março 15, 2017

[RESENHA] PARA EDUCAR CRIANÇAS FEMINISTAS: UM MANIFESTO

Sinopse: “Após o enorme sucesso de Sejamos todos feministas, Chimamanda Ngozi Adichie retoma o tema da igualdade de gêneros neste manifesto com quinze sugestões de como criar filhos dentro de uma perspectiva feminista. Escrito no formato de uma carta da autora a uma amiga que acaba de se tornar mãe de uma menina, Para educar crianças feministas traz conselhos simples e precisos de como oferecer uma formação igualitária a todas as crianças, o que se inicia pela justa distribuição de tarefas entre pais e mães. E é por isso que este breve manifesto pode ser lido igualmente por homens e mulheres, pais de meninas e meninos. Partindo de sua experiência pessoal para mostrar o longo caminho que ainda temos a percorrer, Adichie oferece uma leitura essencial para quem deseja preparar seus filhos para o mundo contemporâneo e contribuir para uma sociedade mais justa.” Fonte: Companhia das Letras. 

 

Chimamanda Ngozie Adichie é uma das mulheres que eu mais respeito quando o assunto é feminismo. Ela é o tipo de feminista que eu me esforço para ser, não exclui ninguém (pelo menos tenta não excluir) e não fica apenas repetindo jargão de internet. Com seu discurso prático e acessível, ela apresenta ideias para uma sociedade mais justa, em que as mulheres possam assumir um papel protagonista, assim como os homens sempre fizeram.

Li mais de uma vez o livro que teve origem com a palestra que ela deu para o TED Talks, Sejamos Todos Feministas, e tornei-me grande fã de seu trabalho e trajetória de vida. Comprei, mas ainda não li o livro Hibisco Roxo, e tenho interesse em toda a sua obra, especialmente o livro Americanah, cujos direitos foram comprados por Lupita Nyongo para uma provável adaptação cinematográfica.

Agora, em sua publicação mais recente, Para Educar Crianças Feministas: Um Manisfesto, Chimamanda novamente mostra a face de um feminismo atual e inteligente. A publicação surgiu de uma carta que ela escreveu para uma amiga, Ijeawele, respondendo ao seguinte questionamento: como se deve educar uma criança feminista? Como seria aplicar o feminismo na criação de uma menina, por exemplo? Pois bem, a autora escreveu uma lista com 15 sugestões para uma educação feminista, que podemos pelo menos tentar aplicar em nossos filhos e crianças próximas.

“Há alguns anos, quando uma amiga de infância – que cresceu e se tornou uma mulher bondosa, forte e inteligente – me perguntou o que devia fazer para criar sua filha como feminista, minha primeira reação foi pensar que eu não sabia.

Parecia uma tarefa imensa.

Mas, como eu me manifestara publicamente sobre o feminismo, talvez ela achasse que eu era uma especialista no assunto. Ao longo dos anos, eu havia cuidado de muitos filhos de pessoas próximas, tinha sido baby-sitter e ajudado a criar sobrinhos e sobrinhas. Havia observado muito, ouvido muito e pensado ainda mais.

Em resposta ao pedido de minha amiga, resolvi lhe escrever uma carta na esperança de que fosse algo prático e sincero, e também servisse como uma espécie de mapa de minhas próprias reflexões feministas. Este livro é uma versão da carta, com pequenas alterações.

Agora eu também sou mãe de uma menininha encantadora e percebo como é fácil das conselhos para os outros criarem seus filhos, sem enfrentar na pele essa realidade tremendamente complexa.

Ainda assim, penso que é moralmente urgente termos conversas honestas sobre outras maneiras de criar nossos filhos, na tentativa de preparar um mundo mais justo para mulheres e homens.

Minha amiga respondeu dizendo que iria ‘tentar’ seguir minhas sugestões. E, ao relê-las agora como mãe, eu também estou decidida a tentar.” (Introdução, por Chimamanda Ngozie Adichie)

 

Esse livro é genial, pois mostra um caminho ao invés de apenas apontar erros e fazer textão na internet. Existem muitas mulheres que se dizem feministas, mas quando se deparam com uma mãe casada, tendo uma vida doméstica por escolha, torcem o nariz. Saí de muitos grupos feministas e parei de seguir muitas páginas de ou sobre feminismo no facebook por essa razão. Lá, eu não seria uma feminista de verdade, porque além de todas as outras atividades que eu exerço, escolhi também ser mãe, esposa e dona de casa. Para muitas, essa minha escolha é um desperdício. Eu considero pessoas assim como um desperdício para um movimento tão legítimo e que nos rendeu tantos frutos dos quais gozamos contemporaneamente. Mais que textão falando sobre tudo o que o patriarcado roubou e ainda tenta roubar de nós, Chimamanda dá dicas para serem colocadas em prática, e é isso que nós, feministas de hoje, precisamos. Por em prática tudo aquilo que fica lindo e ganha muitos likes nas redes sociais.

 

 

 

 

Título: Para Educar Crianças Feministas: Um Manifesto.
Autora: Chimamanda Ngozie Adichie
Tradução: Denise Bottman
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 96

Compre na Amazon: Para Educar Crianças Feministas: Um Manifesto

 

Em tempo: estou ciente da polêmica envolvendo o nome da autora que em entrevista recente fez a seguinte declaração sobre uma possível diferença entre as mulheres trans e as cisgênero:

“Eu acho que todo o problema de gênero no mundo é sobre nossas experiências. Não é sobre como usamos nossos cabelos ou se temos uma vagina ou um pênis. É sobre a maneira como o mundo nos trata, e eu acho que se você viveu no mundo como um homem com os privilégios que o mundo concede aos homens e, em seguida, vivenciou a mudança de gênero, é difícil para mim aceitar que, em seguida, podemos igualar a sua experiência com a experiência de uma mulher que vive desde o início de sua vida como uma mulher, e que não teve os privilégios que os homens tem.”

 

Correndo o risco de ser transfóbica, concordo com as palavras de Chimamanda. Entretanto, reconheço que não tenho o direito nem o conhecimento necessário para expressar qualquer opinião sobre uma situação tão distante da minha realidade. No lugar dela, eu teria passado a palavra para uma trans para que ela contasse sua experiência. Evitaria, no mínimo, essa polêmica. O Huffpost Brasil falou sobre o caso e os seus desdobramentos aqui.

março 08, 2017

[ETC.] A QUESTÃO DA MULHER NA SOCIEDADE

Muito se tem discutido sobre a questão da mulher na sociedade, pois embora estejamos há muito tempo distantes da antiguidade, ainda é necessário a discussão e o trabalho de conscientização sobre a capacidade da mulher de exercer plenamente sua cidadania;  sendo o gênero feminino o único historicamente considerado como inferior, desprovido de inteligência e voz.

Na antiguidade, o homem tinha sua força afirmada pela necessidade de caçar, enquanto a mulher cuidava da prole e do local onde viviam. Isso fazia sentido, pois ele era o mais forte fisicamente, então chefiava as tribos, sendo a força física fundamental para a sobrevivência. Os séculos foram passando, a força bruta foi tornando-se cada vez menos necessária para a conquista do alimento, mas, ainda assim, a mulher viveu sendo subjugada, tratada com desrespeito e feita de objeto.

Ao longo dos séculos de eras mais modernas, vimos o direito de voto ser negado às mulheres, assim como o direito a dirigir, a receber herança e a muitas outras coisas, uma lista quase infinita. A mulher não podia trabalhar fora de casa, não podia escrever sem usar um pseudônimo masculino, caso quisesse ser publicada, tudo isso em nome da moral e dos bons costumes; uma falsa proteção à família e a estabilidade do lar. As mulheres foram confinadas ao espaço doméstico e a casamentos que não lhe eram satisfatórios por muito tempo até que o movimento feminista pudesse colocá-las nas pautas dos movimentos sociais novamente.

Em pleno século XXI vemos pessoas saudosas dos tempos em que as mulheres não podiam exercer sua cidadania como os homens sempre exerceram. Pessoas que descaracterizam e ridicularizam movimentos que possibilitaram uma vida digna as mulheres. Em pleno século XXI existem pessoas que duvidam da capacidade intelectual da mulher, da sua condição de exercer plenamente sua cidadania. Infelizmente.

Considerando-se o exposto acima, percebemos que o tema A Mulher na Sociedade não se esgota em um único texto e não deixará de ser pauta de conversas e estudos sociais ainda por muito tempo. Nós mulheres temos uma jornada de lutas e superação pela frente para vivermos plenamente, independentemente de gênero ou orientação sexual, a fim de sermos reconhecidas como capaz.

 

 

Esse texto foi escrito para o curso Redação Prática: Comunicando Ideias por Escrito. Saiba mais aqui.

 

Veja também o texto que escrevi sobre o Dia Internacional da Mulher no ano passado: Sobre Flores e o Dia Internacional da Mulher.

 

fevereiro 13, 2017

[LANÇAMENTO] HISTÓRIAS DE NINAR PARA GAROTAS REBELDES

A V&R Editoras está com um lançamento incrível, o livro Histórias de ninar para garotas rebeldes: 100 fábulas sobre mulheres extraordinárias! Veja  o que a editora fala sobre a publicação:

Cem histórias que provam a força de um coração confiante: o poder de mudar o mundo.

Que essas valentes mulheres inspirem vocês. Que os retratos delas imprimam em nossas filhas e filhos a profunda convicção de que a beleza se manifesta em todas as formas, cores e idades. Em Histórias de ninar para garotas rebeldes, tudo o que podemos sentir é esperança e entusiasmo pelo mundo que estamos construindo. Um mundo onde gênero não defina quão alto você pode sonhar nem quão longe você pode ir.

“Um livro absolutamente necessário para embalar qualquer garota ou mulher que conhecemos.”
– Geri Stengel, Forbes

“Essas histórias de ninar transformarão princesas em mulheres que mudarão o mundo.”
– Taylor Pittman, The Huffington Post

 

 

Foto: Divulgação V&R Editoras (facebook)

 

Dentre as personagens reais estão Nina Simone, Coco Chanel, Frida Kahlo, Jane Austen, Serena Williams, Marrie Currie… um verdadeiro timaço para inspirar meninas E TAMBÉM meninos e todas as idades. Histórias de ninar para garotas rebeldes tem acabamento em capa dura e ilustrações lindíssimas. Um ótimo lançamento neste começo de ano!

O livro já está disponível para compra na Saraiva e na Livraria da Travessa, no valor de R$ 99,00. Em breve estará disponível em outras lojas.

 

 

Ficha Técnica

Título original: Goodnight Stories for Rebel Girls
ISBN: 9788550700724
Autor: Elena Favilli & Francesca Cavallo
Quantidade de páginas: 220
Tradução: Carla Bitelli, Flávia Yacubian & Zé Oliboni
Comprimento: 17,6 cm
Altura: 24,6 cm
Profundidade: 3 cm
Peso: 0.43 kg
Acabamento: Capa dura
Edição: 1ª/2017
Preço: R$99,90
Ebook: Não

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