novembro 11, 2016

[RESENHA] O DIÁRIO DE MR. DARCY

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O Diário de Mr. Darcy foi escrito por Amanda Grange e publicado no Brasil pela Pedrazul Editora. Neste romance, somos transportados de volta ao mundo de Orgulho e Preconceito, e conhecemos um pouco mais de um dos heróis mais amados da literatura mundial, Mr. Darcy.

Quando eu soube que O Diário ia ser publicado no Brasil, minha primeira reação foi a de não querer ler de forma alguma. Muito desta antipatia inicial foi motivada por uma antiga e inacabada leitura do livro Cinquenta tons do Sr. Darcy. Não estou comparando, nem poderia, mas disse a mim mesma que nunca mais leria nenhuma história paralela, inspirada, ou que tivesse qualquer relação com o meu querido Orgulho e Preconceito. Com a proximidade da pré-venda, li muitos comentários elogiando o livro e me interessei. Li  As Sombras de Longbourn e adorei. Conheci outras boas adaptações do clássico e fiquei encantada… Meu preconceito, então, foi superado e comprei o livro. Não me arrependi e a leitura superou todas as minhas expectativas! O Diário de Mr. Darcy é ótimo e quem ama Orgulho e Preconceito pode e deve ler, sem medo de ser feliz!

Uma ressalva que faço é que quem não leu o livro de Jane Austen, leia-o antes do Diário. Aqui, temos a visão do Mr. Darcy sobre a história, assim como seus sentimentos e desejos. Justamente por ter sido escrito em forma de diário, o livro retoma muitas situações e diálogos de Orgulho e Preconceito, mas também exclui bastante coisa. Afinal, só escrevemos em nosso diário aquilo que mais nos interessa, o que é mais marcante em nossas vidas, não é verdade?

O primeiro relato de Mr. Darcy em seu diário é sobre o que aconteceu entre Wickham e Georgiana. Foi bem interessante ler algumas partes que não foram contempladas no livro de Austen, como detalhes do casamento entre Wickham e Lydia, por exemplo. Não tem como não rir das observações de Mr. Darcy quando este conhece a sociedade de Hertfordshire. Do ponto de vista dele, realmente, muitas pessoas, creio eu, agiriam da forma como ele agiu. De repente, com um pouco menos de antipatia, mas isso depende da personalidade de cada um.

Quando conhece Elizabeth, nosso herói passa a escrever mais e com mais vontade em seu diário. A personalidade dela o encanta, mas, como sabemos, muita coisa acontecerá até que o orgulho e o preconceito sejam superados. Mesmo sabendo da história, fiquei na expectativa dos acontecimentos; o que me fez ler o livro em tempo recorde! Mesmo equivocado em algumas situações, é impossível não se apaixonar por Mr. Darcy novamente com a leitura deste livro.

 

A única coisa que não sai da minha cabeça enquanto escrevo é o olhar que vi nos olhos de Miss Elizabeth Bennet quando eu disse que ela não era bonita o suficiente para me despertar o desejo de dançar. Se não fosse experiente, eu o teria achado irônico. Sinto-me um pouco desconfortável por ela ter me ouvido, não tive a intenção de que as minhas palavras chegassem aos seus ouvidos. Mas seria tolo em me preocupar com os sentimentos dela, seu temperamento não é delicado, e se puxar à sua mãe, não se sentirá magoada.” (p. 28)

 

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Muitas mulheres daquela época, especialmente no círculo social ao qual Mr. Darcy pertencia, eram caçadoras de fortuna e prestígio. Eram muito prendadas em bordado, pintura, mas não tinham personalidade. Eram ensinadas a viver de acordo com o que fosse adequado para um marido, qualquer que fosse. Mr. Darcy fica, de certa forma, surpreso com o jeito de Elizabeth. Ela era uma mulher inteligente, de espírito livre e, mesmo negando-se a admitir, ele sente-se atraído por sua mente, além dos seus belos olhos, é claro.

 

Conversar com Elizabeth é diferente de conversar com qualquer outra pessoa. Não é uma atividade comum. Pelo contrário, é um exercício estimulante para a mente.” (p. 42)

“Ela é diferente de qualquer mulher que eu tenha conhecido. Ela não é bonita, mas ainda assim acho que preferiria olhar para o rosto dela a olhar para qualquer outro. Ela não é graciosa, mas ainda assim seus modos me agradam mais do que qualquer outro que eu tenha conhecido. Ela não é culta, mas ainda assim ela tem uma inteligência  que faz dela uma oradora vigorosa, e que deixa suas conversas estimulantes. Havia muito tempo que eu não esgrimia com as palavras, na verdade, não estou certo se havia feito isso alguma vez antes… E ainda assim com ela estou frequentemente engajado em um duelo de sagacidade.”

“Seria ela uma esfinge enviada para me torturar? Deve ser, pois os meus pensamentos não costumam ser tão poéticos.” (p. 46)

 

Prepare-se para odiar (ainda mais) Caroline Bingley e também para uma cena inusitada em Pemberley (imagine Mrs. Bennet e Lady Catherine de Bourgh juntas)! Sobretudo, prepare-se para um Mr. Darcy como você nunca viu.

 

Chegamos ao topo da colina.

‘Bom, e o que você acha da vista?’, Elizabeth perguntou para mim.

Eu me virei para olhar para ela.

‘Gosto bastante’, eu disse.

Ela estava tão bonita que eu me rendi ao desejo de beijá-la. Ela ficou surpresa a princípio, mas então correspondeu carinhosamente, e eu soube que o nosso casamento seria feliz em todos os aspectos.” (p. 187)

 

Agora a vontade de ler todos os outros Diários que a Amanda Grange publicou é enorme! Quem sabe o sucesso desta primeira publicação em português motive a Pedrazul Editora a trazer também os outros livros da autora inspirados nos heróis dos romances de Jane Austen? Vamos ficar na torcida!

 

 

 

Título: O Diário de Mr. Darcy
Autora: Amanda Grange
Tradução: Andrea Carvalho
Editora: Pedrazul
Páginas: 220

 

 

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maio 11, 2016

[RESENHA] PRIMEIRAS IMPRESSÕES

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Primeiras Impressões é uma adaptação moderna de Orgulho e Preconceito de Jane Austen. O romance eterno de Lizzie e do Sr. Darcy é situado desta vez entre paisagens paradisíacas do Brasil e cenários surpreendentes dos Estados Unidos, em um relacionamento complexo entre uma carioca sarcástica e brilhante e um político americano de uma família conservadora.” (contracapa)

 

Primeiras Impressões, da escritora e blogueira LRDO, me instigou por muito tempo. Ficava imaginando como essa história seria estruturada; se seria verossímil, e, acima de tudo, de agradável leitura. A capa também sempre me chamou a atenção. Quando eu pude, finalmente, ter o livro nas mãos, comecei a ler imediatamente! E foi uma leitura surpreendentemente agradável.

 

Os primeiros capítulos são muito claros nas referências aos personagens de Orgulho e Preconceito. Creio que este livro seja mais procurado por fãs de Austen, contudo, uma pessoa que nunca leu o clássico pode ler Primeiras Impressões sem medo de ser feliz! LRDO conseguiu transportar a essência dos personagens que amamos para a atualidade, sem ficar chato nem ser obviamente parecido com o romance de Austen.

 

Liz Benevides e Frederick Darcy revivem de forma moderna (e mais apimentada) a história de amor de Lizzie e Mr. Darcy. Acho que esse é um casal que nunca vai cansar as Jainetes de plantão; e neste livro você também vai se apaixonar por eles.

 

(…) O clima eletrizante que sentia com aquele homem era muito real. E inédito para ela.

Frederick não esperou uma segunda chance. (…) Tentou mentir para si mesmo. Tentou ignorar a atração. Tentou esquecê-la quando deixou o Brasil, e novamente quando deixou Washington. Tentou fingir que o que sentia por Liz não era nada. Mas era tudo. 

Ela era o seu tudo.” (p. 223)

 

É uma leitura muito agradável, principalmente porque numa dada altura da história Primeiras Impressões se distancia de Orgulho e Preconceito e passa a ter voz própria. De maneira alguma é um livro previsível; ele consegue nos fazer esperar pelo final feliz dos personagens com aquela ansiedade boa que só um bom romance tem. Recomendo! 

Título: Primeiras Impressões
Autora: LRDO
Editora: Kiron
Páginas: 304

 

Resenha em colaboração com o blog Escritoras Inglesas.

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janeiro 27, 2016

[RESENHA] AS SOMBRAS DE LONGBOURN

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As Sombras de Longbourn é um romance escrito por Jo Baker, publicado no Brasil pela Companhia das Letras, baseado em Orgulho e Preconceito, de Jane Austen. A história usa o clássico como plano de fundo para contar o dia a dia dos criados de Longbourn, casa da família Bennet, assim como suas paixões e desejos.

 

Em Orgulho e Preconceito os criados quase não aparecem. Contudo, mesmo em uma casa com poucos recursos como a dos Bennets, haviam empregados que executavam das tarefas mais simples as mais complicadas para a família; como pentear os cabelos das mulheres e recolher os penicos sujos pela manhã, por exemplo. Era um trabalho árduo e mal remunerado, mas que representava abrigo, proteção e comida para quem era pobre e sem estudo.

 

As Sombras de Longbourn são os criados Sr. Hill, o mordomo; a Sra. Hill, governanta e cozinheira; Sarah e Polly, criadas; e James, o lacaio e ajudante para serviços diversos. Jo Baker soube entrelaçar muito bem as duas histórias. Elas coexistem, mas são quase totalmente independentes. O livro também começa com a chegada da família Bingley, mas depois toma seu próprio rumo. As criticas sociais, feitas tão ironicamente por Jane Austen, aqui se tornam mais pesadas e tangíveis, pois tratam-se de pessoas que só existem para servirem outras; suas necessidades e anseios devem vir depois das dos seus patrões.

 

A criada Sarah é a personagem central da história. Ela é uma jovem órfã, acolhida pela Sra. Hill, que tem uma vida dura de trabalho pesado. É sonhadora e almeja mais do que apenas servir; tem o desejo de ser livre para viver a própria história. Fica inquieta com a chegada de James, um forasteiro que oferece os seus serviços aos Bennets e que ela tem certeza que esconde muitos segredos.

“‘Não sei mesmo o que pensar de você’, disse ela.

‘Por favor, não se dê ao trabalho de tentar’.

Ela girou o corpo e voltou com passos pesados para a cozinha. Ele era uma mistura tão grande e frustrante de solicitude, cortesia e incivilidade que Sarah não conseguia formar uma ideia clara a seu respeito. De uma coisa, porém, tinha certeza: ele estava mentindo. Não era o que fingia ser. Podia ter enganado todo mundo em Longbourn, mas a ela não enganava. Nem por um minuto.” (p. 60)

 

Claro que, com o passar das páginas, vemos que a inquietação de Sarah é algo mais que curiosidade. Eles vivem um romance como poucos que eu já vi. É um amor duro, árduo, assim como a vida deles.

“Como era possível que ela pensasse nele, e só nele, durante horas e dias a fio, que a imagem dele fosse a primeira a passar por sua mente de manhã e a última recordada em minúcias da noite, se ele – isto estava claríssimo para ela – nem tinha a menor consciência da existência dela, nunca?” (p. 96)

 

Os acontecimentos mais importantes de Orgulho e Preconceito são citados em As Sombras de Longbourn, mas de uma forma que você se sente espiando da fresta da porta, assim como os criados. Quando o Sr. Collins esteve em Longbourn pela primeira vez, Sarah pensou em lhe dizer algo que eu também pensei na minha primeira leitura do romance de Austen. Já pensaram que a Mary seria uma esposa perfeita para o Sr. Collins? Talvez pela arrogância dele, ela não tenha lhe vindo à mente como opção, mas acho os dois bem adequados um para o outro.

“Sarah inclinou a cabeça. Gostaria de se mostrar mais encorajadora. Pense em Mary, Sr. Collins. Essa seria a resposta mais útil e gentil a lhe dar. Em questões de interesses e temperamento, bem como de beleza, Mary e o Sr. Collins seriam um casal mais viável, mas se ele não era capaz de ver isso por conta própria, não competia a ela dizê-lo.” (p. 155)

 

O livro é dividido em três partes e uma conclusão. Nas partes um e dois, as histórias são mais próximas. Os acontecimentos mais marcantes de Orgulho e Preconceito, como já dito, estão lá. Já na parte três, a história de Baker toma rumo próprio. Inclusive, um fato interessante sobre este livro, é que quando Elizabeth viaja para Kent, em sua visita a Charlote Collins, Sarah também viaja, como sua criada pessoal. Enquanto uma recusa a um pedido de casamento bastante indelicado, a outra sofre com saudades do seu amor.

“Eu lhe escreveria uma carta, James. Se eu tivesse papel. Se tivesse tinta. Se tivesse um porte franco com que enviá-la. (…) Eu escreveria sobre como você me faz ser inteiramente eu mesma e ser mais real do que jamais imaginei possível. Eu lhe perguntaria se você sente a minha falta como eu sinto a sua, a ponto de no mundo todo não existir outro lugar que signifique alguma coisa para mim a não ser aquele onde você está. Eu diria que os dias que faltam para eu ver você de novo só existem para que eu passe logo por eles, são como uma conserva fria ou a faina de todos os dias, nada de bom se pode esperar deles, mas que enfim eles vão passar e eu estarei a caminho de casa para encontrar você.” (p. 269)

 

As Sombras de Longbourn é um livro intenso. Você percebe que a relação entre patrões e empregados era ao mesmo tempo íntima e distante. Os criados trabalhavam pesado para atender às mordomias de seus patrões, mas ainda assim, conseguiam ter suas vidas, seus amores, seus sonhos. Foi um livro que me surpreendeu bastante. A história é tão verossímil que tive raiva da Elizabeth e do Sr. Darcy em alguns momentos. Mas então respirei e vi que aquela era só mais uma forma de ver a história. A forma de Jo Baker; a visão dos empregados. Então entendi e aceitei a proposta do livro. Recomendo muito, especialmente para os fãs de Downton Abbey.

 

 

Informações sobre a autora: Jo Baker nasceu em Lancaster, Inglaterra. Estudou literatura em Oxford e é ph.D. em Literatura irlandesa pela Universidade Queen’s. Foi redatora na BBC Radio 4 e tem contos publicados em diversas coletâneas na Inglaterra e nos Estados Unidos. As Sombras de Longbourn, seu quinto romance, já foi publicado em diversos países e será adaptado para o cinema. (orelha do livro)

 

 

Título: As Sombras de Longbourn
Autora: Jo Baker
Tradução: Donaldson M. Garschagen
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 450

 

 

Resenha em colaboração com o blog Escritoras Inglesas

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