junho 19, 2018

[RESENHA] A BRUXA NÃO VAI PARA A FOGUEIRA NESTE LIVRO, DE AMANDA LOVELACE

Sinopse: “Aqueles que consideram “bruxa” um xingamento não poderiam estar mais enganados: bruxas são mulheres capazes de incendiar o mundo ao seu redor. Resgatando essa imagem ancestral da figura feminina naturalmente poderosa, independente e, agora, indestrutível, Amanda Lovelace aprofunda a combinação de contundência e lirismo que arrebatou leitores e marcou sua obra de estreia, A princesa salva a si mesma neste livro, cujos poemas se dedicavam principalmente a temas como relacionamentos abusivos, crescimento pessoal e autoestima. Agora, em A bruxa não vai para a fogueira neste livro, ela conclama a união das mulheres contra as mais variadas formas de violência e opressão. Ao lado de Rupi Kaur, de Outros jeitos de usar a boca e O que o sol faz com as flores, Amanda é hoje um dos grandes nomes da nova poesia que surgiu nas redes sociais e, com linguagem direta e temática contemporânea, ganhou as ruas. Seu A bruxa não vai para a fogueira neste livro é mais do que uma obra escrita por uma mulher, sobre mulheres e para mulheres: trata-se de uma mensagem de ser humano para ser humano – um tijolo na construção de um mundo mais justo e igualitário.”

 

Há séculos muitas mulheres queimaram em fogueiras sob a acusação de serem bruxas. As curandeiras, feiticeiras, médiuns, ou simplesmente mulheres que tinham um conhecimento a frente de seu tempo, ou mesmo não se curvavam aos desmandos de sua sociedade, eram torturadas e mortas. Alguns homens também tiveram semelhante destino em épocas passadas, mas a fogueira era delas e para elas, as bruxas.

Agora, no século XXI, era da informação, as fogueiras não existem mais. Pelo menos não do jeito que existiam na Idade Média. Hoje a fogueira é simbólica e às bruxas é, em algumas vezes, assegurado o direito de apagar o fósforo.

Neste novo livro, Amanda Lovelace discorre, em poesia, sobre as fogueiras modernas. A fogueira do machismo, do abuso. Toda vez que uma de nós tem medo de sair sozinha à noite, a fogueira é acesa. Toda vez que precisamos provar além da conta o nosso valor, unicamente por sermos mulheres, a fogueira é acesa. No entanto, cada mulher que se arma e luta, por si e por suas irmãs, apaga o fósforo e vence a fogueira.

 

Leia também: A princesa salva a si mesma neste livro, de Amanda Lovelace.

 

 

“Ser uma

mulher

é estar

pronta para a guerra,

sabendo

que todas as probabilidades

estão

contra você.

— & nunca desistir apesar disso.”

 

“batom vermelho

um sinal externo

do fogo

interno.

— tentamos avisar você.”

 

A bruxa não vai para a fogueira neste livro é dividido em quatro unidades temáticas, O julgamento, A queima, A tempestade de fogo e As cinzas. É uma boa leitura para quem gosta de poesia contemporânea envolvendo a temática de empoderamento, especialmente feminismo. É também um ótimo lembrete de que as bruxas modernas estão mais poderosas do que nunca.

 

 

Título: A bruxa não vai para a fogueira neste livro

Autora: Amanda Lovelace

Tradução: Izabel Aleixo

Editora: Leya

Páginas: 201

Compre na Amazon: A bruxa não vai para a fogueira neste livro.

 

Caso tenha interesse: Lista de pessoas executadas por acusação de bruxaria.

março 29, 2018

[RESENHA] O QUE O SOL FAZ COM AS FLORES, DE RUPI KAUR

Sinopse: “Da mesma autora de outros jeitos de usar a boca, o que o sol faz com as flores é uma coletânea de poemas arrebatadores sobre crescimento e cura. Ancestralidade e honrar as raízes. Expatriação e o amadurecimento até encontrar um lar dentro de você. Organizado em cinco capítulos e ilustrado por Rupi Kaur, o livro percorre uma extraordinária jornada dividida em murchar, cair, enraizar, crescer, florescer. Uma celebração do amor em todas as suas formas. Essa é a receita da vida minha mãe disse me abraçando enquanto eu chorava pense nas flores que você planta a cada ano no jardim elas nos ensinam que as pessoas também murcham caem criam raiz crescem para florescer no final.”

 

O que o sol faz com as flores não foi, para mim, uma leitura de impacto como a coletânea anterior de Rupi Kaur, Outros jeitos de usar a boca. Fiquei refletindo sobre isso alguns minutos antes de começar a escrever essa resenha quando percebi, com alegria, que o choque do qual eu senti falta já tinha acontecido com o primeiro livro.

O que o sol faz com as flores segue a mesma linha de Outros jeitos de usar a boca, acrescentando outros temas, como a imigração e o infanticídio feminino na Índia, por exemplo. São poesias de vivências, sobretudo de vivências que nos mostram que alguns sentimentos são mais comuns entre as mulheres do que gostaríamos.

 

O que o sol faz com as flores é uma

coletânea de poesias sobre

a dor

o abandono

o respeito às raízes

o amor

e o empoderamento

é dividido em cinco partes

murchar. cair. enraizar. crescer. e florescer.

sobre o livro”

 

por que girassóis ele me pergunta

Eu aponto para o campo amarelo

os girassóis adoram o sol eu digo

quando o sol sai eles se erguem

quando o sol vai embora

eles baixam a cabeça de tristeza

é o que o sol faz com as flores

é o que você faz comigo.

o sol e suas flores”

 

 

Quando eu li Outros jeitos de usar a boca, disse que “cada homem que eu beijei está aqui nesse livro. Meu pai está nesse livro, minha mãe também. As mulheres da minha família estão aqui. Minha filha está aqui, assim como o pai dela. Mas o melhor de tudo é que eu também estou nesse livro. Acho que você também pode estar.”. Essas palavras também se aplicam a O que o sol faz com as flores, com uma adição: as poesias de Rupi Kaur surpreendem, mesmo com a simplicidade aparente dos versos, ao mostrar que não estamos sozinhas. Também comigo. Também com você. Também podemos fazer diferente.

Enquanto houver ar

em nossos pulmões —

precisamos continuar dançando.”

 

Título: O que o sol faz com as flores

Autora: Rupi Kaur

Tradução: Ana Guadalupe

Editora: Planeta

Páginas: 256

Compre na Amazon: O que o sol faz com as flores.

fevereiro 23, 2018

[RESENHA] A PRINCESA SALVA A SI MESMA NESTE LIVRO, DE AMANDA LOVELACE

Sinopse: “Amor e empoderamento em versos que levam os contos de fada à realidade feminina do século XXI. A princesa salva a si mesma neste livro, de Amanda Lovelace, é comparado ao fenômeno editorial “Outros jeitos de usar a boca”, de Rupi Kaur, com o qual compartilha a linguagem direta, em forma de poesia, e a temática contemporânea. É um livro sobre resiliência e, sobretudo, sobre a possibilidade de escrevermos nossos próprios finais felizes. Não à toa A princesa salva a si mesma neste livro ganhou o prêmio Goodreads Choice Award, de melhor leitura do ano, escolha do público. Esta é uma obra sobre amor, perda, sofrimento, redenção, empoderamento e inspiração. Dividido em quatro partes (“A princesa”, “A donzela”, “A rainha” e “Você”), o livro combina o imaginário dos contos de fada à realidade feminina do século XXI com delicadeza, emoção e contundência. Amanda, aclamada como uma das principais vozes de sua geração, constrói uma narrativa poética de tons íntimos e cotidianos que acolhe o leitor a cada verso, tornando-o cúmplice e participante do que está sendo dito.”

 

Depois de ler Outros jeitos de usar a boca, de Rupi Kaur, inevitavelmente passei a procurar por mais leituras sobre feminismo que ao invés de didáticas, promovessem, nem que por alguns minutos, uma jornada de autoconhecimento. E o livro de Amanda Lovelace acertou bem naquele ponto mais dolorido da minha existência: as memórias.

A princesa salva a si mesma neste livro fala sobre autodescobrimento e todo o processo às vezes doloroso que precisamos enfrentar para chegar lá. As quatro partes do livro são uma narrativa sobre esse processo e os versos ágeis de Amanda Lovelace são o fio condutor que não nos permite abandonar a leitura até que seja avistado o destino, a última palavra. Foi uma leitura que eu fiz em menos de uma hora e depois precisei voltar e voltar para o livro, por mais que as palavras estivessem ainda frescas na minha memória.

Falando em memória, eu me reconheci nas palavras da filha que perdeu a mãe antes mesmo que a morte conseguisse levá-la. A tragédia que pode ser o câncer, que pode fazer uma mãe esquecer uma filha, foi uma das coisas mais dolorosas que eu já li até hoje, pois aconteceu comigo. Como pode uma doença fazer uma mulher esquecer alguém que saiu do seu próprio corpo? Como pode um indivíduo se encontrar no mundo sem a sua pedra fundamental, sua mãe?

 

“Quando sua mãe

Começa a esquecer

seu nome,

você começa

a se perguntar

se existe mesmo

afinal.

 

— estágio 4, terminal.”

 

Este é um livro de impacto, especialmente para mulheres. No entanto, recomendo fortemente que você o inclua em sua lista de leitura. Sabemos que a vida não é fácil, sobretudo se você nasce mulher em uma sociedade que ainda caminha a passos de tartaruga preguiçosa no quesito igualdade de gênero. Leituras assim provam que existem outras mulheres que também sofrem, sofreram e também deram a volta por cima. Amanda Lovelace conseguiu criar algo poderoso, assim como Rupi Kaur, Angélica Freitas e muitas outras autoras que, usando de seu lugar de fala, conseguem tocar a nossa memória, alma e coração.

 

“a princesa

pulou da

torre

& ela

aprendeu

que podia

voar

desde o começo.

— ela nunca precisou daquelas asas.”

 

 

Você pode comprar esse livro com um ótimo desconto usando cupons da Saraiva ou da Livraria Cultura, neste link.

 

Título: A princesa salva a si mesma neste livro
Autora: Amanda Lovelace
Tradução: Izabel Aleixo
Editora: Leya
Páginas: 208

Disponível na Amazon: A princesa salva a si mesma neste livro.

 

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