento em seu tempo. Longe de fracassar, essa voz ressoa hoje cheia de significado, recriminando males que ainda assombram e permeiam nossa sociedade.

Assim,  visando  cumprir  nossa  missão  institucional  –  orientada  pela promoção  da  cidadania  e  fortalecimento  da  democracia  –,  oferecemos  a nossos leitores esta reunião de obras de Maria Firmina dos Reis, certos de que fazemos justiça a esta grande escritora rasileira incluindo-a em nossa série de clássicos.

 

 

Para quem nao abre mão do livro em papel, a Livraria da Câmara vende a edição impressa a um ótimo preço (comprei por R$ 7,00) e com frete grátis. No momento desta publicação, contudo, as vendas pela loja virtual estão suspensas.

novembro 08, 2018

[CONTOS] ANTOLOGIA CONTOS DE NATAL, DA LURA EDITORIAL

Sinopse: “Os sinos tocam as dozes badaladas. É Natal! Os presentes estão em volta da árvore, decorada com as luzes que piscam incessantemente, lembrando a todos que é o momento de harmonia e união. É neste dia que a magia invade todas as casas e ali reina o sentimento mais puro e verdadeiro: a esperança de sempre enxergar algo melhor.

Nesta obra, que tem a curadoria de Daniel Moraes, organizador da antologia “O Canto dos Contos”, o leitor encontrará a verdadeira essência do Natal, nas palavras extraídas de sábios escritores que com muito esmero, nos farão rir e se emocionar com as mais belas histórias de Natal. Merry Christmas!”

 

O natal é a minha data favorita do ano. Sério, é mais especial para mim do que o meu próprio aniversário! Eu adoro sair de casa e ver as ruas e as lojas bem enfeitadas, finalizar uma ligação no trabalho desejando boas festas, adoro cozinhar os pratos típicos… enfim, acho que você já percebeu que eu realmente AMO o natal! Por ter verdadeira adoração por essa época do ano, quando a Lura Editorial divulgou o edital para a submissão de contos para uma antologia natalina, eu fiquei muito entusiasmada e não poderia deixar de pelo menos tentar  participar desse livro! Bem no finalzinho do prazo (ora, ora!) eu mandei uma versão reduzida e com algumas alterações do conto O natal em que tudo mudou, que eu escrevi no ano passado. Algum tempo depois eu recebi um e-mail do organizador, Daniel Moraes, informando que o meu conto havia sido aprovado.

 

 

Estou ansiosa para ler todas essas histórias! Sobre o meu conto na coletânea, a sinopse da versão definitiva é a que vem a seguir:

“Myriam era uma senhora querida por sua família e vizinhança. Por muitos anos, passara boas horas na véspera de natal fazendo rabanadas e outras delícias que ela gostava de comer e oferecer aos amigos nesta data. Não era religiosa, mas o natal sempre fora a sua data favorita no ano inteiro. Agora ela estava morta. E seria velada na data mais especial do ano.”

 

 

Em breve a coletânea Contos de Natal estará à venda no site da Lura Editorial e também na minha lojinha na Amazon.

 

 

março 09, 2018

[RESENHA] ALÉTHEIA, DE SORAYA COELHO

Sinopse: “Quantas histórias cabem em um dia? O mendigo choroso segurando um fitilho vermelho. Irmãos malabaristas tirando seu troco no semáforo. Uma senhora dolorosamente comum sentada ao seu lado no metrô, repetindo um tique no cantinho dos lábios. Coisas fantásticas cabem na normalidade das nossas 24 horas. Eis aí uma Alétheia.”

 

Leia também: Duas histórias de Soraya Coelho para ler ainda hoje.

 

Primeiramente Fora Temer, vamos ao significado de Alétheia:

Alétheia (em grego antigo: λήθεια, «verdade», no sentido de desvelamento: de a-, negação; e lethe, «esquecimento»), para os antigos gregos, designava a verdade e a realidade, simultaneamente.

Em Sein und ZeitMartin Heidegger retomou o termo para definir a tentativa de compreensão da verdade. Realizou uma análise etimológica do termo a-letheia, atribuindo-lhe a significação de «desvelamento». Portanto, para Heidegger, alethéia é distinta do conceito comum de “verdade” – esta considerada como um estado descritivo objetivo.

Alétheia (em grego Ἀλήθεια), era uma Daemon que personificava a verdade, a honestidade e a sinceridade. Seus Daemones opostos eram Dolos, a trapaça, Apate, o engano, e Pseudea, a mentira, sua equivalente na mitologia romana era Veritas. Segundo uma fábula de Esopo foi criada por Prometeu em sua forja, com a ajuda de seu servo Dolos, a artimanha e as más artes:

“Dolus (trapaça) foi um dos aprendizes do astuto Prometheus, o Titan artífice. Quando este pretendia criar Veritas (Alétheia) para que regesse o comportamento dos homens, uma chamada de Iuppiter lhe obrigou a ausentar-se. Deixou Dolus custodiando a inacabada obra e este, inflamado de ambição, aproveitou a saída de seu mestre para fazer com suas próprias mãos uma figura exata em aparência a que estava fazendo Prometheus. Só lhe faltava terminar os pés quando ficou sem argila, e quando regressou com ela, encontrou o Titan que já havia regressado e, se divertindo pela semelhança das estátuas, havia metido as duas no forno para que terminasse de fazê-las, apesar de que a feita por Dolus não tinha pés. Uma vez terminada a obra lhes insuflou vida, e é por isso que Veritas (Alétheia), a verdade, caminhava graciosamente enquanto sua irmã gêmea, Mendacium (Pseudos), a mentira, segue seus passos cambaleando e quase sem sustentar-se. Por isso se diz que ainda que uma empresa feita com mentiras pareça começar com bom pé, no entanto sempre prevalecerá a verdade.”– Esopo, Fábula 530.

 

Fontes: Wikipedia: Alétheia e Wikipédia: Alétheia (Mitologia).

 

Alétheia foi um dos melhores livros que eu li em 2017. Em uma época a qual eu estava com o tempo curto para embarcar em leituras mais longas, fui surpreendida por dois livros de contos que me marcaram profundamente: este, de Soraya Coelho e Olhos D’água, de Conceição Evaristo.

Em Alétheia temos, de forma geral, uma antologia de verdades. Sobre o mundo, sobre a nossa própria vida. Verdades mesmo. É daqueles livros que você lê e, quando termina, volta e lê mais um pouquinho. É desconfortável se reconhecer em alguns pontos das histórias, mas ao mesmo tempo, é reconfortante saber que não estamos sozinhos.

A antologia é formada por dez contos, alguns bem curtinhos, mas com a qualidade de serem “precisos como uma picada de agulha”, como diria o escritor Dalton Trevisan. São todos muito bons, mas metade deles, na minha opinião, são ótimos. Lição de casa, Trabalho, João e Maria, Diante do espelho (que eu quase confundi com um dos contos de Conceição Evaristo ao fazer a resenha de Olhos D’água) e Peito queimado, são sensíveis e de impacto ao mesmo tempo. Acredito que quem não tenha lido nada de Soraya Coelho até hoje vai se render ao talento da autora só de ler esses contos.

 

“Existe uma diferença básica entre palpitar e pulsar. (…)

Palpitar sugere a possibilidade de nada ser feito. (…)

Já pulsar é impetuoso. Zune como uma lâmina de uma espada ou como uma flecha cortando o ar. Acerta o alvo. Faz o seu trabalho. O coração das mocinhas palpita, mas os das velhas senhoras pulsa.”

 

Alétheia tem prefácio de Jana Bianchi e é um livro que, absolutamente, faz o coração do leitor pulsar. Se eu fosse você, leria o quanto antes.

 

 

P.s.: Desculpem-me por não falar tintim por tintim sobre cada um dos contos. Quero que vocês recebam a picada sem muito aviso prévio. Acreditem: se eu contar demais, vou estragar a experiência de leitura de vocês e esse nunca foi o meu objetivo por aqui.

 

 

Título: Alétheia
Autora: Soraya Coelho
Editora: Publicação Independente
Páginas: 49

Compre na Amazon (disponível para assinantes Kindle Unlimited): Alétheia.

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